4.3 The relationship between fish and their biotic and abiotic environment
4.3.3 Distribution of demersal fish in the Celtic Sea and Bay of Biscay
O termo avaliação, apresentado por Lopes e Silva (2012), pressupõe inúmeras denotações que dependem das diversas perspetivas e contextos nos quais é utilizado. Desta forma pode ser sinónimo de “verificar, interpretar, medir, entender, aprender, comparar, emitir juízos de valor, julgar, compreender, apreciar” (p.1), entre outras palavras.
Na Circular n.º 17 de 10 de outubro de 2007, “Gestão do Currículo na Educação Pré-Escolar – Contributos para a sua Operacionalização”, a avaliação é nomeada como um elemento principal e orientador da prática educativa, envolvendo princípios e procedimentos específicos às caraterísticas de cada nível de ensino.
O que é importante que os alunos
aprendam?
Que atividades devo proporcionar para
que aprendam? Como posso verificar
se aprenderam o pretendido?
Roldão (2008) designa o processo de avaliar como um conjunto estruturado de processos que têm por objetivos o acompanhamento sistemático de qualquer aprendizagem proporcionada pelo processo pedagógico e a averiguação da sua concretização. É considerada uma ação essencial na elaboração de instrumentos que permitem direcionar o ensino, através de reajustes e modificações, que providenciam o desejado. Ribeiro e Ribeiro (1990) explicam que a função da avaliação equivale a uma análise cautelosa das aprendizagens atingidas em consonância com aquelas previamente expostas num plano, permitindo que o docente e os alunos tenham conhecimento acerca dos objetivos conseguidos e os que ainda falta conquistar.
Existem três tipos de avaliação, a diagnóstica, a sumativa e a formativa. A primeira tem como finalidade principal a análise das capacidades e saberes que as crianças possuem (conhecimentos prévios) num certo momento, de modo a gerar aprendizagens novas. Normalmente, é tida em conta pelo docente no começo de uma unidade ou segmento de ensino-aprendizagem (Ribeiro & Ribeiro, 1990). Assim sendo, os dois últimos tipos de avaliação são os mais usuais ao longo dos momentos de aprendizagem. Quanto à avaliação sumativa, esta é fortemente recorrida pelo docente para efetuar um juízo de valor acerca das crianças, atribuindo-lhes uma classificação, permitindo averiguar a eficácia do programa e o progresso da instituição educacional. No que concerne à avaliação formativa, esta é caraterizada por possibilitar um conjunto de informações durante o processo de ensino, anterior à avaliação sumativa. Por ser processual, engloba continuidade e dinâmica mediante uma ação cooperativa entre o docente e os educandos, com o intuito de alcançarem dados acerca da aprendizagem e agirem com base nos saberes recolhidos, fomentando futuras aprendizagens (Lopes & Silva, 2012).
Portugal e Laevers (2010) menosprezam a ideia de apenas ser utilizado o tipo de avaliação sumativa, visto que avaliar o desenvolvimento de uma criança não significa apenas averiguar uma série de capacidades adquiridas ou não. Isto porque, apesar de, porventura, conduzir a ilações interessantes e necessárias não traduz uma avaliação adequada, dinâmica e contextualizada, com vista ao desenvolvimento e aprendizagem das crianças.
Tendo em consideração os princípios da avaliação formativa, Serpa (2010) diz que a mesma assume especial destaque no que concerne a uma avaliação auto-reguladora, por constituir uma natureza sistemática e elaborada. Ou seja, trata-se de uma avaliação que preconiza as aprendizagens bem-sucedidas, ao mesmo tempo que enfatiza as que
provocaram dificuldades, para que estas últimas sejam colmatadas através de modificações no processo de ensino e privilegiem o sucesso desejado (Ribeiro & Ribeiro, 1990).
Perrenoud (1993) apoia a existência de uma avaliação de caráter mais formativo, visto que o processo de aprendizagem não é linear, ou seja, faz-se por tentativas e erros, suposições, avanços e recuos. Assim, no sentido do educando aprender melhor, o meio envolvente terá de ser “capaz de lhe dar respostas e regulações sob diversas formas: identificação dos erros, sugestões e contra-sugestões, explicações complementares, revisão das noções de base, trabalho sobre o sentido da tarefa ou a autoconfiança” (p.173). Considerando as caraterísticas deste tipo de avaliação, é percetível que o docente dispõe de informações mais qualitativas e claras acerca do processo de aprendizagem, assim como dos comportamentos e competências adquiridos pelos aprendizes.
Desta forma, Roldão (2008) acredita que avaliar envolve uma parceria com o ato de planear, ou seja, se a planificação engloba a definição de objetivos, segundo determinados conteúdos curriculares, que por sua vez correspondem à eleição de estratégias de trabalho a serem desenvolvidas com as crianças, a avaliação acarreta um papel essencial na reorientação do ato de planear, ou ainda, pode ser entendida como uma ação desencadeadora do processo reflexivo do desempenho docente. Por outras palavras, Peterson (2003) afirma que o docente avalia para certificar se a aprendizagem está efetivamente decorrer, não pretendendo a rotulação, uma vez que é antipedagógico, mas sim adotar medidas com a finalidade de beneficiar o processo de aprendizagem. Isto porque, acrescenta, a criança não se dirige à instituição educacional para receber notas, como se de uma sentença se tratasse, pois a responsabilidade do desempenho é partilhada pelo docente e pelo educando, onde é privilegiado a participação deste último na opção dos critérios a observar.
Roldão (2008), por sua vez, menciona que o desenvolvimento curricular alia-se à avaliação, constituindo uma articulação harmoniosa com a maneira como se ensina no sentido em que a aprendizagem ocorra, nomeadamente a aquisição do saber e a capacidade de usá-lo e colocá-lo em prática. Assim, a competência para mobilizar o conhecimento requer a melhoria basilar da qualidade em todo o processo curricular no que diz respeito às metodologias e à avaliação, o que vai ao encontro desta última por ser a orientação do ensino refletido.
A avaliação deve ser vista como meio de conhecer as crianças no seu todo, incluindo o processo de aprendizagem, para que o docente atue, pensando e refletindo, de
modo a preconizar o sucesso escolar, através do alcance dos fins educativos estabelecidos (Peterson, 2003).
No que diz respeito aos critérios subjacentes à avaliação, Peterson (2003) nomeia os seguintes: diagnosticar (analisar o nível inicial das crianças para desenvolver o processo educativo), conhecer (compreender as reais necessidades dos educandos de maneira a orientar os seus trabalhos), corrigir (aperfeiçoar as estratégias utilizadas, de acordo com as exigências) e determinar (definir metas a serem atingidas, em consonância com os objetivos curriculares delineados).
Por fim, no que concerne aos procedimentos de avaliação, a Circular n.º 4 de 11 de abril de 2011 “Avaliação na Educação Pré-Escolar” expõe diversas técnicas e instrumentos de observação e recolha e dados, como por exemplo: observação, entrevistas, fotografias, gravações multimédia, portefólios elaborados em parceria com as crianças, questionários a intervenientes do processo de ensino (pais, crianças, entre outros). Estas múltiplas formas de obter conhecimento permitem ao docente averiguar e acompanhar o desenvolvimento da criança, sob diversificadas perspetivas, adequando a sua intervenção perante as reflexões retiradas.
Sistema de Acompanhamento das Crianças (SAC)
O Sistema de Acompanhamento das Crianças (SAC), de acordo com Portugal e Laevers (2010), é denominado como um processo de avaliação que se preocupa em proporcionar atividades, onde as competências das crianças são desenvolvidas, bem como com a qualidade da educação. Desta forma, os autores definem critérios prioritários a serem analisados: o bem-estar e a implicação.
Portugal e Laevers (2010) defendem a importância da criança manifestar, ao longo das atividades desenvolvidas, sentimentos de bem-estar (estado psicológico que se traduz em satisfação e prazer, em que a criança demonstra serenidade interior e que está bem consigo própria; emoções que no mais alto nível, estão diretamente relacionadas com a autoconfiança e a vontade de aprender e descobrir, num processo dinâmico) e implicação (identifica-se pelo esforço aplicado e caracteriza-se pela motivação, empenho e vontade de conhecer).
Para avaliar as crianças ao longo das atividades, na valência da EPE, utilizei algumas fichas do Sistema de Acompanhamento das Crianças (SAC) cujo objetivo era avaliar os níveis de bem-estar e implicação.
O preenchimento das fichas resultou da observação participante, dos registos fotográficos e do diário de bordo, que após uma análise quantitativa e qualitativa, permitiu averiguar esses níveis.