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5 Model simulation results

5.5 Comparison with national targets

No município de Mariana-MG, há 27 escolas municipais, 14 localizadas na zona rural e 13 localizadas na zona urbana. Consoante a Secretaria Municipal de Educação de Mariana (SME), não são todas as escolas que possuem Laboratório de Informática, no entanto, todas têm internet. O principal meio de comunicação entre as instituições e a secretaria é por e- mail. Então, mesmo que a escola não tenha rede fixa de telefone, há como trocar informações via internet. A secretaria também nos informou que as escolas não têm site, todavia, a maioria dispõe de uma página no Facebook. A secretaria não tem site próprio, apenas uma página no Facebook10, que foi criada em 2016. Portanto, de acordo com nossas pesquisas, a Secretaria de Educação de Mariana e as escolas municipais não possuem site.

Já na rede estadual há um total de 12 escolas, seis localizadas em distrito e seis alocadas na zona urbana. De acordo com informações da Superintendência de Ensino de Ouro Preto (SRE-OP), todas as escolas estaduais de Mariana têm Laboratório de Informática, com exceção de uma, localizada na área urbana do município, por motivos de infraestrutura. Embora todas as escolas tenham laboratório, alguns ainda não funcionam ou estão em reforma. O funcionário responsável pela área de Computação da SRE-OP nos disse que, a partir de março de 2018, todas as escolas estaduais receberiam um domínio para montar seu site, entretanto, com normas preestabelecidas. Hoje, o que existe é um diário escolar digital no qual professores podem colocar as notas dos alunos e também postam suas atividades diárias. No site11 das

escolas estaduais encontramos as áreas de acesso que são para os responsáveis, estudantes e professores. Contudo, somente os alunos e os professores, até a presente data, tinham acesso às informações do diário, porque os pais ainda não haviam sido cadastrados. De acordo com a SRE-OP, elees serão cadastrados em 2019.

Com relação às escolas particulares, existem 13 no total, todas localizadas na sede do município. Dessas 13 escolas particulares, cinco12 contam com sites que serão analisados de

10 Endereço da página do Facebook da Secretaria Municipal de Mariana:

https://www.facebook.com/educacaomariana/.

11 Site que contém os diários eletrônico das escolas estaduais:

http://www.diarioescolardigital.educacao.mg.gov.br/diarioeletronico-frontend/.

12 O Instituto Bloquinhos Mágicos Prisma produziu seu site recentemente, depois de iniciada a pesquisa. Por isso,

não tivemos tempo de incluí-lo no estudo. O nome atual da escola é Colégio Flecha e seu site está disponível em: https://colegioflecha.com.br/.

modo geral (Adjetivo CETEP, Centro Educacional Arte do Saber, Centro Educacional Getsêmani, Colégio Providência e Escola Teixeira Dias). Neste capítulo, realizamos nossas análises em duas etapas. Na primeira, fizemos uma discussão sobre a necessidade social e cultural de se ter um site. E, na segunda, descrevemos analiticamente, por intermédio dos dados coletados, como os sites são percebidos pela comunidade.

Lembramos que são cinco sites existentes, porém coletamos os dados de duas escolas que autorizaram a pesquisa como a propusemos. Vale ressaltar que as outras escolas que procuramos aceitaram nossa pesquisa, porém parcialmente. Então, para que nossos objetivos fossem completamente atendidos, decidimos recorrer às escolas que concordaram em realizar a pesquisa com todos os instrumentos de coleta.

Sendo assim, coletamos os dados dos agentes escolares do Centro Educacional Arte do Saber e do Colégio Providência. Nesse estágio de análise, verificamos os seguintes dados: a) Os sujeitos pesquisados conhecem o site? b) A participação do público na produção do site; c) Acesso ao site; d) Onde mais acessam; e) Aparelhos tecnológicos que usam para acessar o site das escolas; f) O que os sujeitos buscam nesses sites; g) Sugestões para o site. Por fim, fizemos uma conclusão sobre o perfil de cada site para compreender seu contexto de produção mediante os dados coletados.

Para análise dos sites das escolas de Mariana-MG, falaremos da Cibercultura e dos Estudos Culturais. Pensamos que esses dois elementos estão totalmente entrelaçados, pois são tipos de discussões que nos permitirão “estudar a produção de sentido no espaço da cibercultura”, levando em conta “os processos de comunicação a partir do âmbito da cultura contemporânea” (GOMES, 2005, p. 209). Portanto, estudar a internet e suas reverberações pressupõe incorporar as discussões sobre a cultura, face às tecnologias contemporâneas. Podemos entender a cibercultura como um sistema que abarca as informações da web, porém existem muitas coisas além da tela: o usuário, suas práticas (ciber)culturais e várias formas de subjetivação. Por um lado, (ciber)cultura e subjetivação são duas categorias que devem se conectar para que o sujeito compreenda a mensagem e faça parte daquele mundo. Por outro, neste trabalho, também são duas categorias que serão usadas como base analítica.

Parece-nos que o encontro da cultura com os processos de subjetivação torna-se uma forma de experienciar um modo de vida: se “antes a cultura era vista como um estado ou um hábito mental ou, ainda, um corpo de atividades intelectuais e morais; agora, significa também todo um modo de vida” (WILLIAMS, 1969, p. 20). Isso quer dizer que as práticas comuns que vivenciamos no dia a dia podem ser consideradas um tipo de cultura.

O ciberespaço também cabe neste estudo, pois ele é um lugar que oferece novas criações, inclusive, “aprendizagem cooperativa e colaboração em rede” (LÉVY 1999, p. 172). Esse ciberespaço coloca em discussão as novas possibilidades de ensino, levando-nos a fazer o mesmo questionamento que Sibília (2012, p. 195): “A escola no mundo hiperconectado: redes em vez de muros?”. Podemos continuar pensando essa questão com outra reflexão: como vamos lidar com outros corpos e outras subjetividades realizando a mesma prática cultural de tempos atrás? Ou, ainda, como um site poderia aproximar o público escolar e extraescolar para as atividades educacionais? Portanto, é pensando nesse emaranhado de temas e suas conexões que aliamos esses conteúdos ao nosso objeto de estudo. E é com todas essas questões em mente que trazemos nossas análises.

2.1 Análise dos sites das escolas de Mariana

A partir do levantamento realizado, percebemos que as cinco escolas possuem domínio, o que facilita o acesso de qualquer interessado. Com o domínio, é mais fácil localizar o endereço na internet, caso o utilizador vá em algum buscador, ou até mesmo pela facilidade de ter um endereço menor e de sua escolha. Nesse caso, a comunidade poderia também participar da escolha do URL (Uniform Resource Locator). E por que seria interessante a participação da comunidade? As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), no Brasil, permitem várias formas de conexão entre sujeitos e artefatos tecnológicos em campos diversos, como, por exemplo, as salas de aula, biblioteca, chat, fóruns, WhatsApp, sites, blogs, entre outros. O contexto e a linguagem cibercultural avançam de forma rápida nas práticas culturais dos sujeitos.

Há uma hipótese de que a cibercultura permite a presença de agrupamentos de pessoas em uma mesma conexão, assim como ocorria nas sociedades orais, só que agora em outro contexto. Isso porque a universalidade não se submete mais a autonomia dos textos por si só, mas de uma fixação e emancipação de sentidos. “Ela se constrói e se estende por meio da interconexão das mensagens entre si, por meio de sua vinculação permanente com as comunidades virtuais em criação, que lhe dão sentidos variados em uma renovação permanente” (LÉVY, 1999, p. 15).

Então, o ciberespaço, também chamado de “rede”, é um meio de comunicação e conexão entre computadores. Esse termo não designa apenas a estrutura física, mas também a imensidão de informações que ela contém. Já a cibercultura é “um conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (LÉVY, 1999, p. 17). Entendendo o uso desses termos nas nossas práticas culturais da atualidade, podemos dizer que o site, assim como outras ferramentas, pode-se tornar um meio de atrair a comunidade para as atividades escolares e também uma ferramenta que pode potencializar a aprendizagem dos alunos.

Notamos que as escolas se pautam na ideia de uma interconexão que possibilita qualquer um se conectar em qualquer lugar e com qualquer pessoa que também estiver conectada. Essa facilidade permite que a comunidade escolar se conecte ao site da escola de onde quiser, podendo obter informações de forma mais rápida, pois, dependendo do conteúdo do site, não precisará se deslocar até o prédio da escola. As comunidades virtuais favorecem as socializações de pensamentos e ideias que podem ser discutidas nas ferramentas disponíveis para isso. E a inteligência coletiva seria o modo como a comunicação é efetivada, mesmo sem saber quais direções irão seguir (LÉVY, 1999).

Ao observar todos esses aspectos, entendemos que o ciberespaço precisa ser um ambiente atrativo ao navegante, a “propaganda do conteúdo” deveria evidenciar as melhores partes do site. Também a “propaganda dos recursos” precisa convidar o utilizador para a exploração de outras seções do site (KRUG, 2008, p. 96). Essas propagandas não acontecem em todos os sites analisados, pois suas páginas iniciais são bem sucintas. Sendo assim, a interação do usuário com o mundo digital permite uma exploração e atualização conjunta, visto que, “quando as interações podem enriquecer ou modificar o modelo, o mundo virtual torna-se um vetor de inteligência e criações coletivas” (LÉVY, 1999, p. 75).

Como já sabemos, o usuário da rede não é mais um membro passivo, observador. Ele é ativo, interage com o ambiente, é participativo e colaborativo, produz e compartilha conteúdos com outros navegadores. A presença física já não é mais prioridade. Agora o que importa é a comunicação flexível que nos é permitida e que é expandida por meio de smartphones, notebooks, tablets e outros artefatos tecnológicos.

O e-mail é uma ferramenta mais formal de interação, que pode ser usado para receber, trocar e pedir informações de todos os tipos. Os sites de todas as escolas têm endereço de e-mail disponível, no entanto, não encontramos chats e fóruns em nenhum deles. As redes sociais são caracterizadas por facilitar a interação entre sujeitos. Então, esses elementos são

válidos para a comunicação entre o público escolar e extraescolar, pois as comunidades on-line são formadas e se manifestam com determinadas especificidades (KOZINETS, 2014). Por exemplo, “uma cultura da blogosfera, uma cultura de telefonia móvel, uma cultura humorística de Bollywood”, entre várias outras culturas presentes no ciberespaço. Ele prefere a especificidade desses termos à generalização do que seria a cibercultura e “reservaria o uso daquele termo para referências e discussões sobre características compartilhadas distintas dessas formações sociais on-line ou mediadas por computador” (KOZINETES, 2014, p. 19).

No que diz respeito às comunidades on-line, a internet é uma produção cultural na qual podemos utilizar a metodologia etnográfica. A internet, então, é considerada um artefato cultural, com características específicas, porém em constante mutação. Além disso, é possível localizar grupos determinados com experiências culturais situadas. Por intermédio do site e de seus instrumentos, determinadas comunidades poderiam surgir, sejam elas escolares ou extraescolares. Por isso, o uso dessas ferramentas de comunicação no site seria uma possibilidade de criar novas práticas culturais alinhadas a novas formas de aprendizagem. Para os estudiosos/pesquisadores, a netnografia poderia auxiliar na observação de como certas tecnologias são usadas e como poderiam ser eficientes (HINE, 2005).

2.2 Análise dos dados relativo ao trabalho de campo realizado nas escolas: Centro Educacional Arte do Saber e Colégio Providência

Como afirmado, aplicamos questionários aos alunos, pais, professores, direção e coordenação pedagógica. Além disso, realizamos a netnografia por meio da imersão em dois grupos de WhatsApp, o grupo de “Mães do 1º período” (Centro Educacional Arte do Saber) e o “Terceirão”, grupo de alunos do Colégio Providência. Também entrevistamos os produtores dos sites de cada escola e elaboramos um detalhado diário de campo. Por intermédio das metodologias aplicadas e das reflexões feitas pela pesquisadora, expusemos, aqui, nosso estudo analítico detalhado sobre o que coletamos em campo aliando à análise anterior dos sites. Para isso, iremos focar nos seguintes temas: a) Os sujeitos pesquisados conhecem o site?; b) A participação do público na produção do site; c) Acesso ao site; d) Onde mais acessa; e)

Aparelhos tecnológicos que usam para acessar o site das escolas; f) O que os sujeitos buscam nesses sites; g) Sugestões para o site.

a) Os sujeitos pesquisados conhecem o site?

No Centro Educacional Arte do Saber não enviamos questionários para os alunos, visto que eram da Educação infantil. Então, apenas os pais, professores, direção e coordenação escolar responderam as questões. A fim de saber se os sujeitos conhecem o site da escola pesquisada, lançamos a seguinte pergunta: você conhece o site do Centro Educacional Arte do Saber? Vinte e oito pessoas responderam os questionários e 76,6% dos pais disseram conhecer o site, enquanto 23,5% responderam que não. A direção e coordenação explicitaram conhecer o site (100%) e, dos professores, 88,9% o conhecem, enquanto que 11,1% não conhecem. No total, a maioria dos pesquisados conhece o site do Centro Educacional Arte do Saber, como nos mostra o gráfico abaixo:

Gráfico 1: Conhecimento dos sujeitos acerca do site do Centro Educacional Arte do Saber

Fonte: Elaborado pela autora

No Colégio Providência, enviamos os questionários para os alunos, pais, professores e direção/coordenação pedagógica. Ao todo, 69 pessoas responderam essa questão,

88,40% 11,53%;

Conhecimento dos sujeitos acerca do site do