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A partir da perspectiva do pesquisador ação, para Westbrook (1995), o desafio da validade de pesquisa consiste em definir e cumprir padrões de rigor adequados, sem sacrificar relevância. Assim, os pesquisadores ação deverão tomar providências para

assegurar, tanto quanto é possível, dado o papel central da intervenção, que seu método de pesquisa é rigoroso e os seus resultados gerais. Para o autor deve haver um critério para documentar a pesquisa em um projeto de pesquisa-ação, que seja suficiente para ser utilizado por outros pesquisadores. A subjetividade, que é a principal fraqueza metodológica da pesquisa-ação, pode ser atenuada se houver uma equipe de pesquisadores, para reduzir preconceitos pessoais no local de trabalho.

Como será apresentado no item 2.5, o positivismo é baseado em um critério de replicação. No entanto, a replicação não é um critério científico da pesquisa-ação. Desse modo, Rasmussen (2004), apresenta outros critérios para validar a pesquisa, a saber: transparência, consistência e validade.

A transparência é a preocupação com as decisões e escolhas dos métodos que

deve ser explicitado e deve ser compreensível para os que não são participantes de um projeto de pesquisa-ação. A preocupação relacionada aos critérios é no embasamento dos projetos de pesquisa-ação no sentido de serem elaborados com primor e qualidade. Para tanto, também devem ser metodologicamente consistentes. Isto é, deve haver uma lógica de relacionamento entre a fixação do problema e os métodos usados para coletar e analisar o material empírico. Para se ter confiança no valor dos dados, é preciso considerar as seguintes perguntas para cada fonte de arquivamento: a) quem coletou os dados?; b) quando foram coletados?; c) que tipo de dados foi coletado?; d) por que foi que coletou tais dados? (COGHLAN e BRANNICK, 2001). Os critérios de transparência e consistência são, talvez, mais fáceis de acordar, mas não sempre tão fáceis de cumprir, porque os participantes podem estar mais interessados em implementar os resultados em vez de participar no demorado processo de documentação. De maneira específica, transparência e consistência dependem da educação e da experiência prática do pesquisador comportar-se reflexiva, sistemática e enfaticamente, enquanto ele está colaborando com os co-pesquisadores. E por fim, a pesquisa-ação deve ser aplicável a alguns critérios de validade, que devem ser explicitadas e utilizadas posteriormente para avaliar os resultados do processo de pesquisa-ação. Validade na pesquisa- ação aborda a questão: ''Eu estou fazendo um bom trabalho?'' Mas que critérios são os critérios de ''boa obra'' em pesquisa-ação?

Nesse sentido, Reason e Bradbury (2001) sugerem cinco critérios de qualidade: práxis relacional; resultado prático reflexivo; pluralidade de saber; engajamento significativo no trabalho; e investigação emergente para consequências duradouras.

A práxis relacional centra-se no processo de aprendizagem de capacidades

sociais. Por exemplo, como a participação na pesquisa-ação melhora os participantes? Um

resultado prático-reflexivo direciona novos modos de agir e de pensar. Por exemplo, a

pesquisa-ação promoveu habilidades para os participantes refletirem a sua própria forma de comportamento? Aumentou a auto-eficácia através de uma nova consciência? Será que influenciou sua forma de manipulação na sua vida cotidiana?

Uma pluralidade de saber diz respeito à aceitação de diferentes formas de

conhecer, o que pode complementar o outro. Por exemplo, pesquisa-ação não se restringe às palavras orais ou escritas, mas pode utilizar técnicas e ferramentas do mundo da fotografia, da dança, vídeo e teatro. Como Heron (1996) salienta, pode-se articular o mundo em pelo menos quatro formas interdependentes:

a) saber experimental, que se baseia na empatia através de um encontro direto face a face com outra pessoa;

b) saber presentacional que se desenvolve a partir do conhecimento experimental e prevê formas de expressão, por exemplo, por meio de fotos, dança, esculturas e histórias;

c) saber proposicional baseia-se em conceitos analíticos e em reflexão intelectual; d) e, finalmente, saber prático consuma as outras formas de saber.

Na pesquisa-ação, estes quatro modos de saber devem ser congruentes um com o outro. Por exemplo, o desenvolvimento do conhecimento em pesquisa-ação é supostamente mais válido, se for fundamentado nas experiências de co-pesquisadores (atores), expressa através de imagens e histórias, interpretadas através de quadros teóricos, transformados e expressos em ações no cotidiano desses co-pesquisadores (HERON e REASON, 2001). Os autores vão além do paradigma positivista afirmando que o conhecimento não é apenas uma prerrogativa acadêmica do pesquisador, mas também uma questão com base em experiências de vida dos outros participantes.

O quarto critério de validade, o engajamento significativo no trabalho, aponta a questão: como que o pesquisador ação e o co-pesquisador retribuem explicitamente a sua opção de utilizar os seus esforços? Por que é que vale a pena estar envolvido na área do problema escolhido? Naturalmente, todos os pesquisadores ação e co-pesquisadores abordam questões que eles acreditam ser importantes. No entanto, por que são importantes nem sempre é feita de forma explícita para si e para os não-participantes.

O quinto critério de validade, investigação emergente para consequências

duradouras, aborda a questão de efeitos em longo prazo do projeto de pesquisa-ação. Por

exemplo, se o projeto criar novas relações de poder ou de padrões de comunicação elas continuam a existir mesmo depois que o pesquisador ação saiu de cena? Embora muitas iniciativas de projetos de pesquisa fossem realizadas em pequenos grupos ou áreas locais, a pesquisa-ação também deve ser avaliada como evolucionista, e sintetizar a forma de investigação.

Os cinco critérios de validade da pesquisa-ação, que foram descritos, não são critérios no sentido de "falso” ou “verdade”. Mas eles são úteis na ampliação 'da largura de banda da validade' (REASON e BRADBURY, 2001). Ao utilizar os cinco critérios, em vez de apenas um ou alguns deles, o pesquisador ação e co-pesquisadores são desafiados a combinar as perspectivas de aprendizagem individual e organizacional com desenvolvimento em nível da sociedade em termos mais curtos, bem como em prazos mais longos. Em resumo, para os autores, se os critérios de transparência, consistência e validade forem levados a sério, a abordagem de pesquisa-ação é uma abordagem científica intimamente relacionada à prática social.

A Tabela 2 apresenta uma visão das características da pesquisa-ação associadas às principais questões de validade relacionadas às suas dimensões de participações.

Tabela 2: Ampliando a largura de banda da validade

Dimensões de uma

‘cosmovisão’ participativa Características da pesquisa-ação Questões de validade e qualidade

Realidade participativa evolucionária Forma de desenvolvimento emergente Questões de emergência e consequência duradoura Significado e propósito Prosperidade humana Questões sobre o significado Epistemologia estendida Conhecimento em ação Questões sobre as formas

plurais de saber Prático de ser e de agir Questões práticas Questões de resultado e prática Forma ecológica relacional Participação e democracia Questões de prática relacional Fonte: Reason e Bradbury (2001)

As características apresentadas ao longo deste capítulo permitem entender melhor qual é o real e efetivo objetivo que a pesquisa-ação tem como método de pesquisa. Ou seja, a pesquisa-ação surge da necessidade de superar a lacuna entre teoria e prática. Uma das características deste tipo de pesquisa é que através dela se procura intervir na prática de modo inovador já no decorrer do próprio processo de pesquisa e não apenas como possível

consequência de uma recomendação na etapa final de um projeto. Mas, como a pesquisa-ação é considerada pela filosofia da ciência?