2.3 Teori om Beyond Budgeting
2.3.1 De 12 prinsippene
A9: A ação tutorial prima pelos aspectos psicológicos: respeito à individualidade, questões emocionais, pessoais e familiares, desenvolvimento da confiança e da autoestima.
A10: Aspectos sociais.
A10.1: Aspectos Sociais: Formação sócio-crítica.
A10.2: Aspectos Sociais: Desenvolvimento da consciência coletiva. A10.3: Aspectos Sociais: formação profissional.
A11: Os aspectos técnico-pedagógico, crítico- social e psicológico são indissociáveis na ação tutorial.
Neste sub-eixo II, retomamos as dimensões ou aspectos da ação tutorial apresentada por Lázaro Martínez (1997), Mundina, Pombo e Ruiz (2007) ou funções tutoriais elaborada pelos autores Carrasco-Embuena, Veiga-Simão, Rosado-Pinto, Flores-Fernandes, Giner-Gomis & Lapeña-Perez(2008). Dentro das classificações mencionadas especificamente a função acadêmica ou dimensão tutorial acadêmica ou formativa, é a que mais se assemelha a uma das ações exercidas pelos tutores do PET.
Também relembramos García Nieto (2008) e Martínez Juárez e Pérez Cuso (2010) quando nos dizem que a tutoria fornece orientações ao aluno nas seguintes áreas acadêmica, profissional, pessoal e social, administração. Acreditamos que olhando sob essa ótica, podemos visualizar melhor o que os discursos de tutores e dos tutorandos nos revelam.
De acordo com os DSCs, nesse processo de tutoria do PET, para além dos aspectos técnico-pedagógicos são trabalhados os psicológicos, sócio-críticos, éticas, pessoais, profissionais.
No campo pessoal, a orientação ocorre tanto em momentos individuais quanto nos trabalhos em grupo, os tutores entendem que a subjetividade de cada um permanece com a pessoa onde quer que ela esteja, a diversidade que os sujeitos trazem para o grupo precisa ser trabalhada constantemente, aprendendo a conviver uns com o outros.
Esse convívio que nós temos de tutoria com os alunos é muito enriquecedor no aprendizado em todos os aspectos, porque além das três vertentes, da pesquisa, extensão e ensino, ainda temos que lidar com questões emocionais, pessoais, familiares que acontecem com eles [...] o(a) tutor(a) é como um pai ou uma mãe. Ao conversarmos sobre as dificuldades que eles estão tendo na realização das tarefas, vem as dificuldades da vida pessoal de cada um. Então, essas dificuldades batem no nosso rosto com muita frequência (DSC9).
Também é importante mencionar que esses aspectos eles não se dissociam, eles ocorrem no cotidiano quando são necessários, e que muitas vezes, vão surgindo simultaneamente.
Na minha ação tutorial estão presentes tanto os aspectos técnico-pedagógico, quanto crítico-social e psicológica, eu acho que são ações que não dão para ser dissociadas. Em alguns momentos vemos a necessidade ter uma ação mais técnica, até pela questão do conhecimento que temos da área e das suas especialidades. Mas tem muitos momentos também que nos levam a essa criticidade, a essa questão também do lado social e do lado psicológico, então não dá para dissociar. Principalmente trabalhando com pessoas (DSC11).
As atividades de extensão que são realizadas no PET, os estudos em grupo e os projetos coletivos desenvolvem a percepção crítico-social e ética dos alunos e dos tutores sobre o papel do conhecimento na sociedade, a função social da universidade e a atuação desses futuros profissionais na sociedade. Os discursos a seguir expressam essas ideias.
Essa formação técnica e acadêmica passa por mim até certa escala, mas ela também é feita por muito outros professores [...] , então essa vinculação técnica se dá também por conta de outros professores, mas essa mais social, a mais crítica, aí essa sim que é uma especial, eu, particularmente tenho essa preocupação muito grande porque a formação que um cientista de qualquer área recebe é puramente técnica, o que gera um profissional completamente desvinculado da realidade social em que ele está inserido. As atividades realizadas pelo grupo que são atividades de extensão, atividades externas se enquadram muito mais nesse perfil de uma orientação social, crítica do que meramente técnica. [...] Dentro dessa perspectiva as questões ético-sociais, ou seja, o compromisso da ciência, como é que ela vai chegar, quais são as consequências desse trabalho, acabam sendo perpassadas por essa discussão, porque pensamos assim, conhecer o mundo, entender o mundo ao seu redor e como atuar, ele como profissional de uma forma socialmente comprometida, pensando na sociedade [...] (DSC10.1).
O PET tem uma característica que é o desenvolvimento coletivo do grupo. Então, é um programa geracional porque ao mesmo tempo vão saindo bolsistas e vão entrando, então sempre tem um grupo mais velho, um grupo intermediário e um grupo novo. Então, como é que eu desenvolvo isso? Eu desenvolvo coletivamente, nós colocamos na mesa como um projeto que nós desenvolvemos durante um ano, todo ano tem um projeto para desenvolver, os alunos ajudam, dão opinião e nós desenvolvemos todas aquelas atividades coletivamente. [...] Essas ações eles tem total responsabilidade de fazer, sendo que impedimentos, os entraves, a gente traz para o grupo e o grupo se manifesta e eu como tutor(a) também me manifesto. É uma atividade muito boa, mas ela é difícil porque vai envolver formas, vai envolver seres humanos porque cada um tem sua forma, sua concepção. Tem os que estão chegando e os seres humanos têm especificidades, então, como é que eu vou levar aquele grupo para aqueles objetivos observando essas especificidades e dirigindo para que a gente consiga aqueles objetivos, claro que há frustrações, mas na tentativa de formar aquela pessoa, dele crescer em conjunto, e ter ali resultado, não só para o grupo mas na própria graduação. [...] Essa convivência coletiva, como conviver com pessoas de gêneros diferentes, concepções religiosas e teóricas diferentes, porque entram alunos de todas as ideologias, não necessariamente que seja de uma minha, ou seja, de outra, tem aluno que participa do movimento estudantil, tem aluno que não participa, então, é um caldal de ideias ali dentro e há embates. Enriquece (DSC10.1).
Percebemos nos vários discursos evidências de partilha, coletividade e o trabalho em grupo, nos DSC dos tutores e tutorandos, devido a ideia de diferenças individuais existentes dentro no grupo, essa diversidade é difícil de ser trabalhada, mas enriquece.
Ainda sobre a prática dos tutores, mencionamos a portaria nº 3.385 de setembro de 2005 em seu artigo 11, no que se refere às atribuições do professor tutor que são:
-Planejar e supervisionar as atividades do grupo e dos alunos bolsistas e não bolsistas;
-Coordenar a seleção de bolsistas e não bolsistas;
-Submeter a proposta de trabalho do grupo para aprovação pelo curso de graduação antes do envio à Pró-Reitoria de Graduação;
-Organizar os dados e informações sobre as atividades do grupo para subsidiar a elaboração do relatório da IES e a avaliação de consultores e avaliadores;
-Dedicar carga horária mínima de 8 horas semanais para orientação dos bolsistas e do grupo, sem prejuízo das atividades de sala de aula da graduação;
-Atender, nos prazos estipulados, às demandas da instituição e da SESu;
-Solicitar ao Comitê Local de Acompanhamento, por escrito, justificadamente, seu desligamento ou de aluno(s) bolsista(s);
-Controlar a frequência e a participação dos bolsistas;
-Elaborar a prestação de contas da aplicação dos recursos recebidos, a ser encaminhada à SESu;
-Fazer referência a sua condição de bolsistas do PET nas publicações e trabalhos apresentados;
-Cumprir exigências estabelecidas no Termo de Compromisso; -Não receber qualquer outro tipo de bolsa.
Essas atribuições são amplas, de caráter legislativo e trazem apenas os aspectos técnicos, evidenciando o seu caráter objetivo, entretanto, quando as leis e a normas entram no cotidiano das pessoas, elas se deparam com as subjetividades. Nesse sentido, surgiram outros aspectos do PET que foram mencionados nos DSCs dos tutores, e logo mais veremos que também se fazem presentes nos DSCs dos tutorandos.
III. Sub-eixo: Relação tutor-tutorando A12: Relação tutor-tutorando: dialógica.
A13: Relação tutor- tutorando: pessoal e profissional se mesclam. A14: A relação tutor: tutorando é uma relação de afeto.
No sub-eixo III, os discursos ressaltaram a relação tutor-tutorando. Na realidade, embora se refiram à esse tema em particular, não se desvincula dos outros, há uma coerência no que é apresentado nos discursos, não há como desenvolver uma ação tutorial sem pensar em como ela é realizada e como os sujeitos envolvidos nela se comportam e atuam, e o que dela tiram proveito.
Os três discursos que se referem à relação tutor-tutorando são complementares à medida em que ela se constitui em uma relação dialógica, aberta, flexível, enfatizando que não há espaço para autoritarismos nessa, é necessário uma negociação constante entre as partes, e muito empenho de todos os participantes do grupo.
É uma relação que precisa ser muito aberta, muito flexível, precisa ser de muito diálogo. Cada aluno é um mundo, uma cabeça. [...]O tutor, ele precisa se colocar
no patamar do aluno para que ele possa dialogar efetivamente. Sem isso, esse diálogo não acontece em duas vias, a autoridade não pode ser a referência que o tutor tem para dialogar, ele precisa se posicionar porque há uma confiança, gerar uma confiança no aluno para que ele possa escutar, não pela autoridade que a gente usa em outras ocasiões, mas no PET a gente precisa se colocar realmente no patamar do próprio aluno para que o diálogo possa acontecer (DSC13).
Devido ao tempo que passam juntos permitem que eles trabalhem melhor essa perspectiva pessoal, os seus aspectos emocionais e afetivos que acabam por gerar muita proximidade entre tutores e tutorandos, e entre os próprios membros do grupo, conforme fica evidente nos DSCs:
[...]na tutoria nós estamos muito mais próximos deles. Então é, de fato, é uma relação profissional, mas também é uma relação pessoal. Diferente da nossa relação em sala de aula, que é uma relação que requer um determinado distanciamento. E, em relação aos professores tutores, eles são bem mais próximos (DSC12).
Nossa relação é assim... é claro que uns são mais dados outros, mas eu sinto assim que há um respeito, um carinho, a questão do lado afetivo porque a gente se envolve. Onde eu encontro com eles ‘professor(a)’ me abraça, manda e-mail, sempre mandam alguma coisa, é uma relação de carinho, de proximidade. Aqui eu costumo dizer inclusive que nós nos consideramos uma uma família, porque são 12 bolsistas. Somos a família PET, porque não deixa de ser, eles até brincam muito porque nós acabamos até rotulando "os filhos" e alunos porque ficamos muito tempo envolvidos, ao longo do ano, passamos muito tempo juntos, são 10 horas que o tutor tem, mas eles tem 20 horas na verdade, nesse programa, e não tem como deixar de ter esse laço, de construir esse laço afetuoso. Muitos deles inclusive se tornam amigos posteriormente. quando passam aqui é eternamente pedindo conselhos pros namorados, pros maridos pros concursos... pras coisas. [...]Por outro lado, quando o aluno não cumpre com aquelas atividades, [...]mas temos que saber também separar muitas vezes isso. Como isso faz parte do ofício mesmo do(a) professor(a), do tutor(a). Mas tentamos fazer com que o processo flua com muita tranquilidade, até porque o aluno precisa se sentir motivado e ter essa liberdade também para poder criar, para colocar sua criatividade em pauta (DSC14).
Percebemos que, de fato, os aspectos psicológicos se sobressaem na tutoria realizada no PET, até mesmo pelas expressões utilizadas nos discursos “ somos uma família” revelam que se cria um vínculo muito forte entre tutores e tutorandos, e entre os próprios petianos. Desenvolve-se assim, competências de relações interpessoais, conhecendo-se uns aos outros no contexto acadêmico e consequentemente nas relações sociais por meio das atividades de extensão do PET. A interação que há entre os indivíduos e o ambiente social e cultural se constitui na base para a construção das relações sociais que influenciam e são influenciadas pelos aspectos cognitivos, emocionais e pelas ações.