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Dialog som en tredje veg

8. Mulige tiltak for å forbedre leiejordsfordelingen

8.4 Dialog som en tredje veg

O corpo inevitavelmente é apropriado e adestrado pela cultura, concebido socialmente e alterado conforme as crenças e ideais coletivos. Desse modo, o corpo simboliza a sociedade: a coragem, o medo, o proibido e o permitido se instalam e se reproduzem no espaço social. Além de possuir um sistema biológico, o corpo sofre a influência da religião, da família, da estrutura de classes, da profissão e de outros fatores sociais como idade, gênero que não são apenas dados biológicos, mas sofrem interferência direta da cultura.

A educação imprime os dados da tradição, moldando o corpo, adestrando-o, adaptando-o para a as exigências sociais, seja para o trabalho, para o consumo, para a aceitação do grupo, para os aspectos morais e estéticos. O indivíduo com o próprio corpo não é tão consciente de que suas ações e escolhas estão profundamente vinculadas ao meio.

A mídia e o mercado exploram exaustivamente o corpo. Rostos, seios, nádegas, bocas, olhos, pernas são expostos em jornais, revistas, televisão, cinema. Nesses meios são exploradas conforme a imagem de um ideal estético subordinado à idéia do consumo do corpo. A revista Época50, de outubro de 2006, em sua capa cujo título “Beleza Brasileira:

50 SEGATTO, Cristiane & FRUTUOSO, Suzane. Beleza brasileira. Época, nº 440, p.71-77, 23 out.

como o Brasil se tornou uma referência mundial em cirurgia plástica”, faz uma análise do padrão estabelecido e dos significados que se escondem por trás do culto à beleza.

A poucos meses do verão, as clínicas brasileiras especializadas em cirurgia plástica estão cheias de Saras e Ewaldos. Segundo o Ministério do Turismo, no ano passado 48 mil estrangeiros vieram ao país para tratamento de saúde. O volume é 70% superior ao registrado em 2004. As cirurgias plásticas explicam boa parte desse movimento, embora nem o governo nem a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica tenham dados exatos. Quinze médicos entrevistados por Época confirmam que o movimento de estrangeiros aumentou. (ÉPOCA,2006:72)

A matéria demonstra alguns fatores importantes que contribuíram para o aumento das cirurgias. Estão destacadas a capacidade do cirurgião brasileiro que possui fama internacional; a mudança cultural provocada pela comunicação de massa e finalmente o custo, que para os estrangeiros são muito atrativos. Na Grécia, a beleza corporal estava representada nas esculturas, mas o modelo e a beleza era relacionado ao modelo ideal. As pessoas entendiam que os corpos esculpidos eram a representação do vigor artístico no grau ideal. Além disso, o culto ao corpo estava intimamente ligado ao desenvolvimento intelectual. “Hoje, as pessoas buscam a beleza física a qualquer custo. É uma espécie de senha para receber favores amorosos, e não apenas sexuais. É o mercado dos afetos afirma Rodrigues.” (SEGATO & FRUTUOSO,ÉPOCA,2006, Nº 440:72)

Hoje as atrizes e atores da televisão, do cinema e os padrões na passarela e na publicidade definem os parâmetros padrão de beleza e conduta. A representação simbólica do poder, fama e afeto é explorada excessivamente. O “corpo ideal” é construído com o bisturi, o desejo e a possibilidade de se chegar ao corpo criado e exposto na mídia é estimulado.

Nos Estados Unidos, é comum as pacientes chegarem ao consultório com uma revista de celebridades embaixo do braço. Querem o bumbum de Jennifer Lopes ou os seios de Pamela Anderson. No Brasil, as coxas da Sheila Carvalho ou os seios da Taís de Araújo. Acham que é fácil como copiar o penteado da heroína da novela. (SEGATO & FRUTUOSO,ÉPOCA,2006, Nº 440:72)

O culto ao corpo, promovido pela mídia, pelo mercado e pela ciência provoca uma inversão de valores. As cirurgias exploram uma imagem da alegria e segurança, os riscos de hemorragia, infecção hospitalar, embolia pulmonar, trombose não são evidenciados, deixando a impressão de sucesso e contentamento permanente. Do outro lado se escondem os lucros e interesses empresariais51. Há pacotes de turismo em que estão incluídas cirurgias plásticas. O corpo é consumido como um objeto qualquer, invertendo a lógica, inclusive, médica. O cliente compra um serviço sem saber com antecedência se tal procedimento tem indicação médica.

A cultura da beleza transmite a idéia de que as pessoas não serão mais amadas se não melhorarem o corpo. Principalmente, para as mulheres, que sempre “correm o risco” de perderem o namorado ou marido, por não cuidarem do corpo. O julgamento estético do corpo contemporâneo leva à diminuição da auto-estima. A necessidade de ser emoldurado dentro de um modelo estético estabelecido, principalmente para as mulheres, leva a casos patológicos.

À medida que a beleza assume tal importância para as mulheres, seria pertinente ressaltar que a insatisfação de uma mulher neste domínio pode ter impacto negativo sobre a sua auto-estima. Sendo o corpo fundamental para a atratividade feminina e como esta é elemento essencial da sua auto-imagem, é possível prever que o peso e a satisfação com respeito a ele sejam determinantes para a satisfação integral da mulher. É comum que elas se vejam acima do peso, mesmo quando efetivamente tal percepção não corresponde à realidade. (QUEIROZ, 2000:57)

A identidade e a expectativa da beleza, vinculada a uma ascensão social ou sucesso profissional reforçam a busca pela perfeição ou o empenho para se atingir a beleza física. A percepção e as expectativas que as pessoas têm uma das outras condicionam os

51 Na mesma matéria da revista Época consta que existem empresas que financiam cirurgias plásticas

comportamentos. Assim, a aparência, forma de se vestir, gestos desempenham um papel importante, não obstante, a aparência não significar necessariamente, saúde. Com certa freqüência, podemos encontrar matérias que abordam casos de bulimia, anorexia, uso indevido de remédios e abusos de medicamentos, todos relacionados à busca da beleza, do culto à magreza. No jornal Diário do Aço52 de 24/05/2007, foi veiculada uma matéria cujo título é: “Fórmula do emagrecimento e da morte”. Nela consta a foto de uma farmácia interditada, acusada de manipular e vender um determinado medicamento emagrecedor sem receita médica e a denúncia de duas vítimas fatais, que, no caso, eram mulheres.: “Na caça às fórmulas ‘milagrosas’ para emagrecer, foram fechadas, na quinta-feira (24/05/07), farmácias nas cidades de Lagoa Santa e Coronel Fabriciano e, em Ipatinga, mais um estabelecimento foi interditado por manipular o emagrecedor com os componentes suspeitos de provocarem a morte53.” A busca por essa identidade construída e idealizada provoca vítimas variadas:

Um distúrbio característico de muitas mulheres é a bulimia. Essa patologia leva a pessoa a ingerir em uma refeição enormes quantidades de alimento para depois, sentido-se culpada, vomitar ou fazer uso de diuréticos ou laxantes, o que pode resultar em desequilíbrios fisiológicos e conduzir, em alguns casos, até ao óbito. Para que se tenha uma noção da gravidade do problema, estima-se que 30% das estudantes universitárias sofrem deste distúrbio em algum grau. Patologia igualmente séria é a anorexia nervosa, distúrbio alimentar característico de mulheres, que respondem por 90 a 95% dos casos registrados. (QUEIROZ,2000:58)

As manifestações das formas de agir, pensar e sentir estão, fundamentalmente, relacionadas com a cultura. Os comportamentos estéticos, acompanham as normas estabelecidas pelo grupo. A moda da magreza, além dos adereços, roupas e maquiagens que modificam o corpo, exige ao mesmo tempo uma atitude, isto é, um comportamento que submeta a estrutura física do indivíduo a um estilo dominante. Pode-se perceber que a

52 A notícia teve repercussão nacional, veiculou na internet, televisão e no jornal Estado de Minas, de

Belo Horizonte-MG. Fórmula do Emagrecimento e da Morte. Jornal Diário do Aço. Ipatinga. 24 maio 2007, p. 07.

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identidade construída de forma idealizada, que busca igualar as pessoas, sem nenhum respeito pelas diferenças individuais, sejam físicas, simbólicas ou sociais, nos deixa a impressão de que o corpo pode ser concebido “como máquinas caça-níqueis que dancem ao ritmo do ruído das maquininhas de cartão de crédito.” (SOUZA NETO, 2006:65)