Para se avaliar a percepção individual das pessoas em relação às vantagens e desvantagens do engajamento voluntário no programa de extensão da Faculdade de Ciências de Timbaúba foi empregada a teoria da expectância. Com essa finalidade, tendo como base as ponderações realizadas e a partir das questões norteadoras da pesquisa, as subseções seguintes apresentam o modelo adotado para operacionalizar o conteúdo pesquisado.
3.1.5.1 Medição da força motivacional para o engajamento
Buscando uma compreensão da decisão pessoal para o engajamento voluntário através da identificação da percepção que os indivíduos possuem acerca das valências, das instrumentalidades e da expectância adotamos o modelo multiplicativo de Vroom (1964), com os seguintes indicadores:
Indicadores das valências: os indicadores das valências foram validados através dos painéis realizados inicialmente com 8 alunos e dois coordenadores. A partir destes painéis, foram listadas as 25 recompensas percebidas pelos participantes como sendo significativas com relação ao engajamento voluntário. Estas recompensas foram incluídas no questionário para avaliação dos respondentes. Assim, cada respondente foi solicitado a avaliar as
recompensas numa escala de 7 pontos, variando de –3 (extremamente indesejável) passando por zero (não faz diferença) até +3 (extremamente desejável). Isto resultou na medição das valências específicas para cada recompensa de cada respondente (Apêndice B – Seção A).
Indicadores de Instrumentalidade: os indicadores das instrumentalidades relativas ao engajamento são as mesmas 25 recompensas validadas nos painéis. As Instrumentalidades foram obtidas solicitando-se do respondente que ele avaliasse a probabilidade de vir a experimentar cada uma das 25 recompensas como conseqüência do envolvimento no programa. Uma escala de sete pontos, variando de –3 (impossível de acontecer) passando por zero (nem improvável nem provável) até +3 (certamente acontece). Isto produziu um valor de instrumentalidade para cada uma das 25 recompensas de cada respondente (Apêndice B – Seção B).
Indicadores de Expectância: como sugerido por Mitchell (1974), as percepções de expectância são vistas como uma relação entre comportamento e desempenho que deve ser medida como uma medida subjetiva. A expectância associada com a decisão de se envolver com a semana universitária, foi medida pela resposta a terceira questão da parte II do questionário: “Qual a probabilidade de você vir a se engajar caso queira?” O formato de resposta consistiu em uma escala de 11 pontos oscilando de -0% (não há chance de participar, ainda que quisesse) a 100% (não há dúvida de que eu poderia participar se quisesse).
O cálculo da força motivacional associado com a opção de participar foi feito da seguinte forma: Primeiramente, para cada uma das 25 recompensas avaliadas, a valência foi multiplicada por sua respectiva instrumentalidade. Em um segundo passo, os valores resultantes dos 25 produtos “valência x instrumentalidade” foram somados. Por último, esta soma foi multiplicada pela probabilidade do discente se engajar voluntariamente no programa de extensão universitária (percepção da expectância). Este cálculo produziu a força
motivacional para a participação na semana universitária e pode ser expressado pela seguinte expressão matemática: 25 Fn = En x [ (Vni x Ini )] i = 1 Onde:
Fn – Força motivacional para participar de cada discente; En – Expectância de participação da cada discente; Vni – Valência para cada recompensa de cada discente;
Ini – Instrumentalidade para cada recompensa de cada discente; i – Iésima recompensa avaliada da lista de 25 recompensas; n – Identificação do questionário por ordem numérica; 25 – nº de recompensas avaliadas pelos discentes.
3.1.5.2 Medição da força motivacional para não participar
Segundo Mitchell (1974), para a correta operacionalização do modelo deve-se considerar outras alternativas de comportamento existentes. Neste sentido, a abordagem empregada inicialmente por Parker e Dyer (1976), que avalia a força motivacional para diferentes alternativas de comportamento, foi utilizada.
Isto gerou duas expressões matemáticas para este estudo: na primeira, já mostrada, “Fn” indica a força motivacional para participar de cada respondente e na segunda, mostrada a seguir, “Fn” indica a força motivacional para não participar de cada respondente. Desta forma, a força motivacional para não participar foi obtida a partir dos seguintes indicadores:
Indicadores das Valências: foram os mesmos utilizados para a força motivacional de participar. Tendo em vista que as recompensas avaliadas são as mesmas.
Indicadores das Instrumentalidades para não participar: as instrumentalidades associadas à decisão de não participar foram obtidas solicitando-se dos respondentes uma avaliação da probabilidade de que ele venha experimentar cada uma das 25 recompensas
como um resultado da decisão de não se envolver com a semana universitária conforme é apresentado no Apêndice B – Seção C. Semelhante à instrumentalidade de participação, a escala variou de -3 (impossível de acontecer) passando por 0 (nem improvável nem provável) até 3 (certamente acontece). Desta forma, foram geradas as instrumentalidades (decisão de não participar) para cada uma das 25 recompensas de cada respondente.
Indicadores da Expectância para não participar: a expectância, associada à decisão de não se envolver com o programa de extensão, foi medida através da quarta questão da parte II do questionário. Para a expectância de não participar foi usado um estratagema, uma vez que, se a pergunta fosse feita de forma direta, as respostas tenderiam a não ser sinceras. A pergunta foi: “Qual a probabilidade de você sofrer pressões na organização a ter que se engajar?” Devido à participação no programa ser voluntária, as respostas foram invertidas. O formato de resposta consistiu em uma escala de 11 pontos oscilando de 0% (não há chance de ser pressionado a participar) a 100% (certamente serei pressionado a participar). Assim, esta inversão produziu um valor que foi interpretado como sendo a expectância para não participar do programa, ou seja, a probabilidade percebida de se engajar sem a interferência dos superiores (ALLEN; LUCERO; VAN NORMAN, 1997).
Semelhantemente, o cálculo da força motivacional associada à opção de não participar foi realizado: primeiramente, para cada uma das 25 recompensas avaliadas, a valência foi multiplicada por sua respectiva instrumentalidade de não participação. Em um segundo passo, os valores resultantes dos 25 produtos “valência x instrumentalidade” foram somados. Por último, esta soma foi multiplicada pela expectância de não participação (a probabilidade de não se engajar sem a interferência da organização). Este cálculo produziu a força motivacional para a opção de não participar do programa de extensão. Também pode ser resumida na seguinte equação matemática:
25
n = n x [ (Vni x ni )] conhecido que: n = 1 - Pn i = 1
Onde:
n – Força motivacional para não participar de cada discente; n – Expectância de não participação da cada discente; Vni – Valência para cada recompensa de cada discente;
ni – Instrumentalidade não participação para cada recompensa de cada discente; i – Iésima recompensa avaliada da lista de 25 recompensas;
n – Identificação do questionário por ordem numérica; 25 – nº de recompensas avaliadas pelos discentes.
3.1.5.3 Cálculo da força motivacional
A Força Motivacional Resultante “FRn” foi determinada subtraindo-se da força motivacional para participar, a força para não participar. Esta resultante foi interpretada como sendo a força motivacional que leva o indivíduo a se engajar voluntariamente ou não no programa de extensão.
A expressão seguinte resume o significado da Força Motivacional Resultante: FRn = Fn - n
Onde:
FRn – Força motivacional resultante de cada discente; Fn – Força motivacional para participar de cada discente;
n – Força motivacional para não participar de cada discente; n – Identificação do questionário por ordem numérica;