Chapter 1 Introduction
1.3 Key reactions in the synthesis of target molecules
1.3.3 Alkoxylation of thiophenes
Para a maioria da equipe técnica e pedagógica não há uma idade específica em que as crianças estariam em condições ou preparadas para a educação para a sexualidade: “eu não
acredito em idade determinada. Eu acho que a cada momento se faz uma abordagem, respeitando a sua faixa etária”, relatou o coordenador disciplinar.
Igualmente, o discurso da diretora pedagógica se direcionou à adequação etária da criança. Para ela, o indivíduo estaria preparado para a educação para a sexualidade a partir do “momento em que a criança demonstre a curiosidade”.
A orientadora educacional do ensino fundamental I foi outra participante que concordou em não haver uma idade específica. Ela relacionou a educação para a sexualidade fazendo uma vinculação com a curiosidade. O seu discurso foi de que a criança estará em condições ou preparada “quando começar a despertar a curiosidade”.
O enunciado da coordenadora pedagógica do ensino fundamental II priorizou a questão da faixa etária: “a gente deve tentar criar parâmetros de faixa etária para poder fazer
um trabalho”. Ao mesmo tempo em que a escola tem turmas maduras, também possui turmas extremamente imaturas. Como exemplo, ela mencionou que, no atual sexto ano, “as crianças
são extremamente imaturas nas brincadeiras” e, ainda, “não despertaram para a
sexualidade”. Por isso, ela considerava “difícil especificar o momento exato” de se iniciar a educação para a sexualidade. Esclareceu que, na escola, eles começam a falar do assunto a partir do sexto ano, “até por acreditar que essa puberdade começa” nessa idade.
Para a orientadora educacional do ensino fundamental II, não existe uma idade específica para o aluno se iniciar na educação para a sexualidade. Ela acreditava “muito na
questão da descoberta do corpo, que acontece lá pelos três ou quatro aninhos”. E essas seriam as idades nas quais as crianças estariam preparadas para a educação para a sexualidade, apesar se não haver uma idade específica.
Os professores possuíam a mesma formação discursiva da equipe técnica e pedagógica. Eles estavam de acordo com o fato de não existir uma idade em que possam ser estabelecidas as condições de preparo para a educação para a sexualidade do aluno. Tudo iria depender do “perfil” da turma.
Por exemplo, na opinião da professora de alfabetização, tornava-se superficial trabalhar um conteúdo específico, de identidade e/ou gênero, se a turma tivesse idade, mas não possuísse um perfil que suscitasse a demanda necessária àquele conteúdo.
O discurso de outra professora envolveu uma complexidade de fatores que, em seu modo de ver, tornava “complicada” a determinação de uma idade em que as crianças estivessem preparadas para a educação para a sexualidade:
depende muito de influência da criação, do ambiente e da sociedade. Se for uma criança de cinco anos que vê, sem querer, um pai tendo relação, que vê um filme pornográfico ou a própria Internet ou uma criança de seis anos, com um irmão de doze que está vendo cenas sexuais, ela poderá acabar vendo aquilo ali, também. Então, hoje, está muito complicado.
Para a professora com alunos na quarta série, deve-se falar o tempo todo sobre “educação sexual” com as crianças, principalmente se surgir dúvida. Porém, relatou que a partir do quinto ano era necessário começar a “falar tudo mesmo”. Diferentemente, o discurso de outra professora, também com alunos na quarta série, foi de que a criança “começa a
despertar a parte da sexualidade muito cedo, mas em níveis diferentes de conhecimento do corpo”. Então, a educação para a sexualidade independe da idade.
O professor de música disse que a idade específica seria “a partir do momento em que
a criança começa a perceber as diferenças”. Para a professora de artes, seria “desde o início
da escolaridade”, de uma “forma natural”. Já a professora de filosofia acreditava que “a
o corpo, entender quais são os aspectos de um possível abuso e entender o que é o limite do corpo”. Por isso, em sua opinião, “já seria um bom começo” se isso viesse “desde a educação
infantil”.
Somente dois dos professores, com turmas no oitavo e nono ano, afirmaram que a idade específica em que as crianças estariam em condições ou preparadas para a educação para a sexualidade seria “a partir dos doze anos” e “dos treze ou quatorze anos”, respectivamente, ou seja, a partir da puberdade. Para uma das participantes, “no oitavo e nono
ano seria o pontapé inicial para você começar a trabalhar, com eles, essa sexualidade e todas as dificuldades ou não que eles tenham a respeito disso. É claro que aí, no caso, o pontapé inicial sempre vem da escola”.
Por sua vez, o discurso dos pais acompanhou a mesma formação discursiva. É importante lembrar que uma formação discursiva é constituída por um conjunto de enunciados pertencentes a determinadas regras para a formação de objetos, modalidades enunciativas e posições do sujeito, conceitos, e, finalmente, estratégias (NORMAN, 2001).
Assim, a maioria dos pais, tal qual a maioria dos professores, também acreditava que não houvesse uma idade específica em que as crianças estariam em condições ou preparadas para a educação para a sexualidade. Eles concordaram que deveria ser respeitada a faixa etária de cada criança, pois a forma na qual a abordagem é feita se torna diferente, não só frente ao aspecto cronológico, mas, também, levando em consideração o amadurecimento emocional da criança.
O discurso de uma mãe, com uma filha no segundo ano, revelou ser “a própria
criança” quem manifesta esse momento. Por exemplo, “em casa, quando a criança começa a
falar sobre isso”, é quando se inicia a educação para a sexualidade. A responsável também considerou importante “não criar um momento específico”, como uma “cerimônia” ou um “ritual”. Para ela, o adulto procurará pontuar as questões da “educação sexual”, sempre que a criança demonstrar interesse.
Até mesmo, na televisão, quando passa uma reportagem em que homossexuais foram agredidos. Ali é o momento de você fazer uma intervenção, de você trabalhar essa questão da educação sexual. E a escola, a mesma coisa. Tem turminha que vai começar com quatro ou cinco anos de idade. Tem a descoberta dos órgãos genitais e têm crianças que ficam lá, consigo mesma, numa boa. Então, é o momento de estar abordando a temática.
O discurso do pai de um aluno do segundo ano apresentou a perspectiva de que não há uma idade específica, uma vez que “o corpo é dele”. Ele disse: “desde pequeno ele se toca.
sobre a energia sexual”. Para o participante, “a energia sexual existe desde o útero da mãe
até o segundo que nos leva ao nosso descanso eterno”.
A mãe de um aluno do terceiro ano pareceu confundir iniciação sexual – ou qualquer outra coisa parecida – com educação para a sexualidade. Ela pensava que a idade girasse em torno dos quatorze anos, mas, hoje, frente às vivências com o filho, baixou a idade para os nove anos. Disse que tudo isso “depende de cada criança. Porque a gente vê que cada uma
vem com o DNA mais aflorado do que a outra”.
Outra mãe considerou que a idade específica fosse caracterizada pelo “ponto a partir
do momento em que a criança tenha curiosidade”. Em sua opinião, os pais deveriam fazer perguntas à criança de acordo com a idade, “de forma muito natural”.
Para outra responsável, tudo iria depender do “desenvolvimento de cada criança”. Ela percebia que algumas crianças tinham “necessidade de curiosidade física”. Algumas apresentavam mudanças corporais mais cedo do que outras. Por isso, acredita que “a própria
criança e os pais vão sentir a época em que isso esteja sendo mais latente nas crianças”. Uma mãe de um aluno do quarto ano não soube responder, precisamente, se haveria uma idade específica para a criança ingressar na educação para a sexualidade, apesar de acreditar que pudesse existir. Também houveram outras respostas variadas que foram fornecidas por diferentes responsáveis, tais quais: “depois do sexto ou sétimo ano”, “desde
que nascem” e “treze ou quatorze anos seriam as melhores idades para absorver”.
Para uma participante, a idade específica em que as crianças estariam em condições ou preparadas para a educação para a sexualidade deveria estar “de acordo com o
amadurecimento do indivíduo”. Falou, diretamente à pesquisadora, que “apesar de sua
pesquisa ser para o ensino fundamental, as crianças de três ou quatro anos já perguntam algumas coisas”, sugerindo, assim, que a educação para a sexualidade nas escolas poderia ocorrer antes mesmo deste período.
A mãe, com uma filha no sétimo ano, respondeu que não existe uma idade específica em que as crianças estariam preparadas para a educação para a sexualidade. Para ela, o tema deveria ser abordado “em toda a educação e em todo o processo educativo, desde o começo”. Principalmente, “se as curiosidades estão sendo esclarecidas de forma simples, para que a
criança tenha o entendimento, você já está discutindo a ‘educação sexual’”. Então, a idade é
“desde sempre”.
Por fim, o pai com uma filha no nono ano, também disse que não há “uma idade
Ele concluiu: “então, para cada faixa etária, a gente tem uma maneira de esclarecer”, ou seja, “de pontuar o assunto da sexualidade dentro da sua medida”.
Encerrando, o quadro abaixo apresenta o resumo das principais categorias de respostas de pais e professores sobre a investigação da possibilidade de uma idade específica em que as crianças estariam em condições ou preparadas para a educação para a sexualidade.
Quadro 14 – Idade e condições das crianças na educação para a sexualidade
DISCURSO DE PAIS, PROFESSORES E EQUIPE TÉCNICA E PEDAGÓGICA