2 HVILKE HENSYN LIGGER BAK UTFORMINGEN AV REGLENE
2.2 Informasjon om taushetsretten
2.2.4 Den materielle sannhet og effektiv etterforskning
Para dar continuidade ao entendimento dessas construções matriciais, é necessário entender a relação que as professoras entrevistadas estabeleciam entre as experiências vivenciadas nos cursos de formação e a sua prática atual e como elas se utilizavam das experiências vividas para reconstruírem e reelaborarem suas práticas e conceitos atuais.
Percebeu-se claramente que, em um primeiro momento, algumas professoras tiveram dificuldades em estabelecer essa relação, sem entender a proposta real do estudo, ou o que lhes foi solicitado.
Assim, com o cuidado em esclarecer, ainda mais, onde se pretendia chegar, as professoras foram relatando suas experiências e relacionando-as às suas práticas, chegando a mencionar, também, o quanto os cursos oferecidos pela SEMED as ajudaram na construção de suas práticas atuais. Estabelecer esse vínculo entre experiência e prática é parte fundamental da construção do professor, segundo Schön (2000), pois as experiências devem servir de base para futuras ações.
De maneira geral, as professoras relataram as dificuldades apresentadas pela rede e o quanto essa experiência as ajudou a ressignificar suas práticas, até mesmo tornando-as mais solidárias com as realidades dos alunos. É o que se pode constatar com a fala a seguir:
[...] eu aprendi algumas coisas totalmente diferentes que eu não tinha na minha vida, por que eu sou professora de escola municipal e a realidade é bem dura, bem difícil. Então assim, tudo que você não tem costume de ver, [...] em relação ao que a gente aprende na escola e o que você aprende na universidade é bem diferente. Quando você vai tentar colocar isso em prática, numa realidade em que nós estamos inseridos, que é uma realidade muito dura. [...] não sei de onde você encontra artifícios e recursos [...] recursos psicológicos. Essas atitudes! Como você consegue fazer essa dosagem para você alcançar seu aluno. Por que como eu falei, são tantos problemas, problemas tão agravantes, cada um da sua maneira. Você tem que olhar o aluno de uma maneira muito especial. Então assim, logo de início eu não sabia como fazer, por que eu não tinha essa vivência, essa prática dessa vida. Eu consigo viver hoje a vida de cada um dos meus alunos. (Professora G. S.).
A experiência da professora G. S. com a realidade pública foi um marco de mudança na sua forma de perceber o mundo e o aluno, de reconstruir suas práticas, a partir de algo novo. A professora afirmou que tal realidade, muito diferente do que ela estava acostumada a ver nas escolas privadas em que trabalhou e dentro de sua própria casa, possibilitou sua ressignificação e a busca de novos caminhos, novas possibilidades de adequação das práticas ao novo mundo que lhe fora apresentado.
Declarou que as formações recebidas, também, são entrelaçadas por ela, constantemente, em suas atividades práticas, ou seja, ela sempre relaciona as práticas e os conceitos, mas as compreendeu a partir de suas concepções prévias.
Aquilo que o docente aprende tem um teor diferente de quem aprende com ele, pois carregamos construções cognitivas diversas e isso faz com que uma mesma formação capacite de maneira singular cada participante ou uma mesma realidade se transforme em diferentes, após o trabalho de reflexão sobre ela. Assim, pode-se constatar o que Tardif (2002) afirma, ao relatar que os saberes dos professores estão relacionados à pessoa dele, à sua identidade e à
sua história pessoal e, portanto, nunca poderão ser transmitidos, pois se configuram a partir de suas experiências e vivências e essa construção é singular em cada história de vida.
Acredita-se que é impossível manter-se imparcial à oferta de qualquer formação, pois sempre existe um ponto de referência, em nós, que é ressignificado ou que servirá de alicerce para outras construções. É o que é possível ser observado a seguir:
Quando eu comecei a trabalhar como professora, eu comecei a trabalhar em uma escola particular, no Divina Pastora, lá eu trabalho ultra organizado, mesmo que o professor não queira ele tem que se enquadrar, ele tem que o trabalho acontecer. Primeiro porque a gente é fiscalizada, é cobrado. A gente tem que fazer esse trabalho de acordo com as normas não só da escola, mas da congregação, elas são irmãs. Então como primeira experiência de trabalho, a gente é empurrada. Eu já tinha aquela experiência de organização, desde quando eu estava fazendo estágio no curso de pedagogia e, com aquela vontade que eu tinha de realmente arranjar um trabalho, a gente se doa toda né? [...] Eu passei 25 anos na escola, eu me aposentei lá, então, tudo que eu aprendi eu devo muito a escola. Todas as experiências de projetos, feira cultural, apresentação de trabalho, trabalho com os alunos, a relação família escola, que a gente tinha um modelo escolar. Quem ministrava as palestras com os pais era eu. [...] Então, depois que eu sai de lá, dois anos antes eu passei no concurso, então tudo, todo esse trabalho organizado [...] aprendido [...]. Fui pra Vila Esperança que é uma escola da zona rural, com crianças muito pobres e lá, eu usei tudo o que eu tinha aprendido no Divida Pastora. E fiz, e fiz um trabalho que até hoje a gente é lembrado, né? (Professora M. F.).
Ao contrário do percurso comumente utilizado pela maioria dos docentes, ou seja, primeiro a teoria e depois a prática, a professora L. M. apresentou um situação inversa. Ela relatou que, por ter iniciado em escola comunitária, começou muito cedo sua prática e só depois procurou o curso magistério e a graduação em Geografia, além da pós-graduação em gestão educacional. Ela relatou uma situação em que a sua primeira experiência, como professora, ajudou a alicerçar ainda mais o seu vínculo com a profissão, ressignificando, posteriormente, os conteúdos teóricos apresentados nos cursos. Já não se assustava com as distorções apresentadas entre teoria e prática, experiências tão comuns vivenciadas e relatadas por acadêmicos de pedagogia em seus relatórios de estágio ou de práticas.
Assim, afirma:
A minha vantagem é que quando eu comecei a fazer o magistério eu já estava em sala de aula. Eu fiz o processo inverso. Como eu comecei em escola comunitária, então eu comecei antes. [...] realmente quando você vê a coisa bonitinha, mas você sabe que sala de aula é outro mundo é uma coisa totalmente diferente [...] são pessoas diferentes, pensamentos diferentes, idéias diferentes, então ali é um mundo dentro de outro mundo. Então você já não se vislumbra muito com aquilo ali. (Professora L. M.).
A professora L. M. ainda afirmou que: “[...] a visão que eu tenho hoje é justamente a minha experiência em sala de aula. É isso que faz eu ser pedagoga”, quando declara que, na verdade, sua formação inicial é geografia.
Este é um exemplo prático de como nossas experiências iniciais podem ser pontos de partida totalmente diversos, a partir das experiências vividas. Certamente, essa professora tivera uma concepção inicial dos conteúdos trabalhados, no curso magistério e na licenciatura em geografia, totalmente diferente das colegas que ainda não haviam passado por essas experiências, o que confirma, também, a não desistência do curso diante das dificuldades apresentadas no estágio, como relatado anteriormente.
A professora M. A. T. relatou que a sua experiência instrumentaliza sua prática. Além disso, declarou, também, que a troca de experiências, proporcionada pelos cursos de capacitação e as conversas com as colegas a influenciaram bastante e que, por meio das experiências delas, pôde ressignificar as suas práticas. Para a professora T.C., a vivência na escola a engrandece e melhora a sua prática todos os dias.
Essa relação experiência e prática pode ser chamada, também, como afirmam alguns autores (CUNHA, 2006; RODRIGUES; ESTEVES, 1993; SÁ-CHAVES, 2000; VASCONCELOS, 2002), formação em serviço, também tomada como título de muitas formações que ocorrem nas secretarias municipais de educação e nas próprias escolas.
A investigação das próprias práticas docentes oferece subsídios para entender a própria prática, possibilitando a ressignificação de seu trabalho, observa Marin (2000).
Para Perrenoud (1994), a gestão do processo de aprendizagem é hoje questão de sobrevivência na profissão, em qualquer um dos níveis de ensino.
A professora M. J., afirmou que “[...] cada momento que a gente vive é um momento único. É um momento diferente, então tem como influenciar muito”. Tal afirmativa demonstra que essa professora reconhece os momentos singulares presentes na educação.
Ao tratar da influência dos cursos de formação oferecidos pela SEMED, observou-se um entusiasmo muito grande por parte das professoras quanto aos reflexos desses cursos na prática, como mencionado anteriormente. As professoras relataram que, de maneira significativa, as práticas mencionadas nos cursos de formação são vivenciadas em suas práticas diárias e adaptadas às suas realidades.
As professoras, em vários relatos, afirmaram que as práticas são muito boas e que alguns professores mudaram seus próprios conceitos sobre alfabetização e sobre a matemática, sendo ressignificados, respectivamente, a partir do PROFA e do Pró-letramento. Relataram que, agora, as suas práticas interferem muito mais na aprendizagem dos alunos, por serem mais dinâmicas e corresponderem às expectativas dos aprendentes. Utilizam-se, hoje, jogos e atividades lúdicas que fazem a criança aprender de maneira lúdica e agradável.
A professora G.S relatou sobre os cursos: “[...] é de significância em termos de metodologia, muitos são significativos porque eles levam o professor a sair daquela rotina, daquele modelo que se tá acostumado a trabalhar”.
[...] ano passado, por exemplo, eu peguei uma turma muito complicada. Foi a turma que veio do primeiro ano, ano retrasado. Então, tava havendo todo o trabalho, cantiga de roda, provérbios, advérbios [...] outras coisas mais e o que que aconteceu? A minha turma progrediu 100%, não tem coisa melhor do que essa. Não tem prática pedagógica melhor do que você vê o seu aluno que não sabia escrever, escrevendo, seu aluno que não sabia ler, lendo. (Professora A. J.).
Todo curso, todo curso que a SEMED disponibiliza, eu tô lá dentro pra fazer. Às vezes tirando de um tempo que eu não tenho, eu faço sábado, eu faço domingo, né? Como o curso de educação ambiental que foram mais de um ano [...] esse curso e eu lá, todo sábado e domingo, né? Mas que foi fundamental pra [...] até pra minha vida fora da escola. Foi uma coisa que eu trouxe pra minha vida. A questão de preservação, né? (Professora T. C.).
A mesma professora (T. C.) lamentou a falta de disponibilidade de alguns colegas que não participam desses cursos.