3.2.1.1 Primeira técnica: Observação participante
A observação participante se realiza através do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado no intuito de obter informação sobre a realidade dos atores e atrizes sociais em seu próprio contexto, explica Neto (1999).
A técnica deu-se no acompanhamento e atuação nas atividades de planejamento durante a participação em reuniões da Cooperativa e seus cooperados e com a diretoria, caminhada na cidade, idas à feira, participação de festejos locais, convivência na rotina da COOPERCUC, atividades desenvolvidas pelos líderes e cooperados da Cooperativa, acompanhamento do recolhimento de matéria prima com o caminhão da cooperativa em várias comunidades, auxílio na organização de eventos ocorridos na cidade, como o concurso de poesias durante a realização da I Festa do Umbu e realização de palestra com o tema sugerido pela cooperativa: “Economia Solidária: uma outra economia acontece”, convivência e participação de cursos realizados por técnicos extensionista do IRPAA e pesquisadora e agrônoma, da Universidade de Florença – Itália.
Essa técnica visou estimular o contato e a interação do investigador com os grupos sociais, promovendo ao pesquisador um campo de visão a partir do sistema de referência dos sujeitos do estudo, ou seja, o pesquisador se coloca no lugar do sujeito de estudo e realiza as mesmas atividades que o sujeito, procurando obter informações sobre a comunidade e suas relações. As informações obtidas foram anotadas e sistematizadas posteriormente.
3.2.1.2 Segunda técnica: Entrevista semiestruturada
O primeiro passo deu-se na construção de um roteiro para entrevista semiestruturada, ou seja, os (as) entrevistados ficaram livres para falar sobre sua história de vida e experiência pessoal com relação ao tema investigado, com anotações em caderno de campo. Buscou-se obter o máximo de informações sobre o tema e a seleção dos dados mais importantes para dar organicidade às informações.
Foi ressaltada sempre a preocupação de compreender o contexto colocado de forma crítica e não apenas de descrever o objeto de estudo num aspecto meramente observacional. A idéia foi observar com atenção todo o processo de desenvolvimento do trabalho de campo e não somente em um momento específico, como na etapa de realização das entrevistas. Assim, essas entrevistas foram realizadas em momentos diferenciados, inicialmente como primeiro contato e levantamento, sendo entrevistados os técnicos extensionista do IRPAA, diretoria da COOPERCUC e, posteriormente, com mulheres que fazem a feira com verduras, venda de produtos que não ficam expostos em barracas fixas, agricultores em estágio de vivencia e por último, atividades participativas durante as oficinas.
3.2.1.3 Terceira técnica: Sensibilização - Saco d’Água (FURTADO, 2004)
Esta técnica, baseada nas dinâmicas de grupo, foi adaptada aos conceitos da contabilidade na intenção de proporcionar aos agricultores uma sensibilização ao assunto tratado. Para realizar essa dinâmica, são necessários os seguintes elementos: saco plástico (entregue a cada participante),balde com um pouco d’água, tinta escura e um objeto que fure o saco.
O saco plástico representa tanto a unidade produtiva, a água as entradas que são feitas para a realização das atividades e a tinta o elemento fundamental para que todo o processo possa se desenvolver.
Quando perguntado aos participantes quais recursos entraram recentemente na unidade produtiva, a cada entrada era posto um pouco de água no saco. Após as entradas, perguntava se esses recursos foram aplicados ou se houveram saídas de recursos. Exemplificando se houve compra de alguma semente. O que esta resultou? No segundo momento é perguntado o que faz com
que todo esse movimento ocorra? A resposta esperada para esta indagação é o Trabalho – a mão de obra do produtor. Nesse momento é pingada um pouco de tinta dentro do saco, esta toma por completo a água tornando-a escura.
3.2.1.4 Quarta técnica: Perfil do Grupo (GEILFUS, 1997)
O objetivo dessa atividade era listar todas as culturas da unidade, englobando toda produção existente na propriedade, independente de ser comercializada ou não. Em uma avaliação de cunho contábil, estas culturas se classificariam na conta de estoque, compondo o patrimônio da unidade produtiva. Conhecer a representatividade destas na percepção do produtor na formação da renda familiar.
Nessa atividade também foram enumeradas, as atividades não agrícolas, os recebimentos oriundos das políticas públicas, a participação dos rendimentos de aposentadorias, pensão, salários e outras formas de recebimentos que contribuem na renda familiar. Essa ferramenta foi realizada em todas as comunidades com a participação do grupo.
Para sistematizar o resultado foi adotada a seguinte ordem: os participantes diziam livremente o que tinham em suas propriedades e ao final era perguntado quem possui tal cultura e ao lado, era sinalizada a quantidade de possuidor.
3.2.1.5 Quinta técnica: Fluxograma de Atividades (GEILFUS, 1997)
A técnica, Fluxograma de Atividades, tem como objetivo fazer a representação esquemática do fluxo de eventos e decisões necessários para uma determinada atividade produtiva. Ele tem como base quantitativa, ilustrar a complexidade dos processos utilizados.
Conhecer pela percepção dos produtores o processo de produção de uma cultura (selecionada pólo grupo). Cada grupo traça todas às etapas necessárias a partir do início do processo produtivo, culminando com a comercialização. È realizada após a ferramenta Perfil do Grupo – onde está disponibilizado todo o estoque das unidades para escolha da cultura de maior relevância.
3.2.1.6 Sexta técnica: Levantamento de Custos
O Levantamento de Custos tem como objetivo conhecer na perspectiva dos participantes, após o Fluxograma, todas as entradas de recursos, relacionados com a atividade escolhida. Também realizada pelo grupo, proporciona um ajuste na construção do fluxograma, não impedi que o grupo altere as etapas anteriores ao lembrar de gastos que não foram representados durante a construção do fluxograma.
Também, pode ser modificada no intuito de suprir etapas que foram repetidas. Esta oficina permitiu aos participantes construir o custo do produto por etapas que vão desde a produção inicial até a venda ou acabamento deste.