• No results found

Modifications of trifluoromethylated thiophenones

Chapter 2 Synthetic Results and Discussion

2.8 Modifications of trifluoromethylated thiophenones

A produção discursiva de pais e professores foi atravessada por “ditos e não ditos” acerca da educação para a sexualidade. Nos discursos de pais e professores, sobre a atribuição da responsabilidade da educação para a sexualidade dos alunos, foram evidenciadas as relações de poder bem como o poder de disciplinamento social, tais quais os discutidos nos estudos de Melo et. al. (2010).

A maioria dos participantes da equipe técnica e pedagógica apresentou um discurso em que a responsabilidade pela educação para a sexualidade dos alunos caberia tanto aos pais quanto aos professores. Porém, o coordenador disciplinar também acrescentou que é da responsabilidade do “Estado” e da “mídia”. Principalmente, “porque a mídia é formadora de

opinião e, muitas vezes, mais forte que os pais, a escola e o Estado”. Ainda revelou que a educação para a sexualidade “deveria ser obrigatória, por lei”.

A coordenadora pedagógica e a orientadora, ambas do ensino fundamental II, apesar de terem respondido que a responsabilidade era de ambos, pais e professores, acreditavam que a educação para a sexualidade fosse “mais uma questão da família”. Uma das orientadoras e a diretora educacional concordavam que a educação para a sexualidade começasse “em casa,

com a família”, mas a escola poderia dar uma “complementação” ou um “suporte”.

Também a maioria dos professores estabeleceu um discurso em que a responsabilidade da educação para a sexualidade caberia a ambos: pais e professores. No entanto, alguns complementaram os respectivos enunciados com as seguintes explicações: “deve vir primeiro

de casa, depois da escola, apesar de ser o contrário que se percebe; a responsabilidade seria dos pais, professores e orientação educacional, porém, com começo em casa; a responsabilidade seria da coordenação e orientação educacional da escola”.

Somente um professor atribuiu a responsabilidade da educação para a sexualidade aos pais, pois, para ele, “a escola é uma continuidade”. Porém, em sua justificativa se observou a corresponsabilidade da escola, “que faz parte desse mundo e a gente não pode, simplesmente,

fingir que isso não acontece. Porque a sexualidade não estará presente só dentro de casa. Ela estará presente na escola e nas ruas”. Contudo, este não foi um discurso diferente dos participantes que atribuíram a responsabilidade a ambos, pais e professores.

Para o professor de música, a educação para a sexualidade compreendia duas partes: educação e instrução. Segundo ele, “a educação é totalmente familiar e a instrução é uma

contribuição da escola”. Porém, para a maioria dos professores a educação para a sexualidade seria o fruto de um trabalho conjunto. A esse respeito, destacou-se a fala da professora de ciências:

às vezes, a gente faz na escola, mas o menino chega em casa retraído. O pai não ajuda. O pai não aconselha, não faz nada e, aí, acaba revertendo todo um trabalho que a gente faz. Então, têm que ser a escola, os pais, os alunos, todos juntos.

De um modo geral, para os professores, a responsabilidade da educação para a sexualidade, na escola, era concebida a partir da necessidade de verdade, que girava em torno de um determinado discurso social. Assim, a responsabilidade tanto poderia ser atribuída à família, quanto à escola e/ou à mídia.

Com relação aos pais, dos dezesseis responsáveis participantes, três deles atribuíram a responsabilidade da educação para a sexualidade aos próprios “pais”, dois consideraram ser da responsabilidade de “todos” e um imputou essa responsabilidade à “escola”. Os demais pais acreditavam que a responsabilidade fosse de “ambos”, pais e professores.

Os responsáveis que concordaram que a responsabilidade da educação para a sexualidade seria dos “pais” proferiram os seguintes enunciados, respectivamente: (1) “a

criança precisa sentir a segurança de perguntar, de se expor, até em uma dúvida. (...) eu acho que a escola precisa estar preparada, né? E até, de repente, incentivar essa curiosidade, para que a criança busque informações em casa”; (2) “a principal obrigação é dos pais”. Porém, para “as pessoas que trabalham fora e têm quinhentas mil preocupações, se essa responsabilidade pudesse ser dividida com a escola, por que, não?”; e (3) “cabe ao

próprio pai. Tem literatura específica para cada idade. Então, é até mais fácil”.

Os discursos do pai de uma aluna do segundo e de outro de uma aluna do nono ano eram de que a educação para a sexualidade seria da responsabilidade de “todos”. O primeiro responsável disse que a responsabilidade caberia “a todos os adultos que amem uma criança.

Todos aqueles que forem autoridade afetiva para a criança. Cabe a todos: vizinho, avô, tio, professor, profissional que está no portão da escola. Todos, todos os adultos”. O segundo revelou que a responsabilidade “cabe a todos: aos pais, à escola e ao Estado”. Ele ainda atribuiu o papel de cada “agente” responsável, afirmando que o pai possui o “papel de

reforço”; a escola tem o “papel de elucidar”, ou seja, esclarecer e informar se utilizando de recursos didáticos e científicos; e, o Estado possui o “papel na promoção de campanhas e

elucidação de riscos”. Por isso, concebeu que pais, escola e Estado fossem “os atores

O discurso de uma mãe, com filho no terceiro ano, foi de que a responsabilidade da educação para a sexualidade seria da escola. Ela justificou:

(...) Porque a gente, às vezes, não tem a linguagem que a escola, de uma forma mais preparada, tem. Por quê? Até porque o laço de afetividade entre o filho é diferente, né? (...) Mas, a escola, não. Ela está ali no meio, né? A pessoa vai ensinar... Provavelmente, a escola vai ter uma linguagem adequada para aquela faixa etária, a professora foi treinada... Pelo menos você entende... Você imagina que ela seja capacitada para isso, coisa que, muitas vezes, a gente não é, né?

Por fim, um dos pais que respondeu ser a educação para a sexualidade da responsabilidade de ambos, pais e professores, acrescentou, também, o papel da “escola, de

forma geral”. Ele acreditava que isso fosse um processo “contínuo”. No entanto, o enunciado de uma das mães entrevistadas foi de que a responsabilidade caberia a ambos, mas, principalmente aos pais. “Eu acho que a nossa responsabilidade é maior do que a da escola.

Mas, a escola, complementa”. De forma parecida, outra mãe disse: “eu acho que a ambos”, mas “aos pais em primeiro lugar”. A mesma posição discursiva foi seguida por outros responsáveis: (1) “hoje em dia, deve haver uma parceria. A responsabilidade maior tem que

ser dos pais. Até, mesmo, porque cada um tem uma diretriz, uma formação diferenciada. E, a escola tem que dar esse suporte, sim. Porque é na escola que isso vai aflorar”;

(2) Eu acho que a gente não pode dedicar tudo a escola porque ela não vai passar

os valores que a família tem. E, também, ficar só dentro de casa e não abordar isso dentro da escola, que tem amigos, que tem outra vivência, outra prática, né? É outro contexto. Aqui dentro da escola, é onde eles estão se relacionando, é onde começam os primeiros namorinhos, as primeiras festas... Então, é bom que todos tenham essa mesma consciência e tentar não ficar tão desigual;

(3) “tem crianças que passam a maior parte do tempo na escola do que em casa.

Então, não adianta uma linha correr para um lado e a outra correr para outro, ou uma existir e a outra não existir. Tem que trabalhar junto”;

(4) Fazendo um comparativo com o ensino religioso, tem a escola própria, né? Se

você é adventista, seu filho só estuda naquela escola. Eu acho que vai dos pais. Então, dependendo da educação que querem que os filhos tenham... Porque eu acredito que deve ter alguns padrões de educação para a sexualidade. Então, escolha a escola que tem a melhor... Digamos assim... Metodologia;

(5) “de todas essas pessoas: da escola e da família”; e, (6) “o ideal seria das duas

partes. A educação como um todo. É a família e a escola o tempo inteiro, né?”.

O que mais se sobressaiu nos discursos acima foi a atribuição da responsabilidade a ambos, pais e professores. Dessa forma, houve a manutenção do dispositivo repressivo sobre os filhos/alunos que foi distribuída entre a família e a escola.

É bom lembrar que muitos professores eram pais e alguns pais também eram professores. Assim, eles asseguraram o jogo do saber e poder sobre a responsabilidade da educação para a sexualidade, em diferentes instâncias sociais, fosse nos espaços familiares ou

escolares. Isso, geralmente se deu por meio do controle dos enunciados que se refletiam nos comportamentos e atitudes de crianças, adolescentes e jovens em formação.

A princípio, isso contribui com a constituição do sujeito, produz verdades sobre si e o outro e descreve determinados campos do saber e poder. Então, a responsabilidade compartilhada da educação para a sexualidade entre pais e professores estabelece a anuência entre um e outro e, dessa forma, se perpetuam as relações de controle. Assim, as concepções de pais e professores, sobre a responsabilidade da educação para a sexualidade dos alunos, não se distanciam da noção foucaultiana de poder, e isso ocorre independentemente da prerrogativa indicada: pais, professores, escola ou ambos. Então, de acordo com Foucault (2004 apud MELO et al., 2010), o poder se difunde em uma teia constituída por relações quase sempre hierarquizadas e organizadas.

Foi dessa forma que se verificou uma rede de poder, nos discursos proferidos por pais e professores, sobre o privilégio da responsabilidade da educação para a sexualidade. Nos enunciados foram estabelecidas as estratégias discursivas de poder de acordo com os saberes e interesses dos participantes. Assim, não importa a quem tenha sido atribuída a responsabilidade da educação para a sexualidade: aos pais, à família, à escola ou ao Estado, entre outros. Tampouco quem tenham sido os autores de tais concepções, pais ou professores.