6 Causation: analyses and results
6.1 Mobility
6.1.2 The case of Emma
método eficaz, pelo facto de ter indicadores que nos ajudam a recolher a informação pertinente, pois segundo Sousa & Baptista (2011) estas grelhas devem conter categorias já inseridas, nas quais são refletidas as atitudes e os comportamentos observáveis pelo investigador.
Após um dia e meio, durante os quais tive o privilégio de realizar as observações referidas anteriormente, verifiquei que as minhas expetativas foram, em grande parte, alcançadas. No que concerne à sala de atividades, está organizada de forma idêntica às salas de Jardim de Infância, com diversas áreas, proporcionando às crianças atividades lúdico-pedagógicas. Fiquei também a conhecer a rotina diária deste grupo de crianças, verificando que os momentos dedicados à higiene, alimentação e sono preenchem grande parte do dia, e são momentos a valorizar. Uma das ideias preconcebidas que desconstrui, prende- se com o grau de autonomia das crianças, pois achava que nesta faixa etária seriam menos autónomos do que são, e ainda outra aprendizagem que efetuei, diz respeito à diversidade de níveis de desenvolvimento quanto à utilização da fralda e expressão oral, pois não tinha a perceção que apesar da idade cronológica ser próxima as crianças estão em níveis diferentes.
Concluo assim que o tempo de observação, permitiu-me ter uma maior compreensão do contexto de Creche, destacando a rotina diária do grupo de crianças. Revelou-se ser uma mais-valia, o facto de ser observação participante, pois o contacto com o grupo possibilita ter uma preparação para as intervenções futuras.
Bibliografia
Matias, G., & Vasconcelos, T. (2010). Aprender a ser educador de infância: o processo de supervisão na formação inicial. Da Investigação às Práticas - Estudos de Natureza Educacional , X, 17- 41.
Sousa, M. J., & Baptista, C. S. (2011). Como Fazer Investigação, Dissertações, Teses e Relatórios
Segundo Bolonha (2.ª Ed.). Lisboa: PACTOR.
Reflexão da 8.ª Semana
No decorrer desta semana, as intervenções estiveram sob a orientação da Carolina. Sendo que eu estive mais presente nos momentos da rotina, bem como com o restante grupo na brincadeira livre, durante as atividades orientadas em pequenos grupos.
De uma forma global faço um balanço positivo desta semana. Contudo, no que concerne às atividades orientadas, por decorrerem em pequenos grupos, nomeadamente na quarta-feira, não estive presente, pois estive com as restantes crianças no espaço polivalente da Creche.
Esta foi uma semana marcada por novas experiências e consequentemente novas aprendizagens.
Pelo facto do dia de São Martinho, ser nesta semana, e este ser caracterizado pelo degustar das castanhas, na segunda-feira fomos à rua com as crianças comprar castanhas. Foi um momento diferente, pois nunca havia experienciado sair da Creche com um grupo de crianças tão pequenas e até então pensava que isso não fosse possível, por achar que as crianças dispersariam e seria difícil realizar o objetivo da saída. Contudo, verifiquei o oposto e no momento da saída, não pensei nesses receios, mas sim nos cuidados a ter, nomeadamente agasalhar bem as crianças, tendo em conta que estava um dia frio e chuvoso. Uma vez que esta saída ocorreu em simultâneo com as crianças da Pré, esteve presente o sentido de cooperação, pois cada criança da pré teve a responsabilidade de levar uma das crianças da Creche, durante o tempo de deslocação. Devido ao estado do tempo, o percurso teve que ser alterado, de forma a que fosse coberto durante a máxima distância possível. Assim para ser mais rápido, fomos nós adultos a levar as crianças da Creche no espaço descoberto, tendo em atenção ao atravessar a estrada e andar com cuidado para ninguém escorregar.
Uma vez que o educador também tem que saber improvisar, enquanto esperávamos abrigados da chuva para as crianças irem comprar as suas castanhas, utilizei várias estratégias para mantê-las ocupadas durante esse tempo, pois iam apenas duas de cada vez até junto da vendedora. Para tal baixei-me até ao nível das crianças e comecei a cantar a canção das castanhas, mimada. De seguida chamei à atenção para o fumo que saia do assador de castanhas e perguntei a cor de 2 autocarro que entraram na rodoviária, por terem uma pintura mais uniforme (um vermelho e outro azul), e ainda observamos o nosso reflexo na montra da loja. Na minha opinião as estratégias resultaram bem, pois as crianças permaneceram no mesmo local, mas tinham focos de atenção diferentes.
Este foi um momento de aprendizagem para mim, mas também para as crianças, pois também aprendem em contacto com a comunidade uma vez que “ (…) as crianças não deverão ficar confinadas a um espaço didático monolítico, mas necessitam, no sentido de viver uma diversidade de experiências, de ter acesso a espaços plurais como espaços na natureza, espaços na comunidade, espaços nos centros, ligações entre o
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centro e os contextos familiares ” (Oliveira-Formosinho & Araújo, 2013, p. 17). Nesta saída, as crianças tiveram contacto com o dinheiro, visto que cada uma recebeu uma moeda para pagar as suas castanhas. Tenho pena que devido ao estado do tempo, foi tudo mais rápido para estarem expostos ao frio o mínimo de tempo possível, e não deu para aproveitar a saída de uma forma mais geral.Na terça-feira as atividades decorreram na Creche e as crianças exploraram objetos com diferentes texturas. Foi uma atividade que originou envolvimento por parte das crianças, por ser apelativa uma vez que proporcionavou aprendizagens tendo em conta o estádio de desenvolvimento, sensoriomotor, visto que o conhecimento físico
adquire-se através da comprovação empírica das propriedades físicas dos objectos sobre que se actua. A criança acumula os dados que obtém ao observar e manipular objectos, como a cor, o peso, o tamanho, a forma…, ampliando assim o seu conhecimento físico dos mesmos. Este tipo de conhecimento empírico, concreto, é o característico da fase infantil (Azevedo & Silva, 1997, p. 907).
De igual modo, na quarta-feira as crianças contactaram com os mesmos materiais, mas desta fez a exploração foi feita com os pés. Contudo não observei a atividade desenvolvida pela minha colega, pois pelo facto desta ser realizada em pequeno grupo, estive com as restantes crianças no espaço polivalente da Creche. Durante esse tempo, destinado à brincadeira livre, participei nas brincadeira das crianças, com as bolas, intervindo na resolução de conflitos e aproveitando os arcos para propor algumas brincadeiras, como saltar para dentro e para fora destes. Comecei esta brincadeira com uma criança e logo mais três juntaram-se a mim, pois também queria fazer o mesmo. Este tempo é destinado às escolhas das crianças, quanto ao modo e objetos com os quais querem brincar, contudo a presença do educador é crucial estando (…) física e emocionalmente disponíveis para observarem e interagirem com as crianças. Ao mesmo tempo, respeitam a necessidade que as crianças têm em explorar e brincar ao seu próprio ritmo com pessoas e materiais que lhes interessam particularmente (Post & Hohmann, 2011, p.251).
A nível da organização e gestão do grupo, considero que esta semana melhoramos nos momentos de transição. Visto que introduzimos um fantoche em forma de borboleta, por ser destinada à sala das borboletas, a meu ver resultou muito bem, pois as crianças ficaram surpresas com aquele objeto novo e tudo o que envolvia a “participação” da borboleta despertava de imediato a atenção das crianças. No momento de formar o comboio, a Carolina utilizou-a para chamar as crianças e pude observar que ao contrário dos outros dias, estas permanecerem, maioritariamente, sentadas à espera de ouvir o seu nome. Estes momentos são tão importantes como os momentos de atividade orientada, pois fazem parte da rotina, tendo em conta que
ao longo do dia, qualquer que seja o contexto de educação pré-escolar, as crianças passam por muitos períodos de transição (…) as transições bem planeadas fazem muitas vezes a diferença entre um dia difícil e um dia que se passa de forma suave, tanto para as crianças como para os adultos (Homann & Weikart, 2011, p.443).
Em relação à atuação da Carolina, na minha opinião, houve melhorias em relação às intervenções anteriores. A velocidade do discurso diminuiu e a estratégia que ela adotou ao cantar uma canção adaptada para chamar as crianças para o comboio, bem como a “dramatização” com a borboleta, foram bem-sucedidas, pois os momentos de transição decorreram com mais facilidade e mesmo a introdução de novas atividades, foi mais fácil, pois a borboleta captava logo a atenção das crianças.
Quanto à minha intervenção, esta semana senti-me mais descontraída e tentei ter sempre um sorriso para as crianças bem como chamar à atenção de forma calma. Senti que por interagir com as crianças no momento da colocação da fralda e enquanto estavam na casa de banho, foi uma boa estratégia, pois observei que as crianças gostaram da interação física ao fazer cócegas, e verbal por conversa, revelando-o através das respostas verbais, bem como por sorrisos. Estes momentos tornaram-se ainda mais agradáveis, após esta pequena mudança de atitude da minha parte, ao descontrair, fez a diferença, uma vez que
durante a mudança de fraldas e higiene, as crianças nesta fase retiram um gozo enorme em interagir com o educador através de outros jogos simples (…) fazendo cócegas, deixando cair a fralda ou outro objeto que esteja à mão ou apontando para as partes do corpo (…) (Post & Hohmann, 2011, p.231).
Na minha opinião, a alteração no meu comportamento fez a diferença quanto à interação com as crianças, sendo um momento propício para solidificar a relação existente, tendo em conta que
embora os bebes e crianças não saibam ler palavras, elas sabem ler pessoas. Distinguem entre educadores que encaram os cuidados corporais como algo desagradável ou penoso e aquelas que têm prazer na interação com eles durante os cuidados corporais. Quando os educadores compreendem o impacto destas interações com as crianças, dão uma maior atenção à criança a quem estão a mudar a fralda, ou a vestir, lavar ou dar assistência na casa de banho. Eles sabem que o interesse genuíno pela criança fortalece o elo de ligação entre si e a criança bem como os sentimentos de confiança e de segurança por parte da criança (Ibidem, p. 234 e 235).
Esta semana vivenciei outra grande conquista. Consegui fazer com que uma das crianças, que até então só comia a parte triturada da sopa, comesse tudo, inclusive as partes solidas. Conversei com ela e fi-la perceber que se não mastigasse a sopa, também não podia mastigar o bolo à sobremesa. Cada vez que colocava a colher na boca da criança, incentivava-a dizendo para usar os dentinhos para mastigar e que