9.1 Householdsection
9.1.11 Education
de comunicação. Parte da pergunta “em que ambiente se inscreve o ato de comunicação?” Pode ser caracterizado por uma montagem ou edição.
Os dados internos são aqueles propriamente discursivos e que estão no âmbito da pergunta “Como dizer?”. É o domínio que vai tentar identificar a reação dos parceiros da
76 troca, o modo de falar, de agir e de perceber a mensagem. Constitui os comportamentos linguageiros, que são divididos em três espaços.
A locução é o espaço da fala, que deverá ser conquistado pelo locutor. O PETA, como
já observado, conquista este espaço ao se aproximar de celebridades e também com protestos nas ruas ou boicotes a empresas multinacionais, que não atendem suas exigências de bons tratos aos animais.
A relação acontece a partir da análise do que saiu na Folha Online sobre o grupo,
observamos que a principal estratégia da ONG norte-americana se dá tanto por conivência, quando pede a palavra para elogiar um artista que fez algo a favor dos animais; ou agressão, quando envia notas “ríspidas” sobre celebridades que, de alguma forma, prejudicam os animais. Pode ser resumida desta forma: “se você trata bem os animais, terá meu apoio, caso contrário, farei de tudo para depreciar sua imagem.” Diante disso, sobra para o público decidir de que lado vai ficar: diante de uma celebridade que usa peles de animais em extinção ou a favor dos argumentos do grupo. Mesmo quando a notícia é a favor de determinado artista, não é possível afirmar que um fã ficará mais fã ao saber que ele é vegetariano ou que criou um sapato vegan, como em “Baixista do Green Day assina design de tênis para grife vegetariana”, publicada na Folha Online em 16/06/2009. A menção ao PETA se dá por um suposto equívoco do grupo:
Dirnt, que não é vegetariano, e mantém um restaurante que serve carnes na Califórnia, foi eleito de maneira equivocada um dos vegetarianos mais sexies do mundo pela organização em defesa dos animais, PETA.
A tematização é o lugar do domínio do saber e quando o sujeito toma uma posição em
relação ao tema. A posição do PETA é bem clara e não deixa nenhuma dúvida em relação ao seu objetivo: proteger os animais, não importa quem eles terão que atropelar pelo caminho. Aliás, quanto mais famosa for a pessoa, mais visibilidade terão. Pelo que é divulgado, notamos um êxito maior, considerando êxito a aparição na mídia, para o combate do uso de peles de animais. Isso porque as pessoas tendem a reconhecer o ato de crueldade envolvido na morte de um animal exótico para ser utilizado como casaco por pessoas abastadas.
Em relação ao tipo de reivindicação dentro da proteção dos animais, as matérias podem ser divididas da seguinte forma:
77
Tema Número de matérias
Contra o uso de peles 26
Incentivo ao vegetarianismo 13
Defesa dos animais de uma forma geral 10 Contra os maus-tratos de animais na China 3
Contra a KFC 3
Adoção de animais 2
Contra zoológicos 2
Pela liberdade de uma lagosta 2
Contra a corrida de touros em Pamplona 1
Contra rinha de galos 1
Contra circos 1
Contra o foie gras 1
Contra os maus-tratos de cangurus na Austrália 1
Abate humanitário 1
Contra a matança de focas no Canadá 1 Contra a morte ao vivo de uma mosca por Barack Obama 1
Das 69 matérias que trazem referência ao grupo PETA, 37 estão associadas a alguma celebridade da música, TV ou cinema. Esse número aumenta se somarmos uma matéria que associa o grupo a um atleta olímpico e quatro com políticos, especificamente o atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Ou seja, são 42 menções do nome PETA diretamente vinculadas a alguém que detém notoriedade mundial.
Isto explica porque somente cinco matérias com referência ao grupo de proteção dos animais estejam na seção Bichos da Folha Online, contra 40 na seção Ilustrada, espaço cultural do jornal Folha de São Paulo. Trata-se de uma estratégia de divulgação, adotada explicitamente pelo PETA, que busca nas celebridades seu chamariz, não importa se o artista em questão tenha uma postura favorável ou contra os direitos dos animais: se a pessoa for favorável a causa, será convidada a dar depoimentos em nome do PETA; se for contra, entrará em algum ranking proposto pelo grupo que desfavorecerá sua imagem. Em ambos os casos, a associação será feita e o grupo encontrará seu espaço na mídia por meio dessas pessoas.
78 Fazendo uma analogia com a própria Folha Online, que traz seções para vários tipos de público, o PETA busca no sincretismo uma forma de se fazer visto por todos, por isso, está sempre associado a um nome notório, a uma marca famosa ou a um evento de grande visibilidade, mas sempre reforçando a mensagem de defesa dos animais, que pega carona com os grandes eventos noticiados. Edgar Morin (1997:36) define muito bem este propósito ao dizer que os grandes veículos de comunicação tendem ao sincretismo a fim de atender e satisfazer a todos os interesses do público.
Revistas como Life ou Paris-Match, grandes jornais ilustrados como France-Soir, superproduções de Hollywood ou grandes coproduções cosmopolitas se dirigem efetivamente a todos e a ninguém, às diferentes idades, aos dois sexos, às diversas classes da sociedade, isto é, ao conjunto de um público nacional e, eventualmente, ao público mundial. A procura de um público variado implica a procura de variedade na informação ou no imaginário; a procura de um grande público implica em um denominador comum. (Morin, 1997:35)
A partir dessas observações, uma das classificações possíveis da amostra estudada nos leva a fazer uma relação do PETA com alguns grupos temáticos, considerando o foco principal dado pela matéria e não seus cruzamentos, pois em alguns momentos uma matéria pode abranger mais de dois temas. Chegamos a seis grupos: