Assim como a situação de exclusão e violência vivenciadas pela população afrodescendente passou da colônia à república sem grandes mudanças estruturais, as mobilizações negras e seus espaços organizativos também. Como refleti no capítulo anterior, visualizo quatro grandes períodos históricos das mobilizações afrodescendentes nesse contexto da Diáspora Africana nas Américas.
O primeiro refere-se às lutas abolicionistas, entre os séculos XVIII e XIX, que, em muitos casos, traziam mescladas as lutas pela independência. A Rebelião de Aponte, no caso cubano, é uma das fortes referências. O segundo situa-se no início do século XX, com o surgimento e estruturação das primeiras repúblicas da América Latina. As mobilizações afrodescendentes se concentraram em agremiações recreativas, como os clubes negros no Brasil, em sociedades negras em Cuba, ou organizações culturais. Além disso, se conformam os partidos políticos com grande foco na superação do racismo, como os
Independientes de Color
(Cuba) e a Frente Negra (Brasil).As sociedades negras cubanas estiveram presentes na transição das lutas pela abolição em Cuba, das Guerras de Independência e do nascimento da República. Mantêm-se como espaços de relevante agregação social até os primeiros anos da Revolução Socialista. Um dos aspectos
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fundamentais dessas narrativas sobre as lutas negras em Cuba está relacionada à organização desse segmento que são as sociedades de instrução, recreio e ajuda mútua, conhecidas como sociedades de cor150 ou sociedades negras de Cuba.
Após a Guerra dos Dez Anos151, é implantada a nova Constituição espanhola de 1876. Ela determina que os cabildos de nação sejam convertidos em sociedades de instrução e recreio para negros, a partir dos modelos já existentes de sociedades brancas. Com o novo marco legal, a partir de 1878, surgem as primeiras sociedades negras de Cuba.
Muitas dessas sociedades negras, apesar da fachada como sociedades, tinham a mesma dinâmica dos cabildos de nação, em que elementos de origem africana compunham a identidade coletiva. Segundo Carmen Arrechea (2004), os cabildos, confrarias e as milícias negras, tais como as sociedades, atuavam em diversas instâncias da vida social. Eram a favor da igualdade, em geral eram a favor da independência e do fim da escravidão. Algumas priorizavam o aspecto cultural e educativo com intuito de passar o legado africano aos filhos e netos.
O caráter elitista e classista entre os negros também era presente nas sociedades negras. Algumas apenas permitiam a adesão dos negros representantes da elite cubana. Tato Quiñones e Gisela Arandia destacam esse aspecto e suas transformações no processo da Revolução:
Recuerdo incluso había una costumbre, tradición de que las orquestas, las buenas orquestas cubanas, le componían números de homenaje a las sociedades donde tocara; así hay una que se llama Buena vista Social Club que era sociedad de negros ahí está todavía el local, otra se llamaba Isora Club que ponían son, danzones en homenaje, y cuando triunfa la Revolución hay una orquesta muy famosa en el año 59 una charanga que era la charanga de Pancho el Bravo, gustaba mucho que daba un ritmo muy chévere, que no duró mucho el ritmo se diluyo pero hubo un momento que pego fuertemente y ellos sacaron un son que se llamaba Circulo Social Obrero todos esos clubes pasaron a círculos sociales obreros donde tú por nada por centavos podías entrar a bailar y tomar cerveza. (Entrevista com Tato Quiñones, realizada em 29/05/2014).
¿Cuál es la reflexión de esas personas, que en la medida en que la Revolución desmontó él tema de las identidades, hasta cierto punto cortó esa identidad o esa conciencia racial que se estaban formando? (Fue) fragmentada porque las sociedades negras eran elitistas, eran clasistas solo iban allí los negros que tuvieran algunas posibilidades, después los negros con menos posibilidades iban a otro por supuesto (Entrevista com Gisela Arandia, realizada em 12/09/2014).
As mudanças geradas no pós-Revolução socialista nas Sociedades Negras foram brutais. O viés de socialização passou a levar em consideração as vinculações profissionais. A lógica da luta de classes inundou os espaços onde antes estavam presentes outras perspectivas, como as redes de solidariedade pela identidade afrodescendente e a condição socioeconômica existente. As
150 Em espanhol, "sociedades de color"
151 A Guerra dos Dez Anos faz parte do processo de luta pela independência de Cuba em relação ao domínio
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Sociedades, portanto, deixam de existir em poucos anos após 1959, exatamente por chocarem com os princípios revolucionários152.
Voltando ao século XIX, a partir da Constituição Espanhola de 1876, que determinava a substituição dos Cabildos pelas Sociedades Negras, surgem outras legislações que impactam nas formas de organização desse segmento. Esses marcos legais surgem e impactam as organizações e formas de manifestações negras, como a Lei de Imprensa, de 1879, a Lei de Reuniões, de 1880, e a Lei de Associações, de 1886. Até então, essas organizações não tinham respaldo legal. Nessa conjuntura, surgem os partidos políticos, coletividades recreativas, de cultura, sociedades de recreação e manifestações na imprensa.
Também nesse processo de transição entre a Colônia e a República, cabe fazer menção à importância dos(as) negros(as) nos processos independentistas de Cuba. A participação negra nas Guerras de Independência foi de grande relevância, tanto entre seus líderes, quanto no que se refere ao contingente. Entre 1895 e 1898, grande quantidade negra uniu-se nas fileiras do exército libertador, que trazia como General Antonio Maceo, também negro, e tinha como um dos idealistas José Marti, cujo projeto previa a construção de uma nação para todos. De La Fuente destaca que a ideologia do exército mambise trazia visões divergentes sobre como se construiria essa nação independente, mas que havia um relativo consenso de que nessa nação para todos os negros estavam incluídos:
Las élites políticas podían soñar con una patria en la que los negros estuvieran simbólica o literalmente ausentes; pero su propia acepción a la idea de una cubanidad incluyente limitaba sus opciones políticas y daba a los afrocubanos herramientas legítimas para pelear por su inclusión en una nación que nadie negaba que era también suya. (DE LA FUENTE, 2014: 42).
As referências idealizadas desse passado dos Mambises, do Exército Libertador, também compõem as narrativas da luta antirracista. O resgate da figura de Antonio Maceo é um dos pilares desse processo, como destaca Feraudy:
Yo diría que todo el país o la mayoría del país integra el movimiento antirracista. El pueblo cubano por naturaleza es antirracista y la historia lo ha demostrado, Maceo fue un gran antirracista, los mambises constituían un movimiento antirracista, yo creo que el pueblo completo, el pueblo cubano, yo creo a pesar de esas manchas discriminatorias que surgen en la isla entera constituyen un movimiento antirracista. (Entrevista com Heriberto Feraudy Espino, realizada em 15/06/2015).
Esse destaque aos líderes negros cubanos do processo de independência também esteve presente nas narrativas dos movimentos afrocubanos e das mobilizações antirracistas durante toda a República (DE LA FUENTE, 2014). Os usos desses símbolos nesse período, contudo, eram
152 Esse processo vivenciado no pós- Revolução socialista pelas sociedades negras será abordado mais detidamente no
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antagônicos. Políticos se aproveitavam desses símbolos da independência para ressaltar a fraternidade racial cubana, enquanto ativistas da imprensa negra, militantes do partido comunista ou do movimento sindical abordavam esses "heróis negros da independência" para denunciar sua a situação de exclusão desse segmento na sociedade.
Essa memória dos generais negros que participaram do Exército no processo de independência, e que depois foram assassinados e em alguns casos completamente invisibilizados, compõe uma importante parte das narrativas históricas dos ativistas antirracistas entrevistados. No dia 22 de maio de 2014, participei de um debate, no bairro Jesus Maria, no bairro Centro Havana, sobre a história de Quintín Bandera. No final da atividade, parte do grupo se reuniu e caminhou até a casa onde residiu o general.
Figura 10: Ruínas da casa de Quintín Bandeira, localizada em Centro Havana, 22/05/2014. Foto: Bárbara Oliveira
Figura 11: Visita a casa de Quintín Bandera, com grupo participante do debate sobre sua história, em 22/05/2014. Foto: Alfredo Saavedra.
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É sintomático observar que as ruínas da casa do general não trazem nenhuma sinalização sobre quem viveu ali, e que muitos na vizinhança desconhecem a história desse ilustre morador, vívido como um "mártir negro" nas narrativas de ativistas antirracistas do país. Essa invisibilidade, na qual Quintín se materializa como um dos ícones, permeia a história desse segmento da população até os dias atuais. Está presente no imaginário desses ativistas que a trajetória de silenciamento e violência vivenciada por gerações nas famílias negras são elementos importantes das desigualdades raciais hoje existentes.
Os usos desses símbolos históricos por ativistas, todavia, têm diferentes perspectivas. Há um relativo acordo de que a visibilidade desses ícones do passado seja importante. Mas, não são todos os coletivos ou ativistas que utilizam essas narrativas para fazer referência ou alusão à desigualdade racial contemporânea, como um instrumento de denúncia, como visto na abordagem de Bienvenido Rojas. Há alguns enfoques que mantém a visibilização desses ícones, como importantes para a construção da nação cubana, sem, a partir dessas referências, trabalhar as desigualdades atuais. Feraudy, da Comissão Aponte, exalta esses "heróis negros" como símbolos nacionais, conforme destaca a seguir:
Cuba no sería Cuba sin el general Antonio Maceo, yo me atrevería decir el hombre que protagonizo la Protesta de Baraguá cuando sus fuerzas están cansadas y diezmadas, Antonio Maceo el hombre que llevo la guerra hasta aquí a las puertas de La Habana, los españoles decían matando a Maceo matamos la Revolución, y así fue, matando a Maceo mataron a la Revolución del 95 entonces hemos rescatado la memoria de Maceo, ahora en estos momentos estamos celebrando la quinta jornada maceista, y como digo Maceo digo Mariana Grajales; el año que viene se conmemora el bicentenario de Mariana Grajales, la Madre de lapatria, nosotros estamos proponiendo que se cree una comisión nacional, es decir que no sea la Comisión Aponte, vamos a proponer, todavía no lo hemos llevado a blanco y negro, les estoy dando la premisa, vamos a proponer que se cree una comisión nacional con todos los organismos para homenajear a la Madre de la patria, quien sino ella, hay que conocer la historia de Mariana Grajales, hay que escribir muchos libros sobre Mariana Grajales y sobre María Cabrales y sobre José Maceo y sobre Marcos Maceo sobre la familia Maceo Grajales, siempre se hemos hablado que época de crisis de valores hay que tener como paradigma a esa familia Maceo Grajales, por ese camino andamos (Entrevista com Heriberto Feraudy Espino, realizada em 16/6/2014).
Situar e reposicionar esses ícones históricos invisíveis no conjunto dos eventos "epitomizantes" da história oficial é uma das estratégias pedagógicas das narrativas antirracistas. Um dos objetivos é influenciar a autoestima desse segmento populacional, uma vez que a partir da história recontada com personagens heróicos negros, pode-se construir outra autoimagem dos afrocubanos, em contraponto à lógica hegemônica embranquecida, como destaca Roberto Diago, artista plástico, entrevistado para o documentário Raza, em 2008:
Yo ahora tengo un niño. Tiene 6 años. Yo paso un trabajo tremendo para buscarle muñequitos donde él se vea consciente de lo que él ya es. De adulto yo no era tan consciente como ahora, padre. Cuando pongo los muñequitos para mi hijo, la sirenita, los muñequitos, la princesa, todos son blancos, todos son rubios. Va llegar un momento que mi hijo se va mirar en el espejo y va decir: ¿Y yo, quién soy? Desde
188 ahora yo lo tengo que enseñarte que él es un hombre negro, que tiene un pasado distinto, que pasó eso, que pasó el otro, para que él no se traumatice.
A afirmação da identidade negra, socialmente negada e escamoteada, e a valorização dessa identidade por meio de referências históricas, de heróis e heroínas negros, compõem uma parte importante da formação dessa autoimagem na perspectiva de muitos dos ativistas antirracistas de Cuba. Zurbano, abaixo, argumenta, inclusive, que no presente, a não compreensão da importância de "afro-reparações", ou ações afirmativas, advém do pouco conhecimento dessa parte da história:
Tendencias como las afro-reparaciones, por ejemplo, son muy difíciles de instrumentar en un contexto que niega o desconoce el horrible daño que nuestros antepasados sufrieron desde su salida de África y nos fueron legando en el curso de la Colonia y la República. Ese daño no ha desaparecido aun, hay secuelas muy contemporáneas silenciadas entre la impunidad, el silencio y la irresponsabilidad actuales. (ZURBANO, 2012: 06).
O processo de reverter a invisibilidade do legado dos afrodescendentes também passa por um olhar sobre as mulheres negras. Muitas vezes silenciadas dentro dos próprios movimentos antirracistas, centrados no olhar masculinizado, e dentro dos movimentos feministas embranquecidos, as afrocubanas também buscam dar voz às mulheres negras. O livro articulado por várias dessas ativistas, denominado “Afrocubanas”, traz à tona mulheres que têm uma trajetória de luta antirracista em Cuba. Um dos coletivos de mulheres negras, abordado nesse trabalho, é o que se articulava em torno da revista “Minerva”, no final do século XIX:
En fecha tan temprana como 1888, dos años después de la abolición de la esclavitud, las negras y mulatas, desde las páginas de la revista Minerva y otras, fueran capaces de articular un discurso completamente diferente al de las mujeres blancas. Abordaron en sus textos temas tales como la reivindicación de su identidad y de su africanía, la experiencia de la esclavitud, el orgullo racial y la exhortación a la superación cultural. (TERRY, 2011: 03).
As citações presentes nesse livro, de alguns trechos da revista “Minerva”, denunciam a situação de vulnerabilidade das mulheres negras e apontam para a necessidade das afrocubanas seguirem a mobilização. María del Carmen Barcia (TERRY, 2011: 04) aborda um desses trechos que demonstra o peso de vivenciar a sobreposição de discriminações raciais e de gênero:
La mujer negra, sañudamente tratada por viles exploradores, viene hoy a ser el blanco más saliente a donde dirigen sus saetas envenenadas, aquellos mismos que traficaron con su noble sangre en los luctuosos días de la esclavitud. Por eso [...], nos preparamos a la defensa en el constante batallar, porque estamos pasando; y tal haremos hasta que se nos considere tal como somos y no tal como cada artista pirata le ha parecido o convenido a sus medrosos fines [...] nos invitan a luchar, pues luchemos. [...] a nosotras, las de raza negra, se nos considera en las últimas capas de ese infamante juicio. (África de CESPEDES, 1889: 2-5, In: TERRY, 2011: 04).
Apesar da importância para a compreensão das mobilizações negras em Cuba, experiências como a revista Minerva e outras protagonizadas pelas mulheres negras são em grande medida silenciadas por pesquisadores, acadêmicos e por muitos ativistas antirracistas, que dão ênfase ao legado dos
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homens negros. Por isso, são tão relevantes as iniciativas protagonizadas por ativistas em estudar a história das mulheres negras.
O final do século XIX é rico de processos de mobilização negra. A existência de uma revista de mulheres negras e as múltiplas sociedades negras pelo país são já resultados concretos das mudanças legais, como a Lei de Associativismo e a Lei de Imprensa.
A participação das mulheres negras nas Sociedades
de Color
é outro aspecto importante para ser observado. Muitas das sociedades não aceitavam as mulheres como membros. Elas participavam das atividades apenas como esposas ou filhas, quase como uma extensão dos homens que as representavam. Por essa razão, a historiografia indica que algumas sociedades negras eram exclusivamente de mulheres, como aNuestra Señora del Carmen
(ZEQUEIRA, 2011: 79).Outro fato histórico que influenciou muito a sociedade cubana no que se refere às relações raciais e mobilizações negras foi o estreitamento da relação dos Estados Unidos com Cuba, especialmente a partir do final do processo de independência. Mesmo após o período de intervenção direta dos EUA sobre o país (em 1902), houve uma relação próxima e dependente com os vários governos que se seguiram no período republicano.
No final da Guerra, a entrada dos Estados Unidos e o seu "apoio" ao projeto de independência de Cuba, custaram o fim do projeto Martiano mais inclusivo. Criou-se uma imensa dependência política, econômica e social de Cuba em relação aos Estados Unidos e uma distância da inclusão social dos negros, tão almejada por aqueles que nesse período de batalhas sonharam com uma Cuba mais equânime. De La Fuente (2014) aborda a ocupação americana como um período no qual a ideologia racista e as práticas segregacionistas foram reforçadas. Esteban Morales, ativista e intelectual cubano, destaca esse processo:
Incluso habiendo sido miembros del Ejercito Libertador, muchos negros que pelearon durante la Guerra de Independencia, y que hasta el final constituyeron casi un 60 o 70% de las fuerzas armadas del Ejercito Libertador, en realidad cuando en la República se fundaron los cuerpos militares, la policía, la guardia rural, la Marina, el Ejército, los negros prácticamente no tuvieron cabida, no tuvieron espacio. ¿Por qué razón? Porque el ejército norteamericano, tu sabes que intervino en la guerra de independencia cubana afínales de siglo (XIX), y cuando se reorganizo la República, la República se reorganizo bajo el liderazgo del ejercito. Los negros en realidad no tuvieron espacio. Quienes tuvieron espacio fueron los generales blancos, muchos de ellos reformistas. El primer presidente fue Don Tomas Estrada Palma, incluso no era ni ciudadano cubano, era norteamericano y había estado al frente de la actividad del Partido y del movimiento revolucionario en Nueva york, Estados unidos. Finalmente los norteamericanos le pagaron llevándolo como presidente de la primera república que se inauguró en 1902. (Entrevista com Esteban Morales, realizada em 14/05/2014).
Os interesses dos Estados Unidos com o território de Cuba eram muito anteriores à Guerra de Independência. Em 1807, o então presidente estadunidense Thomas Jefferson propôs a aquisição
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da ilha. Em 1823, John Quincy Adams, secretário do Estado, declara que a anexação de Cuba era “indispensável para a continuação e integridade da própria União”.
Em 1898, após a explosão de um navio da Marinha estadunidense que matou 268 tripulantes, os Estados Unidos invadem Cuba e passam a atuar junto com o exército dos "Mambises" contra a Espanha. Mas o ideal de um país independente se perdeu logo no princípio da nova república. A Emenda Platt, que passa a compor o texto constitucional cubano a partir de 1903, permitia a intervenção dos Estados Unidos na Ilha, sempre que necessário. Nesse período é construída a base naval americana na Baía de Guantánamo.
Teoricamente democrática, mas com regimes corruptos e ditatoriais, Cuba viveu um processo republicano bastante conturbado, sempre com grande dependência econômica e política dos EUA. Nesse contexto, as tensões raciais compuseram um capítulo importante da história cubana, e as mobilizações negras estiveram presentes em uma variedade de estratégias.