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Ao se fazer as leituras nos textos dos artigos, e após várias análises, considerou-se importante investigar qual a declaração que o autor faz com relação ao método escolhido para sua pesquisa, uma vez que foi constatada a presença forte do termo estudo de caso. Ao fazer uma busca simples por este termo no software NVivo, teve-se como resposta 84 (oitenta e quatro) artigos com 247 (duzentas e quarenta e sete) frequências. Desta forma, considerou-se importante investigar melhor o que esses números representam de fato.

Esta análise ocorreu por meio da busca do Nó ‘metodologia’ e foram codificados 164 (cento e sessenta e quatro) artigos com 197 (cento e noventa e sete) referências. Isto ocorreu porque em alguns casos, no mesmo artigo o autor declarava o uso de métodos diferentes. Outra consideração é o fato de não estar explícito a declaração do uso do método. Isto explica o fato de não ter os 191 (cento e noventa e um) artigos codificados. Assim, alguns aspectos que chamaram a atenção desta autora foram para os seguintes trechos selecionados:

O artigo em questão trata de um estudo de caso, baseado em uma pesquisa-ação com busca bibliográfica realizada em autores nacionais e internacionais com publicações em periódicos, congressos e livros e na aplicação do modelo proposto por Mânica e Favaretto(MÂNICA, KOVALESKI e BRAGUINI JUNIOR, 2010).

Outro fragmento de texto sobre o método utilizado na pesquisa.

O estudo de caso foi utilizado como base deste trabalho. Yin (2001) define o estudo de caso como uma estratégia de pesquisa que busca examinar um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto ... O presente estudo também utilizou a metodologia da pesquisa-ação que se caracteriza, de acordo com Thiollent (1985), em um tipo de pesquisa onde ocorre a participação e uma forma de ação planejada de caráter social, educacional, técnico ou outro e onde há uma interação ampla e explícita entre pesquisadores e pessoas implicadas na situação investigada (TREVISAN, et al., 2008).

E por fim, um terceiro exemplo.

Para verificar a aplicabilidade do modelo foi realizada uma pesquisa-ação, uma variante do estudo de caso, com a diferença que no estudo de caso o observador é independente não interfere nos eventos ou dados observados, já na pesquisa –ação, o observador é participante da implementação de um sistema (Westbrook,1994) (PRANCIC e TURRIONI, 2002)

Pode-se notar pelas declarações que ainda existe certa confusão por parte dos pesquisadores com relação aos métodos de pesquisa. Portanto, ao buscar responder a questão: “o pesquisador tem conhecimento do que é de fato a pesquisa-ação?” foi encontrado um resultado um tanto quanto preocupante, uma vez que dos 164 (cento e sessenta e quatro)

artigos codificados, 58 (cinquenta e oito) dizem realizar estudo de caso, e ainda utilizar estudo de caso e pesquisa-ação. Quando buscado o Nó ‘metodologia’, foram encontrados 36 artigos que declararam o uso de ambos os métodos. Por meio de uma leitura dos fragmentos dos textos codificados, pode-se confirmar esta confusão. Segue alguns fragmentos de textos selecionados com estas características.

O estudo de caso abordado é derivado de uma pesquisa-ação de quase três anos realizada em uma grande empresa multinacional, fabricante de compressores herméticos para refrigeração (BARBOSA e SACOMANO, 2001).

Outro fragmento selecionado:

A evidência empírica é baseada em um estudo de caso em uma industria eletrônica localizada em Contagem (MG). A metodologia adotada no estudo de caso foi a pesquisa-ação (GUZMAN e TRIVELATO, 2003).

E por fim, outro fragmento:

A metodologia utilizada na realização deste trabalho é a chamada pesquisa-ação ou de observação participante (Dane, 1990). Nela o pesquisador participa diretamente, ou está envolvido com os eventos e/ou fenômenos observados. Assim, para a coleta de dados apresentados no estudo de caso foram utilizadas análises documentais e, principalmente, a observação direta adquirida pelo dia-a-dia dos pesquisadores (CANCHERINI, MIOTTO e LEOPOLDINO, 2007).

Existem casos em que no próprio título do artigo é declarado existir um estudo de caso, porém no corpo do mesmo, tem a declaração do uso da pesquisa-ação. Por exemplo: no artigo intitulado Formação de estratégias em pequenas empresas: um estudo de caso, o autor declarou que “o método pesquisa-ação pareceu ser o mais adequado para o desenvolvimento deste estudo”. Outro exemplo: no artigo de título Contribuições do método QFD para melhoria da qualidade nos processos de produção: um estudo de caso, o autor declara que “realizou-se um estudo de caso em uma empresa de produção intermitente de embalagens plásticas, localizada no Sudoeste do Estado do Paraná. Utilizou-se a estratégia de pesquisa-ação”.

Estas narrativas apenas mostram que de fato ainda existe certa confusão com relação às metodologias de pesquisas na área de Engenharia de Produção, pois ao analisar estas declarações pode-se concluir que a análise realizada por Nakano (2010) continua atual, no que refere a necessidade de contínuo oferecimento de cursos voltados para a disciplina de

Metodologia de Pesquisa, seja para cursos de graduação ou pós-graduação em Engenharia de Produção no Brasil. Talvez esta medida traga em um curto espaço de tempo, o amadurecimento necessário aos pesquisadores nacionais em Engenharia de Produção com relação aos usos dos métodos que devem ser aplicados na área, especialmente quando se trata de estudo de caso e pesquisa-ação.

Situação típica que acaba confundindo o autor: o fato de fazer uma pesquisa na prática, em uma empresa onde terá acesso e condições de atuar para se chegar aos resultados desejados, os autores dizem realizar um estudo de caso por meio da estratégia da pesquisa- ação. Colocando assim, a pesquisa-ação no patamar das técnicas de pesquisa, tais como entrevista e questionários.

4.3.1 Outras declarações de uso do método

É necessário destacar os termos correlatos à pesquisa-ação e que foram objeto de estudo no Capítulo 2 desta tese. São eles: metodologias participativas, pesquisa participativa, pesquisa participante e aprendizagem ação.

Foi realizado uma busca simples pelos termos no software NVivo. Assim, o termo metodologias participativas apareceu em nove artigos. A árvore de palavras que se formou está no Apêndice C, o que ajuda a entender melhor as suas características.

O primeiro artigo em que o termo apareceu é de 1997, onde o autor faz um chamado para a comunidade acadêmica em Engenharia de Produção para desenvolverem pesquisas utilizando metodologias participativas, dizendo para incorporarem os trabalhadores nas atividades industriais.

Na sequência, os artigos que vem com o uso explícito de metodologia participativa, tem seu foco de pesquisa em comunidades carentes que desenvolvem algumas atividades específicas, seja por meio de cooperativas ou não. Nestes casos, é muito evidente a área de pesquisa, uma vez que responsabilidade social e sustentabilidade estão diretamente ligadas às comunidades. Assim, o que também é diferente dos demais artigos é que estes trazem os detalhes de como ocorreram as ações e consequentemente as mudanças, descrevendo também o processo de aprendizagem, por meio da ação-reflexão, ou por meio das próprias mudanças em si.

Com o termo pesquisa participativa, não foi diferente. Uma das razões que motivam o uso da pesquisa participativa está a seguir:

A metodologia que está sendo adotada para o desenvolvimento do projeto é do tipo pesquisa participativa, onde há um incentivo a promoção do trabalho coletivo dos grupos de pesquisadores, de profissionais das instituições parceiras e das empresas envolvidas, para que esses possam identificar, resolver problemas e desenvolver estratégias de forma ativa na produção de conhecimentos (BROCHADO et al., 2002).

Nota-se pelo fragmento de texto extraído a seguir, a consciência com relação à proximidade da pesquisa-ação e da pesquisa participativa.

foi utilizado como instrumento metodológico a pesquisa-ação, diante das características em comum entre esta e a pesquisa participativa. Dessa forma, os pesquisadores atuaram como integrantes do processo a fim de conhecer melhor o contexto do núcleo, para que as soluções de sustentabilidade geradas tenham grandes probabilidades de se adequarem ao processo produtivo da renda (DE ALMEIDA et al., 2009).

Ao ler a codificação realizada no Nó ‘metodologia’, o método pesquisa participante aparece envolvido com outros métodos, de tal maneira que a declaração do uso para a referida pesquisa é a pesquisa participante. Porém, como o pesquisador e pesquisado têm uma relação próxima e pertencem ao mesmo ambiente de trabalho, “a pesquisa-ação foi a ferramenta metodológica usada no estudo de caso”. Esta declaração apenas reforça a confusão que existe na comunidade acadêmica em Engenharia de Produção com relação a qual método de pesquisa é o adequado para a investigação que está sendo realizada. Pelo menos quando se trata de pesquisa-ação.

Já o termo aprendizagem ação não aparece nos artigos como um método específico, mas como um processo de aprendizagem decorrente do uso da pesquisa-ação. Ou ainda, por citação de obra que tem esse tema como título.