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5. Kapittel. Et historisk tilbakeblikk

5.2. Darwin og den moderne evolusjonsteori…

As coisas continuam em movimento enquanto o seu cerne apenas existe, mas ainda não está presente.

Ernst Bloch, O Princípio Esperança (2005b, p. 406)

A ideia de vislumbrar as grandes obras filosóficas não pela repetição da ideologia de classe, mas pelo que manifestam quanto ao futuro, aparece em Bloch como relação entre o que a humanidade deseja e o que se propõe a realizar. Em torno dessa dualidade Bloch (2005, p. 405) situa Tomás de Aquino na definição do bem supremo como a ―felicidade mais potente‖ no conteúdo da esperança de um mundo em que ―a virtude e a bem aventurança‖ estejam unidades para proporcionar dignidade ao homem.

Em Kant, apesar de bem supremo estar tão ―solto e distante‖ quanto o ser humano ideal, seria o que para o navegador é a estrela polar, a concordância perfeita; Fichte seguiria

por essa mesma linha, alçando o bem supremo ao ―ápice dos ideais‖, uma espécie de ―para- quê absoluto‖, o ―sentido da vida‖, mas essas manifestações da experiência dialética exigem o novum (BLOCH, 2006b, p. 405-6). E o novum deriva de uma intenção consciente, remonta a uma vontade.

Todos os bens, incluindo o mais elevado, o bem supremo, no qual coincidem inteiramente o bem e o valor mais universalmente válido, estão relacionados com a vontade que os quer, e cuja condução, enfim, saciação (felicidade), eles servem. É a necessidade citação sentida pela vontade que desperta o potencial dos bens e valores que se encontram fora da vontade, assim como é o trabalho voltado para a satisfação que extrai dos materiais e objetos trabalhados seu valor material objetivo (BLOCH, 2006b, p. 412).

O bem supremo seria o problema metafísico de latência na natureza (BLOCH, 2006b, p. 407). Uma tendência em processo, dependente da vontade objetiva, daquilo que Sócrates denominou de ―virtude‖ e que Kant, simplesmente, definiu como ―boa vontade‖ (BLOCH, 2006b, p. 411). Esse inter-relacionamento envolve não só a dimensão histórica da utopia, mas toda a práxis cotidiana e a objetivação processual da utopia. Envolve a conexão dos valores com o mundo real, envolve que as coisas sejam nobres na mente e em si mesma, envolve aliança ―entre os movimentos produtivos e finais humanos e natural, unidos no mesmo materialismo dialético‖ (BLOCH, 2006b, p. 416-7).

Uma velha pergunta é a que e a que finalidade o palco de fato se dispõe. Ele trabalha com cosméticos e ademais também predominantemente com recursos e luzes que iludem deliberadamente. O palco é, por isso, mais aparência do que qualquer outro gênero de arte e justamente porque ele torna essa aparência vivenciável na realidade, apesar da moldura divisória. Isso de fato confere ao teatro seu poder simultaneamente fascinante e ilusionístico, mas também dá à aparência uma ênfase como nenhuma outra arte pura. Sim, a aparência do palco, para um olhar não amigável – e ela frequentemente o tem encontrado, e não só entre hipócritas –, pode estar mais próxima da aparência extremamente ignóbil de uma figura de cera do que da de uma imagem que aparenta distinção e não tem nada de vivenciável na realidade (BLOCH, 2006b, p. 409-10).

A imagem do palco é coerente. Bloch sugere, como Brecht, que o teatro não seja puro entretenimento, mas formador de consciência. Desse argumento, seminal para a moral revolucionária, Bloch volta-se para a integridade da relação com a realidade, não uma realidade trivial, mas como realidade teimosa de esperança. O que objetivamente importa é a abertura para o amanhã, o que pode ser feito para mudar a realidade, não é o que está determinado.

Objetivação não engendra a aceitação irrefletida das manifestações, mas o ―assombro‖ filosófico que é o princípio da reflexão. Significa abrir os olhos e ver que o mundo contém apenas ―um potencial aliado dentro da matéria do valor, nada mais, mas também nada menos que isso‖, o que quer dizer mediação ―entre natureza e a história humana e humanizá-la‖ (BLOCH, 2006b, p. 418).

É um duro golpe para a consciência ingênua constatar que cor, calor e bom possuem uma existência apenas subjetiva. É muito mais fácil para ela, porém, supor que o bem, o mau e suas diversas variações ocorrem apenas subjetiva, e não objetivamente. Em conformidade com isso, portanto, algo só pode ser chamado de bom porque é apetecido, assentido pela vontade, manifestando-se por essa razão como um bem. O que contribuiu muito para essa visão subjetivista foi, sem dúvida, a multiplicidade e com ela a diversidade dos respectivos assentimentos. O que para este é uma coruja, para aquele é um rouxinol, ou, como diz um outro ditado, um que não precisou esperar a chegada dos céticos: gosto não se discute. Assim, todo chamado juízo de valor, ao menos no que diz respeito ao agradável, prazenteiro ou a esse tipo de coisa boa, é considerado como subjetivo desde há muito também pela opinião popular (BLOCH, 2006b, p. 409-10).

Bloch almeja que a sociedade encontre no conteúdo real-objetivo da utopia socialista a eternidade do ―bom‖, como, talvez, no Antigo Testamente a sucessão de gerações asseguraria a eternidade do homem na Terra.97 Se no passado, como recorda Berlin (2015, p. 26-7), o ―amor‖, ―o senso de dever‖ o ―perdão‖, garantia a fraternidade entre os homens‖, só que com a vida voltada para o servir a Deus, no socialismo, a fraternidade e a liberdade seriam voltadas para o homem servir ao homem.

Esse seria o salto da teoria para a prática da filosofia do ainda-não-ser e do ainda-não- consciente. Bloch chega a esse ponto culminante entendendo que a sociedade burguesa apresentou formações ideais tão veementes que passaram a ser vistas como eternas. Uma das mais ilustrativas é aquela do sujeito capitalista que se põe em marcha sempre que as condições de vida se revelam ―estreitas‖ e procura ―lugares mais amplos‖ (BLOCH, 2006b, p. 100).

Pelo seu espírito desbravador, o empreendedor coloca-se como o ser humano entre os seres humanos, a raiz humana dos deuses, talhada com material divino. Essa mitologia fez com que o homem burguês, pela sua suposta obstinação associada à ―centelha de luz prometeica‖, sobrepujasse o citoyen (cidadão) e passasse a ser visto como o homem idealista. Não se limita a anunciar descobertas, mas se propõe a elucidá-las e integrá-las à sociedade.

As coisas continuam em movimento, enquanto o seu cerne apenas existe, mas ainda não está presente. Pois esse cerne, sendo o quê (Daß) a partir do qual e rumo ao qual tudo acontece, ainda se encontra em fermentação e na obscuridade. Ele ainda é pontual e não dilatado, apenas está vagando recluso e não externado, em lugar nenhum progrediu até à manifestação certeira sua essência (BLOCH, 2006b, p. 406).

Nada do que é previsto pelo capitalismo acontece. O homem acorda e percebe que a sociedade continua inacabada e que a sua atividade não gera valor e, o que é pior, não encontra sentido para a existência. Consequentemente, há uma ―desobjetivação‖ dos demais valores, porque fica no ar a finalidade da vida (BLOCH, 2006b, p. 413). Existem aí, portanto, dois mundos em confronto: o mundo apresentado, objetivo, que se compõe de mercadorias e ilusões, e o mundo de finalidade humana, prometeico, unido no materialismo dialético e na consciência da necessidade de ação. São argumentos que se moldam na necessidade de manter a consciência permanentemente desperta como sendo o sujeito latente do mundo. Cabe à filosofia a mediação entre os mundos em choque, contribuindo para que prevaleçam os atributos mais elevados do homem.