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Os valores ou as crenças de auto-eficácia pertencem à classe de expectativas ligadas ao desenvolvimento do próprio indivíduo. Bandura (1986) afirma que existem crenças a respeito da auto-eficácia ocasionadas por um julgamento das próprias capacidades em executar determinadas ações necessárias para se atingir uma

performance adequada. Schunk (1987) especifica que, na área escolar, certos

estudantes acreditam de tal modo na auto-eficácia que dão conta de realizar determinadas tarefas com uma qualidade bem determinada.

A auto-eficácia distingue-se de outros tipos de expectativas que são focalizados em pesquisas sobre motivação, especialmente o auto-conceito e as auto-percepções de competência e capacidade (BANDURA, 1986; PAJARES, 1996; 1997; SCHUNK, 1987). Esses dois últimos construtos não se referem, de modo específico, a particularidades da situação e nem a uma tarefa analisada em detalhe. Assim, um estudante pode manifestar auto-conceito positivo em relação à área de matemática, por exemplo, mas, diante de certo problema novo, poderá julgar-se sem condições de poder resolvê-lo, isto é, não tem uma crença de auto-eficácia num grau desejado. A crença de auto-eficácia é pontualizada a uma tarefa bem específica com que a pessoa está se defrontando. O auto-conceito e as auto-percepções de capacidade têm um caráter mais genérico do que auto-eficácia, mesmo se referindo a alguma área específica.

Embora distintos, esses construtos não são opostos nem antagônicos e, para a motivação, ambos atuam e se complementam. A auto-eficácia, por sua vez, faz parte do auto-conceito. Sem um auto-conceito positivo referente a uma área de atividade, não haveria aplicação de um esforço adequado, e também não poderia faltar o julgamento de auto-eficácia, focalizada naquela tarefa definida e circunstanciada.

Importante também é a distinção entre as crenças ou expectativas de auto- eficácia e expectativas de resultados (BANDURA, 1986). Expectativas de auto-

eficácia se referem às capacidades individuais de realizar as ações. As expectativas de resultados, porém, dizem respeito aos efeitos dessas ações, quer dizer, sobre os resultados sobre os quais a pessoa pode não ter nenhum controle. Por exemplo, um estudante, com acentuadas crenças de eficácia para fazer certo trabalho escolar, pode não ter expectativas positivas de que o professor irá valorizar sua performance, isto é, suas expectativas de resultados serão baixas. Bandura considera esse controle como parte integrante de um sistema mais abrangente de controle percebido, juntamente com a auto-eficácia, e que influencia sobremaneira a qualidade de vida das pessoas. Em outras palavras, todo ser humano necessita sentir-se com auto-eficácia diante de cada desafio ou obstáculo da vida e, ao mesmo tempo, tendo o controle sobre os resultados das próprias ações (BANDURA, 1986; 1995; SCHUNK, 1990).

De acordo com Bandura (1986; 1979; 1982), os julgamentos de auto-eficácia de uma pessoa determinam seu nível de motivação. É devido a esses julgamentos que a pessoa tem um incentivo para agir e, por isso, responde com uma determinada direção em suas ações, porque pode antecipar mentalmente o que realizar para obter determinados resultados. Portanto, as crenças de auto-eficácia influenciam nas escolhas de procedimentos de ação, no estabelecimento das metas, na quantidade de esforço a empregar e na perseverança em buscar os objetivos. Esses resultados foram obtidos através das pesquisas originais de Bandura e de seus colaboradores, com indivíduos que estavam fazendo terapias clínico- psicológicas, portadores de certas fobias e dependências (PAJARES, 1996).

Bandura (1986) considera os julgamentos de auto-eficácia atuantes como mediadores entre as reais capacidades, aptidões, conhecimentos e habilidades, e a própria performance. Quer dizer, esses outros fatores, que igualmente contribuem para se predizer o desempenho realizado, não poderão produzir as esperadas conseqüências, a não ser que ocorra a mediação das crenças de auto-eficácia.

Na revisão de literatura realizada por Pajares (1996; 1997) e Zimmerman (1986), fala-se da relevância dessas crenças de auto-eficácia sobre a motivação e o desempenho escolar. Schunk (1987) concluiu que os estudantes com crenças mais fortes de auto-eficácia conseguiam resultados melhores na solução de problemas de matemática e em tarefas de leitura do que outros estudantes com crenças mais

fracas. Mais ainda, essas pesquisas concluíram que as crenças de auto-eficácia prognosticavam com mais segurança o nível de performance nas aprendizagens, mesmo quando havia o controle das variáveis como desempenho anterior e habilidades cognitivas.

É importante mencionar também os efeitos que as crenças de auto-eficácia podem exercer sobre a aprendizagem auto-regulada. Os estudantes auto-regulados podem ser caracterizados como sendo aprendizes ativos, porque gerenciam de maneira eficiente e com flexibilidade seu próprio processo de aprendizagem e da sua motivação. Eles estabelecem metas para si próprios e dirigem seus esforços para consegui-las, e coordenam sua própria motivação, em razão das exigências de cada tarefa. Dispõem de um ampliado leque de estratégias cognitivas e metacognitivas de aprendizagem, sendo capazes de selecionar aquela estratégia mais adequada a ser usada na prática ou mudá-la, se for necessário. Daí, se conclui que esses estudantes ativos, com crença em sua auto-eficácia, são a antítese do estudante mais dependente e receptivo, que é controlado externamente ou não tendo governo algum. Os estudantes ativos são os aprendizes auto-regulados mais bem motivados, são independentes e participantes ativos de sua própria aprendizagem (BANDURA, 1982; ZIMMERMAN, 1986; 2000).