• No results found

2. LITERATURE REVIEW

2.2 Techniques for glacier inventories

2.2.6 Classification methods and extraction of glacier boundaries

Uma pesquisa teórica diferencia-se da revisão de literatura, em objetivo e em estrutura. Trata-se de uma atividade exploratória, para a qual se faz necessário desenvolver procedimentos metodológicos. Assim como na pesquisa empírica, esses procedimentos foram passíveis de um processo de geração de dados, de análise e resultados.

O processo de geração de dados seguiu os procedimentos da bricolagem. Mais do que um procedimento, a bricolagem orientou-me sobre a atitude metodológica que deveria manter na abordagem do arcabouço teórico dos dois campos. Parti da percepção de que deveria buscar, diante da natureza complexa que envolve os processos de produção do conhecimento, repensar a crença racionalista na existência do conhecimento completo, onipotente. Significou desenvolver um diálogo entre os campos, voltado para a crítica de verdades já estabelecidas e, se não difundidas como únicas, estão sendo apreendidas e adotadas como tal.

Uma das principais contribuições da bricolagem se deu por sua característica de atribuir sentido ao que parece fragmentado. O esforço empreendido foi de unir, compor, trazer à luz pontos convergentes e divergentes. Nos divergentes, aqueles que se opõem de modo mais radical buscando os aspectos de complementaridade. Na medida em que adotei a fenomenologia como perspectiva metodológica para a pesquisa de campo, ambas as dimensões se encontraram também nesta tarefa de atribuição de sentido ao fenômeno, a partir de uma aproximação mais profunda de sua essência.

O processo analítico-interpretativo ocorreu de forma semelhante ao da dimensão empírica, visto que ambos tinham o mesmo objetivo em contextos diferentes: gerar os seus respectivos indicadores. Aqui, na dimensão teórica, conforme detalhado no capítulo que descreve o caminho metodológico, foram aplicados os procedimentos de codificação também de forma integrada, ou seja, fiz uso da teoria fundamentada nos dados da pesquisa, análise de conteúdo e análise e interpretação fenomenológica. Assim como ocorreu com os dados na dimensão empírica, os dados na dimensão teórica também não foram apresentados no corpo da tese, dado a extensão em número de páginas e também por se tratar de material do pesquisador. Optei por incluir, neste espaço, somente o resultado da última etapa de categorização.

O processo de codificação completo abrangeu a codificação aberta, a codificação axial e a redução. Na primeira houve uma seleção por classificação e associação livre de todas as partes da literatura que evidenciassem o potencial de se tornar categoria. Em seguida, na codificação axial, foi feita uma comparação entre todas as unidades de análise, para transformá-las em categorias.

Na última etapa do procedimento de redução, foi realizada uma nova seleção, a partir da comparação entre as categorias geradas. O objetivo desta nova seleção foi alcançar aquelas que detivessem maior grau de significação no aporte teórico das áreas e aquelas que mais se relacionavam ao objeto de estudo. Esta etapa consistiu em um agrupamento por meio da integração de categorias. Da comparação entre todas as categorias, separei aquelas que se referiam a fatores e a características.

Finalizando o processo, as categorias foram transformadas em indicadores teóricos. Estes indicadores compreenderam ou representaram os constituintes de cada fenômeno. Constituinte do fenômeno é tudo aquilo que denota a presença da criatividade ou da expertise nas pessoas, sistemas ou ambientes externos.

Depois de definir os indicadores, apliquei a mesma estratégia que foi adotada na dimensão empírica: selecionar os indicadores ou elementos catalisadores. Explicitados no capítulo que trata da dimensão empírica da pesquisa, esses elementos são aqueles que detêm a força da integração dos demais, quando colocados em interação. A diferença se deu quanto à natureza dos processos que ocorrem no âmbito da literatura clássica. A já discutida fragmentação e pouca frequência do diálogo entre as teorias, não me permitiu aplicar, neste estudo, a estratégia dos Espaços Relacionais, conceito também explorado e definido na dimensão empírica da pesquisa. Este insight para uma nova compreensão, no ambiente nativo, só foi possível em vista da conexão que existe no que emerge das relações entre conhecimento e experiência vivida. Sendo assim, considero que os resultados alcançados a partir da literatura refletem o caráter de simplificação que está intrínseco a tal ambiente.

3.10.1 Resultados: definição dos indicadores

O conjunto de indicadores teóricos da criatividade foi constituído, a partir dos termos que compõem um repertório da área. Tal repertório, por sua vez, é composto pelos termos ou expressões que mais se repetem, considerando as teorias clássicas mais reconhecidas no campo da criatividade.

Também com base neste repertório, há dois conceitos que foram destacados como elementos catalisadores. Os critérios para tanto foi a sua inserção e proximidade do que é considerado como a expressão clássica do pensamento criativo e o seu potencial de impacto na perspectiva de mudança que esta tese buscou para o campo da expertise. São eles:

a) Flexibilidade

Por denotar a amplitude da visão, a partir da capacidade de perceber questões conhecidas por um novo ângulo, esta capacidade contribui diretamente para o que se espera em termos de evolução e revolução do desempenho expert. O conceito de flexibilidade torna- se, assim, um indicador essencial na interação da criatividade na expertise, uma vez que pensar com flexibilidade pressupõe a aquisição de níveis avançados de conhecimento em domínios complexos e pouco-estruturados (SPIRO; JEHNG, 1990), conforme mencionado mais adiante. Na medida em superamos os padrões e avançamos na direção do pensamento flexível, tanto mais nos tornamos capazes de perceber respostas alternativas para a mesma situação.

b) Abertura

Podendo ser abordada como uma consequência direta da flexibilidade, a abertura soma-se em força catalisadora para permitir que a flexibilidade se materialize. No contexto desta tese, a abertura contribui também pela possibilidade de acolher as emergências, o acaso, o inesperado, desde que a imprevisibilidade se torna um conceito caro à visão que a dimensão empírica da pesquisa buscou inserir no campo da expertise. A abertura torna-se assim, não um ato momentâneo, mas um indicador de postura permanente, a partir da qual as pessoas reconhecem e valorizam seus próprios insights e se permitem vislumbrar novas oportunidades. Trata-se de uma abertura à totalidade, ou seja, para si e para o mundo, para o interno e para o externo. É uma abertura de espaços.

Ambas reforçam, assim, um modo de ser frente ao imprevisível, atitude difícil de manter na presença da procedimentalização. Denota, antes de tudo, uma capacidade de reconstruir o que está estabelecido como critério de certeza e de questionar criticamente o que dá suporte à fixação deste critério.

A partir desses elementos catalisadores, foram geradas as características e os fatores que a literatura da criatividade tem disseminado dentro dos seus conceitos e definições teóricos.

Características da criatividade, segundo a literatura: ‒ Capacidade de solucionar problemas

‒ Fluência

‒ Pensar por metáforas ‒ Originalidade ‒ Concentração ‒ Autorrealização ‒ Elaboração ‒ Inovação ‒ Perspectiva incomum ‒ Fantasia ‒ Emoção

‒ Pensar por analogias ‒ Inconformismo ‒ Impulsividade ‒ Confiança em si ‒ Persistência ‒ Energia ‒ Liderança ‒ Visionário ‒ Otimismo ‒ Tolerância à frustração

Fatores da criatividade, segundo a literatura: ‒ Tarefas desafiadoras

‒ Experiências positivas ‒ Apoio de superiores ‒ Estímulos intelectuais

‒ Ambiente físico com recursos ‒ Recursos tecnológicos

De modo semelhante ao conjunto de indicadores da criatividade, o conjunto de indicadores teóricos da expertise também foi constituído a partir dos termos que compõem um repertório da área. O critério de definição dos elementos indicadores levou em conta a incidência de citação destas duas expressões em, praticamente, todos os autores que abordam a expertise.

a) Estudo deliberado

No estudo individual tem-se um conceito essencial ao campo da expertise, citado e reforçado por todos os autores da área, com o mesmo grau de importância (ERICSSON; KRAMPE; TESCH-RÖMER, 1993), para defini-lo como uma espécie de habilidade perene na trajetória dos experts. O desafio explícito desse tipo de estudo é a melhoria constante do desempenho.

a) Prática deliberada

Assim como a relação que foi criada, aqui, entre flexibilidade e abertura, a prática deliberada pode também ser concebida como uma atitude decorrente do estudo deliberado. Na trajetória do expert, o estudo é sempre destinado à melhoria do desempenho, o que já pressupõe sua relação com a prática, como algo que se desencadeia “a partir de”. A prática deliberada se diferencia da prática por si, na vinculação com a meta de superar fragilidades e melhorar o desempenho. Santos e Hentschke (2009, p. 73) a caracterizam como “padrões de condutas otimizadas” que pressupõem uma “postura intencional frente às situações de prática”, cujo interesse é autorregular-se quanto ao domínio das condições que levam a um melhor desempenho. De acordo com estas autoras, uma prática só é deliberada, quando o expert:

1. Estabelece uma tarefa bem definida que represente um desafio pessoal a ser vencido;

2. Mantem-se o mais consciente possível no curso da tarefa a ser vencida; 3. Dispõe-se de persistência para repetir trechos e corrigir eventuais erros;

4. Busca estratégias alternativas para persistir e esforçar-se no comportamento frente às tarefas difíceis de serem realizadas.

Tendo como pano de fundo esses elementos catalisadores, foram geradas as características e os fatores que a literatura da expertise tem disseminado dentro dos seus conceitos e definições teóricos.

Características da expertise, segundo a literatura: ‒ Foco na meta estabelecida para si

‒ Motivação de longo prazo ‒ Habilidade autorregulatória ‒ Autocontrole ‒ Capacidade de metacognição ‒ Autorregulação ‒ Auto-observação ‒ Autorreação

Fatores da expertise, segundo a literatura: ‒ Treinamento intensivo

‒ Regra dos dez anos ‒ Concentração total

‒ Tempo extenso de preparação

‒ Experiência em um campo específico ‒ Esquemas adequados de feedback