The role of trust in shaping information collection behavior of exporters 6
6. Discussion and Implications
Por falar em cultura, surge a seguinte inquietação: o que é cultura? Não é uma questão simples de responder, existem múltiplas definições para o conceito de cultura. No entanto, vamos considerar algumas definições para se ter uma ideia básica referente a este conceito. Uma das mais simples concepções desse conceito considera,
[...] que cultura abrange todas as realizações materiais e os aspectos espirituais de um povo. Ou seja, em outras palavras, cultura é tudo aquilo produzido pela humanidade, seja no plano concreto ou no plano imaterial, desde artefatos e objetos até ideias e crenças. Cultura é todo complexo de conhecimentos e toda habilidade humana empregada socialmente. Além disso, é também todo comportamento aprendido, de modo independente da questão biológica. (SILVA K.; SILVA M., p. 85)
É um conceito extremamente abrangente que engloba tudo que o ser humano produz, seja no campo material ou espiritual. Engloba ainda a produção de conhecimentos provenientes das relações sociais. Para esta autora, a cultura também é compreendida como “o conjunto de práticas, de técnicas, de símbolos e de valores que devem ser transmitidos às novas gerações para garantir a convivência social” (SILVA K.; SILVA M., p. 85). De acordo com a autora, cultura também pode ser considerado como tudo aquilo que um grupo transmite para a sua prole com o intuito de assegurar a sobrevivência da futura geração. Segundo a autora, a cultura ainda é concebida como um conjunto das produções humanas, material ou imaterial. Outra acepção referida ao conceito de cultura é aquela que a considera “como produção artística e intelectual. Assim, podemos falar de cultura erudita, cultura popular, cultural de massa etc., todas expressões que designam conceitos específicos para a produção intelectual de determinados grupos sociais” (SILVA K.; SILVA M., p. 85).
Frente a uma diversidade de interpretações e utilização do termo cultura, refletiremos a cultura agora sobre o ponto de vista das três concepções mais utilizadas por diversos autores e que foram analisadas por Canedo (2009). Em sua análise, a autora reflete à cultura como: “1) modos de vida que caracterizam uma coletividade; 2) obras e práticas da arte, da atividade
intelectual e do entretenimento; e 3) fator de desenvolvimento humano” (CANEDO, 2009, p. 4). Na primeira acepção, segundo a autora, a cultua é concebida como um sistema de símbolos e significados produzidos pelos grupos sociais. De acordo com a autora, a cultura é produzida por meio das relações sociais dos indivíduos, onde se constroem suas formas de pensar, sentir e agir e por meio da interação, constroem princípios, elaboram suas identidades e diversidades, estabelecem suas condutas diárias. No intuito de ampliar o entendimento do termo cultura, Chauí (1995), afirma a necessidade de refletirmos esse conceito para além “de invenção coletiva de símbolos, valores, ideias e comportamentos, de modo a afirmar que todos os indivíduos e grupos são seres culturais e sujeitos culturais” (CHAUÍ, 1995, p. 81). Dentro desta expectativa, deve-se valorizar, segundo Canedo (2009, p. 5), “o patrimônio cultural imaterial - os modos de fazer, a tradição oral, a organização social de cada comunidade, os costumes, as crenças e as manifestações da cultura popular que remontam ao mito formador de cada grupo”.
A segunda acepção, de acordo com a autora, é pautada numa interpretação mais limitada da cultura tendo por base as produções e atividades artísticas, produção intelectual e entretenimento, concebidas acima de tudo como atividade econômica. Nesta perspectiva, segundo Botelho (2001), a cultura não acontece no âmbito cotidiano da vida de um indivíduo, mas sim numa esfera especializada. Se trata de uma construção “elaborada com a intenção explícita de construir determinados sentidos e de alcançar algum tipo de público, através de meios específicos de expressão” (Botelho, 2001, p.74). De acordo com esta autora, a produção, circulação e o consumo de bens e serviços, ou seja, o que o senso comum compreende por cultura, se tornou uma estratégia para o desenvolvimento econômico global. Neste sentido,
Além das tradicionais atividades culturais, como literatura, artes visuais, teatro, música, dança, audiovisual, arquitetura e artesanato, as indústrias criativas também abarcam outros setores como moda, designer, marketing e propaganda, decoração, esportes, turismo, aparelhos eletrônicos, tecnologia, telefonia, internet, brinquedos e jogos eletrônicos. (CANEDO, 2009, p. 6)
Da vinculação entre cultura e mercado, segundo a autora, resultam a transformação da cultura em mercadoria e a transformação da mercadoria em cultura por meio de dois processos diferentes:
[...] a mercantilização da cultura, quando as atividades culturais passam a ser concebidas visando à distribuição em massa e, consequentemente, a geração de lucro
comercial; e a culturalização da mercadoria, que ocorre através da atribuição de valor simbólico a objetos do uso cotidiano (CANEDO, 2009, p. 6)
Segundo a autora, as representações culturais de uma determinada região ou grupo também podem se transformar em bens simbólicos para a exploração do turismo ou como um lugar para a produção audiovisual. A terceira acepção de cultura, de acordo com esta autora, frisa a representatividade que ela poderá abarcar como um agente de desenvolvimento social. Nesta perspectiva, segundo a autora, as práticas culturais são executadas com propósitos socioeducativos variados; voltados para o estímulo de posturas críticas e o propósito de proceder politicamente; no suporte a evolução cognitiva de indivíduos com necessidades especiais ou ainda práticas terapeutas para indivíduos com problemas de saúde; “como ferramenta do sistema educacional a fim de incitar o interesse dos alunos; no auxílio ao enfrentamento de problemas sociais, como os altos índices de violência, a depredação urbana, a ressocialização de presos ou de jovens infratores” (CANEDO, 2009, p. 6). Por ter uma característica mais utilitária, segundo a autora, esta concepção cultural pode ser bastante criticada por muitos artistas e pesquisadores, dado que entendem a relevância da arte em si mesma. No entanto, de acordo com a autora, é evidente que a cultura não só pode, mas como deve desempenhar uma função educativa na construção política e social das pessoas.
Neste contexto, de acordo com a autora, é possível então compreender a cultura por meio destas três acepções imprescindíveis. A primeira, segundo a autora, por meio de um conceito mais amplo na qual concebe os indivíduos como produtores da própria cultura, ou seja, onde se fazem presentes um agrupamento de significados e valores sociais. Na segunda, de acordo com a autora, por meio das práticas artísticas e intelectuais voltados para a produção, circulação e consumo de bens e serviços simbólicos que fomentam a indústria cultural. A terceira, de acordo com a autora, como um mecanismo para a promoção política e social, onde os campos social e cultural se confundem.