4. Measurements of Selected Contaminants
4.3 Direct sources from treatment plants
Heidegger atribui ao pensamento socrático aristotélico o esquecimento do ser. O tempo, que poderia assumir a possibilidade de um sentido para a existência, passa a ser uma forma de vida inautêntica voltada para o controle moral da conduta humana.
O conhecimento humano é algo indispensável para guiar as ações, porém não é a única condição. É necessário que as ações aconteçam e que a teoria se torne realidade, mas nunca como norma imutável ou indiscutível. Porque,segundo
Aristóteles, “as virtudes podem ser de duas origens ou espécies, intelectual e
moral. A primeira cresce e gera-se graças ao ensino, por isso requer experiência e
tempo. Enquanto que a virtude moral é adquirida em resultado do hábito.” 13
Portanto, a primeira requer uma quantidade muito grande de reflexão, enquanto que a segunda é construída através da repetição. Da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos justos. Isso ocorre com a temperança e com a bravura. Embora agir de maneira justa seja algo propalado, para que as práticas se tornem justas é preciso que haja temperança nas ações. Ou seja,
o mesmo acontece com a temperança, a coragem e outras virtudes, pois o homem que a tudo teme e de tudo foge não se posicionando em nada, torna-se um covarde e o homem que não teme absolutamente nada, mas vai ao encontro de todos os perigos, torna-se temerário, analogamente aqueles que se entregam a todos os prazeres, torna-se intemperantes (ARISTOTELES, 1973: P. 268).
Logo, o que é imprescindível é a ação porque a ética aristotélica só tem sentido se for colocada em prática com o auxilio da razão para deliberar sobre os meios. E a ética esta ligada a verdade e pratica da verdade pelo ser.
Dessa forma, “a temperança e a coragem são destruídas pelo excesso e
pela falta e preservadas pela mediania,”14 ou seja a mediania garante uma
quantidade adequada, uma medida adequada, um equilíbrio das ações.
Quando buscamos nos abster de prazeres para tornar-nos temperantes precisamos primeiro fazê-lo para realmente estar distante deles. Ou seja,
“
tornamo-nos temperantes abstendo-nos de prazeres, e é depois de nostornarmos tais que somos mais capazes dessa abstenção.”15
Portanto, a ação ética é aquela que leva em conta a medida, ou seja, um meio termo, “assim, um mestre em qualquer arte evita o excesso e a falta, buscando o meio termo, escolhendo o meio termo não no objeto, mas
relativamente a nós.”16
A construção da ética Aristotélica se fundamenta na valorização do indivíduo virtuoso, ou seja, aquele age, com o auxilio da razão e do conhecimento,
em vista do bem comum. Desta forma,
“
o excesso e a falta são características dovício, e a mediania da virtude.”17 Assim, quando há falta ou excesso, existe vício e
quando há mediania existe virtude, ou ação ética.
Comisso, Aristóteles coloca a virtude como“uma disposição de caráter
relacionada com a escolha.”18 A ética Aristotélica não é principialista como alguns
poderiam imaginar devido às disposições de caráter. Porque a preocupação é
com o agir em cada situação e não com a formula perfeita. Por isso,“ a mediania é
um principio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática.”19
O intuito é demonstrar que a radicalização entre os extremos não permite uma ação ética do homem. Ou seja,
14 Idem. p. 269. 15 Idem. p. 269. 16 Idem. p. 272. 17 Idem. p. 273. 18 Idem. p. 273.
é um meio termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta; pois que, enquanto os vícios ou vão muito longe ou ficam aquém do que é conveniente no tocante as ações
e paixões, a virtude encontra e escolhe o meio termo. 20
Segundo Aristóteles os vícios e as virtudes dependem desse equilíbrio na escolha, na decisão, no posicionamento diante de situações extremas. Com isso a ética proposta por Aristóteles pode ser um instrumento para se pensar as questões singulares da vida humana, sem perder de vista o todo. Não é uma tentativa de normalizar e se fundamentar no dever. Portanto, a ética Aristotélica proporciona a possibilidade de um estudo criterioso de cada caso.
O conhecimento é uma condição necessária, porém não é suficiente para a ação ética. Neste ponto Aristóteles difere da ética socrático-platônica, porque esta última considerava o conhecimento como condição suficiente para a ação ética e almejava um bem supremo totalmente estabelecido como norma fixa.
O homem possui uma capacidade de escolha, pode escolher, tomar posições usando a capacidade racional, ou seja, usar o aparato de conhecimentos para agir e, deste modo, não o fazer por simples costume, apetite ou cólera.
Portanto, segundo Aristóteles,“a escolha envolve um principio racional e o
pensamento.”21
Segundo Aristóteles interesse de toda ação humana é a busca pela felicidade e o bem comum. Por ser o principio motor de todas as ações humanas, a decisão cabe ao homem, porque possui a capacidade racional.
Assim,
a deliberação gira em torno de coisas a serem feitas pelo próprio agente e as ações tem em vista outra coisa que não elas mesmas com efeito o fim não pode ser objeto de
deliberação, apenas o meio.22
Portanto, o meio deve ser refletido para se atingir o bem comum e a felicidade do homem.
20 Idem. p. 273.
21 Idem. p. 285. 22 Idem. p. 286.
Deste modo, nem sempre o prazer causa felicidade e leva ao acerto, porque “na maioria dos casos, o engano deve-se ao prazer, que parece bom sem realmente sê-lo; e por isso escolhemos o agradável como um bem e evitamos a
dor como um mal.” 23 Com efeito, é importante usar a capacidade racional para
poder deliberar de maneira adequada sobre os meios.
Considerando que nossas ações se remetem a um fim, ou seja, buscam a realização da felicidade do homem no âmbito coletivo (homem político), a virtude está na escolha dos meios mais adequados.
Segundo Aristóteles “sendo o fim aquilo que desejamos e o meio aquilo acerca do qual deliberamos e que escolhemos, as ações relativas ao meio devem
concordar com a escolha e ser voluntária.”24 Portanto, do mesmo modo que o vício
está em nosso poder, a virtude também nos pertence, porque a escolha é nossa, em agir ou deixar de fazê-lo. Desta maneira o home, m se torna responsável por seus atos, porque são voluntários, cabíveis de escolha, de deliberação ou não.
Portanto, existem os homens virtuosos e os desvirtuados, ou seja, os que de maneira segura e confiante tomam as suas decisões, se os que fazem o contrário. Portanto, o covarde é um ser dado ao desespero porque teme todas as coisas. Por outro lado, o bravo possui confiança que é uma postura fundada na mediania
Por tudo isso,
a covardia, a temeridade e a bravura se relacionam com os mesmos objetos, mas revelam disposições diferentes para com eles, pois as duas primeiras vão ao excesso ou ficam aquém da medida, ao passo que a terceira mantém-se na mediania, que
é a posição correta.”25
Portanto, a bravura é fundamentada na mediania, confiança, enquanto que
a covardia e a temeridade se fundamentam em extremos, falta ou excesso.
23
Idem. p. 287. 24 Idem. p. 287.
Heidegger não concorda com essa definição aristotélica porque seu ponto de partida, o ser, não assume atributos a priori com características que lhe impedem a construção de um sentido.