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8. VEDLEGG

8.2 V EDLEGG 2

“O fato de me sentir compreendido pelas outras partes faz com que aumente a minha confiança”.

Tabela 22 - A compreensão das mensagens

Opinião Valor Freqüência Percentual

Discordo Totalmente 1 1 0.35%

Discordo 2 28 9.72%

Não tenho Opinião Formada 3 20 6.94%

Concordo 4 176 61.11%

Concordo Totalmente 5 63 21.88%

Total das Respostas - 288 100%

Média 3.94 Mediana 4 Moda 4 Desvio Padrão 0.84 Valor Mínimo 1 Valor Máximo 5 Fonte: O autor

4.3.22 Fator 22 – A disponibilidade de tempo para interagir

“A disponibilidade de tempo para interagir facilita a criação da confiança entre as partes”.

Tabela 23 - A disponibilidade de tempo para interagir

Opinião Valor Freqüência Percentual

Discordo Totalmente 1 3 1.04%

Discordo 2 45 15.63%

Não tenho Opinião Formada 3 44 15.28%

Concordo 4 154 53.47%

Concordo Totalmente 5 42 14.58%

Total das Respostas - 288 100%

Média 3.64 Mediana 4 Moda 4 Desvio Padrão 0.94 Valor Mínimo 1 Valor Máximo 5 Fonte: O autor

4.3.23 Fator 23 – O equilíbrio entre as trocas sociais e profissionais

“Um equilíbrio entre as trocas sociais e profissionais nas interações, também proporciona um aumento da confiança”.

Tabela 24 - O equilíbrio entre as trocas sociais e profissionais

Opinião Valor Freqüência Percentual

Discordo Totalmente 1 1 0.359%

Discordo 2 29 10.079%

Não tenho Opinião Formada 3 42 14.589%

Concordo 4 173 60.079%

Concordo Totalmente 5 43 14.939%

Total das Respostas - 288 100%

Média 3.79 Mediana 4 Moda 4 Desvio Padrão 0.82 Valor Mínimo 1 Valor Máximo 5 Fonte: O autor

4.3.24 Fator 24 – A consciência do processo da construção da confiança

“Ter consciência que a confiança é um processo que engloba a sua criação, manutenção e até mesmo recuperação, aumenta o nível de confiança nas minhas interações virtuais”. Tabela 25 - A consciência do processo da construção da confiança

Opinião Valor Freqüência Percentual

Discordo Totalmente 1 2 0.69%

Discordo 2 23 7.99%

Não tenho Opinião Formada 3 54 18.75%

Concordo 4 143 49.65%

Concordo Totalmente 5 66 22.92%

Total das Respostas - 288 100%

Média 3.86 Mediana 4 Moda 4 Desvio Padrão 0.88 Valor Mínimo 1 Valor Máximo 5 Fonte: O autor

4.3.25 Fator 25 – Aceitar a traição como parte do processo da construção da confiança

“Admitir que a traição faça parte do processo da construção da confiança, e, portanto, que é preciso ter maturidade para encará-la com naturalidade, aumenta ainda mais o nível da confiança nas interações que realizo”.

Tabela 26 - Aceitar a traição como parte do processo da construção da confiança

Opinião Valor Freqüência Percentual

Discordo Totalmente 1 32 11.11%

Discordo 2 82 28.47%

Não tenho Opinião Formada 3 72 25.00%

Concordo 4 85 29.51%

Concordo Totalmente 5 17 5.90%

Total das Respostas - 288 100%

Média 2.90 Mediana 3 Moda 4 Desvio Padrão 1.12 Valor Mínimo 1 Valor Máximo 5 Fonte: O autor

4.3.26 Síntese dos resultados

Na Tabela 27 encontram-se sintetizados os resultados relativos aos fatores tidos como facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais.

Tabela 27 - Resultados relativos aos fatores facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais Fatores Fatores N MP MD DV MO MIN MAX 1. Competência 288 3.65 4 1.10 4 1 5 2. Benevolência 288 3.95 4 1.00 4 1 5

3. Honrar os compromissos (Integridade) 288 4.60 4.5 0.45 5 3 5

4. Reconhecimento 288 4.00 4 0.86 4 1 5

5. Autoconfiança 288 3.77 4 0.95 4 1 5

6. Propensão para confiar (expor-se ao risco) 288 3.29 4 1.09 4 1 5

7. Prestar ajuda ou comportamento prestativo 288 3.95 4 0.83 4 1 5

8. Altruísmo (Oferecer algo sem a expectativa da compensação imediata) 288 3.95 4 0.91 4 1 5

9. Flexibilidade 288 3.48 4 1.01 4 1 5

10. O respeito à pluralidade de idéias 288 4.38 4 0.67 4 2 5

11. A liberdade para se expor sem medo de errar 288 4.17 4 0.84 4 1 5

12. A dependência mútua 288 2.86 3 1.12 2 1 5

13. A solução positiva ou favorável dos conflitos 288 4.10 4 0.70 4 2 5

14. A homogeneidade cultural 288 3.11 3 1.07 4 1 5

15. A clareza quanto à responsabilidade ou o papel de si próprio e o da outra parte 288 3.98 4 0.86 4 1 5 16. A transparência quanto às normas e as regras de funcionamento de um grupo

ou de uma organização

288 3.89 4 1.02 4 1 5

17. A pró-atividade: as iniciativas 288 3.50 4 1.02 4 1 5

18. O feedback: as respostas 288 4.06 4 0.82 4 2 5

19. A tempestividade das iniciativas e respostas 288 3.85 4 0.94 4 1 5

20. A qualidade da contribuição 288 4.11 4 0.74 4 2 5

21. A compreensão das mensagens 288 3.94 4 0.84 4 1 5

22. A disponibilidade de tempo para interagir 288 3.65 4 0.95 4 1 5

23. O equilíbrio entre as trocas sociais e profissionais 288 3.79 4 0.83 4 1 5

24. A consciência do processo da construção da confiança 288 3.86 4 0.88 4 1 5

25. Aceitar a traição como parte do processo da construção da confiança 288 2.91 3 1.12 4 1 5 N = número de respondentes, MP = média aritmética ponderada, MD = mediana, DV = desvio padrão, MO = moda, MIN = grau mínimo da escala, MAX = grau máximo da escala Fonte: O autor

Conforme procedimento constante alínea “iii” do item 3.6 do capítulo 3, da metodologia da pesquisa, verificou-se que os respondentes que compõem a amostra concordaram que a maioria dos fatores objeto da hipótese da pesquisa (levantados na literatura) são facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais. A maioria dos fatores alcançou média, mediana e moda superiores a três e as medidas de dispersão das respostas (desvio padrão) foram baixas, variando entre 0.48 e 1.12. Dos vinte e cinco fatores, vinte e três foram validados pela amostra.

Quanto ao procedimento descrito na alínea “iv” do item 3.6 do capítulo 3, da metodologia, os fatores não validados pela amostra foram o fator 12 – Dependência mútua – que obteve média de 2,86 e o fator 25: Aceitar a traição como parte do processo da construção da confiança – que obteve média de 2,91. Portanto, a maioria dos respondentes não concordou que esses dois fatores fossem facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais.

Um dos motivos que talvez justificasse o fato de os respondentes não terem percebido o fator dependência mútua como um facilitador à construção da confiança nas interações virtuais, pode ter sido pela falta de compreensão do termo no contexto da pesquisa, já que apenas uma pergunta do questionário se referia a ele. Segundo Houaiss (2001), o termo dependência pode ter algumas significações distintas: subordinação, submissão à vontade de outrem, necessidade de proteção e interação. No contexto da pesquisa o termo é utilizado para expressar uma interação ou correlação e não uma subordinação ou submissão.

Conforme exposto na seção 2.4.3 da Revisão de Literatura, Krogh, Ichijo e Nonaka (2001) consideram que é a dependência mútua que faz do grupo um grupo e negar essa dependência ou tentar convertê-la em algo diferente retarda a capacidade do grupo de agir como um todo. Um grupo só será capaz de produzir resultados se seus membros dependerem uns dos outros. Já Chavaren (2003) sugere que no contexto das equipes virtuais quanto maior a dependência entre os membros mais fértil é o terreno para a construção da confiança. Assim, face ao fato dos respondentes não terem tido acesso à revisão de literatura da pesquisa permanece então a dúvida quanto à interpretação que cada um pode ter dado ao termo dependência, necessitando, portanto, de uma averiguação mais profunda quanto a essa questão em pesquisas futuras.

O outro fator não validado foi – Aceitar a traição como parte do processo para a construção da confiança. Sem dúvida, trata-se de um assunto bastante polêmico e o resultado comprovou isso já que embora o maior número de respondentes (85) tenha optado pela opção 4

da escala Likert (Concordo), houve uma predominância das opções 1 (discordo totalmente) e 2 (discordo) com 52,78% frente às opções 4 (concordo) e 5 (concordo totalmente) com 47,22%, que justificou a não validação do fator (tabela 28).

Tabela 28 - Freqüência comparativa das respostas do fator 25

Opinião Freqüência %

Discordo 114 52,78%

Concordo 102 47,22%

Total das Respostas 216 100,00%

Fonte: O autor

Apesar de Solomon e Flores (2002), considerarem a traição como natural em um processo de construção da confiança, os respondentes discordaram desta posição e isso provavelmente deve-se ao pouco tempo que essas pessoas têm para investir na recuperação de uma confiança perdida. Os trabalhadores virtuais necessitam de adquirir uma confiança quase que instantânea nas suas interações (swift trust), e , portanto, pode-se supor que a traição tenha um efeito catastrófico para esses tipos de interação.

De acordo com os procedimentos das alíneas “v” e “vi” do item 3.6 do capítulo 3, da metodologia, apresenta-se na tabela 29 a classificação dos fatores em ordem decrescente de importância. O valor da média é indicativo da importância dos fatores; quanto maior a média, maior a importância do fator.

Tabela 29 - Resultados relativos aos fatores facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais por ordem de importância

Ordem do Fator Fatores Fatores

N MP MD DV MO MIN MAX

1 3 - Honrar os compromissos (Integridade) 288 4,60 4,5 0,45 5 3 5

2 10 - O respeito à pluralidade de idéias 288 4,38 4 0,67 4 2 5

3 11 - A liberdade para se expor sem medo de errar 288 4,17 4 0,84 4 1 5

4 20 - A qualidade da contribuição 288 4,11 4 0,74 4 2 5

5 13 - A solução positiva ou favorável dos conflitos 288 4,10 4 0,7 4 2 5

6 18 - O feedback: as respostas 288 4,06 4 0,82 4 2 5

7 4 – Reconhecimento 288 4,00 4 0,86 4 1 5

8 15 - A clareza quanto a responsabilidade ou o papel de si próprio e o da outra parte 288 3,98 4 0,86 4 1 5

9 2 – Benevolência 288 3,95 4 1 4 1 5

10 7 - Prestar ajuda ou comportamento prestativo 288 3,95 4 0,83 4 1 5

11 8 - Altruísmo (Oferecer algo sem a expectativa da compensação imediata) 288 3,95 4 0,91 4 1 5

12 21 - A compreensão das mensagens 288 3,94 4 0,84 4 1 5

13 16 - A transparência quanto as normas e as regras de funcionamento de um grupo ou de uma organização

288 3,89 4 1,02 4 1 5

14 24 - A consciência do processo da construção da confiança 288 3,86 4 0,88 4 1 5

15 19 - -A tempestividade das iniciativas e respostas 288 3,85 4 0,94 4 1 5

16 23- -O equilíbrio entre as trocas sociais e profissionais 288 3,79 4 0,83 4 1 5

17 5 – Autoconfiança 288 3,77 4 0,95 4 1 5

18 1 – Competência 288 3,65 4 1,1 4 1 5

19 22 - A disponibilidade de tempo para interagir 288 3,65 4 0,95 4 1 5

20 17 - A pró-atividade: as iniciativas 288 3,50 4 1,02 4 1 5

21 9 – Flexibilidade 288 3,48 4 1,01 4 1 5

22 6 - Propensão para confiar (expor-se ao risco) 288 3,29 4 1,09 4 1 5

23 14 - A homogeneidade cultural 288 3,11 3 1,07 4 1 5

24 25 - Aceitar a traição como parte do processo da construção da confiança 288 2,91 3 1,12 4 1 5

25 12 - A dependência mútua 288 2,86 3 1,12 2 1 5

N = número de respondentes, MP = média aritmética ponderada, MD = mediana, DV = desvio padrão, MO = moda, MIN = grau mínimo da escala, MAX = grau máximo da escala Fonte: O autor

Não causou surpresa o fato do fator 3 – Honrar os compromissos (Integridade) – ter sido considerado o mais importante, classificado em primeiro lugar e alcançando uma média de 4,60. O fator atingiu o grau 4,5 referente a sua mediana e o grau máximo 5 (concordo totalmente) referente a sua moda.

Segundo Solomon e Flores (2002), “a confiança é questão de assumir e manter compromissos e acreditar na viabilidade dos compromissos humanos é o primeiro passo necessário para tornar-se confiável e é, igualmente, a pressuposição do confiar”. Já Kofman (2004, p. 259) vincula diretamente o cumprimento dos compromissos à integridade das partes ao afirmar que “ser íntegro é honrar os compromissos”, e que um comportamento íntegro gera confiança.

Cabe ressaltar que a pesquisa não confirmou a visão do swift trust exposta no Capítulo 2, seção 2.2.3.1.1, na qual o compromisso entre as partes perde a sua importância face aos fortes efeitos que a reputação e a clareza do papel de cada membro produzem na construção da confiança entre os membros das equipes ou grupos (MEYERSON; WEICK; KRAMER, 1996 apud JARVENPAA; LEIDNER, 1999 p. 28). A pesquisa evidenciou que nada é tão importante para a construção da confiança nas interações virtuais quanto a honra dos compromissos assumidos entre as partes.

Também não foi motivo de surpresa a classificação em segundo e terceiro lugares dos fatores 10 – Respeito a pluralidade de idéias – e do fator 11 – Liberdade para se expor sem medo de errar – com uma média de 4,38 e 4,17 respectivamente. Os dois fatores obtiveram grau 4 para a mediana e a moda, comprovando assim a grande relevância destes como facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais.

Krogh, Ichijo e Nonaka (2001, p. 186) afirmam que o respeito à pluralidade de idéias é fundamental para criar um ambiente ou contexto capacitante. Um espaço que fomente novos relacionamentos visando o compartilhamento do conhecimento entre os membros. Em tal contexto um individuo admite e aceita que o outro possa ter um ponto de vista diferente e que este não deve ser desprezado (KOFMAN, 2004, p. 256).

Por outro lado, as pessoas necessitam de liberdade para expor as suas idéias. Elas não devem ter medo do ridículo e nem da apropriação indébita das suas idéias (HILDRETH; KIMBLE, 2004, p. 22).

As pessoas buscam a liberdade de agir conforme as suas crenças e desejos, livres de coerções e restrições. Quando são privadas dessa liberdade, decidem lutar ferozmente ou se render. Em qualquer das duas circunstâncias, elas não se sentirão comprometidas em apoiar aquele que estiver restringindo a sua liberdade (KOFMAN, 2004, p.69). Por isso, quando têm a possibilidade de agir segundo seus próprios critérios, negociando as condições e restrições impostas pela realidade, de acordo com os seus valores pessoais e em busca da satisfação dos seus desejos alcançam a autentica liberdade (KOFMAN, 2004, p. 247).

Dois fatores causaram surpresa quando verificada a ordem de importância. O primeiro, o fator 1 – Competência – com uma média de 3,65 se posicionou em décimo - oitavo lugar muito abaixo do esperado, tendo em vista tratar-se de um fator bastante ressaltado na literatura consultada. Muitos autores consideram a competência como um fator decisivo na construção da confiança nas interações pessoais.

Segundo Solomon e Flores (2002, p. 131), confiar nas pessoas envolve a avaliação do nível de competência delas e por isso um aspecto importante do confiar é medir corretamente esse nível. Já Cross e Parker (2004, p. 99) acreditam em uma confiança baseada na competência: “eu acredito que você sabe sobre o que está falando”. Neste sentido, o domínio da competência é um dos grandes geradores de confiança e um dos fatores que nela produzirão variações. Quando uma pessoa mostra-se incompetente em um determinado domínio, sofre em conseqüência uma variação negativa no grau de confiança que os demais depositam nela nesse domínio em particular. (ECHEVERRIA, 2003, p. 121).

O segundo, o fator 17 – Pró-atividade: a iniciativa, que obteve uma média ainda mais baixa (3,49), colocando-se em vigésimo lugar, muito embora uma boa parte da literatura considere a pró-atividade, ou seja, a tomada de iniciativa em uma interação virtual, fundamental para a construção da confiança nessas interações.

Segundo Iacono e Weisband (1997, p. 413), os membros das equipes virtuais necessitam participar ativamente das suas interações, demonstrando o seu envolvimento e criando um ciclo de iniciativas e respostas. As iniciativas nas interações são questões ou propostas que um membro faz a outra parte, na expectativa de obter uma resposta ou um comentário sobre o assunto exposto. Essas iniciativas individuais contribuem para que todos os participantes da equipe percebam que a confiança pode se estabelecer e se propagar de forma crescente por toda a equipe. Tomar a iniciativa em uma interação significa sugerir em vez de aguardar uma sugestão, ou

ainda, oferecer-se como voluntário em vez de questionar a voluntariedade do outro (JARVENPAA; LEIDNER, 1999, p. 25).

Na questão 35, uma questão aberta e opcional, perguntou-se aos respondentes se, com base na percepção e experiência de cada um, eles identificavam outros fatores além daqueles constantes do questionário da pesquisa. Dos 288 respondentes, 113 se manifestaram em relação à questão conforme demonstrado na tabela 30.

Tabela 30 - Fatores sugeridos pelos respondentes

Fatores Quantidade de respostas

A importância das relações pessoais e dos encontros presenciais. 25

A ética. 13

A segurança do sistema computacional de interação. 10

O tempo de convivência. 6

A objetividade nas trocas de informações. 6

A reputação. 6

A participação do líder ou gestor 4

A linguagem comum 3

Fonte: O autor

A maioria destes respondentes (vinte e cinco no total), considerou que as relações pessoais com a outra parte é um fator relevante para a construção da confiança nas interações virtuais. Muitos destes destacaram ainda a importância de encontros presenciais entre as partes, ou seja, mesmo em um contexto virtual viram a necessidade da relação face a face para o incremento da confiança nas suas interações. Essa posição é a mesma defendida por alguns autores influentes da literatura. Daft et al. (1987) e Short et al. (1976 apud JARVENPAA; LEIDNER, 1999, p. 4) questionam sobre a possibilidade de desenvolvimento de relações, e consequentemente de confiança no meio virtual. Eles sugerem que a comunicação via computador pode eliminar os tipos de sinais de comunicação que os indivíduos usam para transmitir confiança, ternura, atenção e outras afeições interpessoais. Igualmente Handy (1995, p. 44), questiona se as equipes virtuais podem funcionar efetivamente mesmo na ausência de interações face a face. Ele argumenta que o êxito de tais equipes depende do estabelecimento da confiança, e que esta só é obtida por meio de contato presencial.

Uma outra sugestão que mereceu destaque entre os respondentes (13 no total), foi a questão da ética, dos valores e da integridade nos relacionamentos. Apesar de duas questões do questionário (11 e 12) já contemplarem a importância da integridade e do compromisso, alguns respondentes sentiram a necessidade de reforçar ainda mais esta questão. Isto reitera ainda mais o

resultado dessa pesquisa que teve o fator 3 – Honrar os compromissos (Integridade) – como o mais importante facilitador à construção da confiança nas interações virtuais na percepção da amostra.

Outros dez respondentes acharam que fatores relacionados ao meio virtual e especificamente ligados a segurança nas interações, também deveriam ter sido abordados na pesquisa, já que podem contribuir para a construção da confiança nesses ambientes. Segundo Davidow e Malone (1992), as redes de trabalho organizacionais estão em constante evolução visto que são movidas pelo avanço das tecnologias de comunicação e informação. Neste sentido, pode-se supor que a influência tecnológica afetaria as relações de confiança nas interações virtuais. No entanto, como a pesquisa não contemplou esse tema não há como afirmar se este poderia ser ou não um facilitador à construção da confiança nas interações virtuais.

Outros três fatores tiveram coincidentemente o mesmo número de sugestões (6 para cada). Foram eles: o tempo de convivência entre as partes; a objetividade na troca dos conteúdos; a reputação da outra parte. Quanto ao primeiro destes, Lewicki, Tomlinson e Gillespie (2006), na sua visão do desenvolvimento da confiança já supunham que quanto mais maduras as relações, maiores as chances de estabelecimento de confiança nas interações das pessoas. Por outro lado, alguns autores que pesquisaram a confiança nas interações virtuais (WALTHER; BUNZ; BAZAROVA, 2005; JARVENPAA; LEIDNER, 1999; IACONO; WEISBAND, 1997) não relacionam diretamente a construção da confiança com o amadurecimento do relacionamento, visto que para estes, a confiança pode ser estabelecida por meio de outros mecanismos independentes do tempo de convivência entre as partes (swift trust). Quanto à objetividade na troca dos conteúdos, supõe-se que em alguns casos possa contribuir para uma fluidez maior na comunicação, e, consequentemente, facilitar a construção da confiança. No entanto, Jarvenpaa e Leidner (1999, p. 28) consideram que para a construção da confiança nas interações é necessário um equilíbrio entre as trocas profissionais e as sociais. Neste sentido, a objetividade na troca dos conteúdos não facilitaria obrigatoriamente a construção da confiança. Em relação a reputação da outra parte ou do trustee, este sim parece ser entre estas três sugestões, o fator mais relevante para a construção da confiança. Muito embora a pesquisa tenha questionado sobre três outros fatores (competência, benevolência, integridade) que na concepção do autor desta dissertação englobariam a questão da reputação, talvez isto não tenha ficado evidenciado para os respondentes.

Apenas quatro respondentes destacaram a importância da participação do líder ou gestor na construção da confiança nas interações virtuais. Apesar desta participação ser fundamental para alguns tipos de interações virtuais, ela não se aplica em outros tipos de interação onde não há nenhum tipo de liderança ou gestão pré-estabelecido (ex: wikis, orkut, myspace etc.). Assim, não existem evidências suficientes para considerar tal fator como facilitador ou não à construção da confiança nas interações virtuais.

Por último, três respondentes sugeriram que uma linguagem comum entre as partes poderia contribuir para construção da confiança entre estas. Na sua teoria do Processamento da Informação Social (SIP), Walther defende que os usuários das interações virtuais adaptam-se às restrições do meio, como a falta de sinais não-verbais, ao incluir em suas mensagens de texto tanto as informações sobre as tarefas operacionais quanto as sociais (WALTHER; BUNZ; BAZAROVA, 2005, p. 2). Neste sentido, supõe-se que estes três respondentes estariam de acordo com esta teoria, ou seja, que a criação de uma linguagem comum nas comunicações mediadas por computador, ajudaria a eliminar as diferenças quanto à construção da confiança entre as interações presenciais e as virtuais. Esta questão deveria ser melhor investigada em uma pesquisa futura.

A seguir, apresentam-se os resultados relativos à comparação entre respondentes que se utilizam de interações assíncronas e síncronas; que interagem com maior ou menor freqüência; e que possuem maior ou menor experiência em interações virtuais.

4.4 Comparação dos fatores tidos como facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais em relação ao tipo de interação preponderantemente utilizado

Na questão 8 da pesquisa foi perguntado aos respondentes qual o tipo de interação preponderantemente utilizado por estes. As opções eram as interações assíncronas, as síncronas ou ambas as formas de interação. De um total de 288 respondentes, 176 (62%) responderam que interagem preponderantemente de forma assíncrona, 10 (3%) de forma síncrona e 102 (35%) que utilizam ambas as formas de interação. Na tabela 31, apresentam-se os resultados comparando essas diferentes formas de interação virtual.

Tabela 31 - Resultados relativos aos fatores tidos como facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais comparando interações assíncrona, síncrona e ambas as formas

Interações Assíncrona Síncrona Os Dois

Fatores N MP MD MO DV N MP MD MO DV N MP MD MO DV 1 176 3.69 4 4 1.10 10 3.70 4 4 1.34 102 3.59 4 4 1.09 2 176 4.07 4 4 0.90 10 4.10 4 4 0.57 102 3.73 4 4 1.15 3 176 4.66 5 5 0.42 10 4.35 4.25 4 0.41 102 4.52 4.5 5 0.49 4 176 4.07 4 4 0.83 10 3.20 4 4 1.03 102 3.97 4 4 0.87 5 176 3.74 4 4 0.95 10 3.60 4 4 0.84 102 3.82 4 4 0.96 6 176 3.34 4 4 1.05 10 3.00 3 2 1.05 102 3.24 3.5 4 1.18 7 176 4.07 4 4 0.75 10 3.30 4 4 1.06 102 3.81 4 4 0.89 8 176 4.03 4 4 0.84 10 3.90 4 4 0.32 102 3.83 4 4 1.04 9 176 3.50 4 4 0.96 10 3.10 3.5 4 1.29 102 3.49 4 4 1.06 10 176 4.45 4.5 5 0.62 10 3.90 4 4 0.57 102 4.31 4 4 0.74 11 176 4.26 4 4 0.74 10 3.60 4 4 0.70 102 4.08 4 4 0.98 12 176 2.90 3 2 1.14 10 2.80 3 4 1.32 102 2.81 2 2 1.09 13 176 4.11 4 4 0.63 10 3.70 4 4 0.48 102 4.12 4 4 0.82 14 176 3.18 3 4 1.05 10 2.90 3 2 1.20 102 3.03 3 2 1.09 15 176 3.99 4 4 0.79 10 3.50 4 4 1.08 102 4.00 4 4 0.93 16 176 3.89 4 4 1.05 10 3.50 4 4 0.85 102 3.91 4 4 1.00 17 176 3.51 4 4 0.98 10 3.50 3.5 3 0.85 102 3.47 4 4 1.11 18 176 4.02 4 4 0.82 10 4.30 4 4 0.48 102 4.12 4 4 0.82 19 176 3.91 4 4 0.95 10 3.30 3 2 1.34 102 3.81 4 4 0.86 20 176 4.10 4 4 0.73 10 3.90 4 4 0.88 102 4.14 4 4 0.75 21 176 3.98 4 4 0.81 10 3.80 4 4 0.63 102 3.89 4 4 0.91 22 176 3.67 4 4 0.89 10 3.70 4 4 1.06 102 3.61 4 4 1.04 23 176 3.80 4 4 0.78 10 3.80 4 4 0.92 102 3.77 4 4 0.91 24 176 3.87 4 4 0.83 10 3.80 4 4 0.92 102 3.85 4 4 0.98 25 176 2.91 3 4 1.11 10 3.30 3.5 4 1.06 102 2.86 3 2 1.15

N = número de respondentes, MP = média aritmética ponderada, MD = mediana, DV = desvio padrão, MO = moda, MIN = grau mínimo da escala, MAX = grau máximo da escala Fonte: O autor

Para uma melhor visualização, nas tabelas 32, 33 e 34 apresentam-se, de forma individualizada, os fatores constituintes de facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais, por grau de importância, na percepção dos respondentes que participam de interações assíncronas, síncronas, ou ambas as formas, respectivamente.

Tabela 32 - Resultados relativos aos fatores tidos como facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais classificados por ordem de importância das interações assíncronas.

Ordem

do Fator Ordem dos fatores nas interações assíncronas

Fatores

N MP MD DV MO MIN MAX

1 3 - Honrar os compromissos (Integridade) 176 4,66 5 0,42 5 3 5

2 10 -O respeito à pluralidade de idéias 176 4,45 4,5 0,62 5 2 5

3 11 - A liberdade para se expor sem medo de errar 176 4,26 4 0,74 4 2 5 4 13 - A solução positiva ou favorável dos conflitos 176 4,11 4 0,63 4 2 5

5 20 - A qualidade da contribuição 176 4,10 4 0,73 4 2 5

6 2 – Benevolência 176 4,07 4 0,9 4 1 5

7 4 – Reconhecimento 176 4,07 4 0,83 4 1 5

8 7 - Prestar ajuda ou comportamento prestativo 176 4,07 4 0,75 4 1 5 9 8 - Altruísmo (Oferecer algo sem a expectativa da compensação

imediata)

176 4,03 4 0,84 4 1 5

10 18 - O feedback: as respostas 176 4,02 4 0,82 4 2 5

11 15 - A clareza quanto a responsabilidade ou o papel de si próprio e o da outra parte

176 3,99 4 0,79 4 2 5

12 21 - A compreensão das mensagens 176 3,98 4 0,81 4 1 5

13 19 - A tempestividade das iniciativas e respostas 176 3,91 4 0,95 4 1 5 14 16 - A transparência quanto as normas e as regras de