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As décadas de 60 e 70 marcaram o início da utilização do computador para automatizar processos básicos nas empresas. Dentre tais processos podem ser citados a contabilidade, controle de estoques e entrada de pedidos. A expectativa dos gestores era de que as técnicas de pesquisa operacional seriam as próximas a serem automatizadas, função da simples extrapolação da cultura emergente.

McGEE e PRUSAK (1994) apontam que os primeiros autores que trataram dos SI/TI, e da organização, imaginaram que a tecnologia da informação teria o potencial e o poder para levar informação imediata dos setores mais remotos da empresa até as salas dos executivos, onde sua importância poderia ser imediatamente compreendida e medidas apropriadas adotadas prontamente.

MARTINEZ (2002) aponta que o ”papel dos executivos na organização é tomar decisões sobre as atividades diárias que levem ao sucesso num futuro incerto. Essa é uma tarefa que está intimamente ligada à informação”.

Com o passar do tempo o mito de que o computador e a computação empresarial seriam a “panacéia” para a solução dos problemas corporativos veio ao chão: os computadores são incapazes de tomar decisões e gerar, de

per si, inteligência de negócios. Com o tempo, os computadores e a

computação empresarial provaram poder ser valorosos aliados dos executivos, se associados à gestão organizacional e alinhados às estratégias da organização.

A abreviatura SI/TI, ao longo deste texto, é utilizada para representar os subsistemas do sistema organizacional, relacionados com o emprego da informática, da computação, e de todas as tecnologias e sistemas de informação digital a serviço da gestão administrativa. O conceito possui um sentido mais amplo que os anteriormente citados, extrapolando o mero tecnicismo do uso de computadores, ensejando a aplicação computacional a serviço da organização, enquanto ferramenta de racionalização do trabalho. O termo SI/TI pode ser entendido também, como sendo a junção de dois conceitos singulares identificados na bibliografia:

2.1.8.1 Sistemas de Informação (SI)

Refere-se a uma combinação organizada de pessoas, processos e regras de negócios, incluindo todas as tecnologias de hardware, software, redes de comunicação e técnicas de gerenciamento de dados que coletam, transformam e disseminam a informação numa organização.

STAIR (1998) apresenta o sistema de informações como sendo “uma série de elementos ou componentes inter-relacionados que coletam (entrada), manipulam (armazenamento) e disseminam (saída) dados e informações”. Na visão do autor, um SI não está necessariamente apoiado por “processos informatizados”, podendo até mesmo se referir a um conjunto manual de procedimentos, tal como um sistema de protocolos, ou até mesmo um procedimento contábil.

Já OLIVEIRA (2000) apresenta o SI como sendo um conjunto de métodos formais para tornar disponíveis para a administração, oportunamente, informações precisas e necessárias para facilitar o processo de decisão, dando condição para que sejam executadas eficazmente as funções de planejamento, controle e excussão. Vide figura “3”.

Figura 3 - o papel dos SI no contexto organizacional. (Fonte: Oliveira, 2000)

Tratando do provimento de informações pertinentes ao processo de tomada decisão de cada nível organizacional, STAIR (1996) apresenta uma subdivisão dos Sistemas de Informações (SI) de acordo com os níveis decisórios: sistemas de processamento de transações (SPT), sistemas de informações gerenciais (SIG) e sistemas de apoio à decisão (SAD).

2.1.8.2 Sistemas de Processamento de Transações

O sistema de processamento de transações (SPT) é utilizado para registrar transações de negócios, tais como o volume de vendas de um supermercado ou a folha de pagamento de funcionários de uma empresa. O SPT automatiza rotinas de gestão administrativa que antes representavam tarefas “trabalho intensivas”, envolvendo processamento de grandes massas de dados. STAIR (1997) indica que o sistema de folha de pagamentos foi um dos primeiros SPT a serem desenvolvidos para as organizações.

2.1.8.3 Sistemas de Informações Gerenciais

Dirigido aos níveis gerenciais de controle e de unidades de negócios na empresa, os sistemas de informações gerenciais (SIG) focalizam a eficiência operacional das áreas funcionais, integrando informações comuns de diversos segmentos da organização, principalmente através bancos de dados. As áreas

funcionais integradas podem ser: marketing, contabilidade, finanças, recursos humanos e vendas, entre outras.

O SIG pode auxiliar a organização a atingir suas metas, fornecendo aos administradores uma visão das operações normais da empresa, de modo que os dirigentes possam controlar, organizar e planejar da forma mais eficiente. Suas saídas costumam ser apresentadas sob a forma de relatórios programados (sob solicitação e “de exceção”), gráficos de desempenho e planilhas gerenciais, obtidas principalmente a partir dos SPT.

2.1.8.4 Sistemas de Apoio à Decisão

Um sistema de apoio à decisão (SAD) dá suporte à tomada de decisão relacionada com processos empresariais de valor agregado. O SAD vai além das informações gerenciais tradicionais que produzem apenas relatórios. Ele fornece assistência imediata na solução de problemas complexos e que não podem ser auxiliados pelos SIG tradicionais. Os SAD sugerem alternativas, dando real assistência às decisões finais. Tais sistemas possuem como principais características a capacidade de manipular grandes volumes de dados; obter e processar dados de diversas fontes; proporcionar flexibilidade na apresentação das informações; executar análises estatísticas complexas; oferecer orientações textuais e gráficas; otimizar a heurística no processamento; e oferecer recursos de análise e simulação para que as metas empresariais sejam atingidas.

A figura “4” apresenta a relação entre os níveis de decisão e os sistemas de informação na gestão administrativa:

Figura 4 - relação entre os níveis de decisão e os sistemas de informações na gestão. (Fonte: Oliveira, 2000).

2.1.8.5 Tecnologia da Informação (TI)

CRUZ (1998) define a TI como sendo todo e qualquer dispositivo (hardware, software, redes de comunicações, bancos de dados, etc...) que tenha capacidade de tratar dados e/ou informações, tanto de forma sistêmica como esporádica, quer esteja aplicado a um produto ou a um processo. O autor aponta ainda que a TI não era assim chamada quando do início da sua utilização nas organizações, estando associada a outros termos: computadores, informática, sistemas de tratamento de informações, máquinas de processar dados e telemática. Depois de passar por todas essas denominações, adquiriu o significado atual.

Para LAURINDO (2002), o termo TI se firma a partir da década de 80, substituindo as expressões “informática” e “processamento de dados”, anteriormente de uso comum e disseminado. O conceito abrange termos que se referem a computadores, telecomunicações e ferramentas de acesso a recursos de informação e multimídia.

MARTINEZ (2002) sugere que a TI nada mais é do que “a preparação, coleção, transporte, recuperação, armazenamento, acesso, apresentação e

transformação (processamento) de informação em todas suas variadas formas: voz, gráficos, texto, vídeo, dados, imagem, e animação”. Aponta ainda que a movimentação de informação pode acontecer entre humanos e máquinas.

A TI, de acordo com GRAEML (2000), por si não vale de nada para o negócio e a organização. Na visão do autor, o mais importante é como a informação é gerada e é capaz de proporcionar melhor atendimento às necessidades institucionais.

A TI, no contexto organizacional, pode ser entendida como um conjunto de ferramentas cujo propósito é fornecer um recurso poderoso para a racionalização e otimização dos processos de negócios e para a construção, composição e sustentação de vantagens competitivas para a organização. Ela reduz custos e imprime rapidez à tomada de decisão, aumentando a produtividade. No presente estudo é considerado que a TI de per si não proporciona mudanças organizacionais significativas, tão somente oferece um canal para a articulação dos processos de gestão administrativa.

2.1.9 Modelos de Avaliação de Eficiência e Eficácia de SI/TI nas