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3 Research design and methodology

3.1 The Digital Night Monitoring Study (paper 1 and 2)

3.1.9 Data analyses

Mesmo tendo realizado um trabalho de intervenção semelhante na escola, em 2008, e de este ter servido para a montagem da proposta da pesquisa, a proposta inicial do meu projeto teve que ser burilada para que o grupo de discussão sobre saúde pudesse ser realizado.

No tocante ao número e à frequência dos encontros, a proposta inicial era de que fossem realizados oito encontros, no formato de oficinas, um a cada semana, de modo que o processo tivesse duração de dois meses. A proposta deste número e desta frequência de encontros levava em consideração, de um lado, o tempo de que eu dispunha para a realização da pesquisa e, de outro, nuanças do meu problema de pesquisa, uma vez que eu presumia que respostas plausíveis à minha questão de partida seriam mais possíveis a partir da análise de interações que não fossem pontuais.

O primeiro percalço encontrado para que isso fosse posto em prática foi de ordem estrutural: a escola não dispunha de salas extras nos turnos da manhã e da tarde para a realização das oficinas, o que fez com que o grupo só pudesse ser realizado à noite. Acredito que isso tenha influenciado no número de pessoas inscritas, já que havia um clima de tensão na escola por conta da violência no bairro e alguns jovens já frequentavam as aulas práticas de educação física em outro turno diferente do seu turno regular.

Outro percalço: minha intenção inicial era de que o grupo se iniciasse no mês de agosto de 2009. Porém, algumas situações fizeram com que reparos tivessem que ser realizados na proposta inicial, como o atraso para o início dos encontros em função dos tramites para a aprovação do projeto no Comitê de Ética da UFC e em razão da demora para que os jovens me devolvessem os termos de consentimentos assinados pelos responsáveis.

Diante da preocupação que me atravessava em momentos como aquele, pelo receio de que não fosse possível levar à frente a pesquisa, autores como Costa e Vasconcelos da Costa (2007, p. 100) ajudaram-me a ver aquelas situações não como meros entraves à execução do trabalho, mas sim como “a própria matéria de que se constituía o objeto da pesquisa, ou seja, a complexidade do de-vir, da banalidade do cotidiano”. No primeiro encontro do grupo, em 23/09/09, defini com os presentes que a frequência das oficinas seria de duas vezes por semana, às quartas e quintas-feiras, a fim de que pudéssemos compensar os atrasos iniciais.

Um dado interessante foi que, contrariando minhas expectativas, os participantes argumentaram preferir essa nova agenda, uma vez que esta diminuiria a distância temporal entre um encontro e outro. Ao invés de se sentirem sobrecarregados, já que teriam de ficar à noite, na escola, duas vezes por semana, e não uma só, os participantes ampliaram suas expectativas sobre a dinamicidade das oficinas: - “É bom que a gente vem pro encontro se lembrando mais do que passou”, alguns chegaram a dizer.

Efetivamente, o grupo de discussão se constituiu de nove, e não oito, oficinas, as quais foram realizadas entre setembro e outubro de 2009. A realização de um encontro a mais do que fora previsto no projeto se justifica porque senti necessidade de aprofundar algumas questões relacionadas à avaliação do processo junto com os participantes. Propondo-lhes isso, percebi que estes demonstraram empolgação com a possibilidade de um novo encontro.

Cada oficina transcorreu em torno de uma hora e meia. As cinco primeiras oficinas ocorreram em uma sala de aula, no primeiro andar da escola. Contudo, tal sala começou a apresentar problemas de iluminação. Por isso, após acordo com a direção da instituição, os quatro últimos encontros aconteceram na sala de vídeo da escola. Estabelecemos que cada oficina começaria às 18:00, já que, em sendo a maioria dos participantes estudantes do horário da tarde, cujas aulas terminam às 17:40, eles, assim, teriam um tempo de pelo menos 20 minutos para descansarem.

Em todas as oficinas, realizávamos um momento de “acolhida” com música e lanche, já que a maioria vinha de horas seguidas de aula, além do que, pelo que eu percebia nas observações-participantes, o lanche da escola reconhecidamente deixava a desejar. Por sinal, esses momentos foram de grande valia para que os participantes “recarregassem as baterias”, além de terem servido também para “quebrar o gelo” no início de cada oficina, principalmente nas primeiras. Após essa acolhida, realizávamos alguma atividade que servisse, sobretudo, como uma sensibilização para a temática da oficina, seja trazendo uma letra de música, seja sugerindo alguma técnica de aquecimento. Em seguida, adentrávamos no tema a ser especificamente trabalhado. Por fim, realizávamos uma avaliação do encontro e reiterávamos a data do encontro seguinte e a temática a ser discutida.

Apesar de todas as oficinas seguirem esse percurso, as definições de quais recursos utilizar em cada oficina foram acontecendo a partir da minha inserção na dinâmica da escola e no curso da intervenção. Desse modo, cada encontro funcionou “como orientador do modus operandi do próximo” (MENEZES; ARCOVERDE; LIBARDI, 2008, p. 205).

Por sinal, as observações-participantes foram de suma importância para a preparação das oficinas, posto que orientaram a escolha de técnicas que fossem mais adequadas ao grupo e à realidade da escola. Ademais, no primeiro dia dos encontros, acordamos que os participantes também poderiam trazer atividades que achassem interessantes, tais como música e propostas de dinâmicas para facilitar as discussões.

Porém, apesar de terem sido definidos ao longo do processo, havia um critério previamente traçado que deveria orientar a escolha dos recursos metodológicos utilizados: dado o meu problema de pesquisa, eles teriam de priorizar as trocas entre os participantes e entre estes e o pesquisador.

Duas formas de registro acompanharam as oficinas: diário de campo após cada encontro e a vídeogravação das nove oficinas. A combinação dos dois instrumentos foi importante para os propósitos da pesquisa.

O diário de campo me possibilitou registrar acontecimentos que extrapolaram o que havia sido filmado, tais como conversas que antecederam o início do grupo ou sucederam o seu término, bem como situações presenciadas ou relatadas no local de realização da pesquisa. E mais: com o diário de campo, pude esboçar, momentos depois dos encontros, minhas impressões sobre o processo, de modo que alguns desses esboços foram fundamentais em exercícios analíticos posteriores.

Para a operacionalização da vídeogravação das oficinas, contei com o apoio de uma pesquisadora auxiliar, Luana, também estudante do Mestrado em Psicologia. Luana ficou responsável, sobretudo, por operar a filmadora nas oficinas, focalizando os momentos de interação relevantes, os quais constituiriam uma das principais matérias para minhas análises. Como previsto, esses registros me ajudaram a extrair episódios interativos significativos, a identificar padrões de comunicação, a reconhecer vozes sociais acionadas nas interações e a compreender melhor detalhes das atividades discursivas e do encadeamento de interações. Por isso, as filmagens me forneceram indícios de mudanças operadas entre um encontro e outro com relação tanto à cartografia do grupo, quanto ao entendimento de determinadas temáticas.

A opção da videogravação se respaldou em outros trabalhos de pesquisa (COLAÇO, et al., 2007; PINHEIRO, 2009) e também na compreensão de Bakhtin (2002) sobre os processos enunciativos. Inspirado naquele autor, parti do pressuposto de que o discurso não se restringia ao que era falado pelos participantes.

A partir da perspectiva bakhitiniana, eu compreendia que, para além da fala, o próprio processo de enunciação dizia respeito ao discurso: o modo como as interações aconteciam, os gestos, as entonações, as réplicas e reações que a participação de uma pessoa gerava nos demais participantes, a forma como estes se organizam para a realização de uma atividade que era proposta etc. Também a partir de Bakhtin (2002) e da perspectiva indiciária de Ginsburg (1989), a minha hipótese foi de que essa multiplicidade de aspectos concernentes à atividade discursiva podia apontar indícios das negociações de posicionamento e das condições de produção de sentidos sobre os assuntos debatidos.

A presença da câmera nos encontros chamava a atenção dos participantes e certamente influenciava nas suas posturas no grupo. Principalmente no começo, percebi que muitos deles se sentiam desconfortáveis diante da filmadora; outros, no entanto, pareciam gostar, como se se sentissem mais importantes por estarem sendo filmados.

Para facilitar a familiarização com a câmera e evitar que sua presença inibisse demais os participantes, em vários momentos do percurso eu abri espaço para que eles brincassem com a câmera, para que se colocassem “do outro lado”, visualizando o espaço e os demais através da filmadora. Costumou ser uma experiência divertida e que contribuía para que os desconfortos iniciais com a vídeogravação fossem diminuídos consideravelmente, o que não quer dizer que a filmadora tenha sido esquecida. Talvez um indicador disso seja o seguinte: no começo do grupo, os participantes falavam muito da câmera, enquanto que aquela que operava a máquina, a pesquisadora auxiliar, parecia-lhes insignificante; contudo, ao longo do processo, os participantes quase não falavam da filmadora, ao passo que foram ampliando seus laços com a pesquisadora auxiliar.

Tendo apresentado o que fez parte das oficinas de uma forma geral, a seguir apresentarei um resumo da proposta realizada em cada uma das nove oficinas. O objetivo de tal exposição não é relatar, de forma exaustiva, tudo o que ocorreu em cada uma delas - mesmo porque as minúcias desses processos serão abordadas nos próximos capítulos -, mas oportunizar que o leitor visualize um diagrama do grupo de discussão sobre saúde.

Na primeira oficina, realizada no dia 23/09/09, ocorreram maiores esclarecimentos quanto à proposta do grupo, bem como o estabelecimento de alguns acordos, tais como pontualidade e sigilo. Ocorreu também a apresentação dos participantes, para que estes se familiarizassem uns com os outros, com o pesquisador e a pesquisadora auxiliar, e para que cada um pudesse expressar suas expectativas em relação ao grupo. Esse momento se deu mediante uma atividade de troca de balões: cada participante foi orientado a responder

algumas perguntas pessoais sem se identificar, colocando as repostas em um balão; após as trocas de balões, de forma aleatória, ao som de uma música, eles deveriam adivinhar o autor de cada resposta que era lida. Por fim, os participantes escolheram os temas de seu interesse e que julgaram estarem relacionados aos processos de saúde/doença em seus cotidianos, de maneira que os demais encontros fossem destinados à discussão de cada um dos temas escolhidos. Cinco foram os temas escolhidos, os quais seriam discutidos na seguinte seqüência: “o que é saúde?”; “Saúde Psicológica”; “Transtornos alimentares”; “Drogas” e “Sexualidade”. Nesta oficina, estiveram os onze participantes.

Na segunda oficina, que ocorreu no dia 30/09/09, discutimos o tema “o que é saúde?”. Por sugestão de alguns participantes, dada no final do primeiro encontro, realizamos outra atividade de perguntas e respostas pessoais, a fim de aprofundarmos o conhecimento entre os participantes. Para isso, utilizei uma atividade chamada “Brincadeira do Repolho”: perguntas aos participantes foram escritas em folhas de ofício, sendo que as folhas foram agregadas uma a uma, assemelhando-se ao formato de um “repolho”. Ao som de uma música, os participantes, em circulo, passaram o “repolho” entre si, sendo que aquele que estivesse com o “repolho” quando a música parasse tiraria uma pergunta e a responderia. Ao final desta atividade, discutimos sobre o que seria saúde para cada um, a partir de uma atividade com fotografias: levamos cerca de cinquenta fotografias e as dispusemos no chão, no meio do círculo formado pelos participantes; cada um escolheu uma ou mais imagens que lhes remetesse ao assunto do encontro; após a apresentação de cada fotografia escolhida e das justificativas de cada escolha, debatemos sobre o assunto. Segundo avaliação dos participantes ao final das oficinas, este foi um dos momentos mais marcantes do processo. Sete participantes estiveram presentes: Ivan, Lia, Renata, Pedro, Mariana, Camila e Laura.

Já a terceira oficina, ocorrida no dia 01/10/09, direcionou-se para o tema “saúde psicológica”, o segundo elencado pelos participantes. Neste dia, trouxemos a música “Saúde11”, composta por Rita Lee e Roberto Carvalho, para que realizássemos uma primeira incursão na temática em questão e para que exercitássemos conexões com a temática trabalhada na oficina do dia anterior. Após isso, solicitei que os participantes se dividissem em dois subgrupos, a fim de que – com o auxilio de materiais tais como cartolina, papel madeira, pincel, canetinha, tinta guache, lápis de cor, revistas, jornais, cola, tesoura e fita

gomada - cada subgrupo se organizasse para produzir um cartaz onde trouxessem sentidos relacionados ao tema. Seguida a apresentação dos cartazes confeccionados, discutimos sobre as idéias que apareceram. Este encontro foi um dos que teve uma discussão mais intensa e marcada pela explicitação de diferentes pontos de vista no grupo. Dele participaram: Carla, Lia, Laura, Ronaldo, Pedro, Ivan, Camila e Renata.

Infelizmente, a partir do terceiro encontro, tivemos uma baixa considerável: este foi o último encontro em que Ivan, o professor de biologia, compareceu. Dos dias seguintes até o final do grupo, Ivan parecia me despistar, posto que sempre confirmava sua presença, embora não a cumprisse, e nunca anunciou explicitamente que não participaria mais. Essa foi mais uma situação que contrariou minhas expectativas: em princípio, achava que os alunos é que ficariam desconfortáveis com a presença de Ivan, mas me parecia que o professor, em algumas situações, é que não se sentia tão à vontade ao discutir determinadas questões em meio aos alunos e ao compartilhar com eles algumas atividades.

Na quarta oficina, realizada no dia 07/10/09 e voltada ao tema “transtornos alimentares”, começamos o encontro ouvindo e lendo a música “Comida12” do grupo Titãs. Após esse primeiro momento, mostrei aos participantes algumas imagens relacionadas a alguns casos de transtornos alimentares. Em seguida, apresentei-lhes um painel composto por notícias jornalísticas sobre aquela temática, publicadas em jornais de grande circulação do estado e do país. Solicitei que cada um retirasse do painel a notícia que mais tivesse lhe chamado atenção e a lesse. Feito isso, discutimos sobre o assunto, articulando-o com o cotidiano dos participantes. Esse encontro ocorreu em meio à semana de provas da escola, na qual os alunos eram liberados mais cedo. Creio que isso tenha contribuído para que apenas quatro pessoas tenham participado dessa oficina: Lia, Camila, Laura e Renata.

Na quinta oficina, que aconteceu no dia 08/10/09, discutimos o quarto tema: “drogas”. Estiveram presentes as mesmas participantes da oficina anterior. Antes de adentrarmos na temática propriamente, realizamos uma brincadeira chamada “Imagem e Ação”: em um tempo determinado, cada participante teria de realizar uma mímica sobre temas diversos, a fim de que os demais adivinhassem do que se tratava. Em seguida, propus que os participantes realizassem uma dramatização em torno do tema “drogas” e de como ele aparece em seus cotidianos. A partir da avaliação dos participantes, a atividade de

dramatização foi uma das mais significativas, não só pela preparação e execução das cenas, as quais se deram em um clima marcadamente divertido, como também pela riqueza da discussão que elas suscitaram.

A sexta oficina, que ocorreu em 14/10/09, foi destinada ao tema “sexualidade”. Sua realização se fez a partir da exibição e discussão do documentário “Meninas”. Tal documentário, dirigido por Sandra Werneck, apresenta o cotidiano de três adolescentes grávidas da periferia da cidade do Rio de Janeiro e que foram acompanhadas por um ano para a realização daquele trabalho. A escolha daquele documentário teve uma justificativa em particular: no dia de escolha dos temas, a questão da gravidez na adolescente foi um dos pontos que mais surgiram no debate que desembocou na escolha do tema “sexualidade”. Tendo o documentário como mote, foi feito um debate sobre semelhanças e diferenças entre o cotidiano dos participantes do grupo e o das protagonistas do filme, abrangendo também outras questões relacionadas ao tema da oficina. Ao final do encontro, decidimos o que tratar na oficina seguinte, visto que todos os temas elencados já tinham sido discutidos. Dessa oficina, seis jovens participaram: Pedro, Lia, Mariana, Laura, Renata e Camila.

Então, a sétima oficina, no dia 15/10/09, atendendo ao acordo feito no dia anterior, tratou, ao mesmo tempo, de todos os temas já abordados, contando com a participação dos seis jovens do dia anterior. Naquele dia, Lia e Renata se voluntariaram para trazer uma atividade que fomentasse a discussão. As duas confeccionaram uma caixa, em cuja embalagem estavam impressos todos os cinco temas. Dentro da caixa, existiam perguntas e situações que Lia e Renata elaboraram, a respeito das quais os participantes trocariam pontos de vista. Percebi, neste dia, que já pairava uma atmosfera de que o processo estava chegando ao seu final, uma vez que todos os temas haviam sido trabalhados. Como a atividade acabou se estendendo um pouco mais do que imaginávamos, eu não me lembrei de, neste dia, reiterar que haveria um último encontro no qual realizaríamos uma avaliação do processo.

A oitava oficina se deu no dia 21/10/09 e foi destinado à avaliação do processo pelos participantes. Para auxiliar esse processo, minha intenção, naquele dia, era mostrar aos participantes alguns episódios vídeogravados ao longo dos encontros. Mas isso não foi possível devido a problemas que ocorreram no aparelho de DVD da escola, no momento da oficina. Assim, propus uma atividade inicial em que cada um tentasse lembrar de todos os encontros, de todos os temas debatidos, dos participantes presentes em cada oficina e dos momentos que mais lhe marcaram ao longo do grupo. Após isso, solicitei que, individualmente, os participantes registrassem suas lembranças em um cartaz. Em seguida,

realizamos uma socialização dos cartazes e uma discussão sobre o processo a partir do que fora produzido. Daquela oficina participaram apenas cinco estudantes: Carla, Camila, Pedro, Laura e Mariana. Quanto aos demais participantes, alguns, de fato, não puderam comparecer, enquanto outros se confundiram, achando que não teria encontro naquele dia.

Devido a essas “baixas” individuais e aos problemas operacionais que atravessaram a execução da última oficina, retornei, alguns dias depois, à escola para convidar os participantes a nos encontrarmos novamente. O intuito desse novo encontro era de que tivéssemos a oportunidade de realizarmos um encerramento com todos os que participaram do grupo – ou pelo menos com a maior parte deles. Os participantes se mostraram empolgados com a proposta de um novo encontro, inclusive os que não puderam participar do anterior.

Então, da nona oficina, em 28/10/09, participaram oito jovens: Carla, Lia, Renata, Mariana, Pedro, Ronaldo, Camila e Laura. Em princípio, apresentei aos participantes alguns episódios das oficinas que realizamos e que foram registrados pela filmadora, principalmente aqueles que mais foram citados pelos participantes ao longo do processo e na avaliação feita no encontro anterior. Em seguida, atendendo aos apelos de alguns para que realizássemos novamente alguma dramatização, propus que os participantes dramatizassem o próprio grupo, assumindo, no entanto, o papel de outro participante. Os participantes dramatizaram o grupo discutindo um assunto que não foi tema das oficinas, mas que, de certa forma, esteve presente em todas as discussões: “adolescência”. Tal atividade foi realizada num ambiente bastante descontraído e serviu para que cada um pudesse perceber mais claramente as impressões que outros tinham a seu respeito, sobretudo acerca de sua participação no grupo. Ao final, realizamos uma avaliação conjunta do processo desde o seu início até aquele momento.

Ora, por que mostrar aos participantes alguns episódios do próprio grupo? E mais: como tratar as imagens geradas pela videogravação, em consonância com o referencial teórico que adoto? Em razão dessas questões, algumas justificativas teórico- metodológicas merecem ser feitas a respeito do uso da vídeogravação na minha pesquisa.