Na Avaliação da percepção dos usuários pode-se observar que em alguns pontos a percepção dos usuários não coincidem com os dados estatísticos e com a opinião da gestão do porto (Conforme entrevistas).
Com relação à gestão da Administração do porto, parte do objetivo específico (2), apesar de a entrevistas e os dados obtidos do PDZ mostrarem que existe um bom planejamento, este fato não é bem percebido pelos usuários. O item falta de planejamento, por exemplo, foi avaliado como o segundo mais votado como problema mais importante na Gestão da Administração portuária, perdendo apenas para o excesso de Burocracia. Por outro lado, a pouca autonomia nas decisões, com as mudanças proporcionadas pela Lei 12.815/13, citadas pelo gestor (na entrevista) como fator que teria afetado o desempenho do porto, para os usuários não foi percebida como um fator de importância relevante. Já no desempenho das autoridades portuárias, para os usuários, as mais bem avaliadas são as instituições federais, a Receita
Federal e a Polícia Federal e as menos avaliadas positivamente são os Órgãos Ambientais, o CAP e a ANTAQ.
Na categorização dos aspectos operacionais, objetivo (3), podem-se observar as seguintes categorias :
Os custos são considerados como regulares ou ruins pela maioria (78,32%) e os custos com os serviços dos operadores e de armazenagem são avaliados como os maiores, enquanto os custos com o serviço de despacho aduaneiro como os menores.
Com relação ao Desempenho Operacional, os dados mostram que os serviços dos operadores são avaliados com desempenho bom (58,52%), mesmo sendo considerado como o de maior custo. Com relação ao grau de importância dos problemas, o custo elevado do serviço e a pouca concorrência entre os operadores, foram os mais votados. No âmbito dos problemas de operação do porto, os usuários avaliaram os acessos rodoviários e o excesso de burocracia como os mais importantes, e como menos relevante o acesso marítimo, que é considerado bom.
Com referência à Infraestrutura, compreendendo a área retro portuária, esta foi avaliada como boa pela maioria dos usuários (59,0%), mas a infraestrutura de acesso, foi avaliada negativamente pela maior parte dos usuários.
Com relação aos aspectos analisados no objetivo (4), constataram-se as seguintes percepções na avaliação dos usuários em relação às vantagens em utilizar o porto de Suape: a localização, a infraestrutura e o desempenho do operador portuário, como as principais vantagens; nas sugestões de melhorias contatou-se que, em geral, a sugestão com maior grau de prioridade dada pelos usuários foi a melhora no acesso multimodal, em especial aos acessos ferroviários e rodoviários.
Os gargalos e deficiências na infraestrutura operacional, em especial nos acessos terrestres (rodoviários e ferroviários), não são problemas pontuais do Porto de Suape, já que são apontados como pontos problemáticos em praticamente todos os portos brasileiros. Tais deficiências ocorrem pela falta de investimento no setor e contribuem consideravelmente para o esgotamento da capacidade operacional dos portos em todo o Brasil (IPEA, 2010).
Para a expansão do acesso ferroviário, existe o projeto (que já está em construção, trecho de Elizeu Martins – PI à cidade de Salgueiro - PE) da ferrovia Transnordestina, que irá ligar o
interior do Piauí ao portos de Suape e Pecém, podendo se transformar, assim, em um novo corredor para escoar os grãos que são produzidos tanto em partes do Centro-Oeste quanto nos próprios cerrados da Região Nordeste. E para a expansão do acesso rodoviário, existe o projeto para a construção do Arco Metropolitano, que irá ligar a Zona da Marta Norte ao Litoral Sul do estado, facilitando o escoamento das cargas.
Com o intuito de identificar a percepção por tipo de empresas usuária com relação aos aspectos operacionais e gerenciais do porto de Suape, definido no objetivo (5), foi realizado um cruzamento das percepções gerais por tipo de empresa e os principais resultados foram:
Na categoria serviços dos operadores, quem melhor avaliou foram os próprios operadores. No entanto, o dado mais interessante é que os Armadores, que são as empresas que utilizam diretamente este serviço, também avaliaram como ótimo/bom (90,0%), mas destacaram como principais problemas: a baixa produtividade, o custo elevado do serviço, a pouca concorrência e os serviços administrativos.
Na categoria infraestrutura, a área retroportuária, foi melhor avaliada pelos terminais retroportuários, mas também foi bem avaliada pelos armadores e pelos agentes de carga, que são os usuários que utilizam diretamente os terminais e depots de apoio ao porto. Já no acesso multimodal, os agentes de carga em unanimidade avaliam como ruim/péssima, seguidos pelos terminais retroportuários e agentes marítimos, que circulam pelos acessos ao porto diariamente.
Na categoria gestão da administração portuária, os usuários que melhor avaliam são os Armadores e Terminais Retroportuários, empresas que possuem contato direto com esta área. E identificam o excesso de burocracia, a falta de planejamento e a pouca integração entre os setores como principais problemas.
Na categoria desempenho das autoridades portuárias, identifica-se que os Terminais Retroportuários avaliaram positivamente essa categoria, seguidos pelos agentes marítimos.
Diante de todos os dados analisados, tanto dos dados secundários, quanto dos resultados da pesquisa de campo com os usuários, conclui-se que, de forma geral, o porto de Suape foi é bem avaliado pelos seus principais usuários, considerando-se a maioria dos diversos indicadores de desempenho levantados, como gestão, infraestrutura, tempo médio de espera
para atracação, capacidade de carga e descarga de mercadorias, localização, profundidade, uso de equipamentos modernos, dentre outros.
Nesse contexto devem-se destacar como principais acertos do Complexo Portuário de Suape a gestão voltada para a captação de investimentos, tornando Suape um complexo industrial, e a parceria público-privada, com a concessão dos cais 2 e 3 em 2001, para a empresa TECON SUAPE do grupo filipino ICTS – International Container Terminal Service Inc., que proporcionou ao porto um grande desenvolvimento na sua infraestrutura, com equipamentos e terminais para a movimentação de contêineres.
Por outro lado, podem-se destacar, como principais erros, a falta de planejamento e dimensionamento da infraestrutura de acesso rodoviário e ferroviário para atender aos investimentos atraídos. Além do mais, a falta planejamento e ordenação das cidades do entorno do complexo, que cresceram de forma desordenada, como também, a capacitação da população da região para poderem ser alocadas nos postos de trabalho gerados no complexo.
O exemplo polo de Suape pode ser tomando como guia para o desenvolvimento do polo automotivo da Zona da Mata Norte, para que essa região tenha seu crescimento de forma mais ordenada.
A expansão do Porto Suape e a continuidade do desenvolvimento do Complexo Portuário não serão positivas apenas para os usuários diretos do porto, mas também para o desenvolvimento de uma série de indústrias, serviços e atividades comerciais que estão indiretamente ligados ao complexo, ocasionando impactos nos postos de trabalho e em toda a economia do Estado de Pernambuco.
O porto não é apenas uma estrutura logística que modifica o presente, ele é o fator de transformação para o futuro de uma região( PORTO, 2006).