Os indivíduos constroem seu mundo e seu universo social influenciando-se reciprocamente. O homem transforma-se de ser biológico em ser sócio-histórico, em um plano de função superior e simbólico, de significações e sentidos, criando e sendo influenciado pela cultura no qual está inserido (VYGOTSKY, 1991, 2014).
4 Segundo o portal da CAPES, foram encontradas 7.788 pesquisas referentes à profecia autorrealizável. Pesquisa
Saber identificar a cultura de um grupo pode ser uma ferramenta importante para seu líder, na medida em que pode auxiliá-lo na condução de problemas de relacionamentos hierárquicos e relacionais, comuns da natureza humana, geradores de conflitos e atritos, que se não forem trabalhados e bem conduzidos, podem fazer ruir o processo evolutivo do mesmo (SCHEIN, 2009).
Analisando a prática pedagógica, verifica-se como professores de um mesmo curso, em uma mesma instituição de ensino, utilizando os mesmos recursos tecnológicos, possuem modos diferentes de ensino.
O desafio do professor está na capacidade de perceber as limitações e as percepções de mundo de cada aluno, desenvolvendo a cultura da sala de aula, que é criada a partir de experiências compartilhadas, cabendo ao professor, iniciar o processo ao disseminar suas crenças, valores e suposições (SCHEIN, 2009).
Essa firmação, porém, não produz cultura. Apenas quando o comportamento resultante dessas ações leva o grupo ao sucesso, o líder passa a ser reconhecido e valorizado como tal. O grupo passará a realizar suas tarefas, de forma que suas crenças e valores serão confirmados, reforçados e compartilhados, como sendo a forma correta de sentir, pensar e agir (SCHEIN, 2009).
A força desta cultura depende do tempo de sua existência e da intensidade emocional com que as histórias são vivenciadas pelos seus membros, sendo o carisma seu principal mecanismo de fixação (SCHEIN, 2009).
É importante entender, porém, que a cultura de um grupo é criada a partir da interação entre seres humanos, cuja natureza complexa, deve ser percebida em várias dimensões, como a biológica, a psicológica e a sócio-histórica, contribuindo juntas à construção da ordem individual e a fixar seus limites (CHANLAT, 1996).
Ao professor, além do domínio do assunto, é solicitado introduzir em suas atividades acadêmicas competências que contribuam para delinear sua atividade docente (PERRENOUD, 2000).
Na visão dos alunos, ao bom professor, são dadas ênfases diferentes, dependendo da faixa etária destes. Segundo Kutnick e Jules (1993), em uma pesquisa realizada nas ilhas de Trinidad e Tobago com 1633 indivíduos, entre sete e dezessete anos, a partir de uma redação, cujo tema era “o que seria um bom professor”, verificou-se que:
- para os alunos de menos idade, o aspecto físico do professor é muito importante;
- para os intermediários, seria um bom professor, aquele que mantêm a ordem na sala, que os trata de forma igual e se preocupa com suas necessidades individuais;
- os mais velhos, conseguindo se expressar com mais clareza, compreendem que o bom professor deve ser bem treinado e altamente motivado, deve ser sensível e responder às necessidades dos alunos, incentivá-los para o processo de aprendizagem e ter responsabilidade em prepará-los para o mundo.
A valorização do aluno como agente social, o saber conviver entre culturas diferentes, na sala de aula (VIDAL, 2009), fazem da prática pedagógica uma importante ferramenta na condução da cultura de aprendizagem contemporânea.
A cultura de um grupo é criada a partir da interação entre iguais. É na interação com o outro que ele desenvolve sua identidade e seu sistema de aprendizagem, que pressupõe uma natureza social específica e um processo através do qual o indivíduo penetra na vida intelectual daquele que o ensina (VYGOTSKY, 1991).
Para que o processo de comunicação seja eficiente, a linguagem verbal e não verbal devem estar associadas de forma complementar, particular e simultânea (LEITE, 2012).
Entre os tipos de comunicação, a não verbal ou linguagem corporal, é a comunicação que apresenta uma quantidade maior de sinais sociais, comunicando ao outro nossos estados interiores. É a linguagem que reforça o que é dito com palavras, e em outros casos, entra em contradição com o que é dito verbalmente. (BZUNECK, 2010; LEITE, 2012)
Envolve ao mesmo tempo: elementos gestuais, presentes nos movimentos com as mãos, cabeça, olhos; elementos vocais, presente no timbre de voz e na sua entonação; e, aparência, presente no vestuário, uniforme, adereços, etc.
Muitas vezes, as palavras, os discursos e as ações geram conflitos e mal-entendidos. Isso explica o porquê de toda comunicação precisar ser parcial, uma vez que os mecanismos de repressão, confronto de ideias e ideais, podem entrar em choque com as necessidades de segurança e identidade dos indivíduos (CHANLAT, 1996).
A interação entre professor e aluno em sala de aula, acontece de forma recíproca: a conduta do professor reflete sobre a motivação do aluno para o aprendizado e, em contrapartida, a dedicação do aluno estimula a conduta do professor (KARLING, 2010).
A consciência desse processo, que se dá em sua dimensão psíquica, faz com que possamos entender a mecânica da interação entre ambos. Nesse sentido, pode-se encontrar no afeto, implicações diretas para o êxito da comunicação verbal e não verbal, entendendo como as relações vinculadas entre indivíduos, que compartilham a construção recíproca do processo, podem trazer consequências negativas para o êxito da aprendizagem (CHANLAT, 1996; FREIRE, 1997; LEITE, 2012).
As relações que se estabelecem entre o aluno e o conhecimento, tendo como mediador o professor, são marcadas pela dimensão afetiva. A dimensão em que o afeto e o intelecto se unem, mostra que o pensamento contém uma atitude afetiva com relação à porção da realidade, permitindo investigar as necessidades e os impulsos do indivíduo e a direção tomada pelos seus pensamentos, da mesma forma que o inverso, dos seus pensamentos ao seu comportamento e impulsos (VYGOTSKY, 1991, 2014).
A afetividade envolve as emoções e os sentimentos, estando o primeiro, vinculado à parte biológica relacionada aos componentes orgânicos, como corporais, motores e plásticos; e o segundo, relacionado à psicologia, envolvendo os componentes cognitivos e representacionais (KARLING, 2010; LEITE, 2012).
Dependendo de como a mediação pedagógica é desenvolvida, pode produzir impactos afetivos positivos ou negativos, caracterizados por movimentos de aproximação ou de afastamento entre o professor e o aluno e/ou entre o aluno e a aprendizagem.
Outros predicados importantes na prática pedagógica, porém relacionadas à sua dimensão psicológica, seriam: a humildade, a amorosidade, a tolerância, a decisão, a segurança, a paciência e a alegria de viver. Predicados estes, que não seriam inatos ou impostos por lei, mas uma necessidade que deveria ser incorporada à prática pedagógica, que tem no amor à profissão, seu aspecto mais sublime (FREIRE, 1997).
A prática pedagógica que se inicia no planejamento do curso e se materializa no seu desenvolvimento, traz consequências afetivas na relação, que se estabelecerá entre o aluno e os conteúdos ministrados. (LEITE, 2012).
A atividade docente deve assumir diferentes funções, procurando romper com a monotonia didática. Seja quando o professor escolhe os objetivos de ensino, quando organiza os conteúdos que serão ministrados, quando escolhe os procedimentos e atividades, sua forma de avaliar o aluno, juntamente com o domínio do conteúdo. (POZO, 2002; LEITE, 2012).
Para que haja um ambiente escolar dinâmico, a afetividade faz a diferença nas relações interpessoais professo-aluno e aluno-conteúdo, devendo estar presente no planejamento, no comportamento e nas decisões assumidas pelo professor (CHICKERING E GAMSON, 1999). O incentivo à interação entre alunos também é importante. A aprendizagem é maior quando há esforço de equipe, mais do que de forma competitiva e isolada. Compartilhar as próprias ideias melhora o pensamento, a produtividade, além de proporcionar um relacionamento positivo entre os componentes do grupo (CHICKERING E GAMSON, 1999).
As proposições acima citadas levam à terceira questão norteadora:
QN3: Qual a importância da interação para a motivação do aluno, em sala de aula, na visão destes?
3 METODOLOGIA
Neste capítulo serão apresentados os procedimentos metodológicos utilizados para a investigação do objetivo proposto nesta pesquisa, o qual visa investigar a importância da prática pedagógica adotada pelo professor como incentivo à motivação para o ensino- aprendizagem, em uma Instituição de Ensino Superior, na visão dos alunos.