4 Results of investigations and discussion
4.1 Classical approach
4.1.1 Culture-dependent methods
O hospital dos Lázaros foi construído em 1805. Antes disto, os atacados de varíola eram abandonados além dos limites da cidade, e suas casas, fechadas por anos. Isto se deve ao fato de as epidemias terem diversas vezes consumido grande percentual dos moradores
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A única exceção diz respeito a caso em tramitação na Câmara, desde 1874. Ver ACSP, LXIII, 25-6. 137
Para a realização desta obra, contudo, era necessário o retalhamento das propriedades pertencentes ao Monsenhor Anacleto, Januario Moreira, Commendador Cantinho Sobrinho e Domingos Paiva. Apesar de cientes das indenizações a serem pagas, este projeto é aprovado pelos camaristas (ACSP, LXII , 43-4). 138
Na década de 1880, já havia cortiços na rua do Gasômetro. Fernando de Albuquerque, em 1886, por exemplo, encaminha oficio a Câmara, reclamando “contra o lançamento de imposto sobre os cortiços que
de São Paulo, gerando temores diante do rápido contágio. A construção do hospital foi, portanto, a primeira tentativa no sentido de prestar socorro aos doentes.
O lugar escolhido foi a Luz, às margens do ribeirão Tamanduateí. No início do século XIX, conforme se observa na Planta de Rufino José Felizardo da Costa, de 1810, a maior parte da população ainda se mantinha restrita ao espigão entre os ribeirões Anhangabaú e Tamanduateí, e o Lázaros, portanto, encontrava-se suficientemente distante do núcleo, mas, ao mesmo tempo, pelo caminho da Luz, com acesso rápido para a transferência de doentes atacados de varíola.
Pela Planta de Bresser, de 1841, observa-se que o arruamento já despontava a norte Anhangabaú, indicando o aumento da população da Luz, nas proximidades do hospital dos Lázaros. Apesar do temor da população, a expansão era inevitável: o Jardim Público da Luz era um dos poucos passeios de São Paulo e a igreja e recolhimento de Nossa Senhora da Luz eram visitados constantemente.
Igual situação observa-se com a construção de uma ponte sobre o Tamanduateí, nas imediações do Lazareto, apenas no final da década de 1850. A demora na ligação do Pari com a Luz deveu-se, certamente, à existência do hospital. Uma vez construída, entretanto, a ponte dos Lázaros passa a ser utilizada com freqüência, levando a constantes pedidos de consertos e reconstruções, especialmente a partir de 1868, quando a inauguração da estação da estrada de ferro Inglesa acelera o número de construção na região.
Na década de 1870, a situação se torna insustentável. A população torna-se ciente de que as doenças se propagam com maior facilidade meio à sujeira e em centros populosos, e os camaristas insistem pela construção de um hospital distante do núcleo. O Governo da Província, contudo, sempre responde negativamente. Em 12 de janeiro de 1875, por exemplo, o governador encaminha ofício no qual pede aos camaristas que instruam o chefe de polícia sobre o modo por que devem ser prestados socorros necessarios ás pessoas indigentes afectadas das bexigas. A resposta encaminhada ao Governo foi a seguinte:
Que se informe que, a Camara julga de urgente necessidade a creação de um Lazareto, permanente, não só para a epedemia actual da bexiga como qualquer outra que por ventura possa apparecer, o que não está nas forças da Camara
attender a essa necessidade, podendo sómente dispor dos serviços do seu medico de partido para o tratamento dos indigentes affectados; lembrando entretanto, ao Exmo. Governo, para aquelle estabelecimento o predio hoje pertencente a Domingos Marques Airosa situado nas Palmeiras, em lugar reconhecidamente saudavel. (ACSP, LXI, 8-9)
A resposta foi que o Governo não poderia arcar com a construção de um novo hospital. Além disso, declara que sendo cazos isolados os que ultimamente se estão dando de variola, não convem por emquanto o estabelecimento do Lazareto (ACSP, LXI, 16). Azevedo Marques (II, 1952, 296-7) escrevia, neste mesmo ano, que as epidemias mostravam-se menos “perniciosas” do que nos séculos anteriores, mas não se pode deixar de notar, contudo, que, em 1875, ocorreu a transladação da imagem da Penha para a Sé em virtude de epidemia de varíola (Langenbuch: 1968, 111). Nota-se, portanto, o descaso do Governo diante do problema.
No verão de 1878, os camaristas outra vez se reúnem para tratar dos meios do estabelecimento de um lazareto nesta Capital, onde possão ser recolhidos e tratados as pessoas atacadas da variola, que infelismente começa agraçar na população da Cidade (ACSP, LXIV, 18). Desta vez, já que a Luz havia se tornado um local populoso, especialmente com a construção da ferrovia Sorocabana, os doentes são levados para o lazareto denominado do Areal, um hospital improvisado à margem direita do rio Tietê, no caminho para o bairro de Santana.
O problema, entretanto, não estava solucionado. Os camaristas denunciam as condições do novo lazareto: a caza no estado que se acha toda esburacada, telha vãn e até chovendo dentro, não forrada e nem assoalhada, só pode agravar a sorte dos infelizes affectados. Além disto, o Areal não era suficientemente distante do núcleo (ACSP, LXIV, 19).
Em 1879, iniciam-se as obras de construção do novo hospital de variolosos, na chacara do Senhor Wanderley, na estrada de Pinheiros (ACSP, LXV, 11). Desta vez, o Governo despende o dinheiro necessário para o estabelecimento de um prédio que atenda às necessidades de isolamento dos doentes, localizado distante dos centros povoados e próximo ao cemitério municipal. No ano seguinte, é inaugurado sob a denominação Hospital de Isolamento de São Paulo.
Interessante notar as diferentes visões pelo nome dos estabelecimentos: o hospital dos Lázaros ou o Lazareto remete ao horror que as epidemias ocasionavam na população, o “mal de São Lázaro”, como era conhecida a hanseníase, ou o Lázaro bíblico, ressuscitado por Jesus; já o hospital de Isolamento indica o atendimento especializado a indivíduos com doenças contagiosas, revelando a fase em que começa a prevenção pela vaccinação municipal (ACSP, LXVII, 187).
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Nas décadas de 1860 a 1880, verifica-se a manutenção do designativo ponte dos Lázaros, sem variação139. A cristalização deste nome é perceptível durante as duas reconstruções realizadas.
Na primeira, no início da década de 1870, declararam os camaristas: Assim mais que se officie ao Exmo. Governo pedindo a reconstrucção da ponte dos Lazaros visto ser obra que corre por conta dos cofres provinciaes (ACSP, LVII, 53). Dois anos depois, é anunciado o fim das obras da ponte denominada dos Lazaros (ACSP, LIX, 37).
Em 1876, uma rua da Luz ao Pari, passando por esta ponte, mantinha um único nome: rua do doutor João Teodoro. Percebe-se, contudo, a nítida diferenciação do nome da rua e o nome da ponte:
Conta de José Coelho de Souza da quantia de 20$ rs. importancia do concerto na ponte do Dor. João digo na Ponte da rua do Doutor João Theodoro. - Pague-se, indo a Commissão de Contas para tomar nota. (ACSP, LXII, 45)
Na década de 1880, apesar da mudança definitiva do hospital dos Lázaros, permanece a designação: em 1884, a antiga ponte não havia sido demolida, diferenciavam- nas como ponte dos Lazaros e ponte nova (ACSP, LXX, 69); em 1885, anotou-se [ponte de ferro] na rua do Dr. João Theodoro (ACSP, LXXI, 109), uma única vez, e discute-se o calçamento de alvenaria na ponte dos Lazaros (ACSP, LXXI, 12).
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Identificaram-se os seguintes registros: ponte dos Lazaros (ACSP, XLVI, 190, 201; LVI, 20, 101, 128, 154, 157-8, 159; LVII, 53, 68-9; LIX, 16, 204; LXI, 16, 37-8, 60; LXX, 60, 68, 69, 82, 88; LXXI, 12); ponte
dos Lázaros (ACSP, LXXI, 109); ponte dos Lasaros (ACSP, LVII, 137); ponte denominada os Lazaros
Na década de 1890, são construídas novas pontes sobre o ribeirão Tamanduateí, resultado do aumento descontrolado da população de São Paulo. A cartografia e os registros dos camaristas não mais apresentam designativos para as pontes, apenas os nomes das ruas que ligam.
Se antes as pontes tinham nomes e história, e a comunidade, afinidade com o espaço, a rápida multiplicação de pontes e a falta de intimidade da população com o espaço em que vive resultam na paulatina perda de referenciais necessários à toponímia espontânea. Pontes sem designativos refletem a modernidade e a descaracterização da nomeação como função coletiva.