A questão sobre o empreendedorismo tem gerado impactos em todas as áreas da sociedade, passando pela economia e até mesmo na política, visto que tem gerado empregos, que, por sua vez, aumentam a renda da população e consequentemente proporcionam crescimento e desenvolvimento. O número de pessoas que buscam abrir negócios tem crescido amplamente, segundo o GEM (2009), o Brasil ocupou o 13º lugar de empreendedores na pesquisa realizada em 43 países do mundo.
No entanto, não significa apenas abrir um negócio, o fundamental é saber agir, para obter sucesso. Neste sentido, na visão de Dias, Nardelli e Vilas Boas (2008), é indispensável que estes empreendedores possuam habilidades e competências necessárias que os auxiliem na relação interpessoal e convivência em conjunto.
As empresas estão cada vez mais exigindo pessoas com competências para assumirem cargos de liderança/gerência, cujas características são consideradas diferenciais no mercado cada vez mais competitivo.
Para Echeveste (1999), estes profissionais se destacam por apresentarem: conhecimentos dos cenários internos e externos e das mudanças no âmbito econômico e cultural, dos procedimentos internos da empresa em todos os setores, desde a gestão mercadológica e financeira, como na gestão de pessoas; além de apresentarem habilidades de se adaptar ao novo, de saber trabalhar em equipe e contribuir com o trabalho de seus colaboradores; e, ao mesmo tempo, demonstrar poder de persuasão; conhecer e aplicar técnicas de negociação, saber administrar conflitos; delegar poder e tomar decisões de forma rápida; ser criativo e inovador; saber correr riscos e lidar com fortes conflitos, como demonstrar atitudes de bom relacionamento interpessoal.
Neste sentido, pode-se dizer que o gerente no mundo de hoje deve possuir competências que atendam as necessidades da empresa e de seus funcionários.
Segundo Motta (2002): o trabalho das lideranças é atípico, não se parecendo com nenhuma outra função ou profissão, sendo ambíguo e repleto de dualidades, cujo exercício se dá de forma fragmentada e intermitente. Conforme o autor, ocorre um grande número de trabalhos inusitados que requer um grau de responsabilidade muito intensa para gerenciar diversas tarefas que surgem ao mesmo tempo de forma ininterrupta, exigindo deste profissional uma estrutura psicológica para suportar alto grau de pressão.
Para Echeveste (1999), neste novo ambiente organizacional, as empresas passam a ter uma melhor compreensão no que diz respeito às divergências culturais e desta forma entendem que precisam recrutar, treinar e desenvolver líderes capazes de atender as novas demandas do mercado globalizado.
No entender de Katz (1986), não são apenas as características pessoais que irão determinar que o indivíduo seja um bom gerente e sim que ele esteja atrelado a essas caraterísticas e as habilidades para desempenhar uma função; ou seja: o saber fazer. O autor ainda afirma que habilitação é a capacidade de desenvolvimento não só em potencial, mas também em desempenho como principal critério, uma ação excelente em várias situações. Portanto, administração eficaz fundamenta-se em três habilitações básicas: técnica, humana e
conceitual.
Em relação à habilidade técnica, o autor ressalta que o conhecimento é a aptidão especializada. Das três habilidades citadas pelo autor, esta é a mais conhecida, por exigir uma qualificação de quase todas as pessoas. À medida que o gerente evolui, avança em suas funções, e tendo apoio de executivos habilitados e aptos em resoluções de seus próprios problemas, a habilitação técnica vai perdendo importância.
A habilidade humana trata-se da qualidade, segundo Katz , do gerente fazer parte da equipe como membro fundamental do grupo que sabe ouvir e aceitar opiniões, percepções e convicções diferentes das suas. É aquele que tem a capacidade de compreender o outro, fazendo do ambiente um lugar propício para o desenvolvimento das atividades e que passe segurança para os funcionários. Esta habilitação é muito importante em qualquer nível administrativo.
Por sua vez, a habilidade conceitual consiste, de acordo com Katz, no gerente agir em favor da organização, da empresa como um todo; compreendendo que as diversas funções da empresa estão interligadas entre si.
Neste aspecto, Bittencourt (2005) descreve o quanto é importante o desenvolvimento de competências que sejam direcionadas a gestão de negócios, oferecendo uma maior capacidade do empreendedor de competitividade no mercado.
E como desenvolver essas competências?
Ainda segundo Bitencourt (2005) e Freitas & Brandão (2006), não é possível existir desenvolvimento sem aprendizagem, fator pelo qual se torna altamente necessário compreender a importância do processo de aprendizagem para se adquirir competências; neste sentido, a aprendizagem empreendedora se faz presente.
Aprender empreendedorismo, segundo Timmons (apud BATEMAN; SNELL, 1998), é possível por meio do desenvolvimento de suas competências. Filion (apud SALIM, 2004) considera que o treinamento para atividades ditas empreendedoras é possível, pois podem oferecer ao empreendedor, o desenvolvimento de habilidades capazes de colocar em prática sonhos possíveis de serem realizados.
Na percepção de Minniti e Bygrave (2001) considera-se a aprendizagem empreendedora “um processo que envolve repetição e experimentação que aumentam a confiança do empreendedor em certas ações e desenvolvem o conteúdo de seu estoque de conhecimentos”.
Para Rae (2005), o termo „aprendizagem empreendedora‟ denota identificar oportunidades e colocá-la em prática sabendo interagir socialmente e utilizar conhecimentos de gestão para conduzir novos negócios.
No entanto, Cope (2005) diz que aprendizagem empreendedora é mutação da experiência e conhecimento em aprendizagem funcional, ou seja, é o conhecimento através da teoria sendo vivenciado na prática. Ou ainda, segundo Zarifian (2001), é possível identificar a competência de um indivíduo, a partir do momento da observação de suas atitudes e ações,
assim como a forma pela qual ele articula os recursos que possui para resolver situações tanto da área profissional como pessoal.
Neste sentido, é preciso aprender a ser empreendedor e buscar desenvolver competências que atendam as exigências do mercado, numa sociedade cada vez mais competitiva, onde o empreendedorismo se faz presente.