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Os grupos empresariais consultados para este trabalho ainda têm na área impressa a principal alavanca de seus modelos de negócio, tendo investido em segmentações na mídia papel. Foi exatamente depois do surgimento da internet que lançaram revistas dirigidas a públicos específicos e, no caso da RAC, também um novo jornal de circulação diária voltado às camadas populares, o Notícia Já, que supera em circulação o jornal de referência do grupo. Paralelamente, seguem ocupando, sem rentabilidade suficiente, os espaços e ferramentas que surgem na rede de computadores, onde os empreendimentos mais bem sucedidos (Twitter e Facebook, por exemplo) são meramente adaptados pelo jornalismo para que se incorporem ao seu processo produtivo.

As experiências em jornalismo móvel aqui apresentadas indicam que, isoladamente, as versões mobile ainda não geram receitas e se encontram em fase de testes em relação a formato, tipo de conteúdo e recorte de público. No entanto, enquanto ferramenta da qual o jornalismo procura se apropriar, o mercado de plataformas móveis apresenta números crescentes. De acordo com pesquisa apresentada pela Associação GSM e a Machina Research, até o fim desta década o número de equipamentos conectados à internet deverá passar dos 9 bilhões para 24 bilhões, sendo que metade deles serão móveis. A receita gerada por esse mercado, incluindo aí o setor de serviços, é estimada em U$4,5 trilhões (Convergência Digital, 2012).

Só no Brasil, de acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2011 (Sampaio, 2012), o celular é a segunda tecnologia mais presente em domicílios, atrás apenas da televisão: 87% dos lares no país têm celulares, enquanto a TV chega a 98% deles. O número é elevado se comparado com o de desktops e notebooks, que chegam a 37% e 18% das residências, respectivamente. Ao mesmo tempo, o número de brasileiros que começaram a utilizar a internet pelo celular saltou de 5% para 17% em apenas um ano, segundo pesquisa anual do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Uma das razões seria o preço acessível dos planos pré-pagos, que apresentam possibilidade de conexão móvel por até R$ 0,50 (€ 0,18) ao dia de uso.

Diante de um cenário que se mostra em franca expansão, há que perguntar: como o jornalismo vai disponibilizar seu conteúdo dentro de plataformas móveis e, ao mesmo tempo, conseguir gerar receitas significativas neste mercado? O dilema não é exclusivo das empresas que produzem notícia. A maior rede social do mundo na atualidade, o Facebook, que conta com mais de 900 milhões de usuários cadastrados (Link, 2012), também tem encontrado dificuldade para gerar receita no mobile. Especialistas apontam que a questão fica ainda mais complicada em função do crescimento do acesso móvel à rede: 543 milhões do total de usuários se conectou pelo menos uma vez, em junho de 2012, a partir de um smartphone ou tablet, número que indica um crescimento da ordem de 67% sobre 2011 (Link, 2012).

A dificuldade do Facebook está justamente em conseguir divulgar anúncios e gerar receita no móvel. De acordo com artigo publicado pela revista Forbes (Travlos, 2012), ninguém ainda descobriu como fazê-lo efetivamente. Em entrevista recente (Meio e Mensagem, 2012), Zuckerberg avaliou que os usuários da rede no mobile tendem a ser mais ativos que os de desktops. A possibilidade implica em mais pessoas navegando por mais tempo e, consequentemente, podendo oferecer geração de receita mais efetiva por meio do mobile do que através do computador tradicional. A monetização deste serviço seria a combinação dos anúncios com os conteúdos gerados pelos usuários em suas timelines. Neste caso, o grande desafio do jornalismo será se mostrar cada vez mais atraente aos usuários da internet, justificando sua condição de um indispensável elemento organizador de conteúdo relevante e útil em meio às milhares de informações compartilhadas, todos os dias, na rede mundial de computadores.

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