3.5 Validitet, reliabilitet og overførbarhet
5.1.2 Drøfting av innovasjon i forretningsmodellen
É comum relacionar-se o início do Funcionalismo Linguístico ao terreno fértil para os estudos linguísticos que foi o da Escola Linguística de Praga, em que se sobressai o nome Roman Jakobson, ao estender a noção de função da linguagem de “referencial” a outras partes da interação (emotiva, conativa, fática) e a outros fatores da comunicação (poética e metalinguística). Pezatti (2004), contudo, afirma que o paradigma funcional tem história mais longa e remonta até mesmo à concepção de linguistas anteriores a Saussure, como Whitney e Herman Paul, que entendiam a necessidade de se explicar a estrutura da língua (forma) em termos psicológicos, cognitivos e funcionais. Para a autora, o termo “funcional” é polissêmico e tem sido atribuído a uma variedade de modelos teóricos, o que justifica mais de uma vertente que se denomina funcionalista.50 O termo pode ser entendido como uma relação de
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Não se deve ler pouco muitas coisas, mas ler muito poucas coisas (tradução livre).
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Há quatro vertentes funcionalistas: a) O Funcionalismo Praguense - que engloba os estudos desenvolvidos pelo Círculo Linguístico de Praga, cuja orientação caracteriza-se por “um estruturalismo funcional”, marcado pela oposição aos neogramáticos e pela adoção dos postulados saussurianos, ao conceberem a língua como
dependência, portanto, uma relação funcional, entre uma forma linguística e elementos de natureza estrutural, cognitiva ou pragmático-discursiva. Embora haja mais de uma vertente funcionalista, elas compartilham a concepção de linguagem como instrumento de comunicação e de interação social em situações reais de uso, pressuposto básico da teoria funcionalista, e a noção de sistema linguístico de natureza adaptativa, resultante das pressões do uso. Assim, a linguagem é explicada com base nas funções comunicativas e toda explicação deve ser proveniente da linguagem em uso nos contextos sócio-comunicativos. Longe de ser um sistema autônomo (um sistema formal), a língua é um sistema adaptativo, sujeito a pressões do uso.
Conforme Nichols (1984, p. 97, tradução nossa), “os funcionalistas sustentam que a situação comunicativa motiva, restringe, explica ou, pelo menos, determina a estrutura gramatical (...).”51 Logo, a explicação de um fenômeno linguístico com base nas concepções funcionalistas deve levar em consideração as situações de uso (os sujeitos em interação, o contexto etc) e a estrutura gramatical determinada por essas situações. A linguagem é entendida como instrumento de interação social, e a explicação de fenômenos linguísticos com base em pressupostos funcionalistas deve considerar, também, uma teoria pragmática da linguagem, uma vez que a pragmática é o componente mais abrangente, no interior do qual são estudadas a semântica e a sintaxe.
Segundo Neves (2006), partindo-se de uma concepção geral, desvinculada de modelos de propostas particulares, o Funcionalismo Linguístico é uma teoria que se liga, acima de qualquer coisa, aos fins a que servem as unidades linguísticas e ocupa-se, principalmente, dos meios linguísticos da expressão. Nessa acepção, o termo função – entendido não apenas como papel de unidade sintática, mas como a junção entre o estrutural (sistêmico) com o funcional – destaca-se como fio condutor de reflexão. Para Nichols (1984), dotada de estrutura, mas com destaque para o caráter teleológico do sistema linguístico. A essa vertente se devem os primeiros registros dos termos função e funcional, as primeiras propostas de classificação das funções da linguagem (com Bühler e com Jackobson), os estudos sobre a perspectiva funcional da sentença (a articulação tema e rema), entre outros; b) O Funcionalismo Britânico – no qual merecem destaque a figura de Halliday e suas contribuições em torno da teoria da Gramática Sistêmico-Funcional e as metafunções da linguagem: ideacional, interpessoal e textual; c) O Funcionalismo Holandês – em se que se sobressaem as propostas teóricas da Gramática Funcional de Dik e da Gramática Discursivo-Funcional de Hengeveld e Mackenzie; d) O Funcionalismo Norte-Americano – que se caracteriza por uma série de estudos de orientação funcionalista, embora não tenha elaborado um modelo teórico das línguas naturais. A abordagem tipológico- funcional de Givón é a que mais se aproxima de um modelo teórico, que prevê uma estreita relação entre os aspectos funcionais, tipológicos e diacrônicos da gramática.
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“Functionalists maintain that the comunicative situation motivates, constrains, or otherwise determines grammatical structure (…)”.
função é um termo polissêmico, mas todos os seus sentidos52 significam a dependência de algum elemento estrutural dado em relação a elementos de outra ordem ou domínio (estrutural ou não estrutural) e todos dizem respeito ao papel exercido por um dado elemento estrutural no todo mais amplo da linguagem e da comunicação. A essência do Funcionalismo, para a autora, é que a língua tem um fim comunicativo e “o que é comunicado não é somente o conteúdo, referência e predicação ou o lado intelectual ou cognitivo da linguagem, mas também a natureza e o propósito do evento de fala como um fenômeno cultural e cognitivo” (NICHOLS, op. cit., p. 102, tradução nossa)53 .
Dessa forma, conforme Neves, o funcionalismo rejeita uma preocupação com a competência para a organização gramatical de frases apenas, a reflexão se dirige para a multifuncionalidade dos itens, das estruturas linguísticas, cuja natureza é funcional.
Estruturas linguísticas são, pois, configurações de funções, e as diferentes funções são os diferentes modos de significação no enunciado, que conduzem à eficiência da comunicação entre os usuários de uma língua. Nessa concepção, funcional é a comunicação, e funcional é a própria organização interna da linguagem. (NEVES, 2006, p. 18)
Nichols (1984) afirma que as considerações funcionalistas podem ser divididas em três tipos: conservadora, moderada e extrema. As colocações mais conservadoras reconhecem a inadequação de análises estritamente formalistas ou estruturalistas, mas não propõem uma nova análise da estrutura; as moderadas apontam a inadequação de uma análise estruturalista ou formal, mas propõem uma análise funcionalista da estrutura e, por isso, substituem ou mudam as considerações formais e estruturais herdadas da estrutura; as extremas negam a realidade da estrutura pela estrutura e afirmam que as regras são baseadas inteiramente na função, a estrutura é apenas a função codificada. Para Neves, a base dos estudos funcionalistas é considerar a linguagem como dinâmica, pela qual estrutura e função
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Nichols (1984) afirma que o termo função é raramente definido explicitamente, mas há cinco sentidos principais para o termo, embora não sejam exclusivos: 1) Função/interdependência: inter-relação de fenômenos gramaticais, covariação; relação entre variável dependente e variáveis independentes; 2) Função/propósito: uso intencional da linguagem, aquilo que os falantes pensam ou acreditam que estão fazendo com a linguagem: questionando, declarando, dando uma ordem, nomeando alguém; 3) Função/contexto: a linguagem como reflexo do ato de fala. É um termo mais geral para dois outros subtipos: a) função/evento – categorias que indicam os papéis de fala, status dos participantes no evento (falante/ouvinte), por exemplo, categorias de polidez e consideração refletem a relação social entre os participantes; b) função/texto – categorias que indicam a organização do discurso, a progressão da narração; 4) Função/relação: diz respeito à relação de um elemento estrutural com uma unidade de ordem superior, por exemplo, um mesmo elemento pode ter a categoria SN e a função/relação de sujeito, tópico e agente; 5) Função/significado: é um aglomerado de mais de um tipo de função, o significado é tomado para incluir os propósitos e contextos da pragmática.
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“What is communicated is not only what is variously called content, denotation, reference-and-predication, or the intellectual or cognitive side of language, but also the nature and purpose of the speech event as a cultural and cognitive phenomenon” (itálicos da autora).
são vistas como instáveis. A partir daí, muitos exercícios teóricos e práticos vêm sendo feitos nas diversas propostas funcionalistas de análise linguística.
Para esta pesquisa, interessa-nos, sobremaneira, as concepções de Talmy Givón, que se fixou no postulado da não-autonomia do signo linguístico, concebendo a estrutura da gramática como um organismo que unifica sintaxe, semântica e pragmática e os aspectos icônicos da gramática. Nichols afirma que Givón produziu um trabalho que buscou parâmetros explanatórios, substantivos e naturais para o fenômeno gramatical e apresentou três contribuições para a análise funcionalista: (i) análises funcionalistas que fornecem fortes munições antiformalistas, (ii) motivação funcional das estruturas gramaticais e (iii) análises de vários fenômenos gramaticais a partir da função para a forma. Para a autora, embora não seja produzida uma teoria completa em Givón (1979), é fornecida uma apologia para tal teoria em Givón (1984), e sua contribuição é uma articulação de observações funcionalistas sobre a relação estrutura-função.
Para Givón (1984), a gramática não é uma lista não-ordenada de domínios funcionais, mas é comparável a um organismo vivo, dentro do qual há subsistemas estruturalmente organizados e funcionalmente relacionados. A sintaxe é determinada por dois outros domínios funcionais: o semântico e o pragmático. Para Givón (1995), a língua não pode ser definida como um sistema autônomo porque a gramática só pode ser entendida como fazendo referência a parâmetros como cognição e comunicação, processamento mental, interação e cultura, mudança e variação, aquisição e evolução. O autor tece críticas ao estruturalismo saussuriano e ao modelo de Chomsky – a gramática gerativa ou gerativismo. Para Givón, a distinção entre langue e parole, preconizada por Saussure, pode ser vista como uma jogada puramente metodológica, uma espécie de idealização dos fatos linguísticos. Essa idealização foi retomada por Chomsky, ao afirmar que seu modelo teórico ocupava-se de um falante-ouvinte ideal, inserido numa comunidade de fala homogênea, que conhece perfeitamente sua língua. Segundo Givón, não há nada mais hostil ao funcionalismo que essa “tal idealização” metodológica, “exceto em um ponto crucial – todas as pressões adaptativo- funcionais que formam a estrutura sincrônica da língua (idealizada) são manifestadas durante a performance” (GIVÓN, 1995, p. 7, tradução nossa)54. Portanto, enquanto a linguagem é adquirida, a gramática emerge e muda, a forma ajusta-se a novas funções e significados. Rejeitar a relevância de dados da performance para estudar a competência é, em certo ponto,
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“Except for one crucial respect – all the functional-adaptative pressures that shape the synchronic – idealized – structure of language are excerted during actual performance”.
uma imitação do que é feito em outras ciências. Para o autor, “(...) variação e indeterminação são partes necessárias do mecanismo atual que forma e reforma a competência” (GIVÓN, 1995, p. 7, tradução nossa)55.
Outra crítica de Givón a Saussure está relacionada à separação entre descrições sincrônica e diacrônica dos fatos linguísticos, o que pode ser visto como outro aspecto idealizado. O problema, segundo o linguista norte-americano, não é ignorar as mudanças da língua em condições particulares, afinal os falantes são obrigados a fazer escolhas categoriais de formas sob a implacável pressão da comunicação. O problema é rejeitar a relevância de dados de mudança e variação para entender a estrutura sincrônica. Givón (1995) afirma que os funcionalistas repetem um grupo de premissas, tais como: (a) a língua é uma atividade sócio- cultural; (b) a estrutura serve à função cognitiva e comunicativa; (c) a estrutura não é arbitrária, é motivada e icônica; (c) mudança e variação estão sempre presentes; (d) o significado é contextualmente dependente; (e) as categorias não são discretas; (f) a estrutura é maleável e não-rígida; (g) as gramáticas são emergentes; (h) as regras da gramática permitem algum vazamento. Para o autor, esses princípios são válidos até certo ponto e dentro de contextos bem definidos, e na ausência de uma teoria coerente com a complexidade da interação, as premissas funcionalistas degeneram-se em gestos ideológicos, slogans reflexivos, artigos de fé. Esse posicionamento de Givón em relação às premissas funcionalistas reflete-se em afirmações como:
O refúgio da teoria e da metodologia em uma onda ideológica é um espetáculo comum nas ciências humanas e sociais. No exorcismo de dogmas idênticos de teoria-como-algoritmo e método-como-números-mastigados, uma fúria reflexiva de relativismo torna-se a fuga padrão incubada de enfadonhas exigências de erudição responsável. É uma inclinação a que devemos muito bem resistir (GIVÓN, 1995, p. 9, tradução nossa)56.
As concepções de Givón costumam ser caracterizadas dentro de um quadro a que costumamos chamar de Funcionalismo Norte-Americano. São vários os linguistas norte- americanos que realizaram estudos descritivos de orientação funcionalista, que serviram de base para pesquisas em diversas línguas no mundo todo, dentre os quais podemos destacar Givón, Hopper, Thompson, Traugott, Bybee, Pagliuca. Devemos a esses linguistas a
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“(…) variation and indeterminacy are necessary parts of the crucial mechanism that shapes and reshapes competence”.
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“The retreat from theory and metodological to ideological hand-waving is familiar spectacle in the humanities and social sciences. In exorcising the twin dogmas of theory-as-algorithm and method-as-number-crunching, a reflexive tantrum of relativism has become the standard escape hatch from the tiresome demands de responsible scholarship. It is a trend we should do well to resist”.
discussão sobre vários conceitos como iconidade e marcação – Givón (1991), Givón (1995), Givón (2001); domínio funcional – Givón (1984); transitividade e relevo discursivo - Hopper e Thompson (1980); gramaticalização – Hopper e Traugott (1993), Bybee, Perkins, e Pagliuca (1994), Givón (2001), Bybee e Hopper (2001), Bybee (2003). Dentre esses conceitos, interessam a esta pesquisa as noções de domínio funcional, iconidade e marcação, transitividade e relevo discursivo. Tomemos, inicialmente, a noção de domínio funcional, que será explorada exaustivamente nesta pesquisa, visto que se pretende mapear domínios funcionais das ocorrências de gerúndio e as funções desempenhadas pelo gerúndio em cada domínio em Língua Portuguesa. Em seguida, cotejaremos as noções de iconicidade e marcação, transitividade e relevo discursivo. Por fim, discutiremos a importância de se considerar os efeitos da frequência de uso nos fenômenos linguísticos.