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RESULTS AND DISCUSSION

6.3 Socio-cultural factors

6.3.3 Division of labor

A integração da folha de cálculo nesta intervenção de ensino parece ter tido sucesso na motivação dos alunos para aprender estatística, dado que os alunos gostaram da forma como foram resolvidas as tarefas e houve ganhos no desempenho dos alunos nas tarefas em que recorreram à folha de cálculo. A motivação proporcionada pela utilização da folha de cálculo é uma importante potencialidade na aprendizagem da construção de tabelas e gráficos estatísticos. Nesta intervenção de ensino, o que Ponte (1997) considera ser o grande desafio da

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tecnologia, o de contribuir significativamente para que a matemática deixe de ser a parte mais odiosa do percurso escolar da maioria dos alunos,parece ter sido um desafio ganho nesta turma com a utilização da folha de cálculo.

A folha de cálculo apresenta grandes potencialidades, sendo a possibilidade de permitir o tratamento de grandes quantidades de informação com grandes ganhos de tempo uma das vantagens mais relevantes, sendo esta uma das grandes razões da utilização do Excel estar tão generalizada. A relativa simplicidade do manuseamento da folha de cálculo, expressa num conjunto de soluções prontas a usar, a grande apetência com que os alunos exploram as tecnologias, são razões que favorecem a introdução da tecnologia na sala de aula.

Nesta intervenção de ensino verificou-se que os alunos responderam em maior número e de forma mais adequada quando utilizaram a folha de cálculo. Nas questões em que a resposta exigia o nível 4, os alunos atingiram o nível 3 com maior frequência, com ou sem recurso à folha de cálculo, o que está em consonância com os resultados obtidos por Arteaga (2011) no seu estudo com alunos futuros professores primários. Já o número de alunos que não construiu gráficos é superior neste estudo relativamente aos resultados obtidos por este autor.

O nível da complexidade semiótica do gráfico é um indicador da sua utilidade na obtenção de conclusões, bem como um indicador da competência gráfica dos estudantes (Arteaga, 2011). Por outro lado, globalmente verifica-se que o nível de complexidade semiótica dos gráficos construídos pelos alunos aumenta quando eles utilizam a folha de cálculo.

Também para alguns alunos, acresce que uma tarefa trabalhosa é por si só desmotivadora, e a folha de cálculo ao facilitar a organização e o tratamento dos dados e, sobretudo, ao oferecer pacotes de soluções gráficas prontas a usar propícia que mais alunos arrisquem uma solução. Contudo, parece importante que os alunos não aprendam Estatística apenas com a folha de cálculo, pois se é verdade que há mais respostas e de melhor qualidade quando os alunos a utilizam, fica por saber se os conhecimentos ficaram realmente consolidados ou se o facto de terem acertado a questão não ficou a dever-se a uma escolha mais ou menos aleatória da opção disponibilizada pela folha de cálculo.

Os alunos estão conscientes desta preocupação ao reconhecerem numa percentagem de 88%, na entrevista individual, que aprendem melhor Estatística combinando o papel e lápis com a folha de cálculo. Só 12% dos alunos considerou que aprende melhor apenas com a folha de cálculo e 4% só com papel e lápis.

Outra vantagem que foi possível constatar durante as resoluções das tarefas pelos pares de alunos na aula foi a facilidade com que os alunos ensaiaram soluções e a rapidez com que passavam de umas para as outras até elegerem a solução final. De fato uma construção gráfica feita com papel e lápis, pelo trabalho e tempo que implica, desmotiva a procura pelos alunos de soluções alternativas.

O trabalho de grupo, a metodologia de projeto, a metodologia seguida na exploração das tarefas e o leque de soluções que a folha de cálculo disponibiliza permitiu que os alunos tenham desenvolvido o seu espírito crítico e a criatividade, patente nas discussões algo vivas ocorridas nas apresentações das resoluções das tarefas aos colegas e na abertura com que receberam as críticas e nas resoluções bastante criativas que alguns grupos de pares apresentaram. Nesse sentido, considera-se que a tecnologia e concretamente a folha de cálculo levou, tal como Fernandes e Vaz (1998) referem, à promoção de uma aprendizagem mais profunda e significativa, a favorecer uma abordagem mais indutiva e experimental da matemática e a desenvolver as aplicações da matemática.

A folha de cálculo permitiu ainda atenuar ou mesmo eliminar alguns tipos de erros, pois, por exemplo, por defeito na folha de cálculo aparece a indicação para preencher os títulos, as legendas e os rótulos verticais e horizontais. Mesmo assim, neste estudo verificou-se que apesar de haver menos falhas a este nível, quando os alunos recorreram à utilização da folha de cálculo, este tipo de erros continuou a ser frequente.

Os erros de escala foram atenuados e os de desenho foram eliminados. Estes resultados são consonantes com os de Arteaga (2011), pois também este autor no seu estudo, envolvendo futuros professores primários, verificou que os alunos que optaram por trabalhar com a folha de cálculo, o que aconteceu com um quarto parte dos estudantes, revelaram um menor número de erros do que os que construíram gráficos com papel e lápis.

Apesar da redução de alguns tipos de erros, como os já referidos nas escalas e no desenho de gráficos, que foram em grande parte eliminados, as soluções gráficas oferecidas pela folha de cálculo podem contribuir para a diminuição da criatividade dos alunos. A este propósito Silva (2006) refere que muitos utilizadores de soluções informáticas ao considerar que as dominam dispensam-se de criticar ou questionar, apoiando-se num conjunto limitado de soluções automáticas e pré-formatadas, fazendo um uso acrítico do software (Ben-Zvi, 2002).

Finalmente, embora neste trabalho não se tenha solicitado a construção de diagramas de extremos e quartis, esta construção poderá ser um exemplo das limitações da folha de

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cálculo Excel. Neste caso, há outros softwares mais indicados para a construção destes diagramas, como por exemplo a calculadora TI-Nspire..

5.2.3. Quais as perceções dos alunos sobre a utilização da folha de cálculo na