1. Litteraturundervisning i ungdomsskulen. Kanon, danning og kompetanse
1.5. Kort om teoretisk ståstad
1.5.1. Danningsomgrepet
Cada cooperativa tem a sua [forma], um ano, dois anos, de avaliação. Se a cooperativa vê que a pessoa dá para ser um cooperado, então propõe, se a pessoa quiser, tem todo o processo de como a pessoa vai pagar a quota, e aí ele se torna um cooperado. (Aziel, presidente)
Apesar da expectativa com o leilão e do alegado excedente de trabalhadores que ainda poderia existir na cooperativa, com a saída de seis cooperados em dezembro de 2003, e com o esgotamento das possibilidades de promoções de cooperados de outros setores para a Ferramentaria, onde se localiza um déficit de trabalhadores, está próximo o dia em que terão de admitir novos trabalhadores para as atividades centrais da cooperativa. Daniel apresenta esta situação e a opinião dele:
Vai acontecer, e não vai demorar muito não, (...) porque do jeito que eu estou vendo que a gente está, está começando a ficar com necessidade de mais pessoas, o serviço está apertado. Diminuiu com o pessoal que saiu, nós estávamos em 42, hoje somos 36. Então, está fazendo falta nesses departamentos, vai precisar contratar. Mas pelo estatuto da cooperativa, a gente pode contratar essa pessoa, e ela vai ficar 3 anos com a gente como funcionário da cooperativa.
Contudo, a entrada de novos cooperados está condicionada à capacidade destes integralizarem as quotas-partes, ou da cooperativa financiar este processo. Outro problema seria, segundo Paulo, a realização de um percurso formativo necessário para um trabalhador tornar-se um cooperado. Segundo Paulo:
Mas é difícil, porque um cara para entrar aqui, tem esse problema das quotas, ou ele vai ter que pôr dinheiro do bolso, ou [a cooperativa] vai ter que dividir as quotas em vários anos para o cara pagar. E tem todo um processo como cooperado mesmo, cursos, tudo que nós fizemos, o cara tem que fazer tudo, para não ter cabeça diferente, então é complicado.
Laércio, em 2003, também antes de sair do quadro de cooperados, dizia algo semelhante: “Cooperado aqui não entra mais não, se precisar de alguém tem que
[de quotas-partes], então ninguém pode entrar, e agora deve aumentar um pouco mais. (...) Está vendo como é difícil?”
Mesmo considerando estas dificuldades, o processo de entrada, mais cedo ou mais tarde, será aberto. Daniel e Aziel apresentaram acima o procedimento de entrada de novos cooperados, que foi inspirado em processo similar realizado na UNIFORJA. Primeiramente seria realizada a contratação de trabalhadores como funcionários da cooperativa, pelo prazo determinado de dois ou três anos, tempo considerado suficiente para que estes trabalhadores compreendam o que é e como funciona a cooperativa, bem como para que realizem cursos de cooperativismo. Ao término do contrato a pessoa poderia “optar” por tornar-se cooperado ou deixar o emprego. Caso realize a opção pela cooperativa, esta poderia financiar parte ou a totalidade da integralização das quotas-partes.
Paulo, para além da necessidade de trabalhadores, que é considerada a condição imprescindível para a entrada de novos cooperados, também apresenta outra condição, a necessidade de avaliação do candidato (em termos de currículo e de competência no trabalho) ao ingresso. Esta avaliação visaria principalmente evitar o favorecimento entre amigos:
A primeira avaliação é se está precisando. O cara pode ter R$ 200.000,00, mas se não está precisando da função dele aqui, não adianta. A segunda avaliação é um teste, não vai ter um só currículo, vai ter vários currículos, pode ser até indicado de algum cooperado, mas vai ter uma seleção normal, como numa empresa. Não é porque é amigo de um, amigo de outro, que o cara vai chegar aí, mesmo com dinheiro para pagar a cota à vista, que vai entrar. (...) Tem que ter a necessidade.
Além das exigências apresentadas por Paulo, fala-se também em outras duas, mais subjetivas e difíceis de apurar: a necessidade de querer ser cooperado para assumir esta condição; e a necessidade de acreditar no projeto da cooperativa.
Aziel e Daniel apresentam dois motivos para que os empregados se tornem cooperados. O primeiro é relativo aos interesses dos trabalhadores, considerados diferentes entre cooperado e empregado, e o outro, relativo aos objetivos sociais de uma cooperativa. Daniel fala sobre os interesses de cooperados e empregados:
Nós queremos que ele vire cooperado, porque não compensa ter funcionário, porque o cooperado tem um tipo de interesse, que é fazer
crescer a cooperativa, o funcionário tem o interesse de cumprir a sua obrigação e receber seu salário. Então se você tem um trabalhador que realmente quer ser cooperado dentro da cooperativa é melhor do que ser funcionário.
Aziel fala sobre os objetivos sociais de uma cooperativa, ressaltando que ter mais funcionários que cooperados poderia desviar a cooperativa de tais objetivos:
Se num momento tiver que contratar vinte, trinta [trabalhadores], não queremos ter aqui vinte cooperados e setenta funcionários, não. Eu acho que o objetivo da gente tem que ser fortalecer a cooperativa, senão de repente vira uma empresa normal, aí você perde totalmente o foco, qual foi seu objetivo com a formação da cooperativa.
Ressaltando os motivos vinculados ao leilão da massa falida da CERVIN, que atrasam o processo de entrada de novos cooperados, a UNIWIDIA está, como disse Daniel, no limite mínimo do número de trabalhadores, e logo terá de enfrentar os desafios de pôr em prática este processo de entrada de novos trabalhadores, primeiro como funcionários, depois como cooperados. Um dos desafios será como criar engajamento no trabalho e compromisso com a cooperativa em trabalhadores que, como funcionários, não participam dos espaços de decisão.
Perguntado sobre como os funcionários criariam compromisso com a cooperativa sem participar de nada, Daniel fala dos dois funcionários que a cooperativa tem hoje, Seu Laércio e Amanso, que saíram do quadro de cooperados (em dezembro de 2003) e foram contratados como funcionários:
Eu não tinha pensado nisso, porque nós temos hoje dois funcionários, eles não participam das assembléias, eles não estão por dentro de nada do que funciona na empresa. (...) Eu acho, uma opinião minha, se fosse contratar pessoas, cinco, dez pessoas, (...) uma vez por mês devia ter tipo de um treinamento para eles, separado da assembléia. O Aziel os reuniria, como presidente, e explicaria para eles como funciona a cooperativa, como é a gestão, para quando chegar os três anos eles estarem já decididos. Ficam ou vão embora.
Combinando as falas de Daniel e Aziel sobre os interesses dos funcionários e dos cooperados, e sobre o número de funcionários que a cooperativa pode assumir sem se descaracterizar, pode-se concluir que se a cooperativa tivesse um grande número de funcionários nas atividades “centrais”, a pressão dos interesses coletivos destes funcionários sobre o Conselho de Administração da Cooperativa seria tal qual o de
funcionários sobre a Diretoria em uma empresa convencional, devendo inclusive ter suas negociações mediadas pelo sindicato.
Esta situação geraria graves contradições entre os interesses de trabalhadores cooperados e funcionários, visto serem os cooperados patrões dos funcionários. Possivelmente estas contradições chegariam ao sindicato, já que os donos da cooperativa, os trabalhadores cooperados, são igualmente sócios do sindicato.