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2. Metodologi

2.3. Gjennomføring av intervjua

2.3.1. Ekspertintervju

A diferença é que a gente está no que é nosso, mas o sistema de trabalho é o mesmo, só que não tem aquele fantasma de chegar no dia de fracasso da empresa e você correr o risco de ser dispensado. Assumir coisas e, mais pra frente, a firma não poder te dar o devido valor, você ser mais um número, ser mais um descalço. Hoje, passando para a cooperativa, você não tem esse risco, você tem que buscar o mercado e manter ele na tua linha de atividade, então, esse risco de ser dispensado não tem, para você é uma coisa sólida. A não ser que seja uma coisa má administrada, o que não está ocorrendo. (Waldir)

Como indica Waldir acima, a principal vantagem alegada pelos cooperados em trabalhar na UNIWIDIA é a segurança de ter trabalho e de não poder ser demitido à revelia. Manter um posto de trabalho, ou simplesmente um emprego, foi aliás, o principal motivador da constituição da UNIWIDIA quando do fracasso da CERVIN. Paulo explica que a faixa de idade para conseguir emprego na Indústria é muito restrita, e que seria muito difícil conseguir outro emprego com o “salário” que tem na UNIWIDIA, caso ela não fosse criada ou não conseguisse sucesso:

A questão da segurança mesmo, hoje, eu tenho 34 anos, eu trabalho como ajustador mecânico. O salário que ganho aqui, a minha retirada, eu não encontro aí fora. Fora a idade, que hoje se você tem 19 anos, você é novo demais, se você tem 35, você é velho demais, então eu ainda estou no meio aí, indo para cima, então acho que é questão de emprego.

Waldir mais uma vez surpreende ao falar que, com a cooperativa, os trabalhadores já não ficam subordinados àqueles poucos que mandam da Indústria:

A gente já se sente desprezado pelo meio industrial, em qualquer área, que acha que você é um descarte. (...) Então a cooperativa é uma alternativa, e com sucesso, aqui você cria o seu próprio mercado de trabalho, não fica na dependência de meia dúzia de pessoas que trabalham na Indústria, que dão as regras do mercado.

As ameaças a esta segurança não provêm mais da vontade de um patrão ou dos “donos da Indústria”. Hoje os riscos advêm apenas do mercado, deles mesmos, e da justiça. Do primeiro, o risco pode vir da recusa do produto da cooperativa. Quanto a isso, eles podem apenas tentar se prevenir, inovando e criando novos produtos. O segundo risco está sob controle de cada trabalhador, já que se trata da possibilidade de cometer algum erro grave que justificasse a expulsão da cooperativa. Já o terceiro risco é mais ou menos governável, pois se trata do leilão da massa falida da CERVIN, para o qual eles estão se prevenindo.

Paulo nos fala sobre os motivos para alguém sair da cooperativa, “Hoje você tem

segurança, só sai da cooperativa se você pisar na bola, ou se você quer sair mesmo, não sai igual numa empresa, em que você é demitido a qualquer hora. Então tem essa segurança que é importante para a gente”. Aziel contesta essa segurança ou

estabilidade, reafirmando a primeira ameaça, da falta de demanda pelo produto deles no mercado, apresentada com outro aspecto, sugerindo que a falta de mercado pode induzir à necessidade de diminuir o número de cooperados:

Veja bem, essa questão da estabilidade, de falar que na cooperativa a pessoa não pode ser mandada embora, realmente não pode, mas a gente conhece... Graças a Deus que na UNIWIDIA não passamos por nenhum problema ainda de falar: “olha gente, mesmo a cooperativa, a gente sabe que não pode, mas a cooperativa não tem condições de manter esse quadro, vamos ter que reduzir o quadro”. Como temos conhecimento de cooperativas que tiveram que falar: “ó gente, infelizmente, tem algum voluntário que queira ir embora? Porque não tem condições de a gente continuar com esse quadro, não tem trabalho para todo mundo, produção, tem gente em excesso, não tem produção para todo mundo”.

Um aspecto secundário da segurança de ter trabalho, mas também considerado importante, é a tranqüilidade e a possibilidade de um maior planejamento na vida familiar. Almir e Waldir falam a respeito:

Aqui na cooperativa não tem ‘facão’, chega na sexta-feira tranqüilo, pode pensar na família. Aqui nestas fábricas, todas têm facão na sexta- feira, ninguém sabe se continua, na CERVIN era assim, o ramal 209 era do DP [Departamento de Pessoal], quando alguém recebia ligação do 209 na sexta-feira já sabia que era facão.

Antes aqui era do capital, agora é socialista [diz rindo]. Agora você vem trabalhar sabendo que vai voltar, sai de casa tranqüilo, sabendo que têm

trabalho. Nós não estamos fazendo isto aqui para cinco anos, se não era melhor fechar de uma vez. Nós estamos fazendo isto aqui para o futuro, para quem vai vir depois.

Outro efeito secundário desta segurança, já tratado detalhadamente no tópico sobre liberdade e responsabilidade no trabalho, é aqui reapresentado por Daniel, que nesta fala também sintetiza a idéia da segurança proporcionada pela cooperativa:

A principal vantagem, hoje, no mercado que a gente vive, é a de você saber que você está pelo menos empregado, que você tem sua retirada sem se preocupar com o desemprego, essa aí é uma das vantagens mesmo. Outra vantagem é que você é um cara livre, um cara livre, você é responsável pelo que você faz. Numa empresa você se preocupa porque tem um patrão que está de olho em você, e você pode ser dispensado amanhã, e numa cooperativa não, trabalhando direitinho você sabe que está seguro.

Esta segurança, como já foi dito, somente é real se a cooperativa for bem administrada e tiver sempre mercado para os produtos dela. Para os cooperados que estão na fábrica, a transparência possibilitada pela cooperativa é também um novo direito e uma conquista destes trabalhadores. Como nos mostra Waldir:

[A cooperativa] é muito bem administrada, e a gente prova todo mês,

através das assembléias de prestação de contas, mostrando em papéis o que passou durante o mês na empresa, o que pode ser corrigido, o que não pode, os avanços, o que deixou de fazer, o que vai ser feito. Todo mês a gente vai mostrando para todos, com clareza, se tiver dúvida, pára, ou então se tiver uma pergunta clara, a pessoa vem e tem acesso a consultas. É bem transparente. Ao contrário de uma indústria normal, em que jamais uma diretoria ia mostrar alguma coisa para você, de forma alguma. (...) Agora todo mês você tem acesso, tem acompanhamento, tem o órgão que fiscaliza, o Conselho Fiscal, (...) não por desconfiança, mas sim para ajudar a administração em conduzir melhor as coisas.

É a transparência que permite aos cooperados saberem como está a situação econômica da cooperativa, portanto ela é fundamental para que a segurança de ter trabalho possa ser vivida de fato pelos cooperados. A transparência na UNIWIDIA é possibilitada pelas Assembléias de Prestação de Contas, pelo Conselho Fiscal (temas também já apresentados), pelo direito a consultas e pelo acesso aos documentos da cooperativa. Como disse Waldir agora e Francisco anteriormente (no tópico sobre os

limites do poder entre conselhos e cooperados), numa empresa convencional a Diretoria jamais informa os empregados da situação da empresa, pois “não é da conta deles”, o que impede que possam “fazer algo”. Na cooperativa é a transparência, cotidiana e de assembléia, que garante aos cooperados que não estão envolvidos com a gestão do negócio, a possibilidade de atuação e de proposição.