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São Paulo, segunda-feira, 27 de setembro de 2010
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S.Paulo.
CRÍTICA ARTES VISUAIS
Inhotim apresenta curadoria eficaz
Com espaços para Miguel Rio Branco e Cosmococas, centro mostra arte brasileira de forma correta FABIO CYPRIANO
ENVIADO ESPECIAL A BRUMADINHO
Na última quinta, mais duas galerias abriram em Inhotim - Centro de Arte Contemporânea, do colecionador mineiro Bernardo Paz, ambas fora do núcleo inicial.
Os novos pavilhões foram projetados por Alexandre Brasil Garcia e Carlos Alberto Maciel, do escritório Arquitetos Associados, e configuram-se como inserções monumentais em meio à paisagem, mas distintos.
A galeria do artista Miguel Rio Branco é caracterizada pelo contraste: uma imensa caixa de aço em meio à floresta. O edifício, com dois pavimentos, reúne 12 obras do fotógrafo, de um extenso período: 1976 a 2004.
Polípticos (fotos apresentadas em conjuntos), instalações e filmes dão conta da complexidade de Rio Branco na criação de imagens.
Algumas obras são documentais, caso da radical "Nada Levarei Quando Morrer, Aqueles que Me Devem Cobrarei no Inferno" (1985), que também está em exibição na 29ª Bienal de São Paulo, enquanto outras são exercícios mais livres e poéticos, como "Entre os Olhos o Deserto" (1997), que mescla os gêneros retrato e paisagem.
122 Ao apresentar de forma extensiva a obra de Rio Branco,
Inhotim, assim como fez com Cildo Meireles, cumpre um papel que instituições de arte brasileiras não conseguem dar conta: apresentar a produção nacional contemporânea de forma adequada.
Essa missão também é vista na outra galeria nova, com as cinco Cosmococas de Hélio Oiticica e Neville d'Almeida, de 1973. A construção elegante é coberta com uma pedra mineira escura, que mimetiza seu entorno. Por dentro, todas as obras convergem para um mesmo espaço, o que não hierarquiza a visita.
ESPAÇOS GENEROSOS
As Cosmococas, que foram vistas na Pinacoteca em 2003, são uma das obras fundamentais de Oiticica e parecia absurdo que elas podiam estar em mostras permanentes de museus estrangeiros e só temporariamente no país.
A apresentação de todas elas -Trashiscapes, Onobject, Maileryn, Nocagions e Hendrix-War- em espaços generosos reforça ainda mais o caráter de Inhotim como local único para se conhecer a produção nacional.
Outras duas obras foram ainda inauguradas em espaços abertos de Inhotim: "Desert Park", de Dominique Gonzalez- Foerster, e "Palm Pavilion", de Rirkrit Tiravanija. Ambos, com projeção internacional, apresentam trabalhos que lidam com questões brasileiras.
O primeiro insere na paisagem simulações de proteções em pontos de ônibus, em debate sobre o modernismo nacional, enquanto o segundo, presente na 27ª Bienal (2006), é outra simulação, agora das casas projetadas pelo arquiteto Jean Prouvé para as colônias francesas.
São ótimas escolhas curatoriais, pois atestam que Inhotim pode apresentar certa originalidade em relação aos demais centros internacionais de arte.
INHOTIM - CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA
ONDE r. B, 20, Brumadinho, Minas Gerais, tel.
0/xx/31/3227-0001
QUANDO qui. e sex (9h30 às 16h30), sáb. e dom. (9h30 às
17h30)
QUANTO R$ 16 AVALIAÇÃO ótimo
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8.2.2. 02 de outubro de 2010 - A
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São Paulo, sábado, 02 de outubro de 2010
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CRÍTICA 29ª BIENAL DE ARTES
Bienal volta a ser epicentro das artes
plásticas
Apesar de contradições entre obras, mostra reúne trabalhos excelentes
FABIO CYPRIANO
DE SÃO PAULO
"Há sempre um copo de mar para um homem navegar." A 29ª Bienal de São Paulo revela-se uma mostra polifônica e aí reside sua força, e também sua fraqueza.
Em torno de arte e política -questão historicamente relevante, mas que sem um foco torna-se ampla demais- coexistem obras e propostas bastante diversas, com nexos difíceis de se compreender.
Numa exposição da dimensão do pavilhão da Bienal é compreensível que a curadoria, coordenada por Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos, opte por criar distintos eixos, mas podem-se constatar algumas contradições entre as obras, o que provoca enfraquecimento do tema.
Ocorre, por exemplo, na discrepância entre o que se pode chamar de artistas "históricos" e contemporâneos. As ações radicais, em sua maioria dos anos 60 e 70, dos argentinos Alberto Greco e do Grupo de Artistas de Vanguarda, de Paulo Bruscky, Lygia Pape e Hélio Oiticica, entre outros, reduz a produção atual, com algumas exceções, a um esteticismo pueril.
124 Afinal, como se pode entender nesse contexto obras de
artistas como Marcelo Silveira, David Cury ou Fernando Lindote, entre outros? Essa abrangência, por demais generosa, não só enfraquece o tema como põe em xeque a produção contemporânea, o que não parece ser a intenção dos curadores.
Contudo, essa Bienal, quando consegue realizar diálogos autênticos entre passado e presente, atesta sua pertinência. Foi assim com leitura livre do "Bailado do Deus Morto", de Flávio de Carvalho, um dos artistas-chave da mostra, com 50 atores do Teatro Oficina, no último domingo.
Quando Zé Celso, que dirigiu a ação, vestiu uma versão do traje "New Look de Verão", de Carvalho, e esbravejou impropérios como metralhadora giratória, enquanto seu grupo movia-se praticamente desnudo, ele injetou um espírito anárquico e politicamente incorreto na Bienal, comportada demais.
Mas, felizmente, ele não é exceção e, graças à polifonia da mostra, há trabalhos excelentes e, por conta dos terreiros, especialmente os da performance, da literatura e do cinema, há uma energia vibrante no pavilhão.
Assim, apesar de conceitualmente a Bienal ser muito frágil, sua complexidade e diversidade compensam a falta de organicidade e tornam, novamente, o pavilhão da Bienal o epicentro do pensamento artístico no pais.
29ª BIENAL DE SÃO PAULO
QUANDO sáb. à qua., das 9h às 19h, qui. e sex., das 9h as
22h; até 12/12
ONDE pavilhão da Bienal (parque Ibirapuera, portão 3, tel.
0/xx/ 11/5576-7600)
QUANTO grátis AVALIAÇÃO bom
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8.2.3. 02 de outubro de 2010 - B
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São Paulo, sábado, 02 de outubro de 2010
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CRÍTICAPARALELA
Conservadora e superficial, Paralela
10 tornou-se vítima do circuito que a
criou
DE SÃO PAULO
Quando surgiu, há oito anos, a Paralela, mostra organizada por galerias de arte da cidade, funcionava como uma das poucas vitrines para a arte contemporânea brasileira durante a Bienal de São Paulo.
Naquela época, nem tão distante, o circuito de arte não era mobilizado como agora e a Paralela fazia sentido. Em 2004, quando Moacir dos Anjos foi seu curador, a mostra chegou a ser considerada superior à Bienal, então organizada por Alfons Hug.
Em 2010, com uma extensa e excelente agenda de mostras paralelas e uma Bienal renovada, a exposição das galerias tem seu sentido enfraquecido.
E, para ficar ainda pior, o curador Paulo Reis optou por não repetir artistas da mostra do Ibirapuera, que tem nada menos que 59 brasileiros, o que tornou a sua uma espécie de salão dos recusados.
Se ainda a exposição agregasse conteúdo, ela teria validade, mas nem assim.
DEPARTAMENTOS
Intitulada "A Contemplação do Mundo", a exposição divide- se como uma loja de departamentos, por conta do
formalismo das leituras de seu curador.
Há a sessão de plantas e jardins, com os trabalhos de Mauro Piva, Brígida Baltar e Rosana Palazyan, todos abordando essa temática, ou o departamento de segurança, onde artistas
126 usam o revólver como elemento constitutivo de seus
trabalhos.
Se essas áreas totalmente literais da mostra não fossem suficientes, Reis ainda ocupa um dos lados do belo galpão do Liceu só com pinturas de grandes formatos, outra leitura formal, que reduz tais trabalhos à entediante temática do suporte, em pleno século 21.
Conservadora, óbvia e reunindo superficialmente artistas de todas as galerias que a patrocinam, a Paralela tornou-se hoje vítima do próprio circuito que a criou.
(FABIO CYPRIANO)
PARALELA 10
ONDE Liceu de Artes e Ofícios (r. Jorge de Miranda, 676,
tel. 0/ xx/ 11/3229-9389)
QUANDO ter. a sex., 12h às 18h; sáb. e dom., 10h às 18h;
até 28/11
QUANTO grátis AVALIAÇÃO ruim
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8.2.4. 05 de outubro de 2010
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São Paulo, terça-feira, 05 de outubro de 2010
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CRÍTICA "SE NÃO NESTE TEMPO"
127
lentes do passado
FABIO CYPRIANO
DE SÃO PAULO
"Se Não Neste Tempo -Pintura Alemã Contemporânea: 1989-2010", mostra em cartaz no Masp (Museu de Arte de São Paulo), é uma estranha forma de observar a produção de um país que passou por tantas e tão intensas transformações desde a queda do Muro de Berlim.
Estranha pois seleciona apenas a pintura como possível foco para análise desse período, quando esse tipo de divisão há muito deixou de ser importante para a produção
contemporânea.
E, como se sabe, sempre que se fala em volta da pintura, há uma estratégia de mercado para sustentar tal tese.
Trata-se, assim, de uma leitura convencional e conservadora que, em tempos de uma Bienal com a temática arte e política e tendo como uma das mostras paralelas a retrospectiva de Joseph Beuys, no Sesc Pompeia, torna a exposição na avenida Paulista de fato anacrônica.
Não que artistas como Gerhard Richter, Albert Oehlen ou Neo Rauch, entre os 26 "pintores" selecionados pelos curadores Teixeira Coelho e Tereza de Arruda, não sejam signficativos no panorama internacional.
Mas eles não são os únicos expoentes de um país que gerou nomes como Tino Sehgal, Gregor Schneider, John Bock ou Wolfgang Tillmans.
Falar apenas de pintura, em pleno século 21, é olhar o presente com lentes do passado, descuido que um museu do porte do Masp não pode realizar.
SE NÃO NESTE TEMPO
ONDE Masp (av. Paulista, 1.578, tel. 0/xx/11/3251-5644) QUANDO ter. a dom., 11h às 18h; qui., 11h às 20h; até
9/1/2011
QUANTO R$ 15 AVALIAÇÃO regular
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8.2.5. 18 de outubro de 2010
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São Paulo, segunda-feira, 18 de outubro de 2010
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CRÍTICA ARTES PLÁSTICAS
Mostra desafia a percepção dos
visitantes
"Sempre à Vista [Miragem]", em cartaz na galeria Mendes Wood, traz obras que se confundem com o espaço
FABIO CYPRIANO
DE SÃO PAULO
O circuito de artes plásticas paulistano se encontra num momento superlativo. Há uma Bienal inflacionada com 159 artistas, a Paralela, com outros 59; mais a expansão de várias galerias, também com mostras coletivas generosas, como "Primeira e Última, Notas sobre o Monumento", em dois espaços de Luisa Strina.
Nesse contexto, "Sempre à Vista [Miragem]", mostra organizada pelo artista Rodrigo Matheus, na galeria Mendes Wood, cria de forma inteligente uma pausa silenciosa e necessária.
Com obras de 18 artistas, a exposição é quase invisível (ironia ao seu título), já que muitos trabalhos estão
integrados ao espaço de tal forma que, em alguns casos, são mesmo difíceis de serem identificados.
É o caso de "Dez Mosquitos", de João Loureiro, imagens do inseto aplicadas diretamente à parede com carimbos: só se aproximando muito é possível vê-los. Ou então, no segundo andar, uma borboleta feita por folhas de árvores, de Nicolás
129 Robbio, obra sem título, que desafia o visitante ao confundir
representação e realidade, uma das temáticas centrais do artista argentino.
De certa maneira, "Sempre à Vista [Miragem]" lembra "This is Not a Void", que o curador Jens Hoffmann organizou na Luisa Strina, há dois anos. Lá também, era necessária uma percepção acurada para se localizar muitas obras, algumas históricas (Duchamp, Guy Debord...) e outras feitas para a mostra (Renata Lucas, Elmgreen & Dragset...).
Na Mendes Wood, isso se percebe também quando o
artista/curador apresenta "Pulmão", de 1987, obra já clássica de Jac Leirner, construída por invólucros de celofane, desses que protegem maços de cigarro, próxima a pequenas
intervenções de Fernanda Gomes, como encher um copo com água e deixar um espelho embaixo.
No entanto, enquanto a primeira se estruturou como um comentário irônico à chamada Bienal do Vazio, a atual se estrutura em torno do que representa a atitude artística e sua percepção. Aí, um trabalho exemplar é o móbile de Daniel Esteegmann, "Galho Partido", composto por um galho com suas ramificações cerradas ao meio. A ação, mínima nesse caso, como de resto em toda mostra, consegue impacto sem ser apelativa.
SEMPRE À VISTA [MIRAGEM]
ONDE galeria Mendes Wood (r. da Consolação, 3.368, tel.
0/xx/ 11/ 3081-1735)
QUANDO de ter. a sáb., das 11h às 19h. Até 30/10 QUANTO grátis
AVALIAÇÃO ótimo
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8.2.6. 23 de outubro de 2010
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São Paulo, sábado, 23 de outubro de 2010
130
Mostra de fotógrafo argentino resgata
traumas da ditadura
DE SÃO PAULO
Exilado na Espanha desde a década de 1980, o fotógrafo argentino Marcelo Brodsky retornou ao seu país na década seguinte. Foi quando achou uma foto de sua classe, no primeiro colegial, tirada em 1967.
"Depois de 25 anos, reencontrei meus colegas de classe e propus tirar uma foto de cada um, com elementos de sua vida atual, usando como fundo a foto de 1967", diz.
Essa imagem, que funciona como uma espécie de
"madeleine", de "Em Busca do Tempo Perdido", de Proust, é o centro da exposição "Buena Memoria, um Ensaio
Fotográfico de Marcelo Brodsky", que é inaugurada, hoje, pelo Memorial da Resistência, na Pinacoteca.
A foto realiza, assim, uma triste cartografia sentimental da história recente argentina, que inclui o desaparecimento de Fernando Rúbens Brodsky, irmão de Marcelo, sequestrado em 14/8 de 1979.
"Depois de 20 anos, as autoridades do colégio aceitaram, pela primeira vez, que nos lembrássemos daqueles que desapareceram ou foram assassinados pelo terrorismo de Estado", diz Brodsky.
A mostra traz dois vídeos, "Ponte da Memória"e "Brincando de Morrer", com imagens da infância dos irmãos Brodsky. Completa a exposição uma documentação do Parque da Memória, local construído para lembrar os sequestrados e desaparecidos durante a ditadura argentina.
(FC)
BUENA MEMORIA
QUANDO abertura, hoje, às 11h; de ter. a dom., das 10h às
18h; até 27/2/2011
ONDE Estação Pinacoteca (lgo. General Osório, 66, tel.
0/xx/11/ 3335-4990)
QUANTO R$ 6 (grátis aos sábados) AVALIAÇÃO ótimo
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131
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8.2.7. 23 de outubro de 2010:
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São Paulo, sábado, 23 de outubro de 2010
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CRÍTICA
Imagens traçam panorama da
evolução da arte da fotografia
A MOSTRA APONTA PARA O REQUINTE E O
APRIMORAMENTO TÉCNICO, AINDA NOS PRIMÓRDIOS DA FOTOGRAFIA
DE SÃO PAULO
Duas exposições na Pinacoteca do Estado traçam um ótimo panorama da história da fotografia na primeira metade do século 20, do retrato clássico, feito em estúdio, às
experimentações modernas.
"Estúdio de Arte Irmãos Vargas - A Fotografia em Arequipa, Peru - 1912/1930" reúne 75 imagens, em preto e branco, feitas pelos irmãos Miguel e Carlos Vargas.
Quando, atualmente, a realização de retratos se popularizou, já que até mesmo celulares são capazes desse registro, a mostra aponta para o requinte e o aprimoramento técnico, ainda nos primórdios da fotografia.
São impressionantes a clareza e o detalhamento das
fotografias da dupla, sejam nas poses dramáticas dos artistas, sejam nas típicas fotos de família daquele período, ou mesmo nos curiosos retratos de recrutas.
Um dos destaques da exposição são os negativos de vidro, exibidos numa área escurecida, que dá a eles ar de
preciosidade. Já "Gaspar Gasparian, um Fotógrafo" apresenta 150 imagens de uma fase da história da fotografia mais preocupada com a construção da imagem, retirando dela seu caráter meramente documental, como se vislumbra da mostra
132 peruana.
Gaspar Gasparian (1899-1966), dono de um estúdio fotográfico, representa bem esse momento experimental, estimulado pelos fotoclubes dos quais participou. A exposição de Gasparian reúne cerca de 150 imagens, realizadas principalmente nas décadas de 1940 e 1950, todas "vintage", ou seja, ampliadas na época em que foram
realizadas.
Através delas se percebe que, se Gasparian não possui necessariamente um tipo de registro peculiar, ele estava totalmente sintonizado com a produção de sua época, especialmente aquela voltada para a pesquisa.
É possível observar, num alto nível, desde seu trabalho pictorialista, quando a fotografia buscava se aproximar da pintura, até obras com caráter construtivo, onde objetos criam imagens geométricas.
(FABIO CYPRIANO)
ESTÚDIO DE ARTE IRMÃOS VARGAS/GASPAR GASPARIAN, UM FOTÓGRAFO
QUANDO de ter. a dom., das 10h às 18h; até 14/11
ONDE Pinacoteca do Estado (pça. da Luz, 2, centro, SP, tel.
0/xx/ 11/3324-1000)
QUANTO de R$ 3 a R$ 6 (sábado, gratuito) AVALIAÇÃO ótimo (ambas)
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8.2.8. 25 de novembro de 2010:
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São Paulo, quinta-feira, 25 de novembro de 2010
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133
CRÍTICA FOTOGRAFIA
Mostra sobre Brasília traça painel
crítico da história do país
DE SÃO PAULO
Nesse momento de certa euforia econômica, a exposição "As Construções de Brasília" traz um componente que provoca reflexões. A mostra organizada por Heloisa Espada, do Instituto Moreira Sales (IMS), exibe dois momentos da capital: um da construção, que culmina na inauguração com fotos de Thomas Farkas em torno do apoio popular a
Juscelino Kubitscheck (1956-1961); o outro, de uma visão crítica sobre o que se tornou Brasília, até a posse de Lula na série "Empossamento" (2003), de Mauro Restiffe.
Do primeiro momento, além de Farkas, a mostra traz imagens de Marcel Gautherot, o fotógrafo oficial da
construção de Brasília, e de Peter Scheier, todas da coleção do IMS.
Se, por um lado, elas reforçam um sentido utópico na construção dos edifícios de Niemeyer, por outro, não escondem a precariedade que envolvia a empreitada.
Isso é visto tanto nas imagens do Núcleo Bandeirante, favela que surge com a cidade, registro de Farkas, como na miséria da Sacolândia, moradias improvisadas ao redor do lago Paranoá, em fotos de Gautherot.
Essa aparente contradição entre moderno e arcaico, já captada na origem da cidade, será tema central do segundo núcleo da mostra, composta basicamente por artistas
contemporâneos, como Jac Leirner, Regina Silveira e Cildo