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Nesta etapa do trabalho, são apresentadas as respostas fornecidas pelos alunos acerca de suas práticas cotidianas com o léxico dentro e fora da sala de aula, mas também em relação ao modo como percebem tais práticas no âmbito do ensino das disciplinas curriculares. Como

se trata de 24 alunos que colaboraram com respostas as mais diversas possíveis para cada pergunta, cada uma das questões com as respectivas respostas obtidas por meio do questionário aplicado na turma é primeiramente inserida numa tabela ou quadro, para em seguida serem feitas as considerações que se julgarem pertinentes.

Reitere-se que as questões postas aos alunos são, em muitos aspectos, semelhantes às respondidas pelos professores, mas há diferenças entre elas que são essenciais à distinção entre si dos papéis sociais envolvidos no levantamento. Cabe, ainda, ressaltar que as respostas da aluna com deficiência intelectual são apresentadas à parte, em virtude de algumas informações díspares por ela prestadas em relação ao que respondeu o restante da turma. Disso, resulta um universo de 23 questionários abaixo analisados, vindo por último as considerações sobre as respostas da aluna incluída.

Visto que a maioria das questões possibilitava assinalar mais de uma alternativa, nem sempre a somatória dos percentuais parciais resultará em 100%. Quando se der esse caso, devem-se considerar os números informados em cada quesito em absoluto, ou seja, sem considerá-los complementares à somatória com os demais, e os valores totais não aparecem expressos. Quando, porém, a escolha de uma alternativa exigir a exclusão das demais, ao final dos números obtidos constará a somatória desses números obtidos e dos respectivos percentuais.

Acrescente-se também que, igualmente ao que pode ocorrer no caso dos professores, as respostas dos alunos devem ser tomadas exatamente como são: respostas sobre a percepção de uma realidade, e não a realidade em si. Essa percepção pode refletir tanto o que de fato ocorre nas práticas linguageiras sobre o léxico, quanto a aspiração a uma prática ideal, sem a devida correspondência com os fatos. As considerações que se seguem a cada questão, mais uma vez, não podem descuidar desse aspecto, sobretudo porque, antes da aplicação dos questionários, o professor colaborador de Língua Portuguesa havia aplicado algumas atividades introdutórias sobre verbete constantes de seu plano de curso, sem maiores aprofundamentos, mas que podem repercutir, por exemplo, compondo um cenário em que os alunos de sexto ano já dominam informações como “entrada”, “rubrica”, quando, na verdade, nem mesmo entre professores esse domínio é observado no cotidiano escolar.

A primeira questão é idêntica à que foi lançada aos professores: na sua opinião, que importância tem o dicionário para o aprendizado? A Tabela 2 fornece as respostas obtidas:

Tabela 2 – Importância do dicionário para o aprendizado, segundo os alunos. Grau de importância  Nenhuma importância     Muita importância TOTAL N.º de respostas 0 2 4 1 16 23 Percentual 0% 9% 17% 4% 70% 100% Observações incluídas --- --- Faz o aluno entender --- Traz conhecimento ---

Nota-se que a maioria dos alunos (70%) tem como muito importante o uso do dicionário no processo ensino-aprendizagem, resultado que faz coro com o que informaram os professores e pede do professor de Língua Portuguesa a iniciativa de fazer essa reconhecida importância reverter em uso mais frequente e sistemático nas diversas aulas.

A segunda questão busca medir a frequência do uso do dicionário na disciplina de Língua Portuguesa. As respostas estão tabuladas na Tabela 3.

Tabela 3 – Frequência de uso do dicionário nas aulas de Língua Portuguesa, segundo os alunos.

Frequência Nunca     Muitas vezes  TOTAL

N.º de respostas 2 6 11 3 1 23

Percentual 9% 26% 48% 13% 4% 100%

A percepção da maioria dos alunos em relação à frequência do uso do dicionário nas aulas de Língua Portuguesa difere daquilo que o professor indicou, pois 87% da turma informaram níveis intermediários de frequência de uso, enquanto o docente indicou nível máximo de frequência. Disso se depreende que, no entendimento dos alunos, houve mais oportunidades de uso que não foram aproveitadas, o que aponta para a importância de munir os professores com sugestões que demandem maior frequência de consulta desse tipo de publicação, como também de enciclopédias e glossários.

No que diz respeito à terceira questão, pergunta-se sobre a natureza das atividades desenvolvidas com dicionário nas aulas de Língua Portuguesa, cujos dados seguem na Tabela 4. Os alunos podiam assinalar mais de uma alternativa.

Tabela 4 – Natureza das atividades com dicionário nas aulas de Língua Portuguesa, segundo os alunos.

Natureza das atividades N.º de respostas Percentual De ortografia (como se escreve uma palavra) 11 48%

De procura do significado de uma palavra 23 100%

De produção textual 5 22%

De elaboração de verbetes 13 57%

De leitura e interpretação após a leitura 7 30%

De verificação de classe gramatical 2 9%

De busca por novos vocábulos 5 22%

De estudo da origem de uma palavra 8 35%

De leitura e interpretação durante a leitura 5 22%

Outras: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ 0 0%

A totalidade dos alunos tem ciência da função consultiva do dicionário, atribuindo-lhe antes de tudo o papel de esclarecer sentidos, seguindo-se a utilidade desse tipo de publicação como fonte de modelos para elaboração de verbetes, que a turma havia usado em atividades prévias com definições poéticas. Outras funções, pela ordem de citação, foram as relacionadas à ortografia, etimologia e atividades posteriores à leitura. Só depois é que o associam à produção textual.

Ainda em relação à terceira questão, não se pode deixar de mencionar que os dois alunos que, na questão anterior, informaram nunca ter utilizado dicionário nas aulas, pela lógica, deveriam tê-la deixado em branco, com o que demonstrariam ter entendido a relação entre ambas. Porém, não foi isso que ocorreu, pois os dois alunos em questão assinalaram alternativas. Dessa forma, espera-se que em relação a essa questão, haja alguma inconsistência nos números de algum dos dois papéis sociais implicados na pesquisa, o que, de toda forma, não afeta significativamente o resultado geral, dado o percentual pouco expressivo de casos.

Por sua vez, a quarta questão procura inquirir acerca da frequência de uso do dicionário nas demais disciplinas do currículo escolar, excetuando-se Língua Portuguesa. Os resultados seguem abaixo, na Tabela 5. Os alunos novamente podiam assinalar mais de uma alternativa.

Tabela 5 – Frequência de uso do dicionário nas disciplinas do currículo escolar, à exceção de Língua Portuguesa, segundo os alunos.

Frequência Nunca     Muitas vezes Em branco

N.º de respostas 4 4 11 1 2 1

Percentual 17% 17% 48% 4% 9% 4%

Observações

incluídas Inglês (1) Inglês (3)

Inglês (10)

Ciências (1) Inglês (1) Inglês (2) Inglês (1) Observação: Os números entre parênteses indicam a quantidade de ocorrências de inserção de informações em relação à quantidade de respostas.

Essa questão demonstra que os alunos consultados, de modo geral, estão atentos às informações que estão prestando. Há coerência no fato de 18 colaboradores informarem o uso de dicionário na disciplina de língua estrangeira, para a qual o dicionário constitui ferramenta indispensável, ainda que ressaltando mais sua funcionalidade interlinguística que intralinguística e, nisso, revelando um aspecto diverso do intento do presente estudo. Apenas um aluno mencionou que na aula de Ciências se recorreu ao uso da referida publicação, o que, porém, vai de encontro ao que informara o professor, quando assinalou não o ter utilizado uma única vez.

A quinta questão é discursiva e quer saber que sugestões de uso do dicionário os alunos dão aos professores das diversas disciplinas. No Quadro 1, encontram-se as respostas obtidas.

Quadro 1 – Sugestões dos alunos para uso do dicionário nas diversas disciplinas.

Pseudônimo Sugestão

1. Alice Em histórias, porque muitas vezes tem palavras muito difíceis. 2. Diego Para usar quando algumas palavras são difíceis de entender às vezes. 3. Doloca Fazer pesquisa de certas palavras e escrever o significado.

4. Grabriel Para procurar o significado das palavras.

5. Igor Quando não entendemos o significado de uma palavra. 6. João Usá-lo nas histórias.

7. Juliana Quando a aula estiver mais difícil. 8. Larissa Significados das palavras.

9. Liliane Usar mais o dicionário em revisão e trabalhos. 10. Mário Usá-los nas histórias.

11. Tatiany Usá-los nas histórias.

Doze alunos não deram nenhuma sugestão ou, mesmo escrevendo algumas frases, não propuseram usos do dicionário, como se pedia no comando. Dos onze que chegaram a corresponder ao que se pedia, cinco sugeriram não uma nova função, mas um uso já constatado na terceira questão, que é o de consulta ao significado de uma palavra. Outros quatro propuseram usá-lo em leitura de histórias, função também já arrolada na terceira questão. Essas sugestões tautológicas revelam a real experiência das crianças no uso dos suportes do gênero verbete e a dificuldade de refletir acerca da relação gênero/função.

Já a sexta questão coleta os suportes de verbete já consultados pelos alunos, dispostos na Tabela 6. A questão permitia assinalar mais de uma alternativa.

Tabela 6 – Suportes de verbete consultados pelos alunos.

Suporte N.º de respostas Percentual

Impresso: dicionário, enciclopédia 13 57%

Software: programa em CD-ROM ou instalado em

computador 2 9%

On-line: Wikipédia, dicionário on-line 3 13%

Nenhum 7 30%

Outro: Não me lembro 1 4%

Não respondeu 2 9%

Os sete alunos que informaram não ter consultado nenhum dos suportes não se lembraram das atividades introdutórias sobre verbete na etapa de incursão do professor pesquisador na sala, nas quais cada um deles recebeu um dicionário para manusear durante as atividades. Esse descompasso do dado com o fato reflete a pouca efetividade das atividades introdutórias. Estas não chegaram a chamar atenção dos alunos para o gênero e, portanto, não comprometeram as condições propícias à coleta de dados válidos, já que o ideal seria fazer o levantamento entre os alunos antes de falar do gênero.

Por outro lado, por meio dessa questão se notam a predominância dos suportes impressos tradicionalmente conhecidos e o baixíssimo uso de outros meios condizentes com as novas tecnologias, o que pode tanto indicar restrição de acesso a TIC, quanto a não aplicação destas aos contextos de estudo e aprendizagem. Nesse sentido, agrega-se ao papel do professor a tarefa de mostrar aos alunos que os recursos tecnológicos da era digital, para além dos fins de entretenimento, são poderosos meios de aquisição e produção de conhecimento.

Na sétima questão, a pesquisa questiona se os informantes apenas consultam a Wikipédia ou se também inserem e/ou alteram informações nela. As respostas estão distribuídas na Tabela 7.

Tabela 7 – Perfil dos alunos em relação ao uso da Wikipédia. Ações N.º de respostas Percentual

Já inseriu/editou informações. 0 0%

Apenas consultou. 15 65%

Não respondeu. 8 35%

TOTAL 23 100%

Essa questão apresentou uma falha de formulação, pois não deu ao aluno a alternativa de responder que nunca havia consultado a enciclopédia on-line. O considerável percentual de alunos (35%) que deixou a questão em branco pode sinalizar que eles queriam dar exatamente

essa informação. Em todo caso, claro está que todos os respondentes endossam o papel de consulentes também diante de um suporte que, mais do que uma obra para se ler, foi pensada para ser uma comunidade de autores.

A oitava questão verifica quais elementos constitutivos da construção composicional do gênero discursivo verbete são conhecidos pelos alunos. A Tabela 8 contém as respostas obtidas, que retratam a possibilidade de assinalar mais de uma alternativa.

Tabela 8 – Elementos relacionados ao gênero verbete que os alunos conhecem e dominam. Elementos relacionados ao gênero verbete N.º de respostas Percentual

Ordem alfabética 20 87%

Organização dos significados 4 17%

Sigla e abreviatura 8 35%

Parônimo 1 4%

Marca de uso (ou rubrica) 1 4%

Entrada 6 26%

Abonação ou exemplo 1 4%

Etimologia 0 0%

Definição 11 48%

Essa questão revela aspectos importantes a serem tratados na proposta de intervenção didático-pedagógica, pois apresenta quais elementos da construção composicional são pouco ou até totalmente desconhecidos dos alunos. O domínio da ordem alfabética (no plano da

macroestrutura, conforme apresentado no subtópico 2.2.3 do presente trabalho) que eles informaram favorece a rápida busca do verbete, porém encontrar a palavra-entrada é apenas um dos passos da efetiva interação do leitor com o texto dos dicionários, enciclopédias e glossários. Outros elementos das convenções lexicográficas, que costumam vir explicitados nas páginas iniciais das obras relativas ao léxico (ou seja, na superestrutura, quando o autor da obra lexicográfica a apresenta e dá orientações aos consulentes), como as marcas de uso e as siglas (no plano microestrutural, também informado no subtópico 2.2.3, que, com a

macroestrutura e a superestrutura, compõem a organização estrutural da obra lexicográfica), favorecem o conhecimento mais aprofundado do verbete consultado, mas, por serem desconhecidos pelos seus usuários, deixam de prestar essa contribuição.

A partir da nona questão, os alunos responderam ao questionário em folha complementar, a exemplo do procedimento que foi necessário também com os professores, e levaram alguns dias a mais para responder a essa segunda parte e, enfim, devolvê-la. Na sequência das questões, perguntou-se a eles se utilizavam o dicionário fora da escola. A Tabela 9 expõe os dados obtidos.

Tabela 9 – Uso do dicionário fora da escola.

Frequência de uso N.º de respostas Percentual

Não, nunca usei fora da escola. 1 4%

Sim, poucas vezes. 19 83%

Sim, muitas vezes. 3 13%

TOTAL 23 100%

A maioria dos alunos afirma usar o dicionário fora da escola, mas poucas vezes. O uso do dicionário merece, pois, ser valorizado por meio de atividades que ressaltem a importância de sua função como um repositório do inventário da língua que exerce uma função no âmbito social, para além do âmbito escolar, na medida em que favorece o enriquecimento do léxico quando vem a ser consultado nos diversos contextos de estudo e de interação. Essa constatação, pois, não pode ser negligenciada na etapa de elaboração e aplicação de atividades com o constituinte lexical da língua.

A décima questão pergunta se os alunos, por iniciativa própria, procuram utilizar o dicionário como recurso de aprendizagem nas disciplinas curriculares à exceção de Língua Portuguesa e Redação. Seguem as respostas na Tabela 10.

Tabela 10 – Uso do dicionário por iniciativa própria dos alunos nas disciplinas curriculares, à exceção de Língua Portuguesa e Redação.

Uso por iniciativa própria dos alunos N.º de respostas Percentual

Não costuma usar 14 61%

Costuma usar 9 39%

TOTAL 23 100%

Praticamente dois terços dos alunos não têm por prática usar o dicionário nas aulas, quando muito de Língua Portuguesa ou Redação, o que se alinha com a hipótese lançada neste trabalho de que a importância desse instrumento é esquecida. Assim, reitera-se a necessidade de promover a intensificação de seu uso e chamar a atenção dos alunos e professores para os efeitos benéficos de sua função consultiva para o adequado domínio dos assuntos abordados nas aulas.

Já a décima primeira questão solicita uma informação de natureza social, quando inquire os tipos de recursos de que os alunos dispõem em casa ou para uso próprio fora da escola. A Tabela 11 apresenta as respostas dadas por eles, que podiam assinalar mais de uma alternativa e tinham ciência de que deixar todas em branco também constituía informação válida para análise.

Tabela 11 – Recursos disponíveis em casa ou para uso próprio, segundo os alunos.

Recursos N.º de respostas Percentual

Dicionário escolar 10 43%

Aplicativo de celular/tablet para consulta/estudo 4 17%

Dicionário enciclopédico 4 17%

Enciclopédia 1 4%

Buscador na Internet 5 22%

Nenhum (deixou todas as alternativas em branco) 4 17%

O acesso reduzido a livros de consulta (tais como dicionários e enciclopédias) e aos recursos tecnológicos é sintomático de uma clientela predominantemente carente, já identificada anteriormente neste trabalho, alinha-se à informação prestada na sexta questão (sobre os tipos de publicações já consultados pelos alunos na busca por verbetes) e incide diretamente nas práticas que os estudantes desenvolvem para empreender seus estudos e pesquisas. Nesse caso, tanto mais relevante é o papel da escola enquanto espaço de democratização de recursos da era digital, papel que seria contemplado no âmbito da presente pesquisa caso os alunos fossem encaminhados ao laboratório de informática para terem acesso a versões eletrônicas e on-line de dicionários, enciclopédias e glossários.

A décima segunda questão é a segunda que solicita resposta totalmente discursiva dos alunos e quer saber deles que tipo de material bibliográfico ou fonte de informação consultam para desenvolver as pesquisas que os professores solicitam durante o ano letivo. Algumas respostas foram desconsideradas, por não condizerem com o que se pediu no comando. O Quadro 2 organiza as respostas válidas, iniciando-se pelos recursos mais recorrentes e concluindo com os menos mencionados. Os nomes de alguns alunos se repetem quando eles informam mais de um recurso.

Quadro 2 – Materiais utilizados pelos alunos para desenvolver pesquisas escolares. Materiais mencionados N.º de ocorrências Pseudônimos

Dicionário 7 Igor, Júlia, Juliana, Larissa Manuela, Neimar, Sacha, Samay

Livros 5 Camila, Elisabete, Sacha, Samay, Tatiany

Internet 5 Cristiano, Júlia, Juliana, Sacha, Samay

Google/buscador na Internet 2 Agatha, Doloca

Computador 2 Ana, Jéssica

Livros didáticos 2 Diego, João

O dicionário escolar constitui recurso mais citado entre os alunos para as pesquisas que lhes são solicitadas. Essa informação pode ser entendida, se se levarem em conta pesquisas de caráter conceitual, nas quais se busca o conceito expresso por determinada palavra ou expressão, ou ainda se, no ato de pesquisar em outras fontes, o dicionário serve de apoio à compreensão. A enciclopédia, apesar de constituir rica fonte de informações, acabou não sendo apontada por nenhum aluno como base de consulta para pesquisas escolares. Além disso, os livros e a Internet, que, pode-se entender, inclui itens variantes como “Google”, “buscador na Internet” e “Computador”, constituem as fontes mais comuns de informação.

No mais, nessa questão há um sério problema com as respostas dos alunos, originado por um deslize de natureza metodológica tardiamente detectado. O modo como a questão foi formulada (Quando seus professores das diversas disciplinas solicitam trabalho de pesquisa

sobre algum assunto, que material você consulta?) não permite detectar se se trata de pesquisas de caráter conceitual. Uma vez que é incerto o tipo de pesquisa de que os alunos falam, não faz sentido compreender que o dicionário é a principal fonte de consulta para trabalhos de História, Ciências ou Matemática, por exemplo, já que, em vez disso, constitui apoio à leitura de outras fontes preferenciais de pesquisa, como livros das disciplinas específicas. Tais respostas, portanto, não estão condizendo com a realidade e indicam muito mais a vontade de agradar o pesquisador, mesmo porque questões anteriores, como a sexta e a décima primeira afunilavam a atenção dos entrevistados exatamente para o dicionário.

A décima terceira questão é a última do questionário. Nela, explica-se rapidamente o que são dicionários especializados e, a seguir, pergunta-se aos alunos se já consultaram algum deles. Quando a resposta era positiva, pedia-se que especificassem o dicionário especializado consultado. Seguem as respostas na Tabela 12.

Tabela 12 – Consulta a dicionários especializados pelos alunos.

Consulta a dicionários especializados N.º de respostas Percentual

Não, nunca utilizei. 14 61%

Sim. Especificação não informada. 9 39%

TOTAL 23 100%

Nota-se que nenhum dos nove alunos que declararam ter consultado dicionários enciclopédicos informou a fonte. Em alguns casos, os alunos prestaram informações incompatíveis com o que se pedia no comando da questão. Em ambos os casos, pode estar evidenciada a diferenciação incerta que fazem desse tipo de publicação, a despeito das informações dadas no comando da questão. Essa reflexão aponta para a possibilidade de que a

totalidade dos alunos participantes, na verdade, nunca utilizou nenhum dicionário especializado, o que viria ao encontro dos dados obtidos na questão anterior e da carência de dicionários especializados observada na biblioteca. Nesse sentido, tanto maior é a importância de conduzir as meninas e os meninos à prática da elaboração de glossários de termos de saberes específicos.

Antes de concluir as considerações acerca das respostas fornecidas pelos alunos, faz-se necessário relembrar rapidamente que na turma havia uma aluna incluída, que possuía deficiência intelectual. No caso dela, foi preferível comentar as respostas em separado, porque muitas perguntas parecem ter ficado obscuras à sua compreensão, a julgar pela quantidade de questões deixadas sem resposta, bem maior do que entre os demais colegas: a primeira, a segunda, a quarta, a quinta, a sexta e a décima segunda. Além do mais, na sétima questão, acerca do perfil de uso da Wikipédia, ela foi a única que informou ter inserido ou editado informações, destoando de todas as demais respostas da turma.