4.2 Empiriske funn
4.2.3 De nyutdannedes erfaringer med teamarbeid
sustentabilidade e por fim a Global Reporting Initiative (GRI) e sua estrutura para relatórios de sustentabilidade.
2.1 QUESTÕES HISTÓRICAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Para a compreensão da expressão “desenvolvimento sustentável”, é importante, de início, que os dois termos sejam abordados isoladamente para que a sua composição não seja interpretada como “dois contrários analíticos”, de acordo com Veiga (2007). A superação dos contrários exige a critica do próprio desenvolvimento. “Existem, portanto, dois sérios obstáculos para que o senso comum efetivamente assimile a ideia: os significados do substantivo desenvolvimento e do adjetivo sustentável.” (VEIGA, 2007, p. 65).
O conceito de desenvolvimento tem evoluído ao longo dos anos, incorporando experiências positivas e negativas, refletindo as alterações nas articulações políticas e os modismos intelectuais (SACHS, 2008, p. 25).
Segundo Sachs (2008) os debates em torno deste tema contribuíram para o aprimoramento do conceito, mas contrastam com o histórico contraproducente do desenvolvimento existente em muitas partes do mundo. Daí a necessidade de se discutir a ideia de desenvolvimento, com vistas a torná-lo mais operacional, enquanto se reafirma a sua centralidade, já que tanto os pós-modernos, quanto os “fundamentalistas de mercado” são contestadores do conceito.
Veiga (2007) explica que até a década de 70, o termo sustentabilidade era um conceito utilizado na biologia populacional, principalmente em pesquisas sobre manejo da pesca e das florestas. Já foi demonstrado que uma boa gestão das atividades pesqueiras permitiria que a humanidade aproveitasse mais este recurso, sem provocar a extinção de seus espécimes. No entanto, com a continuidade das práticas predatórias atuais, é provável o comprometimento dessa fonte de proteína como recurso alimentício para a população.
“Quando aplicada ao manejo da pesca, é fácil explicar e entender o sentido da palavra sustentabilidade” (VEIGA, 2007, p. 61). Porém, desde que foi transferida, por analogia, de atividades primárias para o processo de desenvolvimento, isso deixou de acontecer (VEIGA, 2007). “E, principalmente desde 1987 quando o desenvolvimento sustentável foi apresentado à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) como o melhor “conceito político” para caracterizar o desafio do século XXI” (VEIGA, 2007, p. 67), o que mais se observa são tentativas de esvaziar, simplificar e banalizar o conceito (VEIGA, 2007).
Entretanto, antes do aprofundamento dessa discussão, alguns pontos importantes relacionados ao desenvolvimento sustentável devem ser lembrados, como destaca Brüseke (1995): a publicação do estudo Limites do Crescimento, no ano de 1972, a utilização pela primeira vez do conceito de ecodesenvolvimento, em 1973, a Declaração de Cocoyok, em 1974 e o Relatório Dag-Hammarskjöld, em 1975. Já no ano de 1987 destaca-se o Relatório Brundtland, resultado do trabalho da Comissão Mundial ONU sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (UNCED) e finalmente a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992.
Ao tratar da história recente do conceito de sustentabilidade, Boff (2012) destaca ainda a Conferência de Johannesburgo, realizada em 2002 e a Rio+20, cujo principal objetivo foi fazer uma avaliação dos avanços e retrocessos do “desenvolvimento e sustentabilidade” a partir das mudanças trazidas pelo aquecimento global e pela redução dos bens e serviços da Terra, agravada pela crise econômico-financeira de 2007. Os principais eixos de discussão da Rio+20 foram ‘sustentabilidade’, ‘economia verde’ e ‘governança global do ambiente’ (BOFF, 2012, p. 37).
A publicação do estudo The Limits to Growth (Os Limites do Crescimento), por pesquisadores do Clube de Roma, ocorreu no ano de 1972, bem como a Conferência de Estocolmo. Elas foram consequência de debates que vinham ocorrendo desde os anos 60 sobre as ameaças de degradação do meio ambiente (BRÜSEKE, 1994).
As conclusões do grupo de pesquisadores do Clube de Roma, coordenado por Dennis Meadows, enfatizavam os limites de crescimento no planeta em contraposição às tendências de crescimento da sociedade industrial, mostravam a possibilidade de modificação dessas tendências de crescimento para a formação de uma situação de estabilidade ecológica e econômica visando um futuro mais promissor e
propunham o empenho da população do mundo em alcançar o segundo resultado o mais cedo possível para aumentar suas possibilidades de êxito.
Na Conferência de Estocolmo foi produzido o documento
Action Plan for the Human Environment, que continha uma lista de 26
princípios e 109 recomendações para que as nações elaborassem planos que resolvessem os conflitos entre as visões e práticas de preservação ambiental e do desenvolvimento (SOHN, 1973 apud BRÜSEKE, 1994). Para impulsionar os trabalhos relacionados a esse plano de ação foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e foi o Secretário Geral de Estocolmo-72 e primeiro diretor executivo do PNUMA, Maurice Strong, quem usou pela primeira vez, em 1973, a palavra ecodesenvolvimento para definir uma proposta de desenvolvimento ecologicamente orientado (LEIS, 2004).
Porém, quem definiu os princípios básicos desse novo conceito foi Ignacy Sachs, pouco tempo depois, num artigo considerado clássico denominado “Environment and Styles of Development” (LEIS, 2004).
Inicialmente, a teoria do ecodesenvolvimento referiu-se às regiões rurais da África, Ásia e América Latina com a proposição de uma estratégia valorativa dos conhecimentos das comunidades locais para produzir uma gestão mais ecológica.
Na concepção de Sachs, o ecodesenvolvimento se integrava com outros aspectos não estritamente ambientais para definir um verdadeiro desenvolvimento. Os principais desses aspectos eram a satisfação das necessidades humanas básicas, a solidariedade com as gerações futuras, a participação da população envolvida e o respeito às culturas nativas (LEIS, 2004, p. 99).
Esse conceito rapidamente incorporou uma visão mais complexa da sociedade contemporânea, que lhe permitiu fazer uma dupla crítica, referente às relações internacionais Norte-Sul e à modernização industrial como método do desenvolvimento das regiões periféricas, que rapidamente foram incorporadas ao conceito de ecodesenvolvimento (BRÜSEKE, 1994).
Segundo Brüseke (1994), pode-se verificar, especialmente nos trabalhos de Ignacy Sachs, mas também de Glaeser & Uyasulu em 1984, que as discussões sobre o ecodesenvolvimento conduziram à adoção posterior do termo desenvolvimento sustentável.
Em 1974, é elaborada a Declaração de Cocoyok, a partir de uma reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento e do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas, que lança algumas hipóteses sobre a relação desenvolvimento e meio ambiente: a) a explosão populacional está relacionada à pobreza; b) nos países subdesenvolvidos, a pobreza conduz à destruição ambiental; e c) o elevado consumo dos países desenvolvidos contribui para os problemas de pobreza e destruição ambiental dos países do Terceiro Mundo (BELLEN, 2006).
No ano seguinte, a Fundação Dag-Hammarskjöld confirma as posições de Cocoyok num relatório que contou com a participação de estudiosos de 48 países, juntamente com o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas e outras 13 organizações da ONU. Esse relatório foi além dos documentos anteriores, ao trazer para a discussão a questão do poder e sua relação com a degradação ambiental e uma dose de bom senso ao debate ambientalista. A dicotomia “apocalipse versus problema de fácil solução” não era mais a única opção. Era necessária a avaliação cuidadosa dos limites dos recursos naturais e dos limites de direitos humanos fundamentais (LEIS, 2004).
“O caminho para o desenvolvimento sustentável estava aberto” (LEIS, 2004, p. 101). Em 1983, foi criada pela Assembleia Geral da ONU uma comissão independente para buscar novas propostas para questões de meio ambiente e desenvolvimento. Essa comissão, denominada World Commission on Environment and Development (WCED) foi presidida por Gro Brundtland e tinha 23 membros, dos quais 12 vinham de países subdesenvolvidos, 7 de países desenvolvidos e 4 de países de regime comunista. A comissão trabalhou cerca de 4 anos e elaborou um relatório, que ficou conhecido no mundo todo como Relatório Brundtland, embora tenha sido publicado com o título de Nosso Futuro Comum (Our Common Future) (LEIS, 2004).
Segundo o Relatório Brundtland, “desenvolvimento sustentável é definido como o desenvolvimento que atende as necessidades das gerações presentes sem o comprometimento da possibilidade das gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades.” (WCED, 1987 apud LEIS, 2004).
Para Brüseke (1994), o relatório traz uma visão complexa das causas dos problemas sócio-econômicos e ecológicos no mundo. Além de destacar a interligação entre economia, tecnologia, sociedade e política, enfatiza a necessidade de uma nova postura ética, caracterizada pela responsabilidade tanto entre as gerações quanto entre os membros
da sociedade contemporânea. O relatório aponta uma série de ações a serem tomadas pelo Estado nacional, entre elas:
a) limitação do crescimento populacional; b) garantia da alimentação a longo prazo; c) preservação da biodiversidade e dos ecossistemas; d) diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias que admitem o uso de fontes energéticas renováveis; e) aumento da produção industrial nos países não- industrializados à base de tecnologias ecologicamente adaptadas; f) controle da urbanização selvagem e integração entre campo e cidades menores; g) as necessidades básicas devem ser satisfeitas (BRÜSEKE, 1994, p. 15)
O Relatório Brundtland define ainda metas internacionais, tais como:
h) as organizações do desenvolvimento devem adotar a estratégia do desenvolvimento sustentável; i) a comunidade internacional deve proteger os ecossistemas supranacionais como a Antártica, os oceanos, o espaço; j) guerras devem ser banidas; k) a ONU deve implantar um programa de desenvolvimento sustentável (BRÜSEKE, 1994, p. 15).
Brüseke (1994) afirma que em comparação com as discussões nos anos 70 (Declaração de Cocoyok, Relatório Dag-Hammarskjöld), o relatório da comissão Brundtlandt revela um elevado grau de realismo e a manutenção de um tom diplomático. Porém, reduz a crítica à sociedade industrial e aos países industrializados em comparação com os citados relatórios internacionais anteriores, sendo inclusive omisso no debate do nível máximo de consumo e uso de energia nos países industrializados.
Já para Leis (2004), o primeiro aspecto a ser destacado nesse relatório é seu sucesso na obtenção de um consenso mundial que ultrapassasse as diferenças existentes na política internacional entre países ricos e pobres. Segundo o autor, embora o Relatório Brundtland seja normalmente considerado um excelente texto técnico, o seu principal mérito é o posicionamento ético. A ideia de responsabilidade
entre gerações e em relação à natureza é o grande apelo ético da definição de desenvolvimento sustentável.
A década de 1990 traz consigo um avanço na discussão internacional sobre o desenvolvimento e os problemas ambientais, sendo a Conferência Rio 92 um “ponto de inflexão” (JACOBI, 2002, p. 19) pelo seu significado para a legitimação de uma nova concepção de desenvolvimento. Há ganhos na adoção de convenções, como a de Diversidade Biológica e a de Mudanças Climáticas, indicando novos caminhos para o fortalecimento das ligações entre as dimensões ambientais, sociais, culturais e econômicas do desenvolvimento (JACOBI, 2002) .
Segundo Jacobi (2002, p. 21), “uma dimensão relevante do desenvolvimento sustentável, fortalecida na Rio 92, foi a promoção da participação da sociedade civil e dos setores produtivos no processo de decisão.”
Apesar dos resultados concretos da Rio-92, de acordo com Leis (2004), as conquistas não estiveram à altura dos problemas que estavam na sua agenda. A maioria dos governos dos países ricos, com a relativa exceção da Alemanha, Holanda e dos países escandinavos, não estavam convencidos da necessidade de reestruturação do funcionamento da economia mundial em beneficio do meio ambiente. Outro problema foi a recusa dos Estados Unidos em assinar a Convenção da Biodiversidade e a falta de metas e prazos concretos para as decisões tomadas, tanto para a limitação do controle de emissões dos gases responsáveis por alterações climáticas, como para obter os fundos necessários para financiar a Agenda 21 (o programa de ação da Rio-92).
Para Brüseke (1994), entretanto, mesmo com os citados problemas, houve o crescimento da consciência sobre o modelo de desenvolvimento econômico e suas limitações e finalmente, a entrada no discurso oficial da maioria dos governos do mundo do assunto interligação entre o desenvolvimento socioeconômico e as transformações no meio ambiente.
Transcorridos dez anos da Rio-92, ocorreu em 2002 a Cúpula de Johannesburgo, que reuniu representantes de 150 nações, além da presença de grandes organizações, representantes da comunidade científica e militantes da causa ecológica (BOFF, 2012).
Segundo Boff (2012), em Johannesburgo houve uma acirrada disputa por interesses econômicos corporativos, principalmente por parte das grandes potências que boicotaram a discussão das energias alternativas em substituição do petróleo, extremamente poluidor.
Para Guimarães e Fontoura (2012), em resumo, houve um grande dispêndio de energia durante a primeira semana da Rio+10 somente para recuperar decisões e acordos consagrados em Estocolmo e no Rio. Segundo os autores (2012), isso conduziu muitos críticos à pergunta, claramente capciosa, mas justificada pela frustração generalizada: houve efetivamente uma Rio+10 ou ocorreu um retrocesso à Rio-20? O mesmo questionamento fez-se presente em junho de 2012, e ainda persistem dúvidas se a conferência representou na verdade uma Rio+20 ou uma Rio-20 tal como Johannesburgo.
Guimarães e Fontoura (2012) apontam dois principais motivos para o fracasso em Johannesburgo: o primeiro caracterizou-se por excesso de otimismo na crença de que o mundo já estaria preparado para definir um plano de ação comum, “quando na verdade não consegue sequer introduzir maiores graus de governança à Organização das Nações Unidas (ONU)” (GUIMARÃES; FONTOURA, 2012, p. 515). Em segundo lugar, houve excesso de pessimismo manifestado pela ausência de uma agenda pré-definida com decisões específicas.
Joahnnesburgo deixou a sensação “de que pouco foi alcançado em termos de metas, prazos e meios de financiamento concretos para implementar os compromissos assumidos na Conferência do Rio.” (GUIMARÃES; FONTOURA, 2012, p. 515).
Os autores afirmam ainda que “a bem da verdade, a Rio+20 padeceu das mesmas insuficiências e, em termos de resultados, muito pouco avançou em relação à fracassada Rio+10.” (GUIMARÃES; FONTOURA, 2012, p. 515).
Segundo Guimarães e Fontoura (2012), a Rio+20 tinha como principal objetivo a renovação, por parte dos governos, do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, de forma a avaliar o progresso, identificar lacunas na implementação das decisões adotadas e estabelecer novos objetivos.
Apesar da importância do evento para o meio ambiente e para a garantia de qualidade de vida das gerações futuras, os líderes mundiais não se sensibilizaram com o caráter de urgência que o desenvolvimento sustentável exige (GUIMARÃES; FONTOURA, 2012). Para os citados autores, o documento final não apresentou resultados concretos, mas, ao contrário, apenas decisões vagas e reforço de discursos pouco consistentes. Destacam como principal resultado da Rio+20 “a reafirmação dos valores econômicos com base no capitalismo neoliberal [...], ressaltando o poder do setor privado e dos interesses dos países desenvolvidos na atual governança ambiental global.” (GUIMARÃES; FONTOURA, 2012, p. 522).
Guimarães e Fontoura (2012) destacam ainda que o estabelecimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Colômbia e Guatemala, foi o único resultado positivo verdadeiro da cúpula. Com os ODS, pretende-se estabelecer indicadores que auxiliem os governos na implementação dos compromissos firmados na Agenda 21, no Plano Johanesburgo de Implementação e na Rio+20. Para os autores, mais uma vez a discussão de temas fundamentais foi postergada e “permanece ainda um sentimento generalizado de repetição do fracasso retórico da Rio+10 em Johannesburgo.” (GUIMARÃES; FONTOURA, 2012, p. 522).
Em busca da origem do termo desenvolvimento sustentável, encontra-se, na verdade, a história da reavaliação da ideia do desenvolvimento essencialmente ligado à noção de crescimento até o surgimento do conceito de desenvolvimento sustentável (BELLEN, 2006).
Amorim (2009), em sua dissertação de mestrado, ao abordar esse período de surgimento de uma nova base conceitual para o modelo de desenvolvimento, identificou outros fatos históricos ocorridos. Sem a pretensão de esgotá-los, apresentou-os em uma ordem cronológica de linha do tempo, permitindo uma melhor visualização e compreensão do assunto como é mostrado no (ANEXO A).
Apesar de ser ponto principal no entendimento dos problemas ecológicos da atualidade, a relação entre desenvolvimento e meio ambiente e o conceito de desenvolvimento sustentável são interpretados de diversas maneiras por vários autores, havendo certo nível de consenso relacionado à redução da poluição ambiental, desperdícios e nível de pobreza. Portanto, faz-se necessária uma discussão sobre o conceito de desenvolvimento sustentável e suas dimensões (BELLEN, 2006).
2.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E SUAS DIMENSÕES