9.2 Individualsection
9.2.6 Assistivedevices
1. 17/12/2009 - 09h28: Zoo oferece massagem feita por elefantes na Tailândia
2. 11/06/2009 - 09h54: Diretor de zoo de Berlim tem dedo amputado após ataque de macaco 3. 05/05/2009 - 08h57: Google “contrata” cabras para aparar grama da empresa nos EUA 4. 04/04/2009 - 12h08: Jogos “indies” inovam e quebram paradigmas
81 5. 20/01/2009 - 13h40: Aos 140 anos, lagosta reconquista liberdade
6. 10/01/2009 - 18h26: Lagosta de “140 anos” é libertada nos Estados Unidos 7. 03/09/2008 - 13h34: Guarda britânica deixará de usar chapéu com pele de urso 8. 01/09/2008 - 11h11: Abate humanitário é ampliado no Brasil e divide opiniões
9. 04/11/2007 - 02h20: Donos de circos de todo o mundo se reúnem na China e pedem um melhor trato dos animais
10. 13/03/2007 - 09h40: China quer criar imposto do cachorro
11. 20/12/2005 - 13h06: FBI monitora grupos de ativistas sociais nos Estados Unidos 12. 28/08/2005: VINICIUS MOTA - Os ossos da sogra e o libertador dos porcos
O erotismo
Tanto em seus protestos como em campanhas publicitárias, que serão tratadas nas análises semióticas no capítulo 3, o PETA lança mão do erotismo, associando corpos nus à defesa dos animais. Essa sugestão pode ser dividida em duas abordagens: anúncios com modelos, artistas considerados “sex-appeal” e ativistas que tiram a roupa em protestos. Ambas têm a nudez e o corpo como convite ao vegetarianismo e como manifestação contra roupas que têm como matéria-prima peles de animais. Essa estratégia foi repercutida em 14 notícias que fazem alusão ao PETA de 2004 a 2009.
No primeiro caso, a invocação é o desejo ou o eros cotidiano, como defendido por Edgar Morin. O PETA apropria-se de corpos considerados belos pela sociedade para seduzir o público em relação ao seu produto, que é a defesa dos animais, mensagem que pode ser traduzida por “Olhe o corpo que você pode ter se aderir ao vegetarianismo” ou “Sou bela e famosa e defendo os animais.”
É que se operou uma espantosa conjunção entre o erotismo feminino e o próprio movimento do capitalismo moderno, que procura estimular o consumo. O dinheiro, sempre insaciável, se dirige ao Eros, sempre subnutrido, para estimular o desejo, o prazer e o gozo, chamados e entregues pelos produtos lançados no mercado. As mercadorias carregadas de um suplemento erótico são também carregadas de um suplemento mítico: é um erotismo imaginário, isto é, dotado de imagens e de imaginação, que embebe ou aureola esses produtos fabricados; esse erotismo imaginário se adapta, aliás, ao erotismo vivido, que não é somente multiplicação da estimulação epidérmica, mas também multiplicação dos fantasmas libidinosos. (Morin, 1997:120)
Morin também afirma que o erotismo da mercadoria é típico da publicidade, não do produto que ela anuncia, e está diretamente vinculado à cultura de massa e aos veículos de comunicação com os quais dialoga, como TV, rádio, jornais.
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A injeção de erotismo na representação de uma mercadoria não erótica (as publicidades que juntam uma atraente imagem feminina a uma geladeira, uma máquina de lavar roupa ou uma soda) tem por função não apenas (ou tanto) provocar diretamente o consumo masculino, mas de estetizar, aos olhos das mulheres, a mercadoria de que elas se apropriarão; ela põe em jogo junto ao eventual cliente a magia da identificação sedutora; a mercadoria faz o papel de mulher desejável, para ser desejada pelas mulheres, apelando para seu desejo de serem desejadas pelos homens. (Morin, 1997:120)
É isso que o PETA faz ao chamar para seus anúncios mulheres com corpos considerados perfeitos, como no anúncio que virou notícia e que será analisado no próximo capítulo: “Atriz de „Crepúsculo‟ tira a roupa em defesa dos animais”, na Folha Online, de 09/11/2009. A matéria tem uma visada da captação, percebida no apelo comercial do título que faz referência ao filme Crepúsculo, parte de uma série sobre vampiros que virou sucesso em livros, e depois ganhou o cinema. Tem também o nudismo da atriz associada à defesa dos animais, o que suscita curiosidade de um fã tanto da atriz, quando o da série da escritora Stephenie Meyer.
A matéria é ilustrada com o cartaz em que a atriz Christian Serratos “tirou a roupa” em prol dos animais. O cenário da foto é um ambiente sombrio, nebuloso com manchas de sangue, referência direta ao filme que estrela. Não há nenhum dito do PETA ou outra referência ao motivo que levou o grupo a elaborar tal peça publicitária. Apenas o texto curto: “No cartaz, Christian aparece ao lado do já célebre slogan „Prefiro sair nua a usar peles‟ ”. A nota se encerra com uma pequena referência a outros papéis que ela desempenhou na TV. Pode-se dizer que é praticamente uma foto legenda, o que mais atrai o olhar é o tamanho da foto dispensado pela Folha Online na diagramação, que destoa das outras imagens publicadas nas matérias pelo site.
84 A notícia sobre a adesão da atriz Pamela Anderson à luta contra a caça às focas no Canadá tem o mesmo estilo de inserção de foto, muito maior que a grande maioria das imagens que ilustram as matérias do site de notícias: “Pamela Anderson se junta a ONG contra caça às focas”, Folha Online, em 23/10/2009. Mesmo não fazendo menção textual à nudez, sugere o erotismo. A imagem mostra a atriz em pose sensual, vestida somente com uma camiseta que marca as curvas de seu corpo e traz a ilustração de uma foca. Ao contrário da nota sobre a campanha estrelada pela atriz do filme Crepúsculo, que não tinha muita informação sobre a defesa dos animais, esta traz dados sobre o massacre de focas no Canadá, comentando tanto o lado dos protetores dos animais, como dos defensores da caça. Cabe ressaltar as aspas dadas ao dito relatado da atriz, que é uma porta-voz do PETA. As aspas têm a conotação de que o que está sendo dito pode não ser verdadeiro ou deve ser observado com ressalvas.
A caça às focas na costa oeste do Canadá é a maior do mundo, e mata uma média de 300 mil focas por ano. A comunidade indígena Inuit, do Canadá, afirma que a caça provê empregos cruciais e comida para habitantes de vilarejos isolados no norte do país. A atriz disse em um programa de TV no Canadá que a caça anual às focas é “bárbara e cruel”, e “uma vergonha” para seu país.
Outro ponto de destaque é a informação de que outras celebridades estão envolvidas na causa, que aparece no texto do anúncio não traduzido e nem mencionado:
O que eu tenho em comum com Barack Obama, Vladimir Putin e Dalai Lama? Nós todos nos opomos ao massacre de bebês focas. Está na hora de parar com o vergonhoso massacre do Canadá.
86 Em seu site, o PETA tem uma seção denominada “banned ads”, ou anúncios censurados. É visível que a ONG tem orgulho de suas mensagens polêmicas e que exploram essas censuras, utilizando-as a favor da marca, haja vista que isto gera mais mídia espontânea, com interesse no motivo que levou a reprovação dos veículos de comunicação. É o caso de “Comercial de ONG com Pamela Anderson é proibido”, Folha Online, em 10/09/2009; e “Comercial sensual de entidade de defesa dos animais é censurado nos EUA”, Folha Online, em 28/01/2009, ambos com conotação sexual.
Apelos parecidos estão nas matérias:
“Alicia Silverstone diz que amigo a fez perder vergonha de posar nua” “Modelos da “Playboy” aderem à campanha por vegetarianismo nos EUA”
“Líder do Coldplay é vegetariano mais sexy do mundo, diz grupo” e “Prince sucede Chris Martin como vegetariano mais sexy do mundo”
Surge uma questão: o que chama mais a atenção? A celebridade ou a mensagem que ela está passando?
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Já os protestos com ativistas nus buscam atrair olhares para algo considerado inesperado e, em alguns casos, bizarro. Mas o recorte feito pela mídia pode tender para uma ridicularização do assunto.
Como no caso da notícia sobre um protesto em Paris: “Militantes contrários ao uso de peles protestam nus em Paris”, Folha Online, em 12/02/2004. Trata-se de uma manifestação contra o uso de peles que moveu ativistas em cinco cidades: Nova York, Toronto, Londres, Glasgow e Paris. O holofote ficou sobre a capital francesa, até pelo contexto dado pelos manifestantes, que definiram a cidade como sendo a mais romântica do mundo, ideal para sensibilizar turistas sobre o sofrimento dos animais.
89 Um detalhe importante é que o título “protestam nus” não condiz com a imagem que mostra quatro manifestantes eufóricos carregando cartazes em forma de coração com a frase “Não às peles. Sim ao amor.” As duas mulheres que aparecem na foto, reproduzida pela Folha Online, cobrem os seios, que aparentemente estão nus, com as placas, mas estão de calcinha. Assim como os homens vestem cuecas. Todas as peças íntimas usadas são vermelhas, uma alusão ao amor erótico, conotação observada na cama inflável, cor-de-rosa, montada em frente à loja Louis Vuitton, cenário do protesto. A foto traz a legenda “Membros do grupo „antipele‟ durante protesto em Paris.” A nomeação do grupo aparece entre aspas, o que já supõe um tom irônico dado à informação e à ação.
Parecida em sua proposta e veiculação midiática é o título “Manifestante nua invade passarelas na Semana de Moda de Paris”, Folha Online, em 28/02/2007. Mais uma vez, o nu não faz apelo ao sensual ou erótico e, sim, ao ridículo. Na foto, vemos uma manifestante segurando um cartaz que cobre metade do seu corpo nu com os dizeres: “Prefiro andar nua a usar peles”, sendo segurada por um segurança do desfile.
90 O grupo PETA conseguiu seu objetivo que foi invadir a passarela de um importante desfile e derramar sua mensagem de protesto. Mas não conseguiu dar credibilidade ao intuito primário, que é incentivar a abolição total das peles de animais nos vestuários. A notícia traz um dito relatado do estilista alvo do protesto, Christian Lacroix, que fala: “Não sou hipócrita. Adoro peles. É um desafio. Estamos na vanguarda todos os dias. É questão de estar sintonizado com o mundo. Não somos uma torre de marfim.” A matéria termina com a informação que outros manifestantes tentaram, sem sucesso, invadir o desfile do estilista italiano Valentino.
Com a afirmação de Lacroix e o desfecho da matéria, podemos dizer que os usuários de pele ganharam pontos e um ótimo motivo para continuar usando-as.
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