Como apresentado nos estudos de caso, a implantação de medição individualizada de água em condomínios induz a dois benefícios imediatos, a justiça social e a economia de água. A abordagem em períodos distintos, obtendo resultados similares ao que tange a economia de água, como retratado na Tabela 5.1, demonstra o grande potencial disponível de redução da demanda de água na cidade de São Paulo, por meio da implantação desses sistemas. Isso porque, além dos edifícios projetados, é possível individualizar edifícios mais antigos, apesar das distintas tipologias construtivas.
Tabela 5.1. Quadro comparativo dos estudos de caso.
Condomínio Apartamentos Hidrômetros instalação Local da Redução do consumo Edifício com múltiplos
ramais (1980 a 1998) 96 386
Banheiros e área de serviço
39%
Edifício com único
ramal (1999 a 2008) 62 62
Área de
serviço 15% Edifício com único
ramal (2009 a 2014) 42 42
Hall de
serviço 23%
Fonte: CARVALHAES, M.
Posto isso, recomenda-se às concessionárias e entidades de classe que regulamentam os sistemas de medição individualizada de água que passem a abranger edifícios não preparados e, por sua vez, que o poder público do Estado de São Paulo estimule a implantação desses sistemas.
No tocante aos novos projetos, para que sejam facilitadas as etapas de instalação, manutenção e operação, bem como reduzidas as possibilidades de fraude, recomenda-se que, ainda na fase de projeto, seja prevista a instalação do equipamento na área comum do edifício em uma altura máxima de 1,50 metros, a
fim de que seja facilitada a leitura e uma altura mínima de 0,50 metros para minimizar um possível dano ao equipamento.
Ademais, o trecho de tubo disponível para instalação do hidrômetro deve ter pelo 0,50 metros, para que sejam acomodados o hidrômetro e as conexões necessárias, cuja distância pode variar conforme o diâmetro, o material do tubo e o modelo do hidrômetro. Já quanto aos casos que exigem uma menor distância trata- se da instalação de um hidrômetro unijato, com vazão nominal de 1,5 m3/h instalado em um tubo de PVC de 25mm, no qual são necessários 0,36 metros de tubo.
Portanto, em conjunto com a determinação do hidrômetro na fase de projeto, recomenda-se a especificação de sistemas de medição remota, uma vez que os alarmes por eles disponibilizados são uma ferramenta importante para o plano de conservação de água, além de promoverem a redução do tempo de medição e dispensarem a entrada no condomínio, já que as leituras são feitas a longa distância.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, G. G. de. Avaliação Durante Operação (ADO): Metodologia aplicada aos sistemas prediais. 1994. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994.185 p.
AMBROZEWICZ, P. H. L. Sistema da qualidade: Programa brasileiro de
qualidade e produtividade no habitat. Curitiba: Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial Departamento Regional do Paraná. 2003. 319 p.
AGENCIA NACIONAL DE ÁGUAS. Avaliação Durante Operação (ADO):
Disponibilidade e demanda de recursos hídricos. Caderno técnico. 2005.
Brasília, 2005. 134 p.
______. Comunicado conjunto ANA/DAEE – Sistema Cantareira nº243. Comunicado oficial. 05/03/2015. Brasília, 2015. 1 p.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5626: 1998.
Instalação predial de água fria. Rio de Janeiro, ABNT 1998. 41 p.
______. ABNT NBR 15806: 2010. Sistemas de medição predial remota e
centralizada de consumo de água e gás. Rio de Janeiro, ABNT, 2010. 30 p.
BENNET, D. National multiple family submetering and Allocation billing
program study. Estudo realizado para a East Bay Municipal Utility District. Estados
Unidos, 2004. 340 p.
CARDÃO, C. Instalações Domiciliares. Editora Engenharia e Arquitetura. Belo Horizonte,1985. 448 p.
CERAVOLO, F. A pré-fabricação em concreto armado aplicada a conjuntos
habitacionais no Brasil. 2007. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) – Escola de Engenharia de São Carlos. São Carlos, 2007. 132 p.
CONSELHO NACIONAL DE METROLOGIA – NORMALIZAÇÃO E QUALIDADE INDUSTRIAL – CONMETRO. Resolução nº 11. Brasília, 1988. 8 p.
CBCA. Habitação de Interesse Social. Revista Arquitetura & Aço. São Paulo: CBCA, Dezembro, 2010. n. 23.
EPAL. Manual de redes prediais. 2011. Norma técnica. Grupo Águas de Portugal. Portugal, 2011. 154 p.
FONTES, I. R. Desenvolvimento de um hidrômetro de baixo custo. 2004. 6 p. Artigo técnico, Departamento de engenharia elétrica, UNESP, Bauru, São Paulo, 2004.
GONÇALVES, O. M. Medição individualizada em edifícios residenciais: uma realidade? 3 p. Revista Hydro. São Paulo, Novembro de 2006.
GONÇALVES, O. M. Medição individualizada de água em edifícios residenciais. II Workshop – Ações necessárias para a implantação da conservação e reuso de água em edificações, São Paulo, 2006, Sinduscon-SP.
GOVERNO DE QUEENSLAND. Amended Water Act 2000 & Water Supply (Safety
and Reliability) Act 2008. 2008. Brisbane, Austrália. Legislation Amendment Bill
2007 Act No. 57 of 2007. 47 p.
HESPANHOL, I. Um novo paradigma para gestão dos recursos hídricos. Estudos avançados. São Paulo. v. 22. n. 63, p. 131-158, 2008.
ILHA, M. Sistemas de medição individualizada em edifícios: os elos da corrente.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/27032002pnsb.shtm acessado em
10/11/2015.
ISAAC, Solimar M. Parque CECAP Guarulhos: Transformação Urbana. 2007. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. n 164.
LEAL, R; VICÀRIA, L. Vai faltar água? Revista Época. São Paulo, 16 de julho de 2007. n° 478. 138 p.
MINISTÉRIOS DAS CIDADES. Programa brasileiro da qualidade e produtividade
em habitações. Brasília. Disponível em http://www2.cidades.gov.br/pbqp-h/
acessado em 08 de junho de 2014.
MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR – MDIC – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO Portaria nº 246 de 17 de outubro de 2000.
MROZINSKI, D. New approaches to automatic consumption meter reading in
Germany. Frankfurt: Techem GmbH Computer Standards and Interfaces, 1991. 10
p.
NIELSEN, M. J. Medição de água: Estratégias e Experimentações. Curitiba: Optagraf Editora. 2003. Primeira Edição. 218 p.
NUNES, S. Melhoria da qualidade de projeto de sistemas prediais para
implantação do subsistema de medição individualizada de água em condomínios residenciais. Artigo técnico, XII Encontro nacional de tecnologia do
OLIVEIRA, Lúcia Helena de. Metodologia para a implantação de programa de
uso racional da água em edifícios. 1999. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999. 377 p.
______. Oficina de sistemas prediais de água quente. Artigo técnico, Conselho brasileiro de construção sustentável, São Paulo, SP. 2008. 8 p.
______; ILHA, M.S.O.; GONÇALVES, O.M. A influência do método de determinação de vazões de projeto no dimensionamento de sistemas de medição individualizada. In: X Simpósio nacional de sistemas prediais, 2007, São Carlos, Anais São Carlos, UFSCar, ANTAC, 2007a, CD ROM.
PERES, A. R. B. Avaliação durante a operação de sistemas de medição
individualizada de água em edifícios residenciais. 2006. Dissertação (Mestrado)
– Escola de engenharia civil, Universidade Federal de Goiás. 2006. 161 p.
PROACQUA. Sistemas de medição individualizada de água: Aquisição e gestão dos dados. São Paulo, 2008. 39 p. v.2.
______. Sistemas de medição individualizada de água: Aquisição e gestão dos dados. São Paulo, 2008. 45 p. v.3.
ROMANO, Ellen. Making submetering esier to swallow. Journal of Property
Management, EUA, 1998. 7 p.
ROZAS, N. Implantação de Sistemas de Leitura Automática de Medidores de
Insumos Prediais. 2002 Dissertação (Mestrado) Escola Politécnica, Universidade
de São Paulo, São Paulo, 2002. 157 p.
SABESP. NTS 277 Critérios para implantação de medição individualizada em
condomínios verticais e horizontais. 2008. Norma técnica. Companhia de
______. NTS 279 Medição individualizada em condomínios verticais e
horizontais – sistema interno de automação. 2008. Norma técnica. Companhia de
saneamento básico do Estado de São Paulo. São Paulo, 2008. 30 p.
SANASA. Instruções técnicas para medição individualizada de água em
condomínios verticais. Documento operacional SANASA. 11ª revisão. Campinas,
SP. 2015. 23 p.
SILVA, S. Avaliação do sistema de medição individualizada de água em prédios
populares situados na cidade de Salvador - Bahia. Mestrado. Escola Politécnica
da Universidade Federal da Bahia. Salvador, BH. 2010. 145 p.
TECHEM. Catálogo técnico. São Paulo, 2015. 4 p.
WALKER, G. International experiences of sub-metering: Na analysis of four
case cities to inform planning for domestic metering in Greater London Area.
2007. Artigo técnico. Londres, Inglaterra. Waterwise project. 22 p.
WHATELY, M. Haverá água para todos?. 2009. Artigo técnico. http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=107 2009, acessado em 03/09/2015.