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4 Presentasjon og drøfting av funn

4.7 Elevane si erfaring med kompetanse og utvikling av Self-efficacy

O poder fátuo dos jornalistas

Manuel Vázquez Montálban, na obra premonitória escrita nos anos 60 do século passado, ainda em plena idade de ouro dos jornais, recorre a uma metáfora de época para retratar os efeitos diretos do mercado nos jornalistas:

“O poder (dos jornalistas) é a triste história da virgem que acabou no prostíbulo (...) Informar é uma indústria complicada nas mãos de complexos interesses à defesa: económicos, políticos, sociais”. (1963: 228 e 229).

Érick Neveu reconhece que essa tendência se acentuou: o poder e a influência dos jornalistas em geral tende a ser, cada vez mais, um “equívoco” em que muitos, ingenuamente, incorrem. As capacidades de influência atribuídas ao jornalista, de facto, não lhe pertencem:

“Surgem, na realidade, de uma rede de interdependências onde nenhum protagonista – e,

certamente, tão pouco os jornalistas – dispõe sozinho do domínio do resultado final”

(2001: 112).

Ao poder dos interesses das fontes, que pretendem atingir determinados propósitos com a divulgação de determinada notícia, Neveu junta o desejo promocional das empresas e das associações, que usam o jornalista para cumprirem, igualmente, objetivos particulares. Mas, no centro dessa rede de influências, indo mais longe do que a análise restritiva e dicotómica – jornalista/fonte - Neveu coloca os órgãos de comunicação social para onde os jornalistas trabalham que, confrontados com as influências do campo económico, condicionam o trabalho dos profissionais de informação (2001: 113).

João Pissarra Esteves considera, igualmente, que as “atuais condições” reduzem “a margem de manobra” dos jornalistas: é “muito discutível que sejam eles os detentores do tal Quarto Poder”. De facto, como reconhece o autor, “o imperativo da rentabilização do capital” determina que os conteúdos se submetam a uma lógica mais facilmente geradora de receitas, onde sobressaem os produtos de entretenimento, que se impõem como uma “espécie de tirania” (2003: 57).

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O Mercado e a Hipervalorização do Poder dos Media

Partindo da teoria clássica relativa à divisão de poderes, Ignacio Ramonet considera que o contexto atual promove a reconfiguração desse quadro. Para o autor, o primeiro poder é hoje “claramente exercido pela economia”. Ramonet entende que o jornalismo já não é (se é que alguma vez o foi) o quarto poder - farol dos poderes executivo, judiciário e legislativo. O que podemos ler no pensamento do autor é que o primado da economia faz desabar a Teoria da Separação de Poderes desenhada por Montesquieu no século XVIII e que serviu de base às constituições modernas. Nesta

classificação do jornalista, a política (poderes executivo e legislativo na classificação de

Montesquieu) surge em terceiro lugar. Ramonet omite o lugar do poder judicial, mas a segunda posição da hierarquia, depois da economia e em estreita ligação com ela, é ocupada pelo poder mediático – “instrumento de influência, de ação e de decisão incontestáveis” (1999: 40).

George Balandier destaca igualmente esse peso crescente do poder mediático e a forma como o exercício da política se submete às idiossincrasias desse outro poder

superior. O antropólogo francês constata que “as figuras atuais do poder implicam a

afirmação da competência”; mas essa afirmação tem de ser fabricada para alcançar a legitimidade fátua que a alimenta. Os responsáveis políticos recorrem, por isso, à mediação de dispositivos tecnológicos para chegarem ao coração das massas, influenciando-as: “Sem a televisão, a rádio, a imprensa de grande distribuição, esta dramatização da democracia perderia a sua dimensão nacional” (1980: 96, 99).

Na análise de George Balandier ficam claras as cedências que os responsáveis políticos têm de fazer para, por um lado, adaptarem a mensagem aos meios que a divulgam, e, por outro, a necessidade de a tornarem crescentemente dramática sob pena de essa mensagem não resgatar a atenção dos destinatários. Balandier conclui que essas cedências acabam por tornar os políticos reféns da lógica dos media:

“Melhor equipados para produzir imagens, os governos encontram-se todavia na situação paradoxal de ver esta capacidade enfraquecer pelo seu próprio uso. Têm de aprender a dominar uma nova tecnologia do simbólico e do imaginário, uma nova forma de dramaturgia política” (1980: 97).

Peter Anderson e Geoff Ward debruçam-se, exatamente, sobre os ingredientes que alimentam a relação dos políticos com os media:

“Os políticos do Reino Unido, e de todos os países, acusam frequentemente os media de sensacionalismo, banalização, vistas curtas e de pouco cuidado com a verdade. Contudo, os mesmos políticos recorrem a especialistas em propaganda, que os ensinam a comunicar com os media; muitas vezes chegam a anunciar aos media as medidas que pretendem

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aplicar e só depois aos parlamentos (…), revelando grande ansiedade por fazerem passar a

sua mensagem nos meios de comunicação social” (2007: 4).

Érik Neveu realça a “evocação alarmista” que, muitas vezes, “os titulares dos poderes sociais (eleitos, dirigentes económicos)" atribuem ao “poder” do jornalismo, sobretudo quando esse “poder” submete as ações desses representantes “à publicidade e à crítica” (2001: 101).

O exercício da política está, assim, condicionado ao poder mediático; mas o poder mediático, cultivando, como refere Ignacio Ramonet, essa estreita ligação com o poder económico, está, ele próprio, refém da economia, o primeiro poder.

Os Jornalistas Precários

No entender de Serge Halimi a estreita ligação entre o jornalismo e a economia torna claras as marcas de subserviência do jornalismo e dos jornalistas:

“A imprensa escrita e audiovisual é dominada por um jornalismo reverente por grupos industriais e financeiros, por um pensamento de mercado, por redes de conveniência (...) Os jornalistas são os novos cães de fila” (1997, apud Ramonet, 1999: 41).

Halimi defende uma posição que apenas reflete o lado mais frágil do jornalismo, maioritariamente moldado pelos efeitos da precariedade (“uma profissão cada vez mais fragilizada pelo medo do desemprego”) (apud idem, ibidem), mas a heterogeneidade da classe, que aqui apresentámos como elemento caracterizador, determina que usemos, com reservas, a argumentação de Halimi. Desde logo porque existem jovens precários que conseguem romper o espartilho da economia, aplicando, na sua ação quotidiana, os princípios que salvaguardam a matriz do jornalismo, mas também porque o grupo profissional integra jornalistas que, sem terem atingindo o

estrelato, conseguem, igualmente e em silêncio, resistir aos efeitos negativos impostos

por constrangimentos vários, limitando-se ao exercício pleno da sua missão. Esse lado mais frágil é, todavia, o que, por diversas razões, mais se impõe atualmente.

Ignacio Ramonet, sem ocultar a sua desconfiança de base pelo neoliberalismo, traça o perfil desse lado mais frágil do jornalismo, tentando explicar as razões que enquadram o poder fátuo dos jornalistas: “O sistema já não os quer”, atribuiu-lhes “um papel menos decisivo: o de operários numa produção em cadeia”, rebaixou-os à categoria de retocadores de despachos de agência”. Como Halimi, Ramonet realça a tendência que sinaliza nas redações: a “precarização galopante”, os jornalistas “meros auxiliares”, “prontos para todos os fretes”, “que fabricam uma informação por encomenda” - são as novas marcas das redações neoliberais (idem, ibidem: 51).

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Bonnie Anderson situa a análise na realidade específica da televisão, onde a lógica de ação promove o alargamento do fosso entre jornalistas indiferenciados, precários ou com salários reduzidos, e o limitado número dos "indispensáveis", que auferem salários muito elevados. Anderson realça o peso dessas figuras no organigrama dos canais:

“Dantes as notícias eram as estrelas; agora as estrelas são as estrelas (…) cada vez mais, há jornalistas de televisão, sobretudo os pivots, a auferirem salários elevados, sendo tratados como celebridades e não como jornalistas” (2004: 6).

Érik Neveu valoriza, igualmente, a tendência para a precariedade como marca de identidade das redações. O académico francês regista que o crescimento do número de colaboradores à peça está a criar um “verdadeiro batalhão de reservistas, composto por jovens, que ora estão desempregados, ora conseguem algum trabalho numa redação”. Esses trabalhadores precários, sem direitos sociais ou laborais, essa mão-de- obra barata, disposta a “desempenhar tarefas menos gratificantes", baixa os custos salariais e introduz uma “extrema flexibilidade” nos contratos de trabalho (2001: 34). Neveu considera que estas condições estão a promover o surgimento de uma nova geração de jornalistas, cuja “visão desiludida e cínica em relação à profissão”, põe “em causa alguns dos valores fundamentais da cultura jornalística” (idem, ibidem). Pierre Bourdieu atribui-lhes a mesma classificação: "geração...cinicamente resignada" (1996a: 13).

Este foco negativo, colocado na ação das novas gerações, não nos deve distanciar do contexto que, nesta primeira década do século XXI, tem promovido a interação dos mais novos com a profissão, muito afastado daquele que, até meados da década de 90 do século passado, ainda facilitava o acesso às redações e a progressão no interior das mesmas. Nessa fase, ainda se viviam, um pouco por toda a Europa, os efeitos da liberalização da televisão e da rádio, da criação dos canais de notícias 24 horas, geradores de emprego e protetores de condições laborais.

Após esse período, o mercado começa a impor-se como freio, instaurando uma outra lógica no acesso à profissão, que trataremos em detalhe em etapas posteriores desta investigação, uma lógica que perpassa as novas gerações, influenciando o seu desempenho. A lógica de mercado, e o excesso de oferta, promovem a precariedade e deixam os jovens jornalistas, que acedem à profissão, emparedados entre os vínculos frágeis com a entidade que os aceita, e a necessidade de circularem de órgão de comunicação social em órgão de comunicação social, tentando vender os trabalhos que

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produzem a preços de um mercado contaminado por esse excesso de oferta. São estes os novos jornalistas freelance44.

O desequilíbrio entre o excesso de oferta e a escassez de procura enquadra o jornalismo contemporâneo. Mas não estarão as novas gerações mais disponíveis para a rendição precoce do que estiveram as gerações anteriores?

Bonnie Anderson assinala, pelo menos, a disponibilidade das novas gerações para abdicarem dos valores do jornalismo, que nunca praticaram, nem interiorizaram, em nome do sonho de apresentarem notícias na televisão. A antiga jornalista da NBC e da CNN recua a 2001 e recorda a lista de competências que deveriam possuir os novos apresentadores de notícias da CNN: “Precisamos de jovens e atrativos apresentadores, homens e mulheres, que projetem credibilidade”. A antiga jornalista contesta a expressão “projetar credibilidade”, em substituição de “ter conquistado credibilidade durante anos de experiência”. Anderson critica, igualmente, o facto de a seleção dos candidatos ter sido feita por um ator a quem interessavam, exclusivamente, os atributos físicos e a forma como liam as notícias: “os apresentadores de notícias deveriam ser, simplesmente, atores” (2004: IX, X)45.

O impulso para esta contratação é dado pelas empresas, mas se os jovens profissionais aceitam render-se a esta lógica é, tão só, por não terem ainda suficientemente interiorizados os valores do jornalismo.

Se a maioria dos jovens que chegam às redações em Portugal, e um pouco por toda a Europa, como veremos no capítulo quatro, tem formação académica na área de comunicação/jornalismo, a academia deve investir em programas de formação que promovam a discussão da lógica do mercado, contribuindo para sensibilizar os alunos para a necessidade de lhe resistir.

Ramonet, Halimi, Bonnie Anderson e Neveu coincidem na análise dos efeitos desta precariedade: é a qualidade da informação que sucumbe à conjuntura. Reflexo visível dessa submissão é o surgimento de uma geração de jovens jornalistas deslaçados, sem cultura de redação, num convívio frágil com jornalistas integrados na

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O jornalista freelance era o que podia escolher o meio onde queria trabalhar. Optava por não se amarrar a nenhuma empresa em concreto. O espírito livre, a capacidade de trabalho, a consciência de que a competência individual era suficiente para poder escolher o lugar onde se exercia a função, reduzia, drasticamente, o número de jornalistas com este estatuto. O jornalista freelance negociava um vencimento, escolhia o tema e propunha-o a determinada empresa. Hoje, os jornalistas com esse perfil, quase desapareceram.

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A tendência assinalada por Bonnie Anderson tem idêntica expressão em Portugal: os apresentadores dos canais de notícias são, na sua maioria, jovens, iniciando carreira no jornalismo televisivo pela via da apresentação de notícias. A apresentação de notícias na TV deixou de ser um lugar alcançado pela experiência e credibilidade conquistadas, para se reger por critérios exteriores ao desempenho profissional.

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estrutura, esses começam, mercê do fosso que os separa dos mais novos, a questionar o seu papel. Se, por um lado, o batalhão de reservistas, como os classifica Neveau, aceita fazer muito por pouco, os profissionais, que consolidaram a posição na redação em épocas economicamente menos conturbadas, sentem o estatuto, e a experiência que adquiriram, postos em causa. O fosso que cresce entre as duas alas da redação é alimentado pela crescente fragilidade financeira das empresas46.

Os Efeitos do Mercado nas Empresas

A conjuntura económica desfavorável, que condiciona a atividade das empresas de comunicação social, parece, pois, ser a chave do problema. Para lá da forma como o jornalista interage com a lógica do mercado, é essa mesma lógica, e os efeitos que ela produz no jornalismo, que deveremos questionar.

Por isso, sem desresponsabilizarmos o jornalista e a ação ética e moral que lhe é reclamada no exercício da profissão, sem pormos em causa a necessidade de o jornalista ser, como defende Kapuscinski, esse homem bom permanentemente comprometido com os valores do jornalismo, a deturpação dos valores do jornalismo, por ação do mercado, parece residir mais na ação das empresas do que nos seus profissionais.

As empresas alimentam-se da precariedade e do excesso de oferta de mão-de- obra, promovendo uma praxis que, cada vez mais, as afasta dos valores do jornalismo, com reflexos claros na dinâmica profissional:

“O que está em causa (…) são os múltiplos constrangimentos que resultam do exercício da profissão no contexto das organizações empresariais, responsáveis pela redução da autonomia dos jornalistas enquanto profissionais” (Camponez, 2009: 121).

Érick Neveu identifica os sinais desses constrangimentos, fruto da quebra de autonomia dos jornalistas, promovida pelo contexto comercial que molda a sua ação. O autor francês deteta-os nos constantes “atentados aos princípios deontológicos” (2001: 115).

Seja por pressão do mercado e das empresas, seja pela precariedade crescente que submerge os princípios éticos e deontológicos que moldam a profissão, é a imagem

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Um estudo, do economista Luís Mergulhão, refere que em Portugal, no ano de 2010, o mercado publicitário valeu menos do que em 2001 (700 milhões contra 750 milhões). A preços constantes, a perda equivale a 200 milhões de euros (apud Público, Maio, 2011). De acordo com o presidente do Grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, as previsões de quebra de receitaspublicitárias em Portugal, no triénio 2008-2011, situam-se nos 180 milhões de euros, representando uma diminuição de 21 % face à média do triénio anterior (apud idem, 6 de Agosto de 2011).

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social dos jornalistas que vai revelando os sinais de degradação que identificámos na introdução deste trabalho.

Nos anos 80 do século passado observa-se em Portugal, e um pouco por toda a Europa e nos Estados Unidos da América, a clara cedência das empresas de jornalismo ao mercado. A desregulação dos media foi o motor dessa plena submissão das notícias à lógica financeira que orienta o mercado:

"Nas últimas décadas do século XX (...) um mercado altamente tumultuoso, competitivo e pleno de novas possibilidades de crescimento (...) está a provocar a profunda remodelação do universo da imprensa tradicional e do jornalismo" (Garcia, 2009: 26).

Desde os primórdios do jornalismo moderno, no século XIX, que assistimos à associação do jornalismo aos valores mercado: a necessidade de gerar receitas publicitárias, que alimentassem empresas em ascensão, determinou as primeiras cedências editoriais, que identificámos no capítulo anterior. Os anos 80 do século passado marcam, porém, um claro avanço nessa lógica. A plena reestruturação do campo dos media impõe-nos que façamos referência a uma mudança de paradigma.

Em definitivo, e sem margem para dúvidas, o jornalismo passou a ter no mercado o seu diapasão. No início dos anos 90, a expressão jornalismo de

mercado47passou a servir de rótulo a esse novo paradigma. Deixou de estar em causa a

mera subsistência financeira das empresas de jornalismo, para se impor a maximização do lucro e a rentabilidade máxima.

Philip Meyer assinala que as empresas de media passaram a funcionar de acordo com uma hierarquia de valores comerciais, com reflexos diretos nos conteúdos e na ação jornalísticos. O autor identifica três níveis nessa hierarquia de valores comerciais: o nível um determina que as empresas ganhem, pelo menos, o mesmo que gastam. Um jornal que não se autossustente, mesmo sendo propriedade de uma organização não lucrativa, não cumpre o seu papel; os empresários do segundo nível já exigem um retorno financeiro, pelo menos equivalente ao que teriam se depositassem o dinheiro investido no banco; o nível três representa a importação da lógica da economia para as empresas de media: os investidores em geral lidam com o risco e exigem um

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A expressão market driven journalism surgiu, pela primeira vez, nos Estados Unidos da América, tendo sido consagrada num conjunto de estudos académicos. Érik Neveu destaca dois: Underwood, 1993 e McManus, 1994 (2004: 115). McManus define o conceito desta forma: "O jornalismo e as notícias deixaram de satisfazer as necessidades do público para se guiarem pelas considerações do mercado (...) o objetivo era atingir o menor custo possível de produção para a maior audiência possível (...) Se o objetivo do jornalismo é maximizar o lucro, menor respeito haverá pela informação (...) Inevitavelmente, este processo promove o crescimento do jornalismo tabloide e um movimento perpétuo de escalada descendente" (1994, apud Franklin et al, 2005, 2010: 139 e 140).

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retorno superior, como compensação pelo risco que correm. Exigem que o investimento cresça. Este desiderato é sobretudo assumido pelos acionistas com interesses financeiros em muitas áreas de negócio, que usam diversas estratégias comerciais e financeiras para aumentarem o lucro (2004: 207-210).

Enquanto os jornais tiveram condições para ser um bom negócio, aos empresários dos jornais foi possível posicionarem-se no nível três, mantendo vivo o interesse dos acionistas; no final do século XX, quando a quebra de receitas deixou de suportar os custos das edições em papel, os jornais que resistiram tiveram de adaptar-se às novas regras do mercado. Trataremos esse processo de adaptação, em detalhe, no próximo capítulo.

A partir dos anos 80 do século passado, os proprietários de grupos cotados em bolsa esforçaram-se por aumentar as receitas baixando as despesas, sujeitando os órgãos de comunicação social que detinham a diversas manobras de contaminação do jornalismo pelo mercado. Os departamentos comerciais invadiram o campo das decisões editoriais, e o resultado foi uma informação padronizada, onde quantidade se tornou o avesso da qualidade; impuseram-se os estudos de mercado, com a criação de grupos de discussão (focus group), que ajudam os gestores de marketing a detetar as tendências da audiência, deixando os conteúdos televisivos, incluindo os informativos, na dependência direta dessas análises. É a plena assunção da "mentalidade rating" de que nos fala Bourdieu (1996a: 9), conceito a que regressaremos.

Analisaremos, à frente, as consequências da aplicação da lógica do mercado à informação e os efeitos na qualidade das notícias, mas, nesta fase, importa realçar os reais contornos desse novo paradigma.

Nos anos 90 do século passado, Jean Charron e Jean Bonville classificaram esse novo paradigma como a terceira geração do jornalismo. A primeira, marcada pelo jornalismo de opinião do período das luzes, sucumbiu, no século XIX, aos efeitos da industrialização e da mercantilização, tendo-se imposto a segunda geração com o seu jornalismo neutral, que tentava chegar a todas as sensibilidades, em nome do reforço das audiências. A terceira geração, impulsionada pelo mercado e pela híper concorrência, estende os seus tentáculos a todo o campo jornalístico, influenciando a ação de todos os seus agentes. Na década de 80 do século passado a informação, os critérios editoriais, ficam reféns da rentabilidade máxima (apud Neveu, 2001: 119).

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Este novo paradigma, marcado pela acentuação dos efeitos do mercado no jornalismo, configura-se recorrendo ao mesmo molde de ação do primeiro, mas a uma escala diferente. No início do século XX, o ensino do jornalismo chega à academia para dar seguimento às novas necessidades do mercado dos jornais, que reclamava, como observámos, profissionais aptos a responderem às exigências do jornalismo de massas. Nas últimas duas décadas do século passado, um mercado, de novo em ascensão, motivado, como afirmámos, pela desregulação, pelo desinvestimento do Estado na Comunicação Social, mas também, e como consequência, pelo aumento desmesurado da oferta de emprego no jornalismo, voltou a reclamar novos profissionais. O ensino do