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7.4 Communicating Behaviour
Somente em fevereiro de 2009 o canal do MPSC foi divulgado à imprensa. Essa defasagem entre a data da abertura e a da divulgação foi maior do que o planejado inicialmente. Isso se deu devido aos problemas enfrentados no final de 2008, em novembro e dezembro, quando Santa Catarina enfrentou uma das maiores tragédias climáticas
dos últimos 30 anos. Com isso, a administração do MPSC decidiu cancelar todas as atividades institucionais previstas para a época, inclusive a programação especial alusiva ao dia do Ministério Público, em 15 de dezembro (a data correta é 14 de dezembro, mas em 2008 este dia caiu no domingo). A divulgação do canal estava prevista para aquela data.
A divulgação surtiu relativo impacto sobre o canal, com alguns blogs de jornalistas incorporando um dos vídeos ou oferecendo o link. Em fevereiro do ano seguinte, após mais de 40 dias afastado do MP devido ao recesso do Sistema Judiciário e às férias, iniciei a produção do segundo vídeo institucional: “MPSC defendendo a Sociedade”. Nessa fase, a ideia original de produção de quatro vídeos já havia sido adaptada à realidade do MPSC. O primeiro vídeo havia cumprido com a missão de mostrar o MP de uma forma totalmente diferente daquela apresentada pela grande mídia: o promotor de justiça não era apenas o responsável pela condenação de criminosos, mas era principalmente um defensor dos direitos do cidadão.
Em conversa com a coordenadora da COMSO e com o procurador-geral de justiça, ficou definido que o segundo vídeo deveria explicar a função do MP no sistema de justiça. A ideia foi minha, já que o outro vídeo a ser produzido teria uma estrutura semelhante ao primeiro, para apresentar a atuação dos promotores no combate ao crime. Além disso, a COMSO estava organizando um guia para distribuição entre a imprensa e entidades representativas da sociedade, e um vídeo que explicasse a função do MP como instituição poderia ser encartado nessa publicação.
Eu nunca escondi que “MPSC defendendo a Sociedade” seria um vídeo mais difícil de produzir: costumava chamá-lo de “vídeo careta”. O tema oferece poucas oportunidades para o recurso de personagens, e o conteúdo deveria ser bem didático, com poucas possibilidades de imagens. Em contrapartida, um dos estagiários do projeto de vídeo, do curso de Cinema, havia se identificado muito com os programas de edição de imagem e de áudio. A COMSO dispõe de uma estação Mac, com o pacote completo do Final Cut 4 instalado, além de PCs com o pacote Adobe Premiere 2.0. A experiência com o primeiro vídeo demonstrou que o Final Cut e os programas relacionados são mais amigáveis e, além disso, a estação Mac apresentava melhor desempenho e qualidade final. Uma consulta com técnicos do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) – que sempre cooperaram com a COMSO devido à sua maior experiência com produção de vídeos – sugeriu que as dificuldades
com a qualidade do vídeo nos PCs poderia ser resultado da montagem das máquinas com componentes de marcas diferentes.
O estagiário de Cinema nunca se intimidou diante do programa de edição. Eu lhe ensinei os primeiros passos, e em seguida o estudante começou a descobrir novidades. Durante os intervalos entre uma produção e outra, o estagiário sentava-se à frente do computador e ficava “descobrindo coisas”. Logo passou a ocupar uma posição diferenciada dos demais, no projeto. Eu mal conseguia planejar as próximas etapas do projeto e, após a publicação do canal no YouTube, pretendia dedicar mais tempo a acompanhar os vídeos no canal, tentando descobrir a lógica de compartilhamento de conteúdos. Dos quatro estagiários do projeto, o de Cinema era o único em que eu podia confiar para entregar uma tarefa e esperar por uma solução. Os outros três exigiam muita orientação e atenção. Não que eles estivessem errados, mas a estrutura do projeto não permitia que se desenvolvesse esse tipo de relação puramente professor-aluno. Aos poucos, eles foram se acomodando em atividades mais mecânicas e rotineiras, como a clipagem das emissoras de TV.
Numa das experiências com edição, o estagiário de Cinema descobriu um efeito de distorção de cores que chegava próximo à animação. Eu o incentivei a continuar os testes, até que conseguisse um efeito que realmente substituísse uma animação. Isso possibilitaria maior liberdade para o roteiro e poderia deixar o “vídeo careta” menos “careta”. Após alguns testes, o estagiário e eu escolhemos como padrão o efeito line art, que transforma as imagens em desenhos nos quais aparecem somente os contornos e traços mais marcantes.
Parece apenas um detalhe, mas isso influenciou toda a narrativa do segundo vídeo. A partir dessa escolha, eu e o estagiário de Cinema iniciamos a gravação de imagens. Foram gravadas cenas de cidadãos comuns conversando em diferentes situações. Mais tarde, o efeito foi aplicado nestas cenas, de maneira a preservar a identidade das pessoas. Também foram aplicados balões, como em histórias em quadrinhos, o que permitiu que se estruturasse o vídeo a partir de diálogos em que são apresentadas dúvidas sobre situações específicas, ou sobre o Ministério Público.
O vídeo “MPSC defendendo a Sociedade” foi produzido e editado entre fevereiro e maio de 2009. O tempo de duração ficou em 9min 45s, e ele foi publicado em versão integral e dividido em três partes. Dessa vez, adotou-se uma estratégia diferente em relação à sua distribuição e também foram apresentados os primeiros indícios de que
a instituição começava a incorporar o vídeo em sua cultura organizacional.
Os problemas verificados na etapa de revisão do primeiro vídeo provocaram uma mudança nos procedimentos do segundo. Desta vez, o projeto recebeu o apoio de mais um dos membros do MP com poder de decisão e de veto, além dos outros que já o apoiavam. A diferença é que este não acumulava uma função administrativa, apesar de exercer um cargo de assessoria especial. Justamente por esta função, ele foi designado para ser uma espécie de editor institucional. Este membro do MP, além disso, tem uma afinidade especial com a linguagem jornalística, pois é professor de Ética em um curso de Comunicação Social. Ao contrário dos outros membros, a quem o projeto continuou subordinado, este foi o primeiro a ter uma função diretamente relacionada a uma das etapas de produção do vídeo. Ele fez uma primeira revisão do roteiro e também sua revisão final. A sua atuação não se limitou ao veto, mas, em alguns casos, ele chegou a ser quase um coautor, sugerindo termos que julgava mais adequados. Ele realmente atuou na tradução da linguagem jurídica para a linguagem de vídeo, embora nunca determinasse autoritariamente a inclusão de palavras e termos. Com ele houve uma real parceria, tal como acontece em qualquer redação jornalística, entre um repórter e um editor.
Com relação à distribuição, a instituição também demonstrou ter assimilado o uso de vídeos para a comunicação com o público externo. Desta vez, foi aceita sem resistência a proposta de publicar o vídeo primeiramente no YouTube e somente depois preparar um DVD para distribuí-lo entre os promotores e procuradores de justiça. O meu argumento para defender essa estratégia foi o de que esse procedimento fortalece o canal. O segundo vídeo foi publicado em 14 de maio de 2009, na íntegra e em suas versões reduzidas.
No dia seguinte, a notícia sobre o segundo vídeo foi publicada no portal do MPSC e distribuída às redações. A estagiária de Mídia Eletrônica pesquisou os contatos dos coordenadores de cursos de Direito no Estado, aos quais foi enviada a mesma notícia. Eu fiz uma relação dos sites e blogs que haviam incorporado o primeiro vídeo e também remeti a eles a notícia. Em menos de uma semana, esses mesmos sites já haviam incorporado o segundo vídeo.
O retorno do público externo foi bem mais rápido do que o retorno dado ao primeiro vídeo. E sua aceitação pelo público interno também foi imediata. Na semana seguinte, uma servidora comissionada que atuava no Centro de Apoio ao Consumidor pediu um DVD com o segundo vídeo, para explicar, a fiscais da vigilância sanitária municipal
recém-aprovados em concurso, o que era o Ministério Público. Expliquei a ela que o material estava disponível somente no YouTube e sugeri que usasse o canal para a exibição. Sua resposta foi: “Olha, roubou a cena. Os fiscais entenderam bem como funciona o MP, coisa que antes, por mais que a gente tentasse simplificar, não conseguia.”
Desde junho de 2009, o vídeo “MPSC defendendo a Sociedade” faz parte do programa de recepção aos novos estagiários do MPSC, e a COMSO ganhou um espaço para falar sobre os canais de comunicação com a sociedade, o portal do MPSC e o canal no YouTube. O segundo vídeo foi incorporado pela programação “por conseguir mostrar como funciona o MP de um jeito rápido e fácil”, segundo uma das responsáveis pelo programa. Essas apresentações são mensais e sempre contam com um funcionário efetivo, com alguns anos de carreira, para falar da instituição. Na apresentação de setembro de 2009, uma servidora, com 20 anos de carreira no MP, que estava ali para falar sobre o órgão, disse aos participantes: “mesmo para mim, que estou há tanto tempo aqui, muita coisa ficou mais clara. Não que eu não soubesse, mas nunca havia conseguido explicar de maneira tão simples”. Na mesma apresentação, um servidor recém-chamado, aprovado em concurso, declarou: “finalmente compreendi para quem estou trabalhando.”
Até o momento, o MPSC já distribuiu o primeiro DVD para todas as escolas da rede estadual de ensino, através de um protocolo de intenções assinado com a Secretaria Estadual de Educação (SED). O protocolo prevê a distribuição, às escolas, de todos os vídeos produzidos pelo MPSC, com a contrapartida da SED de promover a inclusão do conteúdo em atividades curriculares e extracurriculares. O primeiro vídeo já faz parte da grade de programação da TV Câmara de Vereadores da Capital (Florianópolis-SC), da TV Câmara de Vereadores de São José (SC) e da TV UFSC, e essas emissoras receberão em breve o segundo vídeo e suas versões. Os vídeos “Os Direitos do Cidadão e o Promotor de Justiça” e “MPSC defendendo a Sociedade” também fazem parte da grade de programação da TVAL (da Assembleia Legislativa de Santa Catarina) desde setembro de 2009.
O DVD com o segundo vídeo começou a ser distribuído aos promotores e procuradores de justiça em outubro de 2009. O início da produção do terceiro vídeo está programado para fevereiro de 2011, com publicação no YouTube e distribuição em DVD em março do mesmo ano. Essa programação indica que a instituição já conta com a produção regular de vídeos em seu planejamento.