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4.2 Oversettelse og implementering av Lean

4.2.3 Definisjoner av Lean-prinsipper

Os olhares para a figura de Maria e a maneira de identificar-se também pode variar um pouco de um devoto para outro – alguns têm uma distância respeitosa, enquanto a maior parte deles, especialmente as mulheres, têm um relacionamento mais intimista com a Santa. Parece haver aí uma identificação de Maria com a mulher comum, a mãe comum. O olhar para Maria é um olhar para uma mãe. As mulheres identificam-se com Maria como pertencentes à mesma classe, e por isso, de algum modo parecem-se, e sua função e missão no mundo também são semelhantes.

Das várias identidades atribuídas pela cultura à Virgem Maria, ao longo dos séculos, segundo Pelikan, Jaroslav (2000) – segunda Eva, verdadeira humanidade de Cristo, Theotokos, mulier fortis, regente do coro celestial, paradigma de castidade, mater dolorosa, paradigma de mãe bendita, mediadora, modelo de fé, mater gloriosa, imaculada conceição, rainha do céu – as que se observa mais presentes no imaginário da devoção popular a Nossa Senhora de Nazaré são a mulier fortis, a mediadora e a mater dolorosa. Essas três faces de Maria são – de acordo com os dados obtidos no campo – sempre percebidas dentro de uma performance materna: o que prevalece é uma mãe amorosa, que é também sofredora; e exatamente, porque é amorosa e sofredora, torna-se forte e pode ser mediadora.

Essas crenças transparecem na hinologia da Virgem de Nazaré. O hino “Vós Sois o Lírio Mimoso”, que homenageia Nossa Senhora de Nazaré desde 1909, quando foi composto pelo poeta Euclides Faria, fala dessa mulher que é mãe amorosa, amantíssima, capaz de tomar para si as dores dos seus filhos e assim, interceder por eles para aliviar as suas dores.

Vós sois o lírio mimoso / Do mais suave perfume Que ao lado do santo esposo / A castidade resume. Ó Virgem Mãe amorosa / Fonte de amor e de fé Dai-nos a bênção bondosa / Senhora de Nazaré (bis)

De vossos olhos o pranto / É como gota de orvalho Que dá beleza e encanto / À flor pendente do galho. Se em vossos lábios divinos / Um doce riso desponta Nos esplendores dos hinos / Noss’alma ao céu se remonta. Vós sois a flor da inocência / Que nossa vida embalsama Com suavíssima essência / Que sobre nós se derrama. Quando na vida sofremos / A mais atroz amargura De vossas mãos recebemos / A confortável doçura. Vós sois a ridente aurora / De divinais esplendores Que a luz da fé revigora / Nas almas dos pecadores. Quando em gemidos e ais / A vida sentimos morta Nessas angústias finais / O vosso amor nos conforta. Sede bendita, Senhora / Farol da eterna bonança Nos altos céus onde mora / A luz da nossa esperança. E lá da celeste altura / No vosso trono de luz,

Dai-nos a paz e a ventura / Do vosso amado Jesus!

A relação de intimidade com Nossa Senhora de Nazaré experimentada pela maior parte dos fiéis, parece vir da certeza dessa condição de que se é perfilhado por ela. E mais, também se acredita, que ela seja mãe de todos os seres humanos, independentemente do fato de eles crerem ou não. Ou seja, a vocação de Maria para ser a mãe da humanidade transcende a admissão de tal fato por parte desta. Maria como mãe – segundo o que os fiéis avaliam da participação de Maria na vida de Jesus – amou, sofreu e entregou-se, tornando estas três ações sinônimas umas das outras. É esta simbiose entre dedicação, amor e sofrimento, o ideal de maternidade perseguido pelas devotas. Para exemplificar, o gráfico

extraído dos questionários e a transcrição das falas de alguns informantes demonstram o que pensam os devotos:

CONSIDERA-SE FILHO DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ ?

88,00% 12,00%

SIM NÃO

SENTE-SE PROTEGIDO POR NOSSA SENHORA DE NAZARÉ?

92,50% 7,50%

SIM NÃO

“Ela amou o filho, como ela ama todos nós. Como ela sofreu por um, eu creio, ela sofre por todos, quando não está indo bem, quando está se perdendo. Assim, nós mães quando sentimos que os nossos filhos não estão indo por aquele caminho que nós gostaríamos, a gente sofre e é difícil ver um filho sair daquele caminho reto que nós mães planejamos para ele. E essa é a maneir a de ver toda aquela devoção que nós temos nela. (...) E eu acho que o amor dela por Cristo e por nós não tem diferença, por isso que ela é adorada, venerada” (Sra. Ângela Saraiva Costa, 31 anos, dona-de-casa, mãe de duas filhas).

“Eu acredito que porque Maria se dedicou a um filho que não era nem gerado, ela poderia estender esse carinho, que é uma virtude de tentar afiliar todos os que têm a fé” (Srta. Ana Carolina de Macedo, sem filhos).

“Com certeza, o amor dela por nós é tudo. Muita gente diz assim; ‘ah, eu não vou fazer um pedido pra Deus, eu vou fazer para Nossa Senhora’. E Ele não vai atender um pedido da mãe Dele? Lógico que vai atender. E ela tem mesmo um amor por toda a humanidade. É um espelho para todas nós mães, sendo assim, uma mãe que está numa hora difícil, ela não reclama, ela só diz: ‘oh, minha Nossa Senhora, me ampare, ampare meus filhos, ampare minha família’. Por isso que eu sempre recorro a ela porque se ela vai até Ele, Ele não vai negar o pedido dela por causa do amor dela pela humanidade” (Sra. Kelni Queiroz, 34 anos, comerciante, mãe de dois meninos e uma menina). “(...) Ela [Nossa Senhora de Nazaré] é um modelo de mãe para mim, e no caso eu a tenho como mãe. Quando eu me dirijo a ela nas minhas orações, eu me dirijo a ela como mãe, não como Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Fátima, eu a chamo mãe. Porque eu vejo a minha mãe nela e vice- versa, no meu modo de ver é assim” (Sr. Marcelo Henrique Mamede, 23 anos, sem filhos).

Essa identificação filial, conforme a análise dos dados trazidos pelas entrevistas, resulta em conseqüências para as representações sociais do papel de mãe. Tais implicações são abordadas no capítulo 3. Por ora, podemos apontar que o fato de o paraense reconhecer- se filho de uma mãe espiritual tão forte politicamente, tão influente, capaz de mudar o curso da história, transforma o modo com que são encaradas as mães em cada lar devoto, pois de acordo com os dados do campo, crê-se em uma correspondência entre a maternidade humana e a maternidade de Maria. A última é o modelo da primeira, e conseqüentemente, o tratamento que os devotos – feitos filhos – dedicam à Santa é modelar do relacionamento mantido com suas mães, alargando muito o espectro de autoridade e influência destas.

2.1.3 – A Senhora da Berlinda, uma Entidade com Status