Segundo Mirian Goldenberg (2007), metodologia é entendida como um caminho possível para a pesquisa científica, onde o fator determinante a ser trabalhado é o problema que se quer trabalhar e só se escolhe o caminho quando se sabe aonde se quer chegar. Para a autora Minayo (1994), metodologia é um caminho do pensamento e da prática exercida na abordagem da realidade.
Um facilitador que acredita nas pessoas e nas suas capacidades proporciona uma atmosfera de confiança, sabe dos seus limites, é criativo, flexível, sensível ao estado de ânimo e à sensibilidade dos participantes. Mirian Goldenberg afirma que não existirem regras precisas e passos a serem seguidos, porém, o bom resultado da pesquisa, depende da sensibilidade, intuição e experiência do pesquisador. A autora também alerta para que os resultados da pesquisa não sejam contaminados em função da personalidade e valores do pesquisador. Uma observação pertinente da socióloga é que “é irreal supor que se pode ver descrever e descobrir a relevância teórica de tudo”. (GOLDENBERG, 2007, p. 51).
Abordar aspectos técnicos requer do pesquisador cuidado e criatividade. Numa perspectiva sociológica compreensiva75, Mirian Goldenberg (2007), ressalta que a realidade social só aparece sob a forma de como o indivíduo vê o mundo,
7Diferente das ciências naturais, a sociologia compreensiva, tem suas raízes no historicismo alemão, distinguindo “natureza” de “cultura”, considera necessário para estudar os fenômenos sociais, um procedimento metodológico diferente utilizado nas ciências físicas e matemáticas. (Cf. GOLDENBERG, 2007, p.18).
portanto, o meio mais adequado para o pesquisador captar a realidade é ver também o mundo através dos olhos dos pesquisados. Daí a importância da modalidade de trabalho a ser adotado.
Nesse sentido, Lima (2001) chama atenção para o conteúdo e a metodologia, indispensáveis para adequar às reais necessidades dos agricultores e à racionalidade administrativa das unidades de produção.
A dicotomia entre o senso comum e o científico é sempre preocupante para o pesquisador quando a questão diz respeito ao delineamento da pesquisa e amostragem. Nesse caso, a orientação de Kérisit (2008, p. 131) diz que “a pesquisa científica se recusa a se levar pelo senso comum proposto pelos atores sociais, e também recusa reduzir-se a uma ficção teórica que aniquilaria o vivido desses atores”.
Portanto a construção teórica pode, segundo o autor, ser o fato do indivíduo pesquisador ou levar à contribuição os sujeitos da pesquisa, como é o caso da pesquisa-ação e na pesquisa feminista, como se segue:
Afirmar que a pesquisa qualitativa privilegia o vivido dos atores sociais não significa, todavia, que ela se reduziria a uma descrição minuciosa de ações ou de fenômenos observáveis. Nisso pode-se dizer que o objeto por excelência da pesquisa qualitativa é a ação interpretada, simultaneamente pelo pesquisador e pelos sujeitos da pesquisa; de onde a importância da linguagem e das conceituações que devem dar conta tanto do objeto “vivido”, como do objeto “analisado”. (KÉRISIT, p. 131).
Conforme Lima (2001), o método é o conjunto de procedimentos adotados para concretizar uma ação visando alcançar determinado objetivo. Uma indagação era quanto ao método, a metodologia que deveria nortear a investigação dos objetivos proposto nessa pesquisa. A premissa sugeria que fosse qual fosse o método, deveria proporcionar aos participantes um momento de reflexão da sua realidade, possibilidade de construção de estratégias a partir do seu entendimento, da sua necessidade sem, contudo deixar de ser lúdico.
No entanto, a pesquisa qualitativa pressupõe dois grandes critérios para julgar a validade dos instrumentos da coleta de dados, segundo Deslauriers e Kérist (2008), o primeiro a capacidade dos instrumentos trazerem as informações desejadas, e o segundo, a eficácia dos instrumentos, sua utilização, o tempo
disponível, o custo, e acessibilidade possível. Ainda há um terceiro critério apresentado por Marshall e Rossman apud Kérist, o da ética, observando a necessidade de se respeitar as características do meio social. Na definição de Minayo (1994) amostragem numa pesquisa qualitativa não se baseia em critérios numéricos para demonstrar sua representatividade, mas que possibilite abranger a totalidade do problema investigado em suas múltiplas dimensões.
Dentre as formas de se investigar essas dimensões da realidade, entendendo como metodologia qualitativa o conjunto de preocupações com questões particulares, que segundo a autora, trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos á operacionalidade de variáveis.
Para que a reflexão proposta seja autêntica, a participação é fundamental nesse processo. Entendemos participação como sendo uma necessidade básica, mas que não nasce com o homem. Participação é conceituada por Bordenave (2007), como uma habilidade que se aprende e se aperfeiçoa e não tem somente uma função instrumental na co-direção do desenvolvimento, mais também exerce uma função educativa.
Uma característica das áreas rurais abordada pelo autor trata-se da in- comunicação, não somente de isolamento geográfico, associado às grandes distâncias que ás vezes separa fazendas e vilas umas das outras e à precariedade dos transportes ocasionalmente paralisados semanas inteiras pelo mau estado das estradas em tempo de chuva. Trata-se da in-comunicação, socialmente determinada pelo analfabetismo e o baixo nível de instrução; pela necessidade de trabalhar longas horas intensa e duramente em condições cansativas, que deixam o indivíduo mais desejoso de descansar e dormir do que de sair por aí a visitar vizinhos. (BORDENAVE, 1988).
Além das dificuldades por conta da in-comunicação, há também uma dinâmica de cunho temporal na afirmativa de Geilfus (1997), participação não é um processo fixo, e que para alguns pode até ser classificado como uma forma de manipulação, existindo graus de participação e que as pessoas podem atingir maiores ou menores graus de participação dos “beneficiários” do projeto.
Na pesquisa-ação, os pesquisadores desempenham um papel ativo no equacionamento dos problemas encontrados, no acompanhamento e na avaliação
das ações desencadeadas em função dos problemas. Ou seja, para Silva (2003), a pesquisa-ação promove a intervenção direta e contínua na realidade. Na visão de Furtado (2000) a pesquisa-ação ajuda a impulsionar os processos de desenvolvimento e mantê-los em andamento, principalmente pelas descobertas e conscientização que os participantes passam a ter sobre sua realidade.
Abordando como metodologia a pesquisa-ação onde a capacidade de aprendizagem é associada ao processo de investigação (THIOLLENT, 2008), para quem a tônica básica, do ponto de vista metodológico é a união entre o conhecimento e ação, sem sacrificar a teoria em favor da prática (DEMO, 2008). Visando adequar o caráter desta pesquisa às demandas de novas orientações e requisitos do desenvolvimento rural sustentável, em especial da extensão rural e corroborando os princípios e orientações metodológicos da Agroecologia, chegou-se ao roteiro das dinâmicas com as oficinas, na tentativa de não esgotar o processo de pesquisa apenas a um produto acadêmico, mas pode representar a comunidade afirma Demo.
A reflexão que se propõe, por ser autentica, não é sobre este homem abstração nem sobre o mundo sem homens, mas sobre os homens em suas relações com o mundo. Relações em que a consciência e mundo se dão simultaneamente. Não há uma consciência antes e um mundo depois e vice-versa. (FREIRE, 2005, p. 81).
Assim, pode-se considerar que os dados desenvolvidos por esta pesquisa deverão ser considerados como instrumento de apoio às atividades de extensão rural de base agroecológica, bem como influenciar nas decisões de políticas públicas para viabilidade econômica rural.
A pesquisa-ação é para Hugues Dionne (2007) um instrumento prático de intervenção antes de ser uma forma de investigação. É apresentado pelo autor como um método principal de ação antes de ser um método de pesquisa. O objetivo da pesquisa-ação é de mudança, ou seja, modificar uma situação particular, contudo, sua base é mensurada em um padrão científico. Segundo Dionne, a principal virtude de uma pesquisa é o seu caráter científico, confrontando com as exigências de objetividade, precisão inerente aos métodos exigidos pela ciência. Concluído por Demo (2008), a pesquisa-ação e participante, difere-se apenas na fundamentação científica de opção histórica política.
Uma metodologia agroecológica, segundo Caporal (2009), busca integrar os saberes históricos dos agricultores com os conhecimentos de diferentes ciências, permitindo, tanto a compreensão, análise e crítica do atual modelo do desenvolvimento e de agricultura, como o estabelecimento de novas estratégias para o desenvolvimento rural. Saber quais estratégias metodológicas poderia promover esse diálogo de saberes, dando o básico como é definido pelo sociólogo Carlos Rodrigues Brandão (1984), para resgatar a dignidade do agricultor familiar como integrante da economia agrícola da região, considerando suas dificuldades educacionais, a rotina de longas horas de trabalho, a infra-estrutura que dificulta o acesso tanto do escoamento da produção quanto a promoção de encontros coletivos.
Na visão do Instituto Giramundo (2005), a metodologia agroecológica, deve ser participativa e desenvolver na família agrícola um posicionamento crítico da realidade, identificando e priorizando os problemas e formulando estratégias concretas para seu enfrentamento. Fundamentada no diálogo entre os membros de um determinado grupo de agricultoras (e) e técnicos (as) respeitando os princípios:
1. Todos os participantes devem ser considerados como sujeitos ativos na construção do conhecimento, a partir das informações que trazem, bem como sujeitos na análise de seus problemas, na decisão das soluções e na livre expressão de suas opiniões;
2. A metodologia deve eleger cuidadosamente as técnicas e estas, se utilizadas corretamente, permitem um aprendizado rápido, progressivo e interativo, pois todos são motivados a se envolver no processo, contribuindo com seus conhecimentos, práticas e experiências;
3. As técnicas utilizadas devem ser vistas como um apoio para a concretização deste enfoque inclusivo e participativo no processo de desenvolvimento. (GIRAMUNDO, 2005, p.39).
Cabe, a partir do exposto, refletir sobre as estratégias de desenvolvimento realizadas pela cooperativa e suas ações na construção do desenvolvimento econômico, social e cultural das cidades de Uauá, Canudos e Curaçá, que foram abordados nesse estudo, como discutidos a seguir.