3 LEGAL APPROACHES TO THE PROTECTION OF CULTURAL HERITAGE
3.10 Cultural heritage as a human right
Maria Cristina Jesus Freitas*; Verena Duarte Moraes**; Carolina Souto Portel**; Eliezer Menezes**
*Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
Av. Brigadeiro Trompowysk s/n, Ilha do Fundão-21940-590-Rio de Janeiro e- mail : [email protected]
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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFTRJ - Rio de Janeiro Resumo
Designa-se hortaliças como alimentos funcionais, por possuírem componentes preventivo de doenças crônico não transmissíveis , coronariopatias e câncer. Podem ser cultivadas em sistemas: hidropônico, convencional e orgânica. A produção orgânica oferece alimentos saudáveis, isentos de contaminantes intencionais. O presente trabalho objetivou avaliar física e quimicamente hortaliças orgânicas comercializadas por pequenos produtores expositores da Feira Agroecológica da UFRJ e convencionais obtidas no mercado local. As amostras de onze hortaliças: folha como alface , couve, espinafre, repolho ; fruto como berinjela, tomate cereja, tomate comum e abobrinha; flor como couve-flor e raiz como cenoura e beterraba tiveram seu peso (P), comprimento (C) e largura (L). O comprimento e largura das hortaliças foram medidos com régua milimetrada e o peso aferido em balança digital com sensibilidade de 0,1g. A Análise química determinada foi: umidade em estufa a 105˚C até peso constante, cinzas por incineração a 550˚C, pH e acidez titulável segundo metodologia do Instituto Adolfo Lutz, 2008. As medidas de P, C e L foram menores nas hortaliças orgânicas, porém menor o fator de desperdício exceto para o repolho e alface (folhas). Os valores de cinzas foram maiores para as hortaliças orgânicas. Os parâmetros (acidez titulável e pH) foram inferiores nas hortaliças orgânicas, sobretudo nos tomates. Conclui-se que as hortaliças orgânicas possuem menores massa e volume, porém menor desperdício nas operações de pré-preparo. A análise química foi elevada em cinzas, similar em umidade.
Palavras chave: Hortaliças, orgânica,análise física e análise química Introdução
O consumo insuficiente de hortaliças aumenta o risco de doenças crônicas não transmissíveis, como cardiovasculare e alguns tipos de câncer, e está entre os 10 fatores de risco que mais causam mortes e doenças em todo o mundo (WHO,2002). As recomendações para o consumo diário de hortaliças deve ser de 400g ou cerca de 7 a 8% do valor calórico de uma dieta de 2.200Kcal/dia ( JAIME et al, 2007). O ministério da Saúde, em 2009, através do programa VIGITEL , demonstrou que 30,4% da população adulta consome a quantidade recomendada de frutas e hortaliças, sendo menor em homens ( 24,3%) do que em mulheres (35,5%) e em ambos os sexos, o consumo regular de frutas e hortaliças aumentou com a idade e com o nível de escolaridade dos indivíduos.
No entanto, a promoção do consumo de frutas e hortaliças leva a preocupação com o quadro de contaminação de hortaliças no Brasil. O relatório de atividades de 2001 a 2007 do programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA (ANVISA,2008) aponta para contaminação desses alimentos por agrotóxicos o que leva à hipótese de que ao se consumir hortaliças, com potencial e efetiva contaminação por agrotóxicos, se estaria obtendo um efeito inverso ao apregoado por políticas públicas que se baseiam na promoção da saúde através do consumo daquele grupo de alimentos.
Salienta-se a total escassez de dados referentes à utilização de alimentos orgânicos em Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) e Unidade Produtora de Refeição (UPR). Recentemente, a partir do ano de 2009 o Serviço de Alimentação através do restaurante Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro vem trabalhando em parceria com os pequenos produtores agrícolas orgânicos da região serrana do estado do Rio de Janeiro como fornecedores de produtos agrícolas orgânicos. Esta questão, inclusive, pode representar uma vantagem para o Setor de Alimentação Coletiva na UFRJ, com possibilidade de proporcionar acesso e inclusão social e econômica ao garantir a comercialização o ano inteiro de suas produções, sobretudo, dos pequenos agricultores. Compreendendo e considerando que o destaque na área de UAN e UPR é a busca do respeito humano, a sua dignidade, ao seu trabalho, à sua relação com os outros setores, a natureza e responsabilidades desses setores com área de produção básica de alimentos. Conseqüentemente direcionar a garantia de alimentos relativamente livre de contaminação, ressaltando o consumo de alimentos seguros o que significa a promoção da saúde e manutenção da qualidade de vida da população. Vê-se, portanto a necessidade de avaliar e comparar física e quimicamente as hortaliças convencionais e orgânicas comercializadas no Rio de Janeiro.
Material e Métodos
Os experimentos deste estudo foram realizados no laboratório de Técnica Dietética e Bromatologia do Instituto de Nutrição Josué de Castro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia ( IFRJ).
As hortaliças convencionais e orgânicas (Abobrinha- Cucurbita pepo,L.; Alface -
Lactuca scolymus,L ; Berinjela- Solanum melogena,L. Beterraba- Beta vulgaris; Cenoura- Dacus carota,L;Couve- Brassica oleracea,L;Couve-flor- Brassica oleracea,L.; Espinafre Tetragonia Tetragonoides; Repolho- Brassica oleracea;Tomate cereja– Lycopersicum sp
Mile e Tomate comum- Lycopersicum esculentum, Mill ) classificadas segundo o teor de glicídios totais em A e B ( ORNELAS,2007) foram adquiridas segundo a disponibilidade comercial dos produtos , sobretudo dos produtos orgânicos. Foram adquiridas onze hortaliças totalizando 22 amostras. As hortaliças orgânicas foram adquiridas no período de agosto a dezembro de 2010 na Feira Agroecológica da UFRJ constituída atualmente por 20 pequenos agricultores certificados de seis diferentes municípios do estado do Rio de janeiro. As hortaliças convencionais foram provenientes de uma grande rede do comércio varejista.
As amostras tiveram peso (P), comprimento (C) e largura (L) avaliadas, sendo o primeiro verificado antes e após a retirada das aparas .O comprimento e a largura dos alimentos foram medidos com régua milimetrada e a pesagem foi realizada em balança digital com sensibilidade de 0,1g, Os alimentos compactos foram separados em grandes, médios e pequenos. Foi calculado o Fator de Correção das hortaliças seguindo a expressão matemática : FC=PB/PL onde FC= fator de correção , PB= peso bruto e PL =peso líquido. As análises químicas foram: umidade – determinada em estufa a 105˚C até peso constante; as cinzas incineração da amostra em mufla a 550˚C . A acidez titulável com hidróxido de sódio a 0,1N e o pH leitura direto em potenciômetro previamente calibrado com soluções tampão de pH 7,0 e pH 4,0. Os resultados foram analisados através de análise de variância e teste de Tukey em nível de significância de 5% utilizando programa satatistical for Windows 6 versão.
Resultados e Discussão
De acordo com os resultados obtidos das características físicas observa-se contundente diferenciação dos tamanhos das medidas aferidas nessas hortaliças. Os valores nas hortaliças orgânicas analisadas foram muito menores em comparação as cultivadas em sistema convencional.
Tabela 1 – Determinações químicas nas Hortaliças (folha , raiz e fruto)
Hortaliças Tipo Determinações
Umidade (g%) Cinzas (g%) Acidez pH
FOLHA Convencional 91,06 1,22 1,71 6,06 Orgânico 90,31 1,223 0,78 5,74 RAÍZ Convencional 88,48 1,04* 0,57 6,36 Orgânico 87,46 0,58* 0,69 6,15 FRUTO Convencional 94,05 0,46 1,89 5,31 Orgânico 93,95 0,50 1,91 5,20 *p<0.05
Para o grupo dos frutos apenas a amostra berinjela convencional foi menor no peso e na largura aferida. No grupo das folhas todas as hortaliças foram superiores no peso com exceção do repolho convencional que teve todos os atributos inferiores quando comparado ao orgânico. No grupo das raízes todas as hortaliças convencionais analisadas também foram superiores as orgânicas em relação ao peso. Indicando similaridade com o trabalho de Ferreira et al de 2010 que observaram que tomates cultivados de modo convencional apresentaram tendência a maior massa, volume e peso específico. Silva et al em 2009, ao estudarem tamanho e produção de água de coco de frutos de coqueiro anão verde, produzidos em dois sistemas distintos de produção ( orgânico e convencional) não obtiveram diferença significativa com exceção do peso ( cerca de 10% maior para frutos do sistema convencional) e do comprimento. Quanto ao fator de correção observou-se que todas as hortaliças orgânicas apresentaram fator de correção inferior as hortaliças convencionais exceto para o repolho e a alface (grupo folhas). Assim, os alimentos orgânicos apresentam menor desperdício frente aos alimentos convencionais É importante ressaltar que Phillip em 2008 relatou que este fator permite avaliar o valor nutritivo do alimento pela qualidade máxima de utilização do mesmo. Os resultados das análises químicas dos grupos de hortaliças (fruto, folha e raiz) convencionais e orgânicos estão apresentados na Tabela 1. Quando analisados separadamente as hortaliças por grupos observa-se que somente quanto ao teor de cinzas houve diferença significativa entre as cultivadas pelo sistema convencional e orgânico, onde as hortaliças convencionais possuíram maior teor. Verifica-se que os frutos apresentaram maiores teores de acidez e umidade, enquanto as folhas destacaram-se em cinzas, contudo as partes botânicas demonstraram valores superiores para as hortaliças orgânicas. Quanto ao potencial hidrogeniônico, os frutos de ambos os sistema de cultivo apresentaram menor valor absoluto.
Conclusão
A partir das análises feitas neste estudo, pode-se concluir que, em relação às características físicas, os alimentos convencionais possuíram maiores massas e volumes em relação aos orgânicos, porém seus fatores de correção também foram maiores, o que leva a um maior desperdício de alimentos durante as operações preliminares. As análises de cinzas foram maiores com redução do pH e acidez para as hortaliças orgânicas.
Referências
-Instituto Adolfo Lutz.. Normas analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v.1:Métodos físicos químicos para análise em alimentos.3aEd.. SÃO PAULO: IMESP, 2008.
-World Health Organization. The World report 2002: reducing risk, promotiong healthy
life. Geneva: World Health Organization:2002.
-Jaime et al. Educação nutricional e consume de frutas e hortaliças : ensaio comunitário controlado . Revista Saúde Pública, 2007.
-Anvisa. Programa de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos (PARA) . Relatório
de atividades de 2001-2007. Brasília, 16 de junho de 2008.
-Ornelas L. H.. Técnica dietética: seleção e preparo de alimentos. 8 ed. Editora Atheneu, 2007.
-Ferreira .S.M.R et al . Qualidade de tomate de mesa cultivado nos sistemas convencional e orgânico. Ciência Tecnologia de Alimentos, 2010; 30 (1):224-30.
-Phillippi,S.T. Nutrição e técnica dietética. 1 Ed. São Paulo,Manole, 2008,390p.
-Silva et al . Características físicas-químicas e sensoriais da água e frutos de coqueiro anão verde oriundo de produção convencional e orgânica. Ciência Agrotec.2009;33(4):1079-84.