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common property theory may also be modified to include forest. Jf we imagine a virgin stand of timber (for example a watershed), the growth of

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A rua, o esporte e o baile aparecem como espaços de vivência dessas masculinidades. Quando se trata dos espaços de construção desse referência masculina, ela se diversifica, bem como se expressa uma disputa dessas referências. Ao passo que uma de nossas entrevistadas diz que a referência masculina para seus filhos foi ela e sua mãe, cabe refletir sobre o fato de que a referência enquanto símbolo só faz sentido quando concatenada nas relações de poder. Estando o poder deslocado do símbolo, ele pode transitar entre um referencial e outro. Assim, parece que o falo, nessa realidade, sobrevive como uma marca d’água que que não escapa à condição de pano de fundo que insiste em não se apagar. Aqui, a disputa pela referência de masculinidade se dá no campo da matrifocalidade que também é um campo em disputa, como fica explícito no fragmentos abaixo:

Não, a referência masculina era eu mesma. As conversas que eles teriam que ter com o pai, eu tinha. Na questão sexual, por exemplo, expliquei tudo para os meninos e para a menina. Era sempre eu. Bem matriarcal, mesmo. Minha mãe era matriarcal, a dona do poder. O que ela não fez para mim, porque fui rejeitada, ela foi fazer para as crianças. Isso me incomodou muito (Neusa).

Isso não significa que a figura masculina não entra nesse espaço de poder, mas não altera as definições dessas mulheres.

Porque eu achei que não estava dando conta. Como ele jogava basquete, precisava das notas e precisava ter bom comportamento, não podia isso, não podia aquilo, era rígido. Precisava conversar com ele. Eu já tinha conversado, mas não estava

118 dando conta sozinha. Precisava internar e ele não aceitava. Aí o professor de basquete conversou muito com ele, dava muito conselho. Do resto, eu dava conta do meu jeito, porque eu ia na porrada. Batia mesmo, de ir às “bocas” com pedaço de pau, andando a noite inteira atrás dele. Entrava nas bocas e dava em todo mundo. Não o amarrava à mesa, como essas mães amarram, não é? Eu o deixava ir para a rua, mas eu ia atrás. Ele ficava nervoso, bravo, queria bater na gente. Eu dizia: “Me bate, que eu te mato, porque não te abortei quando podia. Vem pra cima. Se vier, vou pra cima também”. Ele nunca veio pra cima de mim, porque tudo o que eu tivesse na mão, eu mandava (Neusa).

Afirma ainda que a procura por ajuda, antes uma ajuda masculina, não revelava a busca pela autoridade masculina, mas sim uma forma diferente e com conhecimento em lidar com a questão, como revela o trecho abaixo:

Porque as mulheres ficam: “Ai, meu Deus, coitada de você”. Mas não é o caso de ter dó da pessoa que está com um problema. Tem que chegar junto: “É assim mesmo, vai ser assim, vai ser assado”. Meus amigos professores conviviam com crianças na mesma situação, ou com alunos, ou na família. Então sabiam daquelas conversas que eu não conseguia ter. Eles tinham mais conhecimento do que eu. Sabe que isso é uma doença, mas você acha que não: “Com meu filho não vai acontecer isso”. Mas acontece, a gente não está livre dessas coisas. Então eu recorri a esses meus amigos para ter outra palavra, para que indicassem uma ação diferenciada das que eu estava tendo e para ver se eu estava certa, agindo daquela maneira. A gente precisa conversar com as pessoas que têm mais conhecimento. Eu li muito a respeito e conversei com pessoas que tinham passado por essa situação. Porque eu tinha que ser forte, tinha que dar conta. Não tanto pela “figura masculina”. Eu conversaria com uma mulher sobre isso. Mas a mulherada é muito emotiva. Em vez de ajudar, elas te derrubam: “Ah, não, não é tudo isso. Ah, que judiação”. Homem, não. Nesse sentido, eles são mais frios. Era mais fácil conversar com uma pessoa forte que já lidava com os alunos no centro esportivo, com um conhecimento de causa que eu não tinha, para me dizer dos estágios pelos quais eu teria de passar (Neusa).

119 Ela revela que o esporte era esse espaço da figura masculina, e que servia de referência:

Difícil, porque meus parentes não moravam aqui. Eram o professor do Corinthians, o treinador do basquete... E quando eu precisava que uma figura masculina falasse com meus filhos, eu pedia para os treinadores: “Conversa com eles, que estou precisando de uma presença masculina”. Outras referências eram os professores de judô, karatê... Eu não tenho parente homem. Com meu mais velho precisei bastante, quando ele se envolveu com drogas. E o pessoal, assim, meus amigos do sindicato conversavam, mas comigo (Neusa).

Uma das grandes queixas da minha mãe era o fato de meu pai não ter dado atenção nenhuma aos filhos. Ela sempre se referia ao fato de ele nunca ter ensinado meus irmãos a dirigir. Apesar de ter dois carros, só ele podia dirigir. Usava um dos carros para trabalhar e outro nos finais de semana. Na verdade, ele nunca esteve preocupado com a educação dos filhos, independente de ser menino e menina. Mas que me recordo das falas da minha mãe, de ele não ter ajudado os meninos a se consolidarem em uma profissão, isso a deixou muito magoada (Bárbara).

No cotidiano, a figura masculina:

Com meu pai. Como avô, ele deu o carinho a meus filhos, que o pai deles não deu. Meu pai deu muito conselho, brincou muito com eles. Por exemplo: brigou na escola. Meu pai me dizia: “Não bata, sente e converse com ele. Pergunta por que ele brigou, por que bateu, por que o menino bateu nele. Escuta, primeiro”. Eles são assim, hoje, aprenderam com meu pai. O avô foi avô e pai. Meu pai não era de bater, e então eles cresceram na sabedoria do avô (Ana).

Ele nunca foi um pai presente. Por exemplo: se meu pai estivesse vivo agora, essa minha sobrinha-neta que nasceu iria pelo mesmo caminho. Ele já ia pôr apelido, ela ia viver sempre no colo... Meu pai pitava no cachimbo. Ele vinha no fogão de lenha, enterrava o cachimbo, colocava o fumo e pegava uma brasa em cima. Eles todos queimaram a mão, que queriam pegar o cachimbo, do primeiro ao último,

120 pois meu pai pitava no cachimbo e eles queriam segurar. Eu dizia: “Me dá aqui a criança. Depois que o senhor pitar, eu dou”. “Não, deixa ele pôr a mão, que depois ele não põe mais”. Aí eles queimavam a mão, depois não pegavam mais (Idem).

Os lugares de referência da masculinidade são tantos como tantas como são inúmeros os lugares que estes elegem como referência. Almeida (2002) em seu estudo, não tem dúvida de dizer que na realidade estudada por ele, ser a taberna o lugar onde a masculinidade se construia e se expressava.

Aqui não é posível fazer a mesma afirmação e dizer que há um lugar exclusivo de construção da masculinidade, uma vez que esses espaços são também espaços simbólicos e permanentemente em disputa.

Ele teve aqui, eu não esqueço, um senhor que morava aqui em frente, que eles conversavam muito. Apesar de ele ser adolescente, ele ouvia muito esse senhor. E eu ficava daqui, observando. Eu não sei se foi bem uma referência ou se foi conselho... eu não sei explicar, mas ele ouviu muito esse senhor. A referência que eu acho que ele teve foi essa, que era o pai da Marlene. Ele ficava sentadinho ali (Sueli).

O elemento esporte, exceto o futebol no campo de várzea, será um elemento de distinção econômica entre os sujeitos aos quais os relatos se referem. É demonstrado que o acesso a outros esportes só foi permitido para aqueles cujas mães estavam numa condição mais favorável, o que significa dizer que essas mulheres já apresentavam mlhor situação no mundo do trabalho e com profissão definida. O anseio por esses esportes não era necessariamente desejo dos filhos, mas uma expectativa da mãe preocupada, a princípio, que eles ocupassem o tempo deles, mas vislumbrando, posteriormente uma carreira. O que nos interessa é, como já trabalhado nos capítulos anteriores, através da análise de Oliveira (2004) é o que se observa no caráter másculo do esporte moderno, o fato de que ele foi criado por homens e para homens, e que acaba simbolizando valores masculinos. Por toda a modernidade e também hoje, o esporte é uma das vias em que a masculinidade se estende e se consolidava como valor simbólico, ultrapassando barreiras de classe, religião e todas as outras diferenças que poderiam impossibilitar a homogeneização de sua valorização. Aqui, a percepção de ser um esporte um caminho possível

121 para essa masculinidade negra fica evidente, e os projetos superam aqueles iniciais de apenas ocupar o tempo.

Eles fizeram judô, capoeira e karatê, para não ficar na rua. O mais velho jogava basquete. Jogou no Corinthians, no Esperia, tudo. Na nossa cabeça, das amigas, seria um futuro atleta. Foi convidado para jogar no Palmeiras mas não foi, porque é corinthiano. A única expectativa que tive em torno dele era que ele fosse um grande atleta, mas não deu certo. O mais novo, como toca muito bem, era de que ele fosse um grande artista. Quando sentei os três para mandar para a faculdade, para eu trabalhar mais um pouco, a menina decidiu ser cabeleireira, o outro decidiu ser músico e o outro ia continuar fazendo o que quisesse. Minha expectativa era que tivessem uma educação boa, eu trabalharia até mais para ajudar. Na minha cabeça, uma faculdade um deles faria, mas ninguém foi. A primazia, para mim, era estudar (Neusa).

Eles faziam todo o tipo de esporte. Têm medalha de ouro de judô, de karatê, todos os cordões da capoeira, balé, tudo o que eles quiseram fazer. Daí a turma do basquete e do futebol ia toda para a minha casa. “Diz-me com quem andas e te direi quem és”, não é verdade? Os trabalhos de escola eram feitos em casa. Eu ligava para pai, tio, avó de quem vinha em casa. Quando me separei, meu marido disse que eu não ia dar conta de educar as crianças (Idem).

Ele deveria ir para os Estados Unidos fazer high school, ia tentar jogar basquete lá... Tinha dezoito. Aí me culpa porque queria que fossem a namorada e ele, você acha? Eu era diretora de escola, na época. Ele ia ficar na casa da minha vice, cujo irmão morava lá. Como é que eu ia mandar uma mulher grávida e ele? Ele diz que prejudiquei a careira dele, e por isso é que ele entrou nas drogas. Mas não foi por isso. Ele entrou porque quis (Idem).

O baile aparece nas narrativas como o lugar de lazer desses filhos-homens, espaços de reunião de jovens negros. O que unificava era o samba, o samba rock e a black music, em suas várias vertendes. Portanto, pode-se afirmar que esses espaços era o espaço de afirmação do jovem negro.

122 Só bailinho, quando tinha. O Mamai, que gostava de bailinho, ia tomar conta das menina. Os bailinho na vila, assim pertinho. Outras coisa, mais longe, não. Jogo de futebol na vila, nos campinho perto, só (D. Lazinha).

O que me preocupava era que, às vezes eles iam aos bailinhos, e não me falavam que iam passar a noite, não me avisavam. Eu não dormia, enquanto eles não chegavam. Antes mesmo de ter acontecido alguma coisa, eu pensava: “Vai que tem uma briga lá, sai um tiroteio...” Enquanto não chegava o último dentro de casa, eu não dormia. De tanto eu falar “Eu não estou proibindo, vocês só têm que me avisar”, eles começaram a avisar. O Biu, muitas vezes, ia para a casa dos colegas e dormia lá. Quando eu voltava do trabalho, achava aqui um bilhete, com o telefone: “Só volto amanhã”. A Nanci já ia para a casa das irmãs da igreja, para as vigílias, mas também me avisava (Ana).

A escolarização aparece como o meio pelo qual a situação da populção negra, e em especial a do homem negro, pode ser alterada.

A sociedade cria a diferença. Acho que se tem que criar como ser humano, independentemente de gênero. Mas a sociedade classifica, sim. É histórico, isso, para não dizer que é bíblico: criaram primeiro o homem, e depois a mulher. A sociedade discrimina, sim, com uma criação machista. Na Educação, os alunos obedecem, primeiro, o professor branco; depois, a professora branca; daí vem o professor negro, e só depois a professora negra. E você tem que estar muito bem vestido, não pode andar de qualquer jeito. Eles vêm muito o estereótipo, o jeito como você anda e fala. Eles me suportam porque são obrigados, porque ando do jeito que quero, com meu cabelo grandão, com minhas roupas afro. No começo, eles se assustavam. Aí fui explicando a minha história, a minha sexualidade, que eu sigo os meus costumes. Mas é difícil, porque a sociedade rotula a mulher e o homem também (Neusa).

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