Protokoll om eksplosive krigsetterlatenskaper til Konvensjon om forbud mot eller restriksjoner på bruk av visse konvensjonelle våpen som kan forårsake
Article 11 Compliance
As características anatómicas do trato vocal do falante determinam a gama de efeitos espectrais que o falante pode, potencialmente, controlar acusticamente: na frequência dos
A dinâmica vocal envolve variações que estão associadas ao mecanismo de funcionamento vocal denominadas de parâmetros de perturbação. Essas variações são menores nos falantes normais e maiores nos falantes com disfonia. A F0 pode variar de ciclo a ciclo durante a emissão sustentada. O comprimento e a amplitude dos ciclos vibratórios revelam pequenas variações nas suas formas, frequência e amplitude e, nesse sentido, deve falar-se em ondas quase periódicas e não periódicas. Essa quase periodicidade dependerá do falante, ou seja, das suas características neurolaringológicas (Behlau et al., 2001). A perturbação de F0 ou jitter diz respeito a irregularidades associadas ao padrão de vibração das pregas vocais a curto-prazo, medida entre ciclos glóticos vizinhos. A variabilidade associada ao jitter é consequente das características biomecânicas das pregas vocais e das variações do controlo neuromuscular (Colton et al., 2010). Assim, os valores da variação de F0 em falantes normais podem resultar de uma pequena variação na massa ou na tensão das pregas vocais, na distribuição do muco sobre as pregas vocais e/ou na atividade muscular ou neural envolvida. Contudo, perante uma patologia vocal, verifica-se um aumento da aperiodicidade, refletida no aumento dos valores de
jitter (a magnitude do valor deste parâmetro acústico reflete a extensão da alteração encontrada)
(Behlau et al., 2001). Por seu turno, a variabilidade de amplitude da onda sonora a curto termo, ou shimmer, representa irregularidades na amplitude dos ciclos glóticos, de ciclo a ciclo. Essas irregularidades mínimas acontecem na voz associadas ao controlo da saída de ar e à intensidade da emissão, por mais estável e sustentada que seja a vogal produzida. Assim, o valor deste parâmetro tende a ser mais elevado em falantes disfónicos mas também em vozes mais graves e de baixa intensidade (Behlau et al., 2001; Colton et al., 2010).
Considerando estes aspetos, a análise acústica ou análise espectral é fundamental na caracterização da influência extralinguística na produção vocal de um determinado falante. A avaliação acústica visa quantificar e caracterizar o sinal sonoro (Teles & Rosinha, 2008). É especialmente importante, pois assume-se como um instrumento não invasivo e tem a capacidade de fornecer dados quantitativos (Eadie & Doyle, 2005; Parsa & Jamieson, 2001).
Vários parâmetros acústicos têm sido utilizados na prática clínica para a avaliação da função vocal. Os parâmetros considerados no âmbito deste estudo (Capítulos 2 e 4) são os apresentados seguidamente e caracterizados na Tabela 2. As medidas da dinâmica vocal são: F0, desvio padrão da frequência fundamental (DP F0), primeiro, segundo, terceiro e quarto formantes (F1, F2, F3, F4) e intensidade do sinal acústico. As medidas de perturbação vocal são: jitter e shimmer. Por fim, a única medida de ruído espectral considerada é o índice
Tabela 2. Caracterização de cada um dos parâmetros considerados na avaliação de produção. Parâmetro Caracterização Me d id as d a d in âm ica v o ca l F0:
É um parâmetro físico resultante da vibração das pregas vocais por unidade de tempo (Guimarães, 2007), sendo dependente de:
Idade e sexo, sendo mais elevada nas mulheres, comparativamente aos homens, existindo uma diminuição do nível médio de F0 ao longo da vida e novamente um aumento no início da velhice, para ambos os sexos (Andrews, 2006; Baken & Orlikoff, 2000; Guimarães & Abberton, 2005; Russel, Penny & Pemberton, 1995; Sussman & Sapienza, 1994).
Comportamento vocal, ou seja, existe uma correlação entre F0 e a posição da língua na realização de segmentos vocálicos, sendo que a F0 é mais elevada para as vogais mais altas, como [i] e [u], do que para as vogais mais baixas, como [a]. Geralmente F0 da vogal [u] é ligeiramente mais elevada do que da vogal [i] (Baken & Orlikoff, 2000; Guimarães & Abberton, 2005; Russel et al., 1995).
Perturbação vocal/disfonia (Guimarães & Abberton, 2005; Klingholtz, 1990; Murry, Brown & Morris, 1995).
DP F0:
Representa a variabilidade de F0, sendo natural uma certa variabilidade na fala normal; Situações de stresse emocional podem indicar maior variabilidade de F0 ou,
excecionalmente, menor variabilidade (Behlau et al., 2001). F1, F2, F3 e F4:
Representam as frequências naturais de ressonância do trato vocal, na posição articulatória específica da vogal falada,
A descida da laringe nos homens resulta em formantes mais baixos e em menor dispersão (Fitch & Giedd, 1999),
Há evidências que associam a dimensão corporal (peso e estatura), o tamanho do trato vocal e os formantes, em homens e mulheres (Fitch & Giedd, 1999).
Intensidade:
Relaciona-se diretamente com a pressão subglótica, com a resistência das pregas vocais à pressão e com a configuração do trato vocal (Guimarães, 2007).
Me d id as d e p er tu rb aç ão Jitter:
Indica a variabilidade da F0 a curto prazo, medida entre ciclos glóticos vizinhos (Behlau et al., 2001);
É aceitável um pequeno grau de variabilidade não voluntária na F0, associada a fatores neurológicos, emocionais e biomecânicos (Brockman, Drinnan, Storck & Carding, 2011; Guimarães, 2007), nomeadamente:
Acoplamento da região glótica e supraglótica, afetando a dinâmica da pressão acústica; distribuição do muco durante a vibração; composição e assimetria da prega vocal; falha na manutenção da contração da musculatura vocal;
A sua magnitude reflete a extensão da alteração encontrada (Behlau et al., 2001). Shimmer:
Quantifica as alterações mínimas de amplitude do sinal (Guimarães, 2007); Geralmente é mais elevado nas alterações laríngeas (Behlau et al., 2001);
Apresenta valores mais elevados nas frequências graves e de baixa intensidade (Behlau et al., 2001). Me d id as d e íd o esp e ctr al HNR:
Relaciona a componente harmónica versus a componente de ruído da onda acústica (Behlau et al., 2001; Guimarães, 2007);
Uma voz saudável caracteriza-se por uma relação HNR elevada (Guimarães, 2007);
No âmbito da avaliação da produção devem ser realizadas considerações quanto ao material vocal alvo de análise. Uma breve consulta de estudos de investigação nesta área (apresentados seguidamente) permite verificar que as vogais sustentadas e a fala encadeada são comportamentos vocais analisados frequentemente, quer na análise acústica, quer na análise áudio-percetiva.
Quanto a tarefas de sustentação vocal, têm sido analisados os seguintes segmentos: [a] foi considerado em Awan e Roy (2005), Brinca, Batista, Tavares, Gonçalves e Moreno
(2013), Brockman, Drinnan, Storck e Carding (2011), Dehqan e Scherer (2013), Dogan, Eryuksel, Kocak, Celikel e Sehitoglu (2007), Guimarães e Abberton (2005), Hakkesteegt, Brocaar, Wieringa e Feenstra (2008), Lopez et al. (2013), Ortega, Cassinello, Dorcaratto e Leopaldi (2009), Parsa e Jamieson (2001) e em Teles e Rosinha (2008);
[a:] fez parte dos procedimentos de Bele (2005), Pribuisiene, Uloza, Kupcinskas e Jonaitis (2006) e em Wuyts, De Bodt e Van de Heyning (1999);
[ɐ] foi considerado por Vaz Freitas, Pestana, Almeida e Ferreira (2013) bem como por Yu, Ouaknine, Revis e Giovanni (2001);
[ɛ] fez parte do corpora de Lopes, Lima, Almeida, Cavalcante e Almeida (2012);
[i] foi analisado por Brockman et al. (2011), Guimarães e Abberton (2005) e por Wolfe e Martin (1997);
[o] foi analisado por Brockman et al. (2011);
[u] foi considerado em Guimarães e Abberton (2005) e em Wolfe e Martin (1997).
Quanto à fala encadeada, as tarefas adotadas em procedimentos de diversos estudos são: Leitura (Bele, 2005; Brinca et al., 2013; Dogan et al., 2007; Eadie & Doyle, 2005;
Guimarães & Abberton, 2005; Parsa & Jamieson, 2001; Pribuisiene et al., 2006; Schaeffer & Sidavi, 2010; Wuyts et al., 1999; Zraick, Wendel, & Smith-Olinde, 2005);
Contagem (Bhuta, Patrick, & Garnett, 2004; Lopes et al., 2012; Lopez et al., 2013);
Conversação acerca dos próprios falantes que fizeram parte da amostra (Lopez et al., 2013), sobre uma imagem (Zraick et al., 2005) ou não especificado (Guimarães & Abberton, 2005; Schaeffer & Sidavi, 2010).
A análise acústica com base em vogais sustentadas tem algumas vantagens: o contexto de aquisição é mais controlado, facilitando a perceção e a (con)fiabilidade da sua análise (Parsa & Jamieson, 2001; Santos, 2009) e representa uma condição relativamente estável do sistema de fonação (Guimarães & Abberton, 2005). Por outro lado, a dinâmica de funcionamento dos
Guimarães e Abberton (2005), a adoção de tarefas de leitura é importante, porque permite a obtenção de corpora com o mesmo conteúdo linguístico, permitindo ainda a comparação entre estudos. As tarefas de conversação garantem uma maior representatividade das características vocais (pitch habitual) em contexto de fala espontânea (Guimarães & Abberton, 2005).