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7 Analyse av dekkelevetid, vegnett før 2010

7.2 Datautvalg

Monteiro (2008) investigou, em sua dissertação de Mestrado, as práticas letivas e de colaboração entre professores quando os computadores portáteis estão disponíveis para a utilização em sala de aula. O autor desenvolveu uma investigação qualitativa por meio de um estudo de caso único realizado em uma escola de 2º. e 3º. Ciclos da Educação Básica Portuguesa, inserida no contexto de um projeto do Governo Português intitulado “Iniciativa Escolas, Professores e Computadores Portáteis”. Os resultados desta investigação apontaram para práticas condicionadas pela necessidade de cumprimento dos programas curriculares estabelecidos pelo governo, fato que conduz os professores ao desenvolvimento de propostas muito direcionadas, uma vez que o currículo prescrito não pode, de maneira nenhuma, ser descumprido. Contudo, na área de Projetos, permitiram um uso mais centrado no aluno, uma vez que estes não são objeto de avaliação formal. No que diz respeito aos resultados das práticas letivas, o autor apontou as razões que levavam os professores a utilizar os computadores portáteis: o acesso a diferentes recursos disponíveis na internet, a possibilidade de realizar exercícios com software educativo específico, o desenvolvimento de múltiplas tarefas e a motivação dos alunos. Para Monteiro, estas conclusões ficaram aquém de sua expectativa, uma vez que as razões apontadas poderiam ser as mesmas para o uso de computadores convencionais, no laboratório de informática. Em sua visão, os docentes investigados não perceberam o potencial de mobilidade e portabilidade dos computadores portáteis.

Objetivando identificar os fatores que contribuíam para o desenvolvimento do projeto Iniciativas Escolas, Professores e Computadores Portáteis em uma escola situada na região do Minho, Norte de Portugal, Weckelmann (2008) investigou seis professores do 3º. Ciclo da Educação Básica e do Ensino Secundário e um coordenador do projeto na escola. Os fatores emergiram da investigação que dizem

respeito, primeiramente, à obrigatoriedade da elaboração de um projeto de candidatura para a inclusão da escola na iniciativa, condição considerada como nuclear para o êxito da iniciativa, uma vez que conduziu os docentes e os membros do Conselho Pedagógico das escolas a refletirem a respeito das práticas pedagógicas possibilitadas pelo uso dos computadores portáteis. A atribuição de dez computadores portáteis para os docentes poderem explorar os recursos do equipamento, posssibilitando com isso o compartilhamento de dúvidas e descobertas com os pares nos momentos de intervalo da escola, foi considerado como um segundo fator que contribuiu para o desenvolvimento da iniciativa na escola. O envolvimento e o comprometimento de mais de 30% dos professores em desenvolver práticas pedagógicas com o uso do computador portátil foi apontado como um fator determinante para o êxito da iniciativa, uma vez que os docentes mais experientes poderiam colaborar com os conhecimentos construídos para integrar novos professores nesta nova cultura. Outro aspecto que emergiu deste trabalho diz respeito ao acesso a cursos de curta duração que a escola ofertou aos pais. Na percepção dos professores, esta iniciativa de inclusão dos pais, normalmente com baixo nível de escolaridade, possibilitou a estes fornecer maior suporte aos filhos no que diz respeito ao uso das tecnologias, situação que pode ter contribuído para o desenvolvimento dos estudantes. A necessidade de cumprir rigorosamente o programa curricular, associada à preocupação com os resultados dos exames nacionais foram aspectos apontados como desfavoráveis para o desenvolvimento do projeto, uma vez que a utilização do computador portátil implica na necessidade de um tempo maior para que a aula ocorra.

Almeida e Weckelmann (2009) desenvolveram um estudo qualitativo com o objetivo de encontrar indícios de mudanças na prática pedagógica com o uso da computador portátil em duas escolas portuguesas. A primeira atende alunos do 2º. e 3º. Ciclos da Educação Básica, e a segunda destinada a estudantes do 3º. Ciclo da Educação Básica e do Ensino Secundário, ambas inseridas na Iniciativa Escolas, Professores e Computadores Portáteis. Emergiram deste trabalho três indícios de mudanças: a) na gestão da aula , portanto no trabalho docente ;b) no planejamento do professor, e c) no novo papel docente.

O uso do computador portátil traz novos afazeres para o professor que precisa readequar a organização de sua aula, inclusive da distribuição do tempo da mesma, além de outras questões como: a distruição do portátil entre os alunos; ter a clareza no desenvolvimento dos conteúdos; ter organizado e consultado com antecedência os endereços eletrônicos a serem utilizados durante as aulas, quando for o caso; escrever na lousa o endereço correto dos sites a serem consultados pelos alunos, etc. O fato de o professor indicar sites nos casos de pesquisa não exclui a participação do aluno, que tem autonomia para a busca. A administração ndo tempo da aula, a necessidade de organização do trabalho docente foram aspectos que emergiram dessa investigação. Um segundo indício de mudanças diz respeito ao planejamento do professor. Os entrevistados declararam ser fundamental planejar antecipadamente a aula, pois há menos espaço para o improviso, e o tempo é um fator que merece atenção. O professores investigados declararam que faz parte do planejamento a pesquisa nos sites que objetivam utilizar em sala de aula. Este procedimento é fundamental para se antever os possíveis caminhos e dificuldades de navegação na web e mesmo em softwares educacionais. Como último indício de mudança, emergiu dos dados o novo papel docente, uma vez que o uso do computador portátil rompe com o modelo de transmissão e desperta para a construção de conhecimentos, portanto, aproxima alunos e professores em um caminho de descoberta.

O Relatório de Avaliação de um programa denominado “Iniciativa Escolas, Professores e Computadores Portáteis” (RAMOS et al., 2009), constituiu-se numa política pública do governo português que visava incentivar o desenvolvimento tecnológico de Portugal por meio de uma ação educativa: primeiro programa em Portugal a incluir o uso de tecnologias móveis e era destinado a alunos do 2º. e 3º. Ciclos do Ensino Básico e Secundário, o equivalente ao 5º. ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio brasileiro. Como já foi referido anteriormente, por meio desta iniciativa, o Ministério da Educação entregava às escolas 24 computadores portáteis, modelo de mercado, dos quais, dez seriam para uso dos docentes, e os outros catorze para atividade dos discentes, em salas de aula, ou em ambientes da escola estabelecidos pelo professor. Ocorre que para ter direito a estes equipamentos as escolas tiveram que se articular e desenvolver em equipe, um

projeto de uso pedagógico dos computadores portáteis a ser submetido a uma avaliação por parte do Ministério da Educação.

A formulação de um projeto de escola constituiu o pilar organizativo e pedagógico do desenvolvimento da Iniciativa nas Escolas e proporcionou uma significativa diversidade de propostas - Relatório de Avaliação da Iniciativa Escolas, Professores e Computadores Portáteis (2009). As atividades das escolas, no âmbito do projeto, tiveram início no ano letivo 2006/2007, envolvendo 1.164 das 1212 escolas de 2º. e 3º. Ciclo do Ensino Básico e Secundário. De acordo com o Relatório de Avaliação Iniciativa, 40.591 professores, dos 102.167, que se encontravam em serviço no período letivo 2006/2007, utilizaram o computador portátil em atividades educativas com seus alunos. Esta ação provocou uma reflexão sobre as potencialidades que computadores com acesso à internet trazem aos processos de ensino e aprendizagem e gerou uma semente nas escolas portuguesas, ainda que, em média, apenas 30% dos docentes por instituição tenham participado, uma minoria importante na dissiminação de conhecimentos necessários para apoiar outras iniciativas de integração do computador portátil na prática pedagógica, como as propostas a partir do estabelcimento do Plano Tecnológico da Educação, lançado em setembro de 2007, responsável pela criação de dois programas de uso de computadores portáteis na prática pedagógica, o e_Escola39, e o e_Escolinha.

A dissertação de Mestrado de Barbosa (2009), intitulada: Interesses das Crianças na Utilização Autônoma do Computador em Contexto Escolar e Familiar, objetivou fazer um levantamento dos interesses dos alunos no uso desta tecnologia para fins de estudo, portanto, na escola, e para fins pessoais, isto é, no âmbito de suas casas. A pesquisa, um estudo de caso, envolveu duas turmas de alunos do 3º. ano de escolaridade, uma turma oriunda da cidade e outra de uma pequena cidade do campo. Como resultado, a pesquisadora concluiu que, no que diz respeito à utilização do laptop, a discrepância entre a cidade e a aldeia é muito tênue. Os jogos foram apontados como a atividade mais apreciada pelas crianças tanto da cidade quanto do campo, portanto, a procura do divertimento e a ocupação dos tempos

39 Programa e_Escola: Implica em três subprogramas todos de inclusão digital possibilitada pela

aquisição de um notebook , modelo de mercado, a baixo custo, sendo o e_Escola, e_Professor, e e_Oportunidade. Disponível em: http://www.pte.gov.pt/pte/PT/Projectos/Projecto/index.htm?proj=77. Acesso em: fev. 2011.

livres, por meio de jogos lúdicos ou didáticos, suscitam nelas o interesse pela descoberta e conhecimento na utilização das diversas ferramentas. A chegada do computador Magalhães fomentou este interesse, no entanto, ainda não interferiu nos ambientes educativos.

Batista (2010) averiguou em sua pesquisa realizada em Escolas da Educação Básica do Alentejo, o impacto da utilização do computador portátil na sala de aula. Realizou um estudo de caso, para o qual coletou dados qualitativos e quantitativos de alunos e professores do 6º. e do 8º. ano da Educação Básica. Os resultados apontam para o fato de os professores se encontrarem em fase de adaptação da integração do computador portátil em suas práticas, fato que justifica o uso da tecnologia em uma concepção tradicional de ensino, reflexo na visão do investigador, das atitudes, concepções, da infraestrutura técnica da escola e do papel do desenvolvimento profissional dos docentes. Indica também para a falta de uma formação que integre os conceitos pedagógicos com os tecnológicos, uma vez que os docentes percebem sua dificuldade em realizar atividades que não sigam o paradigma instrucional. A pesquisa também revelou que falta tempo para que o professor desenvolva novas competências, assim como a inexistência de colegas de trabalho com este conhecimento para ser partilhado de maneira informal. Por parte dos alunos, o autor concluiu que o uso do computador portátil possibilitou uma maior participação, interesse, motivação, autonomia, bem como o desenvolvimento de fluência tecnológica.

A investigação de Araújo (2010) buscou estudar se a utilização do computador portátil, aliada a uma estratégia de leitura monitorada e repetida, pode contribuir para a melhoria da leitura das crianças com dislexia. O trabalho, uma pesquisa qualitativa posta a cabo por meio de um estudo de caso único fez-se cruzando diferentes fontes e instrumentos como a observação direta, a análise dos documentos escritos, produções e monitorização da leitura do aluno. O computador portátil utilizado foi o Magalhães no âmbito do projeto do governo português denominado e_Escolinha. Os textos propostos para o aluno observado eram previstos no currículo da escola em que o mesmo estudava. Os resultados mostraram que o aluno se beneficiou do uso do computador portátil, uma vez que melhorou sua fluência na leitura. A pesquisadora utilizou os recursos do computador

portátil como gravador de áudio e de vídeo para motivar o estudante na leitura monitorada. Antes de ler, era proposto que a própria criança ativasse os comandos de gravação do computador portátil. Após a leitura, o aluno ouvia sua leitura e era possibilitada a ele uma segunda leitura, de onde se observava uma redução nos erros. Utilizou-se também do recurso de edição de textos, sendo que o fato do próprio software indicar os erros de escrita, possibilitando uma maior conscientização destes por parte do aluno, motivou-o a buscar melhorias nesta habilidade. A autora concluiu que o uso do computador portátil associado à leitura oral repetida e orientada, além de melhorar a fluência do aluno com dislexia, motivou-o, tornando-se mais autônomo na realização das suas tarefas.

A Dissertação de Mestrado de Merrelho (2010) teve o objetivo de conhecer as atitudes dos alunos do 1º. Ciclo perante a utilização do computador Magalhães, distribuído no âmbito da Iniciativa e_Escolinha. O equipamento possui diversos programas e softwares, dentre os quais a autora selecionou a Diciopédia, o Microsoft Office Word, o Tux Paint, o Microsoft Office PowerPoint e o Photo Story. O estudo de caso foi realizado com dezenove crianças do 2º. Ano do 1º. Ciclo da Educação Básica em uma escola da cidade de Braga, Portugal durante os anos de 2009/2010. A autora concluiu que o computador portátil Magalhães desperta nos alunos elevado nível de motivação e persistência nas atividades, estimula a curiosidade e a vontade de aprender. Constatou que os alunos se tornam mais concentrados, curiosos e mais interessados na realização das atividades. Outra constatação da pesquisadora é que a utilização do computador portátil Magalhães pode modificar a forma como os alunos aprendem, potencializando o seu papel como construtores do conhecimento. Por outro lado, acredita que o Magalhães é mais utilizado nas aulas da Disciplina TIC, em detrimento da pouca utilização nos demais componentes do currículo. Finaliza informando que todos os investigados demonstraram competências em pesquisa em sites educativos, assim como bom nível de apropriação tecnológica, como escrever, desenhar, fazer gravações de áudio, abrir e guardar documentos, inserir imagens, de onde a iniciativa e_Escolinha pode ser considerada como muito positiva, pois colaborou para a inclusão digital, entretanto, o uso educacional ainda precisa ser intensificado.

Pereira (2010) pretendeu conhecer e descrever as atitudes dos professores do 1º. Ciclo em quatro Agrupamentos de Escolas do Distrito de Braga face ao uso do computador portátil Magalhães na sala de aula. O estudo atende a uma abordagem mista, uma vez que faz uso de dados quantitativos que emergiram de um inquérito aplicado aos professores, e qualitativos coletados por meio de entrevista semiestruturada. Sua pesquisa, envolveu 95 docentes de escolas do 1º. Ciclo da educação Básica, dos quais 67% possuem formação fornecida por uma instituição de Ensino Superior. Referente à formação para uso do computador Magalhães, apenas 8,4% dos docentes entrevistados reconheceram que receberam formação específica para este uso. Do total de inquiridos, 575 declararam aceitar bem e com naturalidade o uso do computador Magalhães em sua aula. Os demais declararam que, por não terem recebido formação, não se motivam a utilizar esta tecnologia em suas aulas. Dos 95 entrevistados, 60 declararam utilizar o computador portátil Magalhães em atividades transversais. Nas disciplinas de Português e Estudo do Meio o Computador Magalhães é mais utilizado como ferramenta de edição de textos e para pesquisa de sites. A pesquisa também aponta para uma maior aceitação de uso do Magalhães por parte dos professores com até 34 anos de idade. Os mais velhos valorizam a utilização, mas não se sentem seguros. Parte desta insegurança deve-se ao receio em prejudicar o currículo prescrito pelo governo, cujo cumprimento é prioridade. Nas conclusões, a autora compreende que há pouca formação de professores e a existente não responde às necessidades dos docentes para o uso do computador Magalhães, sendo este um fator que pode ser responsável pela pouca utilização do mesmo na sala de aula, sugerindo a necessidade de ações de formação para o sucesso da iniciativa.

Silva, Coelho, Fernades e Viana (2011) realizaram uma pesquisa para tentar compreender se a introdução massiva do computador portátil Magalhães a partir das mãos dos alunos do 1º. Ciclo da Educação Básica poderá significar não apenas a inclusão digital da família, professores e comunidade, mas se, por meio deste uso, novas redes sociais e novas maneiras de se comunicar e interagir irão emergir na esfera adulta. A pesquisa ocorreu num agrupamento de escolas de Leria e, por meio dela, constatou-se que os pais acompanham as tarefas de casa com uso do computador Magalhaes, entretanto, que ficam mais próximos dos filhos quando realizam as mesmas tarefas em outro computador, por entender que o portátil

Magalhães é de uso da criança e não, necessariamente, para realizar deveres da escola. Da totalidade de pais, constatou-se que apenas 2% utilizam o portátil para manter alguma comunicação com a escola via e-mail, portanto, ainda não percebem nesta tecnologia sua potencialidade comunicativa, de onde se constata que a integração do portátil não estava no momento da pesquisa gerando uma nova cultura social na família.