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Comparison of Influence Before 1997 and Between 1997 and 2001

PRÁTICAS SOCIAIS

O século passado com seus acontecimentos resultou em novas configurações da realidade percebidas em diversas esferas, alterando padrões e concepções que se mostravam bastante consolidadas até bem pouco tempo. “Porém, a revisão de parâmetros tradicionais ao mesmo tempo em que abre precedente para uma sensação de crise ou ruptura, possibilita a chegada do novo, do impensável”. (ROSS et al., 2013, p. 2) As implicações do estado movente da história nesse século influenciaram diretamente no modo de vida dos indivíduos, na cultura, no meio ambiente, nos valores, na história humana de maneira geral, gerando resultados a serem verificados. (HOLANDA; BITENCOURT, 2013).

É certo que o mundo mudou, mas não é essa a questão central, pois o mundo muda constantemente, desde o princípio da humanidade, esse é, inclusive, um dos fatores que caracterizam o social. Não obstante, são a velocidade dessa mudança e as possibilidades que se criaram a partir dela que causam, nesse momento específico, uma sensação de nunca daremos conta da totalidade dessas transformações que presenciamos a partir da transição da sociedade industrial para a sociedade da informação.

O computador e a Internet, dois elementos característicos dessa sociedade possuem histórias muito recentes. Nos últimos 70 anos o ritmo e a intensidade das mudanças foram maiores do que em toda a história prévia da vida do homem. Percebemos a metamorfose de dispositivos informacionais ocupando cada vez mais espaços e alterando continuamente a nossa forma de pensar e de conviver, potencializando as formas de comunicação em escala global, deslocando o potencial lucrativo das organizações para os ativos intangíveis, influenciando o comportamento de velhas mídias a partir das mídias digitais.

A relação entre sociedade e tecnologias estabelece, portanto, novos pressupostos para as sociabilidades. As pessoas, em geral, estão mais conectadas e o ritmo de acesso é crescente. A esse respeito, por exemplo, Castells observa que mesmo não sendo a organização social em rede algo inédito na história das sociedades, o novo paradigma da tecnologia da informação altera e se expande de forma penetrante em toda a estrutura social potencializando o efeito de rede e a comunicação decorrente desta em escala global. As redes são compostas por

nós/pessoas/interesses que se multiplicam, se transformam em outros nós, maiores ou menores, que se unem a outros nós que se movimentam de forma fluida numa dinâmica de movimento constante, onde “o poder dos fluxos são mais importantes que os fluxos do poder”. (CASTELLS, 2010, p.565).

São todas mudanças com profundos impactos nas relações sociais. Diante disso, novas questões são colocadas cotidianamente. Trata-se de uma sociedade interconectada, possibilitada por tecnologias informacionais e comunicacionais cada vez mais evoluídas. É uma tendência histórica consolidada que tem modificado não só os processos produtivos, mas a experiência humana em seus diversos âmbitos. “A presença na rede ou a ausência dela e a dinâmica de cada rede em relação às outras são fontes cruciais de dominação e transformação de nossa sociedade”. (CASTELLS, 2010, p.565).

Para Levy (1993) a sociedade em rede é a própria cibercultura, que possibilita a ecologia cognitiva ou inteligência coletiva e aponta para além do sujeito e do objeto separadamente. Segundo o autor, essa trama em rede promove uma inteligência coletiva. A inteligência se dá em rede, no espaço da cultura, por meio da interação entre o sujeito, o seu ambiente e os objetos. Ao desenvolver esse conceito, o autor defende um coletivo pensante formado por homens-coisas (indivíduo, instituições, equipamentos e formas de comunicação). Sendo assim, a ecologia cognitiva acaba por resultar em um espaço de negociação, diálogo e interatividade que constantemente altera, redefine ou mesmo define as possibilidades cognitivas institucionais, técnicas e individuais na era digital. Compreender a ecologia cognitiva significa perceber uma dinâmica diferenciada de relações estabelecidas entre os indivíduos e tudo o que o cerca na sociedade da informação.

Embora seja tudo muito recente, nesse processo há reprodução e permanências, mas que coexistem com a atribuição de novos significados, outros olhares permeados por uma cultura do ciberespaço, esse lugar “não físico”, mas real que é palco dessas transformações. Noções de espaço e tempo – tão sólidas do ponto de vista da sociedade industrial – são para Bauman (2001) o atributo crucial da modernidade:

A modernidade começa quando o espaço e o tempo são separados da prática da vida e entre si, e assim podem ser teorizados como categorias distintas e mutuamente independentes da estratégia e da ação; quando deixam de ser, como eram ao longo dos séculos pré-modernos, aspectos entrelaçados e dificilmente distinguíveis da experiência vivida, presos numa estável e aparentemente invulnerável correspondência biunívoca. Na modernidade, o tempo tem história, tem história por causa da sua “capacidade de carga”, perpetuamente em expansão – o alongamento dos trechos do espaço que unidades de tempo permitem “passar”, “atravessar”, “cobrir” – ou

conquistar. O tempo adquire história uma vez que a velocidade do movimento através do espaço (diferentemente do espaço eminentemente inflexível, que não pode ser esticado e que não encolhe) se torna uma questão do engenho, da imaginação e da capacidade humanas. (BAUMAN, 2001, p.15-16).

Poderíamos acrescentar a essa lista de ressignificações a noção de presença, de virtualidade, durabilidade, mobilidade e tantos outros elementos que nos pareciam completamente dominados antes do surgimento das TIC e das ferramentas da internet. Nesse contexto em que surge uma nova economia, uma outra forma de cultura (a cibercultura) e consequentemente uma nova configuração de sociedade. Os jovens nos oportunizam, nos tempos atuais, privilegiados campos de reflexão sobre esse cenário social e cultural permeado pelo uso e pelo consumo dessas tecnologias.

O olhar interessado justifica-se pelo fato de adolescentes e jovens se lançarem na rede com menos ressalvas e por se apropriarem das tecnologias de maneira diversificada e inovadora em relação aos mais velhos. Tais circunstâncias os qualificam como a geração digital, uma geração com uma vida marcada desde o nascimento pelas tecnologias digitais, com uma extrema familiaridade com o ferramental, com suas aplicações e com o vocabulário que permeia esse universo – a Geração “Y”. Uma geração muito diferente da geração que a precedeu, que vive em um mundo talvez inimaginável por seus pais quando tinham a mesma idade. Se comparadas, são juventudes muito diferentes e sociedades muito distintas.

Mas esses jovens também estão expostos a riscos próprios do universo tecnológico. Nesse contexto, a família desempenha um papel fundamental na introdução de suas crianças e adolescentes no mundo da tecnologia. Porém muitas vezes esse papel se resume à fiscalização de horas e frequência de uso, assim como a discussão em torno das tecnologias muitas vezes se resume a dicotomias rasas que se baseiam exclusivamente em seu caráter instrumental e de utilidade. No entanto, esse panorama é insuficiente para explicar a relação que os jovens estabelecem com a Internet, sobretudo se pensarmos como suas ações na rede repercutem significativamente em sua vida cotidiana, seja do ponto de vista social, cultural ou educativo. As experiências, opiniões e contribuições socializadas na rede produzem um capital social, alimentado de forma colaborativa, do qual os jovens se apropriam. (SÁNCHEZ-NAVARRO; ARANDA, 2011).

A apropriação das TIC por parte de adolescentes e jovens em seu cotidiano suscita questões que necessitam de reflexões mais profundas, para alguns autores. Ainda que a internet tenha a capacidade de promover o encurtamento das distâncias geográficas e a

possível desterritorialização de espaços físicos, a promoção da inclusão digital efetiva e o uso eficaz dessas tecnologias são questionados.

Barreto (2011), a respeito do acesso, entende que muitas vezes se reproduz a hierarquia social vigente e da mesma forma legitima ou não a ocupação de lugares sociais sendo possível associar de forma direta a pobreza à exclusão digital. A autora ressalta a necessidade clara de recontextualizar as TIC observando o universo macro – que reproduz e acirra modos de exclusão – e o universo micro, que precisa superar tanto o “determinismo tecnológico”, apregoando à tecnologia a solução de todos os males, como a “racionalidade instrumental e fetichizada” que silencia e anula a discussão necessária sobre as relações, as desigualdades, alianças que envolvem a intencionalidade dos projetos e as consequências do uso intenso. Para ela, não se trata de constituir uma posição contrária ou favorável a uma realidade dada, mas de suplantar o forte ideal messiânico disperso na sociedade que impede uma leitura crítica do cenário que compõe a apropriação e o uso das TIC.

A respeito das relações viabilizadas pela internet, sobretudo afetivas, Bauman argumenta que serão sempre relações mais rasas por terem sempre a alternativa de “excluir”, sair da sala de bate-papo, deletar o perfil na rede social ou criar um falso perfil. Para essa geração, segundo o autor, “fazer contato com o olhar, reconhecendo a proximidade física de outro ser humano, parece perda de tempo [...] uma decisão que poderia interromper ou impedir o surfe por outras superfícies não menos convidativas”. (BAUMAN, 2011, p.23).

Eisenberg reconhece na internet um importante meio de comunicação que já se tornou imprescindível na atual conjuntura e coexistirá com os outros meios. Mas ao observar o impacto da internet, ainda não consolidado, sobre as relações privadas e de mercado, o autor pondera a respeito da incerteza acerca desse impacto sobre a democratização das sociedades contemporâneas e aponta para “a necessidade de uma reflexão pragmática e normativamente orientada para possíveis impactos positivos e negativos”. (EISENBERG, 2003, p.492).

No entanto, sem desconsiderar os limites, contradições e contribuições desses autores, é muito forte a convicção de que essa geração tão íntima da internet pode promover grandes transformações nessa sociedade. (TAPSCOTT, 2010). A internet, ao viabilizar uma comunicação horizontalizada, propõe uma revisão da hierarquia presente nas relações e enseja uma interação mais ampla, não restrita apenas a quem já se conhece. Para o aperfeiçoamento desse processo contribui a portabilidade dos muitos aparelhos que “representa, neste campo, a possibilidade de estender, não só o acesso à informação, mas a comunicação, potencializando a convivência social, a criação e manutenção de relacionamentos”. (BASSALO, 2012, p.

114).

Seja do quarto do adolescente, das lAN houses ou dos dispositivos móveis – que no Brasil não param de crescer12 – a conectividade é uma realidade para as juventudes contemporâneas. E isso implica em um conjunto de práticas e de sociabilidades características. Vivenciar a internet de maneira cada vez mais costumeira, se adequando às novidades que surgem na rede de computadores, é parte do cotidiano desses jovens. Se assim compreendemos, “ter um blog, um fotolog, um microblog, um perfil numa rede social, constitui-se em marcas que identificam a adesão a uma linguagem, a uma forma de relacionamento, intermediada pela internet e, notoriamente, contemporânea”. (BASSALO, 2012, p. 115).

O ciberespaço é para as juventudes da era digital um lugar já assimilado, um universo de mídias, de maior liberdade de ação de refazimento de regras sociais e de sociabilidades não experienciadas até então fora do ambiente virtual. Trata-se também um espaço de mudança. Ao encurtarem a distância entre a realidade dos ambientes virtuais e a dos espaços físicos por meio do trânsito cada vez mais recorrente entre essas esferas, adolescentes e jovens consagram a internet como uma importante parte do seu universo e vão modificando a leitura que fazem do mundo. “A internet, que é a mídia de todas as mídias em toda sua complexidade, flexibilidade e dinamismo, tem um impacto gigantesco na vida de todos” 13.

(LEMOS, 2013).

12O portal da Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL divulgou sua última divulgação oficial sobre

os números de acessos que o Brasil alcançou em abril 264,55 milhões de acessos móveis. Informações disponíveis em: http://www.anatel.gov.br/Portal/exibirPortalInternet.do Acesso em: 28 mai. 2013.

13Em entrevista concedida à publicação Página 22 e replicada pelo blog Outras Palavras, o professor Ronaldo

Lemos conversa sobre internet e afirma que a rede não pode ser reduzida a espaços controlados e uniformes. Disponível em: http://ponto.outraspalavras.net/2013/02/14/internet-mundo-sem-fronteiras-ou-grande- condominio-fechado/ . Acesso em: 14 fev. 2013.

2.3 PROTAGONISMO JUVENIL NAS REDES SOCIAIS: VÁRIOS