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Conceptualizing welfare technology and digital monitoring

6. Harmonization: Several iterations of harmonization were done between JD, HE &

5.1 Digital transformation of residential care

5.1.4 Conceptualizing welfare technology and digital monitoring

Esta pesquisa se coaduna teoricamente com uma concepção de linguagem como um acontecimento dinâmico. Por isso, suas análises privilegiam os usos cotidianos, as condições histórico-ideológicas de produção dos enunciados, bem como seus desdobramentos concretos. Decorre daí, ademais, que os principais interlocutores a quem recorro deem

margens para que a linguagem ocupe um lugar de destaque na dinâmica das relações sociais e, porquanto, nos processos de constituição subjetiva (BAKHTIN, 2002; VIGOTSKI, 2001).

Por isso, a unidade de análise desta investigação foi a atividade discursiva (COLL; ONRUBIA, 1998) do grupo de discussão sobre saúde, que corresponde aos processos interacionais semioticamente mediados - como as interlocuções e as demais atividades realizadas em grupo. Para Colaço (2001) - que também adotou a atividade discursiva como unidade de análise em sua pesquisa de doutorado, ao analisar interações em sala de aula entre crianças -, tal conceito de atividade discursiva registra a inquebrantável relação entre linguagem e ação humana, tal qual sugere Bakhtin (2002).

Ao trabalhar com a noção de atividade discursiva nesse estudo, considero, de acordo com a perspectiva bakhtiniana, que o discurso inclui os enunciados e suas condições e processos de produção, abarcando, por isso, elementos linguisticos e extralinguisticos que participam da construção de sentidos num determinado contexto de comunicação. O seguinte trecho de Bakhtin (2002, p. 124) é sobremaneira elucidativo quanto a isso:

A comunicação verbal entrelaça-se inextricavelmente aos outros tipos de comunicação e cresce com ele sobre o terreno comum da situação de produção. Não se pode, evidentemente, isolar a comunicação verbal dessa comunicação global em perpétua evolução. Graças a esse vínculo concreto com a situação, a comunicação verbal é sempre acompanhada por atos sociais de caráter não-verbal (gestos de trabalho, atos simbólicos de um ritual, cerimônias, etc.) dos quais ela é muitas vezes apenas o complemento, desempenhando um papel meramente auxiliar.

Assim sendo, cabe a menção de que a atividade discursiva não está restrita à fala, senão que envolve desde gestos a ações que se realizam em situações de interação social oportunizadoras de significações (COLAÇO, 2001). Colaço (2004) ainda chama atenção para o ponto de vista de que, na atividade discursiva, posições sociais são constantemente negociadas, assim como padrões de comunicação e de relações sociais são definidos.

1.5.2. A Análise Microgenética

As atividades discursivas foram examinadas a partir de uma análise microgenética, que se trata da “análise minuciosa de um processo, de modo a configurar sua gênese social” (GÓES, 2000, p.9). Sua aplicação “[...] requer a atenção a detalhes e o recorte de episódios interativos, sendo o exame orientado para o funcionamento de sujeitos focais, as relações

intersubjetivas e as condições sociais da situação, resultando num relato minucioso dos acontecimentos” (Idem, Ibidem).

Inspirados em Góes (2000) e Ginsburg (1989), a análise dos dados desta pesquisa se alinha a uma perspectiva indiciária. Na análise microgenética com perspectiva indiciária,

[...] decifrar e ler pistas é estabelecer elos coerentes entre eventos [...] Apesar de privilegiar o singular, não se abandona a idéia de totalidade, pois esse modelo epistemológico busca a interconexão de fenômenos, e não o indicio no seu significado como conhecimento isolado (GÓES, 2000, p. 11).

Neste estudo, sob a inspiração dos trabalhos de Colaço (2001) e Zanella et al. (2004), os seguintes procedimentos compuseram a análise qualitativa das interações:

1) Transcrição completa do material vídeogravado a partir das oficinas;

2) Leitura do material transcrito acompanhada de revisão do material vídeogravado; 3) Definição de categorias de análise, a partir dos objetivos do estudo, dos conceitos

teóricos que subsidiaram o estudo e dos dados produzidos e registrados em campo; 4) Recorte de fluxos interacionais videogravados, a fim de identificar, selecionar e

analisar episódios13 que fossem mais pertinentes aos objetivos do estudo e às categorias analíticas. Isso se fez necessário pelo fato de que, ao todo, foram aproximadamente 14 horas de material vídeogravado.

5) Análise de episódios interativos, com base nos objetivos e nas categorias do estudo. Nesta análise microgenética, procurei enfocar as trocas entre os participantes nas interações, as condições imediatas e histórico-ideológicas envolvidas na produção dos enunciados, bem como os indícios de continuidade e transformação do funcionamento dos sujeitos nas atividades discursivas.

1.5.3. Categorias de Análise

Neste estudo, delimitei três categorias teóricas, quais sejam:

Mediação Semiótica. Supõe que “a atividade mais geral e fundamental do ser humano, a que diferencia em primeiro lugar o homem dos animais do ponto de vista psicológico é a significação” (VIGOTSKI, 1995, p. 84). Portanto, esta categoria faz

13 Episódio é entendido, neste estudo, como uma “seqüência interativa clara e conspícua” (PEDROSA; CARVALHO, 2005, p. 432). Segundo estas mesmas autoras, a delimitação do início e do fim de cada episódio se dá mediante identificação, por parte do pesquisador, de um fato a partir do qual a seqüência interativa tem início e de um fato por meio do qual ela dá lugar à outra seqüência.

referência à centralidade dos signos, em especial a linguagem, na constituição do sujeito e da subjetividade, servindo de aporte para compreender os processos interacionais e o funcionamento dos sujeitos em determinados episódios.

Interação Social. Colaço (2001, 2004) ressalta que as interações sociais são espaços simbólicos de apropriação de significações, de aprendizagem e de desenvolvimento. Tais espaços envolvem tanto a edificação de conhecimentos como de subjetividades, pois eles são palco de negociações de sentidos e de posições entre os participantes. Posicionamentos. Supõem que o sujeito é sócio-historicamente construído, sendo que

isso se dá a partir de posições discursivas em uma rede simbólica. Assim sendo, as análises voltadas à compreensão das posições enunciativas dos sujeitos foram auxiliada por interfaces das perspectivas vigotskiana e bakhtiniana com a Teoria do Posicionamento desenvolvida por Harré e Van Langenhove (1999)14.

Além dessas categorias teóricas, estabeleci três categorias empíricas, frutos da articulação dos dados com os aportes teóricos e dos objetivos do estudo. São elas:

Temas cotidianos e Condição Juvenil. Refere-se à identificação das temáticas de saúde que perpassam o cotidiano de jovens inseridos no lócus de pesquisa, relacionando a emergência destas temáticas com as significações produzidas sobre a experiência de ser jovem na contemporaneidade.

Circulação e recriação de sentidos sobre os temas debatidos. Dedica-se à compreensão sobre como transitavam sentidos nas interações e à identificação de vozes que se presentificavam naquelas interações. Dá visibilidade também aos processos de reposicionamento e singularização frente aos temas discutidos. Negociações de posicionamentos dos participantes uns frente aos outros.

Enfoca como os participantes assumiam e atribuíam posições discursivas aos demais, em meio às discussões sobre os temas. Ressalta, ainda, deslocamentos nesses processos nas interações.

Explicitadas as categorias do estudo, importa explicar que cada um dos três capítulos seguintes será dedicado a trabalhar especificamente uma das categorias empíricas. Diferentemente, as categorias teóricas, devido a sua abrangência, perpassarão todas as análises e discussões realizadas nas páginas subseqüentes.

14Tais interfaces se inspiraram nas considerações de Oliveira, Guanaes e Costa (2004), que realizam aproximações entre o conceito de “jogos de papeis” e a Teoria do Posicionamento.

2. SAÚDE, ESCOLA E JUVENTUDE: TEMAS QUE EMERGEM NO COTIDIANO.

2.1. Saúde e Educação: andando em territórios que se cruzam.

Como explicitado no capítulo anterior, a proposta desta pesquisa-intervenção envolveu a constituição de um grupo de discussão sobre saúde em uma escola de Fortaleza. Por tal razão, meu caminho metodológico me conduziu ao campo convencionalmente conhecido como “educação em saúde”. Vale lembrar que “educação em saúde” designa

[...] quaisquer combinações de experiências de aprendizagem delineadas com vistas a facilitar ações voluntárias conducentes à saúde. A palavra combinação enfatiza a importância de combinar múltiplos determinantes do comportamento humano com múltiplas experiências de aprendizagem e de intervenções educativas. A palavra

delineada distingue o processo de educação de saúde de quaisquer outros processos

que contenham experiências acidentais de aprendizagem, apresentando-o como uma atividade sistematicamente planejada. Facilitar significa predispor, possibilitar e reforçar. Voluntariedade significa sem coerção e com plena compreensão e aceitação dos objetivos educativos implícitos e explícitos nas ações desenvolvidas e recomendadas. Ação diz respeito a medidas comportamentais adotadas por uma pessoa, grupo ou comunidade para alcançar um efeito intencional sobre a própria saúde (CANDEIAS, 1997, p.210).

Assim, algumas questões conceituais cruzaram meu percurso: o que realmente significa a junção destes dois termos, “educação” e “saúde”, em uma só expressão? Afinal, onde se localizava minha proposta, no Setor da Saúde - já que os debates enfocavam temas ligados à saúde - ou no Setor da Educação - visto que a escola era meu lócus de estudo?

Instigado por essas interrogações, optei por tratar neste capítulo da educação em saúde como uma temática intersetorial, pertinente aos territórios da Saúde e da Educação simultaneamente. Logo, proponho-me a trazer à baila pontos principais do percurso da Saúde Coletiva, principalmente no Brasil, e algumas frestas abertas no campo da educação brasileira para as práticas de saúde.

Para começar: que processos ocorridos no campo da Saúde Coletiva foram - e são – importantes para um maior entendimento sobre suas interfaces com o campo da Educação? No âmbito internacional, um dos principais aspectos que marcaram o Setor Saúde foi a projeção da noção de promoção de saúde, há 25 anos, aproximadamente. Vários aspectos concorreram para isso. Para Sícole e Nascimento (2003) e Buss (2009), um fato histórico para isso foi a elaboração, em 1974, do “Informe Lalonde”, que tecia críticas aos grandes custos dos cuidados à saúde e às suas limitações assistenciais. Diante disso, aquele relatório também sugeriu que o Setor Saúde alargasse sua intervenção mediante ações preventivas e educativas.