6. Data and Analysis
6.3 Secondary Quantitative Data
6.3.2 Diarrhea Prevalence in Ruhiira
A entrevista é uma das estratégias mais importantes no estudo de caso e consiste na “recolha de dados descritivos na linguagem dos próprios sujeitos, permitindo ao investigador desenvolver uma ideia sobre a maneira como os mesmos interpretam aspetos do mundo” (Bogdan e Biklen, 1994: 134). É uma técnica que possibilita que o entrevistador coloque um conjunto de questões ao entrevistado, permitindo-lhe “contar a sua
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história em termos pessoais, pelas suas próprias palavras (…)” (idem: 135), para assim o investigador tentar obter informações relevantes para a sua investigação. A entrevista aparece como uma técnica central da investigação empírica, na medida em que se mostra coerente com a nossa opção epistemológica de se procurar compreender a escola enquanto organização através do mundo subjetivo dos atores, abrindo possibilidades de recolher um vasto conjunto de informações fundamentais para esclarecer determinados pontos que ao longo da observação se tenham colocado ao investigador. Para além destes aspetos, a vantagem da entrevista reside também no seu elevado grau de flexibilidade e adaptabilidade (Cf. em Bell, 2010: 137), podendo ser usada com diferentes tipos de atores. As respostas podem igualmente ser testadas, complementadas e clarificadas e, simultaneamente, permitem observar os comportamentos verbais e não- verbais dos entrevistados. Contudo há que reconhecer que a entrevista encerra em si alguns problemas, pois consome muito tempo, e é uma técnica que envolve um certo grau de subjetividade, havendo sempre o perigo de ser parcial, a falta de à-vontade do entrevistado, a interpretação incorreta das afirmações do entrevistado e a indução da resposta pelo entrevistador, que poderá conduzir a determinadas respostas. (idem, 2010).
De acordo com a nossa abordagem metodológica e tendo como critério básico obter o máximo de riqueza de conteúdo, a entrevista semi-estruturada foi aquela que nos pareceu mais adequada, uma vez que, por um lado, possuíamos como ponto de partida um conjunto minimamente estruturado de questões mas, por outro lado, dando ao entrevistado alguma margem de liberdade para opinar sobre o tópico. Assim, sendo este tipo de entrevista por natureza mais flexível, permite respeitar melhor o modo como cada entrevistado sente a necessidade de organizar o seu discurso, dando maior liberdade de resposta ao sujeito dentro de alguns parâmetros temáticos. De acordo com Quivy & Campenhoudt (2013: 192) “o entrevistado pode falar abertamente, com as palavras que desejar e pela ordem que lhe convier”.
As entrevistas são uma técnica de recolha de informação indispensável num trabalho desta natureza e, pelo tempo que despendem, devem ser seletivas no que concerne às pessoas a abordar. Deverão incidir em informantes privilegiados, contudo não se poderão realizar em elevado número, por razões óbvias que se prendem com o tempo gasto e com a transcrição das mesmas. Por outro lado, no contexto do estudo de caso, a entrevista revela-se, enquanto oportunidade de exploração do caso, um momento de descrever os acontecimentos relacionados com o tema da investigação.
Consideramos que o número de entrevistas efetuadas foi o número necessário para o estudo em causa, mas também teve em conta o tempo limite de um ano para executar o projeto de investigação e elaborar o respetivo relatório, considerando todo o trabalho de planeamento e condução de entrevistas, possível remediação de encontros cancelados, segundas visitas ou substituição de pessoas que desistam, cuidados que Bell (2008: 146) refere como essenciais para um processo de investigação.
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Em relação à seleção dos entrevistados optamos por aquilo que Wragg (1984:179) designa por uma “oportunity sample”, ou seja, um conjunto de indivíduos cuja pertinência em entrevistar nos pareceu adequada perante a investigação a que nos propusemos e cuja disponibilidade foi constantemente negociada e conquistada aos poucos, e, por isso, foi uma amostra com seleção ponderada e não representativa.
Selecionamos para entrevistar o Diretor do Agrupamento, o Presidente do Conselho Geral, o Coordenador dos Diretores de Turma, três Coordenadores de departamento, a Coordenadora responsável pela equipa de Autoavaliação, o representante dos pais e Encarregados de Educação e o representante dos alunos, com assento no Conselho Geral.
Quadro 6 - Entrevistas realizadas e perfil dos entrevistados
Código Data Entrevistado Sexo Idade Tempo Serviço neste
Agrupamento Categoria Profissional Departamento Duração Aprox. Entrevista E1 06 Agosto
2015 Diretor Escola e Presidente Conselho Pedagógico
M 47 14 Agrupamento Quadro de Departamento Expressões -
E2 20 Julho 2015 Conselho Geral Presidente M 44 13 Quadro Escola Departamento Expressões -
E3
04 Julho
2015 Coordenador
Departamento M 53 5 Quadro Escola
Departamento Matemática
Ciências e Tecnologia
-
E4 08 Julho 2015 Departamento Coordenador F 50 15 Quadro Escola Departamento de Línguas 1,4h
E5 09 Junho 2015 Departamento Coordenador F 50 13 Quadro Escola Ciências Sociais e Departamento
Humanas 1,5h
E6 09 Junho 2015 Diretores Turma Coordenador F 55 11 Quadro Escola Departamento Expressões -
E7 11 Julho 2015 Coordenador Equipa Autoavaliação
F 41 6 Quadro Escola Educação Especial -
E8 06 Junho 2015 Representante Encarregados
Educação no CG F 42 - - - 50min
E9 04 Junho 2015 Representante Alunos no CG M 17 - - - 30min
Para realizar as entrevistas, elaboramos previamente um guião comum, todavia adaptado aos atores, aos cargos desempenhados e aos papéis exercidos (apêndices I, II e III), explicitamos o objetivo da entrevista, solicitamos autorização para realizar a audiogravação, garantimos o anonimato e facultamos, posteriormente, o texto da entrevista ao entrevistado para proceder a eventuais correções. A entrevista visava sobretudo captar a perspetiva dos atores selecionados sobre aspetos relativos à missão, visão e valores do agrupamento, na tentativa de uma reconstrução daquele enquanto organização que o permitisse distinguir face a outros; o tipo
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de relacionamento que os professores têm entre si e entre estes e o Diretor; o tipo de relacionamento deste com as lideranças de gestão intermédia, com os alunos e com os encarregados de educação; que elementos identificadores do estilo de liderança do Diretor são mais percetíveis; se o Diretor é um líder pedagógico ou administrativo; o grau de importância dada ao item “resultados” na avaliação externa levada a cabo pela IGEC; os planos de melhoria aplicados e qual os resultados; os critérios de seleção de alunos e de constituição de turmas; as estratégias que usavam para promover o mérito e a excelência escolar e se concordavam sobre a publicitação dos rankings.
Enfim, todo um conjunto de questões, umas mais abertas e outras mais fechadas, decorrentes dos elementos que recolhemos da observação, da informação recolhida em vários suportes documentais e também das conversas informais que se foram estabelecendo.