The role of trust in shaping information collection behavior of exporters 6
3. Conceptual Model
É chamado de “socialização o processo interativo, fundamental para o desenvolvimento, através do qual o indivíduo assimila a cultura do seu grupo social, ao mesmo tempo em que perpetua esse grupo” (AMARAL, 2007, p. 2, grifo do autor). É por intermédio da socialização, segundo Damy (2005), que um indivíduo se desenvolve e se insere na sociedade. A socialização é um processo de integração perpassado pelo indivíduo que faz com que ele não só compreenda, mas que faça parte de uma sociedade que possui valores, crenças distintas, costumes e regras. Graças ao processo de socialização é que o indivíduo consegue viver em sociedade, digamos, de maneira mais harmoniosa, mesmo que existam conflitos, apesar disso, dentro de certos limites, viver de forma mais harmoniosa. O processo de socialização acontece durante toda a vida do indivíduo, se inicia na família, perpassa pelo processo educativo por meio de escolas e de vários outros planos. A socialização ocorre em qualquer local onde indivíduo se encontre inserido na qual ele pertence. Sendo assim, o indivíduo perpassa por um processo de socialização para viver em família, e por meio dessa, digamos, primeira socialização, ele vive em sociedade.
Em sociedade, o indivíduo é levado a se adaptar a certos grupos sociais em que muitas vezes se identificam na forma de se vestir, comunicar e conviver com o outro. Entretanto, a socialização só acontece por meio de contatos. Não é possível ser membro de qualquer grupo social sem ter contato com outros indivíduos que fazem parte desse grupo, pessoas que possuem pensamentos semelhantes e que se fazem presentes em nosso cotidiano. Estes contatos sociais, são essenciais para que aconteça o processo de socialização e, um indivíduo só consegue entrar em contato com essas pessoas e passar pelo processo de socialização por causa da sociabilidade. Sendo assim, compreendemos que os contatos sociais são as diversas maneiras em que os indivíduos se interagem e se relacionam socialmente. Os primeiros contatos, acontecem na família, na escola, na qual a criança assimila os valores da sociedade.
Este contato primário é denominado por Berger e Luckmann (2004), como socialização primária. Para estes autores, “a socialização primária é a primeira socialização que o indivíduo experimenta na infância e em virtude da qual se torna membro da sociedade” (BERGER; LUCKMANN, 2004, p. 138).
De acordo com estes autores, é por meio da socialização primária que se constrói o primeiro mundo de uma pessoa. Segundo os autores, a família é uma instituição que tem por incumbência preparar a criança para viver em sociedade. Nessa relação institucional, segundo o autor, a família internaliza valores sociais e culturais. Através de palavras, conselhos e exemplos é que a família mostra para a criança o que significa fazer parte da sociedade. Desta relação familiar é que a criança assimila valores, leis e normas, no entanto, a assimilação continua quando a criança vai para a escola. Na instituição escolar, a criança também vai aprender valores, leis e normas, pois a escola possui a função de preparar a criança para a vida social. Este processo de aprendizagem perpetua durante toda a vida da criança, no entanto, a socialização primária “termina quando o conceito do outro generalizado (e tudo quando o acompanha) ficou estabelecido na consciência do indivíduo. Neste momento, é um membro afetivo da sociedade e na posse subjetiva de uma personalidade e de um mundo” (BERGER; LUCKMANN, 2004, p. 145).
Tendo já acontecida a socialização primária na família e na escola, a socialização secundária acontece depois, na juventude, na vida adulta. Neste sentido, “a socialização secundária é qualquer processo subsequente que introduz um indivíduo, já socializado, em novos setores do mundo objetivo da sociedade” (BERGER; LUCKMANN, 2004, p. 138). A socialização secundária acontece no mundo do trabalho, na universidade, nos espaços urbanos, onde o indivíduo conhece novas pessoas, estabelece novos contatos, e destas relações ele vai criar projetos. Na socialização secundária os contatos são impessoais, são objetivos, possui início e fim. Temos a percepção disso, por exemplo, quando entramos em um táxi. O taxista faz a corrida e te leva ao seu destino, você paga, ele vai embora, acabou o contato, talvez nunca mais o veja novamente. Poderíamos acrescentar neste contexto o contato que um indivíduo estabelece no prédio onde mora, muitas vezes é do tipo “bom dia”, “tudo bem”, e só. Termina, é objetivo. Quanto mais complexa for uma sociedade maior é o número de contato secundário. Em contrapartida, quanto menos complexa for a vida num grupo ou sociedade, maior a prevalência de contatos primários.
O processo de socialização é composto por esse conjunto de contatos primários e secundários. Em sociedade, o indivíduo é marcado o tempo todo por estes contatos e é desta relação que ele assimila crenças, valores, e consequentemente vai se adaptando e compondo a
sociedade em que vive. No entanto, ao conviver em sociedade, o indivíduo também se depara com um conjunto de regras e normas de conduta que a pesar de não serem criadas por ele mesmo, existem e devem ser aceitas. As sociedades na contemporaneidade são caracterizadas por leis e normas que estabelecem a forma de convivência. Tais normas e leis não podem ser criadas ou modificadas por uma pessoa isoladamente. No entanto, o descumprimento das normas e leis, acarreta sanções punitivas. As sanções são exterioras “porque consistem em ideias, normas ou regras de conduta que não são criadas isoladamente pelos indivíduos, mas foram criadas pela coletividade e já existem fora dos indivíduos quando eles nascem” (CORRÊA, 2007, p. 3). São também coercitivas, tendo em vista que, as normas e regras, segundo a autora, devem ser cumpridas pelos integrantes da sociedade. Caso não sejam cumpridas, o indivíduo sofre algum tipo de punição dos membros dessa sociedade. No entanto, as normas e leis que são impostas as pessoas pela sociedade, Durkheim (2007), as define como fato social.
É fato social toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda toda maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais. (DURKHEIM, 2007, p. 13)
De acordo com o autor, o comportamento do indivíduo em sociedade não é apenas influenciado pelas leis e normas rígidas, cujo o descumprimento gera punição. Esse comportamento também recebe influências e orientações que geralmente “são implícitas, assim seja, a sociedade é um conjunto de normas de ação, pensamento e sentimento que não existem apenas na consciência dos indivíduos, que são construídas exteriormente, isto é, fora das consciências individuais” (CORRÊA, 2007, p.3). Para Durkheim (2007), os fatos sociais, em outras palavras, são propriamente as leis e diretrizes coletivas que regulam a convivência em sociedade. Os fatos sociais possuem como características serem exteriores e coercitivos, o que contribui para a orientação e a identificação do indivíduo na realidade.
Os fatos sociais por si só, não seriam suficientes para explicar os modos de organização social que garantem a convivência do indivíduo em sociedade. Para tanto, Durkheim (1999), em sua obra, “Da Divisão do Trabalho Social”, buscou compreender o que garantiria uma convivência em sociedade e qual seria a relação social entre os indivíduos. O autor concluiu em sua obra que o elo que mantém as pessoas ligadas umas com as outras nas diversas sociedades é a solidariedade social, e sem esta não há vida social. A solidariedade social em Durkheim (1999) é abordada em dois tipos chamadas pelo autor de solidariedade mecânica e orgânica. A solidariedade social pode ser compreendida a partir das consciências
individuais e coletivas de uma pessoa. De acordo com Durkheim (1999), todo o indivíduo possui uma consciência individual que está ligada à sua personalidade. É por meio dela, segundo o autor, que o indivíduo cotidianamente toma decisões e faz suas escolhas. Entretanto, uma sociedade não é formada apenas por indivíduos com suas consciências individuais.
Dos fatos sociais e das relações que os indivíduos estabelecem no convívio social surge a consciência coletiva. É da consciência coletiva, de acordo com Durkheim (1999), que o indivíduo constrói seus valores morais, o que é certo ou errado, o que é ético ou antiético e, através do processo educativo a transmite para as gerações futuras. A consciência coletiva exerce uma pressão no indivíduo em relação a suas escolhas. Do somatório das consciências individuais e coletivas, segundo Durkheim (1999), se cria o ser social, apto para a vida em sociedade. Então, a solidariedade social para Durkheim (1999) se dá por meio da consciência coletiva que é a incumbida pela coesão entre os indivíduos.
A solidariedade mecânica em Durkheim (1999), é proveniente das sociedades pré- capitalistas, sociedades tradicionais onde a consciência coletiva é muito presente. Nestas sociedades, de acordo com o autor, o indivíduo possui pouca autonomia para ser diferente e por isso, ele age dentro das expectativas sociais do grupo, ou seja, tem consciência sobre o papel que cada membro deve cumprir. Na solidariedade mecânica, a coesão acontece por causa da uniformidade. Nessas sociedades, “os valores sociais decorrem da tradição e da religião e o grupo organiza-se como uma verdadeira comunidade, fundamentada em relações de parentesco e na preservação da propriedade coletiva” (CORRÊA, 2007, p. 6). A solidariedade mecânica, segundo a autora, baseia-se na semelhança dos integrantes da sociedade, isto é, na homogeneidade da prática coletiva.
Diferentemente do que acontece na solidariedade mecânica, segundo a autora, a sociedade contemporânea, marcada pela industrialização, é caracterizada pela solidariedade orgânica de Durkheim (1999). Trata-se de uma sociedade mais fragmentada e “complexa, fundamentada na divisão do trabalho, segundo o princípio da especialização, e seus laços resultam da diferenciação, ou se exprimem por seu intermédio” (CORRÊA, 2007, p. 6). De acordo com esta autora, a solidariedade é formada por meio de redes de relacionamento entre pessoas e grupos, na qual, um indivíduo honra seus compromissos assumidos por contrato. Dentro deste contexto inserem-se as sociedades capitalistas que possuem uma matriz mais individualista, com maior autonomia individual, portanto, com uma consciência coletiva mais enfraquecida.
A solidariedade orgânica possui uma relação com a socialização secundária no mundo profissional capitalista. Esta relação é observada nas relações sociais estabelecidas no mundo empresarial capitalista. Já a solidariedade mecânica está relacionada a socialização primária. Tal relação está presente nas relações sociais estabelecidas na comunidade de pescadores, naquele agricultor ou naquele artesão que pertence ao mundo de uma cultura pré-capitalista.