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Direct microscopic analysis

4 Results of investigations and discussion

4.1 Classical approach

4.1.2 Culture-independent methods

4.1.2.1 Direct microscopic analysis

A primeira estrada de ferro a passar por São Paulo – a Estrada de Ferro de Santos a Jundiaí (EFSJ) – foi inaugurada em 1867, marcando um aceleramento na expansão da produção cafeeira para o oeste paulista.

A Companhia São Paulo Railway era formada por acionistas ingleses e foi responsável pela construção de onze estações, do porto de Santos até a cidade de Jundiaí. Por este ser o trecho mais lucrativo da estrada, já que se fechara um monopólio para o acesso ferroviário até o porto de Santos, não houve interesse da companhia em expandir a ferrovia. Assume esta função a Companhia Paulista de Estrada de Ferro que, no mesmo ano, iniciou o assentamento de trilhos além de Jundiaí.

Da inauguração da EFSJ até 1875, antigos caminhos são prolongados até a margem da ferrovia e outros novos são abertos: o prolongamento das ruas da Conceição (ACSP, LX, 121) e Alegre (ACSP, LVI, 53) melhora a comunicação com o núcleo, e a abertura de uma nova rua até o largo do Commercio da Lús (ACSP, LIX, 11) auxilia na expansão da cidade a noroeste da estação da Luz, assim como a rua directa deste a porteira da Estação da estrada de ferro até a propriedade do Exmo. Senr. Barão de Antonina140, com a Consolação (ACSP, LVI, 26); realiza-se também a ligação com o Bairro do Arouche (ACSP, LVI, 69) e multiplicam-se as ligações com o destricto de Santa Iphigenia (ACSP, LVI, 164 e 177; LVII, 94; LVIII, 169). A ligação a leste da estação é proporcionada pela abertura da rua do Doutor João Teodoro, atingindo a freguesia do Brás pela ponte dos Lázaros.

A abertura de ruas e a concessão de datas de terras incentivaram o crescimento de São Paulo. Outro aliado foi o serviço de bondes para a população, o qual, inicialmente, visava estabelecer uma linha de deligencias tiradas por animaes sobre trilhos de ferro, unindo o centro desta Cidade e subúrbios à estação do caminho de ferro (ACSP, LVII, 38). Em pouco tempo, somou-se a função de transporte por toda cidade ao atendimento aos usuários da ferrovia. Langenbuch (1968, 119) constatou a importância deste serviço à “suburbanização de áreas situadas a maiores distâncias”, atribuindo-lhe “um espírito de pioneirismo, (...) [por ultrapassar] os limites da área construída da cidade, fazendo o seu ponto final um pouco além”.

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Este logradouro é chamado nova rua da Lús do portão da estrada de ferro à chacara do Barão de

Antonina, ainda em 1870 (ACSP, LVI, 69). A designação rua denominada do Barão de Antonina é registrada

nas atas da Câmara apenas em 1877, ano em que se solicita o prolongamento deste caminho até o largo do

O bonde não deixou marcas na toponímia paulistana, apenas se utilizou desta para a denominação das linhas construídas. A construção de ferrovias, ao contrário, foi responsável pelo engendramento de novos topônimos, especialmente para os novos elementos geográficos com ela surgidos, os quais revelam a manutenção da formação de designativos por descrição associativa, ainda na década de 1870.

Neste sentido, o nome oficial da primeira ferrovia de São Paulo era Santos-Jundiaí, mas, nas atas da Câmara, registrou-se, até 1874, estrada de ferro, simplesmente, salvo raras exceções, visto ser a única141. É a partir de 1874 que se cristaliza a designação Inglesa. Quanto ao nome da companhia, oficialmente São Paulo Railway, verifica-se, igualmente, a fixação do designativo Inglesa, em 1873142.

Na cartografia, ao contrário, nota-se a tentativa de manutenção da designação oficial: na Planta de Rath, de 1868, registrou-se Estrada de Ferro e, no Mapa de Jules Martin, de 1877, o autor indicou os destinos das ferrovias: Para Jundiahy e Campinas e Para Santos, mas anota Ca Ingleza; na Planta de Joyner, de 1881, Estrada de Ferro Santos á Jundiahy; na Planta de Jules Martin, de 1890, Estrada de ferro S.P.R.; e, na Planta da Comissão Geographica e Geologica, de 1914, E.E.F.S. PAULO RAILWAL (sic). Apenas no Mapa de Gomes Cardim, de 1897, indicou-se ESTRADA DE F. INGLEZA.

Antes da fixação do designativo da estação da EFSJ, no núcleo, verifica-se grande variedade de chamamentos. Na década de 1870, foi indicada, na maioria das vezes, como estação da estrada de ferro, simplesmente143. Outras estações da EFSJ, contudo, já existiam no entorno, uma no lugar denominado - Agua-Branca (ACSP, LVII, 98) e outra na freguesia do Brás (ACSP, LVIII, 31; LXI, 68 e 69; LXIII, 180); sem falar nas outras duas ferrovias estabelecidas neste período em São Paulo. Entre 1879 e 1881, todas as menções a esta estação são registradas ora sob a denominação estação da Luz ora estação da Estrada de Ferro Inglesa:

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Registrou-se estrada de ferro, para a EFSJ, em ACSP, LVI, 92; LVII, 56, 65; LVIII, 80, 99; LIX, 71, 96, 102; LX, 77, 99, 103. Quanto às exceções, trata-se de estrada de ferro de Santos (ACSP, LVI, 60), estrada

de ferro Santos a Jundiahy (ACSP, LIX, 228), estrada de ferro de Santos a Jundiahy (ACSP, LX, 142 e 170)

e estrada de ferro Ingleza (ACSP, LX, 104). 142

Entre 1870 e 1872, registrou-se Companhia da Estrada de ferro de Santos a Jundiahy (ACSP, LVI, 156) e

Companhia da Estrada de ferro (ACSP, LVI, 164; 1872, 24) / Companhia d'Estrada de ferro (ACSP, LVIII,

11), simplesmente. Posteriormente, anotou-se apenas Companhia Ingleza (ACSP, LVIII, 146; LX, 103 e 107; LXIII, 61 e 132) / Companhia Inglesa (ACSP, LIX, 68; LXV, 105).

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Conforme ACSP, LVI, 53, 60, 69, 164, 177; LVII, 38, 94; LIX, 46, 96, 124; LX, 77, 121, 153; LXII, 39; LXIV, 45, 71.

* estação da estrada de ferro da Luz (ACSP, LVII, 35); * estação da Lús (ACSP, LIX, 68);

* Estação da Lús (ACSP, LXV, 14; LXVI, 46; LXVII, 44); * estação da estrada de ferro Ingleza (ACSP, LX, 146); * Estação da Estrada de Ferro Inglesa (ACSP, LXVI, 123); * Estação Inglesa (ACSP, LXVII, 50).

A designação estação da Estrada Inglesa pouco referencializava, visto que outras duas estações desta ferrovia encontravam-se próximas ao núcleo. A variação deve-se, possivelmente, ao fato da estação da Estrada de Ferro Sorocabana também se localizar no bairro da Luz, o que, inicialmente, deve ter inibido a fixação do topônimo estação da Luz. A ferrovia Sorocabana, contudo, mantinha um acanhado prédio como estação. Por acordo com a companhia Inglesa, os embarques de passageiros passaram a ser feitos na estação Inglesa ainda nos últimos anos da década de 1870. Apesar da utilização do prédio vizinho como estação de cargas, destacava-se a estação da Estrada de Ferro Inglesa. A cristalização da designação estação da Luz, conseqüentemente, ocorre nos primeiros anos da década de 1880.

As designações dos caminhos, enquanto se mantêm espontâneas, obedecem a regras mais claras para a fixação. A rua da estação da Luz, por esta ter sido aberta em função da criação da primeira ferrovia do núcleo, é conhecida como rua da Estação.

Nos primeiros anos, por ser um designativo proveniente de descrição, é registrado nas atas da Câmara em letras minúsculas: rua da estação (ACSP, LX, 33) e rua da estação da estrada de ferro (ACSP, LX, 107). Alternam-se, também, até 1880, rua da Estação, simplesmente144, e rua da Estação da estrada de ferro (ACSP, LVI, 60) e rua da Estação da Lús (ACSP, LX, 122) / rua da Estação da Lus (ACSP, LXVI, 46) / rua da Estação da Luz (ACSP, LXVI, 60), com elemento determinante do topônimo propriamente dito,

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O designativo rua da Estação é a forma mais recorrente para nomear o logradouro diante da estação da Luz, voltado para o núcleo, desde 1874. Conforme ACSP LX, 109 e 142; LXI, 54; LXII, 64; LXIII, 78 e 142; LXIV, 59, 80, 108 e 118; LXV, 19, 32, 37, 61, 128; LXVI, 32, 36, 46, 71, 73, 80, 92, 93 e 120.

melhor precisando o logradouro ao qual se refere. A cristalização da forma rua da Estação ocorre na década de 1880.

No núcleo, duas outras denominações relacionadas às ferrovias são registradas: rua do Doutor Falcão Filho e rua do Trem. Tratam-se, contudo, de designações atribuídas oficialmente. A primeira é atribuída, em 1877, à rua onde resede o Doutor Falcão Filho. A razão principal para a homenagem, na realidade, era o fato de Clemente Falcão de Sousa Filho ser o responsável pela colocação dos trilhos até Taubaté, pela Companhia - Sam Paulo e Rio de Janeiro, e da linha de Campinas ao Rio Claro, pela Companhia Paulista, sendo chamado pelos camaristas de illustre Paulista (ACSP, LXIII, 146-7).

O topônimo rua do Trem, antiga rua detraz do Quartel, integra a lista de designativos sugeridos pelo vereador Malaquias, em 1865. Trata-se de nome indicado aleatoriamente, já que nenhum trem cruzava este logradouro. No Mapa de Jules Martin, de 1877, nota-se que nem mesmo a linha de carris passava por este logradouro; permanece, contudo, a designação ainda nos primeiros anos da década de 1880, sem intenções de substituí-la (ACSP, LXVI, 73; LXX, 49, 89, 140).

Em 1884, propõe-se a mudança para rua da Fé (ACSP, LXX, 149), indicação não aceita. A alteração deste designativo para rua Anita Garibaldi ocorre apenas nos primeiros anos do século XX, em homenagem à heroína revolucionária. Este topônimo permanece até hoje.