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Part 3: Theory

7.1 Early psychoanalytic theories

insaturação e dois carbonos metínicos hidroxilados.

Figura 32-Estrutura básica de um sesquiterpeno de esqueleto eudesmano.

A posição da dupla ligação e das hidroxilas para a estrutura proposta foi possível através da análise das correlações a longa distância mostradas no espectro de RMN 2D 1H, 13C – HMBC

(Fig 39, p. 100). Neste experimento foram observadas correlações do hidrogênio olefínico H-3 com os carbonos C-1 (δC 76,8), C-5 (δC 51,0) e C-15 (δC 20,5), confirmando a proximidade da

insaturação com um grupo metila e com um carbono sp3 oxigenado. Os hidrogênios

oximetínicos mostraram correlações que permitiram posicionar corretamente os grupos hidroxila em C-1 (δC 76,8) e C-6 (δC 68,6). Por exemplo, o hidrogênio H-1 (δH 3,48) mostrou

correlações com os carbonos C-2 (δC 32,5), C-5 (δC 51,0), C-9 (δC 35,5) e C-14 (δC 12,0),

enquanto o hidrogênio H-6 (δH 4,27) exibiu correlações com os carbonos C-4 (δC 133,9), C- 7

(δC 49,1) e C-10 (δC 37,1). O posicionamento do grupo isopropila foi confirmado devido às

correlações dos grupos Me-12 (δH 0,98) e Me-13 (δH 0,92) com os carbonos C-11 (δC 29,3) e C-

7 (δC 49,1) a duas e três ligações, respectivamente. As principais correlações presentes na

Figura 33-Principais correlações encontradas nos espectros HMBC ( ) e COSY ( ) de

3.

Os dados obtidos para o composto 3 nos conduzia a várias possibilidades estruturais devido a existência de centros estereogênicos. Uma pesquisa de dados presentes na literatura para sesquiterpenos (AHMED, 1997) nos deixou diante de quatro estruturas possíveis (I, II, III e IV), conforme mostrado na figura 34. A comparação dos dados de 3 com aqueles obtidos na literatura nos permitiu concluir que o composto correspondia à estrutura III, tratando-se de um sesquiterpeno de esqueleto do tipo 7-epi-eudesmano contendo as hidroxilas em C-6 e C-1, ambas com orientação β. Esses compostos recebem essa designação por apresentarem o grupo isopropila em C-7 com orientação α, diferentemente dos seus epímeros, nos quais este grupo encontra-se β orientado. Na tabela 47 (p. 98) encontram-se descritos os dados de RMN de 1H e 13C para o composto 3, além das substâncias correspondentes às estruturas III e IV para fins de

comparação.

Figura 34-Representação das estruturas possíveis para o composto 3.

Os dados de deslocamentos químicos de RMN de 1H e 13C, além de EM e IV de 3

permitiram identificá-lo como sendo o sesquiterpeno 1β,6β-dihidroxi-7-epi-eudesm-3-eno (Fig.

35, p. 97). Este composto foi isolado pela primeira vez de Teucrium polium (KAMEL, 1995), havendo relatos desta substância em apenas mais duas espécies: Schinus molle (ONO et al, 2008) e Pluchea dioscoridis (AHMED, 1997).

Tabela 47-Dados de RMN de 1H e 13C (500/125 MHz, CDCl

3) de 3 comparados com os valores da literaturaa para os sesquiterpenos III e IV (δ

em ppm, J em Hz). HSQC HSQC IIIa HSQC IVa C δC δH δC δH δC δH 1 76,8 3,48 (1H, dd, 6,4 e 3,8) 76,6 3,47 (1H, dd) 77,4 3,56 (1H, dd) 2 32,5 2,30 (1H, m) 2,25 (1H, m) 32,3 2,26 (1H, ddl) 1,96 (1H, ddl) 32,2 2,25 (1H, dl)/1,92 (1H, dl) 3 122,1 5,41 (1H, sl) 121,9 5,41 (1H, sl) 120,9 5,31 (1H, sl) 4 133,9 133,7 135,1 5 51,0 1,85 (1H, m) 50,8 1,85 (1H, sl) 50,3 2,03 (1H, dl) 6 68,6 4,27 (1H, sl) 68,4 4,26 (1H, sl) 69,5 4,00 (1H, dd) 7 49,1 0,92 (1H, m) 49,0 0,92 (1H, m) 45,1 1,57 (1H, m) 8 20,7 1,75 (1H, m) 1,72 (1H, m) 20,5 b 19,6 b 9 35,5 1,87 (2H, m) 35,3 b 33,5 b 10 37,1 37,0 36,3 11 29,3 1,61 (1H, septd, 6,7 e 2,3) 29,1 1,60 (1H, m) 27,3 1,72 (1H, m) 12 20,9 0,98 (3H, sl) 20,7 0,98 (3H, d) 22,2 1,03 (3H, d) 13 21,2 0,92 (3H, sl) 21,0 0,97 (3H, d) 22,0 0,96 (3H, d) 14 12,0 1,00 (3H, s) 11,8 0,99 (3H, s) 15,4 0,89 (3H, s) 15 20,5 1,80 (3H, sl) 20,3 1,80 (3H, sl) 21,4 1,86 (3H, sl)

Figura 36-Espectro de RMN de 1H [500 MHz, CDCl

3] do composto 3.

Figura 37-Espectro de RMN de 13C [125 MHz, CDCl

Figura 38-Espectro de RMN 2D 1H,13C-HSQC [500 x 125 MHz, CDCl

3] do composto 3.

Figura 39-Espectro de RMN 2D 1H,13C-HMBC [500 x 125 MHz, CDCl

D

Figura 40-Espectro de RMN 2D 1H,1H-COSY [500 x 500 MHz, CDCl

3] do composto 3.

Figura 41-Espectro de massas de baixa resolução do composto 3.

4.1.4 Determinação estrutural do composto 4

O composto denominado 4 (item 3.5.4, p. 63), isolado da fração diclorometano como um sólido cristalino, apresentou [α]D20 + 1,1 (c 0,16; diclorometano).

O espectro de massas de baixa resolução, obtido por impacto eletrônico a 70 eV (Fig. 48, p. 106), exibiu o pico do íon molecular em m/z 238. Foram observados ainda importantes picos em m/z 220 [M – 18]+ e 202 [M – 36]+ relativos a fragmentos após a perda de uma e duas moléculas de água, respectivamente. Os dados obtidos confirmam a hipótese de que 4 seja

isômero de 3, os quais têm espectro de massas com perfil idêntico e, dessa forma, sendo compatíveis com a fórmula molecular C15H26O2 e IDH = 3.

O espectro de RMN de 1H (500 MHz, CDCl

3 – Fig. 43, p. 104) mostrou a presença de

dois hidrogênios vinílicos terminais em δH 5,05 (d, J = 1,5 Hz, H-15a) e 4,94 (d, J = 1,5 Hz, H- 15b), sinais para dois hidrogênios oximetínicos em δH 4,34 (sl, H-6) e 3,34 (dd, J = 4,3 e 11,4 Hz; H-1), além de um sinal para hidrogênio metínico em δH 1,80 (sl, H-5). Foram observados ainda sinais para três grupos metilas em δH 0,96 (d, J = 6,7 Hz; Me-12), 0,98 (d, J = 6,7 Hz, Me-13) e 1,59 (s, Me-14).

O espectro de RMN 2D 1H, 1H – COSY (Fig. 47, p. 106) evidenciou o acoplamento

alílico entre os hidrogênios H-15a e H-15b com o hidrogênio H-5, deste com o hidrogênio H- 6, e do hidrogênio H-1 com a metila Me-14.

O espectro de RMN de 13C CPD (125 MHz, CDCl

3 – Fig. 44, p. 104) apresentou 15

linhas espectrais, o que, de forma semelhante a 3, é compatível com a estrutura de um sesquiterpeno. A análise do espectro de RMN 2D 1H, 13C – HSQC (Fig. 45, p. 105) demonstrou

a existência de três carbonos metílicos [δC 20,5 (C-12), 20,8 (C-13) e 13,2 (C-14)], cinco carbonos metilênicos, sendo um olefínico [δC 108,6 (C-15)], cinco carbonos metínicos, entre eles dois oxigenados [δC 79,9 (C-1) e 68,7 (C-6)] e dois carbonos não-hidrogenados [δC 146,6

(C-4) e 39,9 (C-10)] (Tabela 48, p. 103).

A análise comparativa dos deslocamentos químicos de 1H e 13C, incluindo informações

obtidas do espectro HSQC de 4 com 3 aponta que os dois compostos diferem entre si quanto aos deslocamentos químicos dos carbonos C-3 (δC 37,3), C-4 (δC 146,6) e C-15 (δC 108,6). Essas

informações sugerem que o composto em questão se trata de um isômero de 3, apresentando o mesmo tipo de esqueleto (7-epi-eudesmano), tendo como principal diferença a posição da insaturação.

Através das correlações a longa distância observadas no espectro de RMN 2D 1H, 13C –

HMBC (Fig 46, p. 105) foi possível confirmar a estrutura de 4. As principais correlações observadas foram entre os hidrogênios olefínicos H-15a (δH 5,05) e H-15b (δH 4,94) com os

carbonos C-3 (δC 37,3) e C-5 (δC 52,2) e do hidrogênio carbinólico H-6 (δH 4,34) com os

carbonos C-8 (δC 21,3) e C-10 (δC 39,9), mostrando que a dupla ligação migrou de C3/C4 para

C4/C15.

A análise dos dados apresentados, junto com a comparação dos dados de RMN de 1H e 13C com os relatados na literatura, possibilitou identificar 4 como sendo o sesquiterpeno 1β,6β-

dihidroxi-7-epi-eudesm-4(15)-eno (Fig. 42, p. 103), relatado pela primeira vez no gênero

Cordia. Este composto foi isolado pela primeira vez a partir de Teucrium polium (KAMEL,

1995), além de identificado em óleos essenciais de diversas espécies de plantas (ZHANG et al, 2017; SU et al, 2013; LI et al, 2012; YOUSEFZADI et al, 2008).

Figura 42-Estrutura do composto 4 denominado 1β,6β-dihidroxi-7-epi-eudesm-4(15)-eno.

Tabela 48-Dados de RMN de 1H e 13C (500/125 MHz, CDCl

3) de 4 comparados com os valores

da literaturaa para o sesquiterpeno 1β,6β-dihidroxi-7-epi-eudesm-4(15)-eno (δ em ppm, J em

Hz). C HSQC HSQCa δC δH δC δH 1 79,9 3,34 (1H, dd, 4,3 e 11,4) 79,9 3,30 (1H, dd, 5,0 e 11,0) 2 34,5 b 30,8 c 3 37,3 2,33 (1H, m) 2,38 (1H, m) 34,4 c 4 146,6 146,9 5 52,2 1,80 (1H, sl) 52,1 c 6 68,7 4,34 (1H, sl) 68,6 4,32 (1H, sl) 7 50,0 b 50,0 c 8 21,3 b 21,2 c 9 10 30,8 39,9 b 29,8 39,8 c 11 29,0 b 28,9 c 12 20,5 0,96 (3H, d, 6,7) 20,4 0,93 (3H, sl) 13 20,8 0,98 (3H, d, 6,7) 20,8 0,96 (3H, sl) 14 13,2 1,59 (3H, s) 13,1 0,91 (3H, s) 15 108,6 5,05 (1H, d, 1,5) 4,94 (1H, d, 1,5) 108,1 5,01 (1H, d, 1,5) 4,90 (1H, d, 1,5) aKAMEL, 1995; bSobreposição de sinais; cDados não fornecidos

Figura 43-Espectro de RMN de 1H [500 MHz, CDCl

3] do composto 4.

Figura 44-Espectro de RMN de 13C [125 MHz, CDCl

Figura 45-Espectro de RMN 2D 1H,13C-HSQC [500 x 125 MHz, CDCl

3] do composto 4.

Figura 46-Espectro de RMN 2D 1H,13C-HMBC [500 x 125 MHz, CDCl

D

Figura 47-Espectro de RMN 2D 1H,1H-COSY [500 x 500 MHz, CDCl

3] do composto

4.

Figura 48-Espectro de massas de baixa resolução do composto 4.

4.1.5 Determinação estrutural do composto 5

O composto 5 foi obtido como uma resina amarela (item 3.5.6, p. 66) apresentando rotação óptica [α] 20 -4,1 (c 0,2; metanol), o qual foi isolado da fração diclorometano.

O espectro de absorção na região do infravermelho (Fig. 51, p. 109) apresentou bandas em 3363 cm-1 (O-H), 1613 e 1449 cm-1 (bandas esqueletais de anel aromático), 1209 cm-1 (C-

O espectro de massas de baixa resolução (Fig 59, p. 113) exibiu o pico do íon molecular em m/z 240 e o pico referente ao fragmento após a perda de uma metila [M – 15]+ em m/z 225.

Esses dados são compatíveis com a fórmula molecular C16H16O2 com IDH igual a 9.

O espectro de RMN de 1H (500 MHz, MeOD – Figs. 52 e 53, p. 110) apresentou sinais

para hidrogênios em δH 7,18 (d, J = 2,4 Hz, H-3), 6,65 (dd, J = 8,6 e 2,4 Hz, H-5), 6,72 (d, J = 8,6 Hz, H-6), 7,49 (sl, H-2’), 7,11 (m, H-4’) e 7,16 (m, H-5’), os quais se encontram na região mais desprotegida, se referindo, provavelmente, a hidrogênios ligados a anel aromático. Os sinais restantes foram atribuídos a hidrogênios de três grupos metílicos [δH 1,54 (s, com integração para 6H; Me-8’ e Me-9’) e δH 2,37 (s, Me-10’)].

No espectro de RMN 2D 1H, 1H – COSY (Fig. 58, p. 113) foram observados os

acoplamentos entre os hidrogênios aromáticos H-3, H-5 e H-6 comprovando que estes fazem parte de um mesmo sistema de spin, assim como foram observados um acoplamento entre os hidrogênios metaposicionados H-2’ e H-4’ e destes com a metila Me-10, além disso, foi verificado um acoplamento orto entre o hidrogênio H-4’ com H-5’. Essas correlações encontram-se ilustradas na Figura 49 (p. 108).

No espectro de RMN de 13C CPD (125 MHz, MeOD – Fig. 54, p. 111) foram observadas

15 linhas espectrais, uma delas equivalentes a dois carbonos. Após a análise do espectro de RMN 2D 1H, 13C – HSQC (Fig. 56, p. 112) foi possível correlacionar cada sinal de carbono ao

seu respectivo sinal de hidrogênio, e, juntamente com o espectro de DEPT 135° (Fig. 55, p. 111) permitiu distinguir três carbonos metílicos (dois magneticamente equivalentes), seis carbonos metínicos e sete carbonos não hidrogenados. Com exceção dos carbonos metílicos e de um sinal em δC 78,3, todos os outros sinais encontram-se na região mais desprotegida de carbonos sp2 (δC 153,1 – 110,0). Através dos dados de RMN discutidos, foi possível verificar

que 5 apresentava um sistema equivalente ao de p-hidroquinonas dissubstituídas e um outro